Especialista dá dicas de como utilizar essa técnica, que trabalha com a empatia e evita responsabilizar o outro

Texto parcial de matéria de João Pedro Malar, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em 03/04/2020

A rotina de quarentena, passando o dia todo em casa junto com familiares, tem sido um desafio para as pessoas, por uma série de fatores. Esse cenário novo, em meio a uma crise global de saúde, pode incentivar um maior nervosismo, ou ansiedade, que refletem no convívio diário, intensificado com o isolamento. Assim, cria-se um cenário fértil para discussões ou brigas, de variadas intensidades, dentro de casa.

Como evitar isso? Em muitos casos, o segredo está na forma de se comunicar com o outro. A psicóloga Cinthia Cruz, especialista em inteligência emocional, explica que muitas vezes as pessoas têm uma forma de falar e interagir que é agressiva, o que facilita a ocorrência de discussões.

“As pessoas podem pensar ‘eu não sou violento, não grito, não bato’, pensamos muito na violência explícita, mas a comunicação violenta é a cheia de julgamento, não responsabilização e comparação”, explica Cinthia. Ao entrarmos em uma conversa já na defensiva, ou descontando irritações, prevendo uma briga ou já julgando o outro como errado ou irritante, a chance de uma discussão ocorrer é muito maior.

Foi pensando nisso que o psicólogo Marshall Rosenberg criou a distinção entre uma comunicação violenta e uma comunicação não violenta, estruturando o passo a passo dessa forma de dialogar.

Marshall criou duas metáforas ligadas ao mundo animal para explicar essas comunicações: A comunicação violenta é a chacal, um animal reativo, que só olha o seu entorno e ataca a qualquer sinal de movimento, já a comunicação não violenta é a girafa, animal que enxerga o todo, e que possui, até anatomicamente, um grande coração, ou seja, é a comunicação que vem do coração, baseada em uma noção do todo.

Cinthia destaca que uma das bases da comunicação não violenta é o esforço para evitar cair em pré-concepções e jogar a responsabilidade dos problemas no outro: “é importante evitar culpabilizações. Nós colocamos rótulos o tempo inteiro. Mas esquecemos que os estados emocionais das pessoas estão ligados com as próprias histórias, e as necessidades que elas têm”.

 Assim, ela explica que o primeiro passo para evitar conflitos é comunicar o que você está sentindo, sem fazer análises sobre o outro. “Você não fala ‘você me magoou’, você fala ‘isso soou como algo que me magoa’, e explica porque a fala da pessoa te fez sentir isso”, explica a psicóloga.

É importante também entender como experiências passadas podem influenciar nesse processo: se você cresceu em uma família em que as pessoas falavam muito alto normalmente, você vai falar alto normalmente. Mas para uma pessoa que cresceu em um ambiente em que falar alto significava levar uma bronca ou até algo pior, ouvir alguém falando alto já gera um comportamento mais defensivo e até medo.

Esse elemento, de autenticidade, é resumido em falar o que está sendo sentido. O segundo elemento da comunicação é sintetizado na palavra empatia. “Deve-se buscar entender o que o outro fala, mesmo que seja uma comunicação atrapalhada. Atrás de todo comportamento violento existe uma necessidade não atendida, é isso que deve olhar, isso que deve descobrir”.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,comunicacao-nao-violenta-e-ferramenta-para-evitar-brigas-na-quarentena,70003258353

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COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA
Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais
Autor: Marshall B. Rosenberg
EDITORA ÁGORA

Manual prático e didático que apresenta metodologia criada pelo autor, voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Aplicável em centenas de situações que exigem clareza na comunicação: em fábricas, escolas, comunidades carentes e até em graves conflitos políticos.

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