JOSÉ ROBERTO SADEK FALA SOBRE “CRÔ – O FILME” EM ENTREVISTA PARA A FOLHA

O caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, versão online, entrevistou o cineasta José Roberto Sadek, autor do livro Telenovela – Um olhar do cinema (Summus Editorial). A reportagem, intitulada “Personagem Crô não é caricatura rasa, segundo especialistas e dramaturgos”, faz uma análise sobre Crô: o Filme, em cartaz no circuito nacional. O mordomo gay cheio de trejeitos, vivido pelo ator Marcelo Serrado, foi criado pelo autor Aguinaldo Silva, que também assina o roteiro do longa. Leia a reportagem na íntegra: http://goo.gl/VFcK6l

As tramas de novela e seus personagens – alguns memoráveis e inesquecíveis – atraem milhões de pessoas para frente da televisão todos os dias. Mas o que justifica esse interesse inabalável, que sobrevive há tanto tempo, mesmo diante de tantas alternativas de entretenimento? A resposta é simples: o antigo prazer de ouvir uma boa história. E a telenovela, segundo o cineasta José Roberto Sadek, nada mais é do que uma maneira moderna de contar histórias. Em seu livro, lançado em 2008, ele apresenta um trabalho inédito: discorre sobre o surgimento dessa modalidade, compara sua estrutura dramática com a do cinema e mostra ângulos pouco conhecidos desse fenômeno de massa da cultura brasileira.

Com base em estudos consagrados sobre as narrativas do cinema clássico, o autor expõe peculiaridades das telenovelas, por exemplo: a correção de rumo durante a produção e os andamentos das tramas; o uso de critérios não-dramáticos, como razões industriais e de mídia, na divisão dos capítulos; e a produção de várias tramas encadeadas e independentes, que constituem um zapping sem mudar de canal. Para corroborar sua tese, ele compara produções marcantes, como O bem-amado, Belíssima e Paraíso tropical, bem como os filmes O cangaceiro, Carandiru e Cidade de Deus, revelando alguns de seus segredos.

“Olhar a telenovela com base em paradigmas cinematográficos permite perceber nela características de linguagem atípicas no conjunto dos dramas encenados. Muito dessa originalidade vem da raiz folhetinesca e das histórias contadas em parcelas, das quais As mil e um noites parecem ser a matriz inicial”, explica.

Por outro lado, segundo o autor, a telenovela, por ser audiovisual, não se adapta integralmente à sua raiz literária. Em vez disso, agrega condicionantes de produção e de mídia, como o grande peso das emissoras, a influência dos índices de audiência e a atuação dos anunciantes sobre temas e personagens, que não são elementos dramáticos, mas têm participação decisiva no novo padrão de linguagem.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1098/Telenovela

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