Texto de Melissa Santos, publicado no Yahoo em 14/05/2020.

Logo que “Brincando com Fogo” (“Too Hot to Handle, em inglês), da Netflix, estreou no Brasil, o reality show foi parar no topo da lista de produções mais assistidas. Sem dúvida, muita gente ficou curiosa para entender o objetivo do programa que reuniu participantes solteiros e “atraentes” –com corpos e tipos físicos tidos como ideais pela sociedade– para ficarem juntos em uma casa sem poder ter relações sexuais, beijos e masturbação.

Os participantes, que descreveram no início do programa sua vida sexual ativa e falta de vontade de um relacionamento sério, só foram avisados dessas regras posteriormente pela robô Lana. Segundo a assistente virtual, eles deveriam se abster de sexo por um mês para obter duas conquistas: 1) um prêmio de 100 mil dólares, que sofreria redução caso as regras fossem quebradas e 2) conseguir se conectar e ter relações amorosas mais profundas.

A premissa é que ao evitar o sexo sem compromisso, focado apenas na atração física, os homens e mulheres do jogo se conheceriam mais e poderiam iniciar um relacionamento sério. A afirmação dividiu opinião entre os especialistas ouvidos pelo Yahoo.

De acordo com Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e especialista em terapia de casais e famílias pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), não partir para o sexo de primeira pode, de fato, contribuir para quem está querendo uma conexão mais profunda.

“Principalmente se a pessoa valoriza apenas o tesão imediato, aí o sexo casual pode prejudicar. Se não há envolvimento amoroso, você pode ter preconceitos que te impedem de iniciar certas relações, por exemplo, ela/ele é muito alto. Quando a pessoa se permite se relacionar primeiro, se encantar com o papo e só se envolver fisicamente depois, muitas vezes ela sequer lembrará quais eram esses problemas e pode se surpreender e se relacionar com alguém legal”, afirma.

Claro que construir uma relação não é simples e tampouco rápido. Leva tempo, dedicação, encontros e, também não podemos ignorar que a atração física, principalmente de início, também é levada em conta. “O beijo é a porta de entrada. Se ele não bate, muitos casais sequer vão adiante. No fundo, um relacionamento é uma construção. É o jeito da pessoa ser, como ela fala, o que vocês têm em comum, a admiração. Mas todos esses aspectos, sem dúvida, impactam na química e no sexo”, avalia Marina.

Já Carla Guth, psicóloga especializada em relacionamentos e família, acredita que não é possível confirmar ou não a teoria do reality, principalmente por conta do prêmio de dinheiro envolvido. “A premiação funciona como um estímulo para que as pessoas reprimam e controlem seus desejos. O prazer está ali, mas eles camuflam e escondem só para ganhar dinheiro”, diz.

Para Tiago Brumatti, sexólogo somático, o sexo é parte importante de uma relação e não impacta ou atrapalha conexões mais profundas. De qualquer forma, ele avalia que antes de mais nada é preciso levar em conta o tipo de expressão sexual do seu parceiro. “Há um estudo de David Schnarch que traça esses perfis. No caso do reality, a expressão dos participantes era focada em fantasias e conectadas com interpretações de papéis. Eles pensavam no sexo como aventura sexual e desejo e perdiam o interesse na hora de aprofundar o relacionamento”, destaca.

Por isso, o sexólogo acredita que os casais devem ter abertura para conhecer suas expressões sexuais e poder colocá-las em prática no dia a dia para ter um relacionamento sexualmente saudável. “Independente de reality show, cada indivíduo tem uma expressão sexual diferente e é preciso ter uma conversa franca com seu parceiro sobre isso, assim evitamos frustrações e conflitos futuros”, afirma.

Para ler na íntegra, acesse: https://br.financas.yahoo.com/noticias/adiar-sexo-ajuda-atrapalha-relacionamentos-073526422.html

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Marina Vasconcellos, uma das psicólogas participantes da matéria, é coautora de Psicodrama com casais, da Ágora. Conheça o livro:

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PSICODRAMA COM CASAIS
Organizadora: Gisela Castanho
Autores: Dalmiro M. Bustos, Gisela Castanho, Júlia Motta, Maria Amalia Faller Vitale, Maria Cecília Veluk Dias Baptista, Maria Cristina Romualdo Galati, Maria Rita D’Angelo Seixas, Marina da Costa Manso Vasconcellos, Marta Echenique, Mônica R. Mauro, Vivien Bonafer Ponzoni
EDITORA ÁGORA


Este livro foi escrito para todos aqueles que se interessam por terapia de casal e por psicodrama. São 11 capítulos escritos por psicodramatistas com experiências diversas, dotados de vários exemplos nos quais os profissionais mostram como exercem sua prática clínica.

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