Reportagem de Laura Reif, publicada na revista AzMina, publicada em 04/09/2019.

Esse tipo de agressão pode ser difícil de identificar, pois muitas vezes é mascarada como ciúmes e caracterizada por controle, ofensas e humilhações

Quando falamos em violência contra a mulher, a primeira coisa que vem à mente é um tapa, soco ou um empurrão. Mas não é apenas a agressão física que define um relacionamento violento. Uma forma mais subjetiva de violência é a psicológica. Se você se sente constantemente sem autoestima, é humilhada, diminuída, sofre ameaças verbais e tem medo de dar sua opinião, você pode estar sendo vítima de violência psicológica.

Esse tipo de agressão pode ser difícil de identificar, pois muitas vezes é mascarado como ciúmes e é caracterizado por controle, ofensas e humilhações. Boa parte das vezes, a vítima tem dificuldade em romper a relação, pois o abuso psicológico ocorre de maneira gradual, mas constante, minando a autoestima e anulando a pessoa.

A violência psicológica é bem comum. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha, a violência por meio de ofensas, xingamentos ou humilhação foi a mais comum no Brasil em 2018, atingindo 22% das mulheres. 

Esse tipo de violência normalmente precede a agressão física. Ao minar a autoestima da mulher, muitas vezes o (ou a) companheiro(a) faz com que a mulher acredite que aquela relação é a única possível e não tenha forças para sair, tornando-se mais suscetível a tolerar agressões. 

O que é

A Lei Maria da Penha classifica violência psicológica como qualquer conduta que cause dano emocional e à autoestima da mulher, que prejudiquem o seu pleno desenvolvimento, que vise degradar ou controlar suas ações comportamentos, crenças e decisões. O Instituto Maria da Penha lista algumas dessas condutas: 

  • ameaças
  • constrangimento
  • humilhação
  • manipulação
  • isolamento (proibir de estudar e viajar ou de falar com amigos e parentes)
  • vigilância constante
  • perseguição contumaz
  • insultos
  • chantagem
  • exploração
  • limitação do direito de ir e vir
  • ridicularização
  • tirar a liberdade de crença
  • distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting)

Alguns exemplos comuns desse tipo de abuso são o mansplaining ou gaslighting: comportamentos abusivos por meio dos quais é possível diminuir a mulher e minar sua auto confiança. 

“Quando você, mulher, tiver certeza do que está falando e mesmo assim o homem tenta mostrar para você – ou explicar de maneira banal – o que já é óbvio, ou dizer que você está errada, você está sofrendo esse tipo de abuso, de violência”, afirma a psicóloga especializada em traumas Daiane Daumichen. 

Ela diz que a mulher pode não se importar com essa atitude no momento, mas que ao longo do tempo se torna uma ferramenta para enfraquecê-la, tornando-a vulnerável e dependente. “Um homem que realmente quer orientar e dar suporte, não a faz sentir-se ‘burra’”, completa.

O abuso psicológico pode ocorrer nas mais diversas esferas da vida, até no trabalho. Um chefe que diminui uma funcionária por ser mulher e a trata como incapaz – mesmo que ela seja qualificada – e desmerece seu conhecimento, está fazendo abuso psicológico.

Como identificar

A terapeuta de relacionamentos Sabrina Costa chama a atenção os sinais que podem indicar que uma mulher está sendo vítima de violência psicológica:

  • – Se sentir incapaz de ter sucesso na vida;
  • Dúvidas sobre sua capacidade intelectual;
  • Se sentir inferior ao companheiro;
  • Se sentir oprimida;
  • Perda do ânimo diante da vida;
  • Sentir culpa pelas discussões e pelos problemas na relação;
  • Esconder de amigos e parentes ou justificar certos tipos de comportamentos do parceiro.
  • Leia mais: Você não está louca! Entenda como funciona o gaslighting
  • Um exemplo muito relatado por mulheres é de casos em que o companheiro faz críticas constantes à sua aparência e capacidade intelectual, concluindo que ninguém mais pode querer ficar com ela. 

Recuperando a autoestima

Às vezes a mulher só consegue perceber que sofreu esse tipo de abuso quando consegue sair da relação tóxica. “O que, infelizmente, é triste, pois o tempo em que foi submetida a essa situação pode deixar sequelas”, explica Daiane.

Para a terapeuta Sabrina, é importante a mulher tirar um tempo para si para se recuperar, fazendo algo que traga a sensação de que ela é útil e capaz. “Porém dependendo de como foi afetada psicologicamente, é necessário buscar ajuda de terapeutas e psicólogos”, diz.

É um caminho longo para se chegar ao resgate da autoestima, da identidade perdida, pois a consequência do abuso psicológico gera impactos difíceis de serem solucionados sozinhos. Daiane explica que em certos casos a vítima sofre as consequências do abuso psicológico mesmo longe do agressor, tempos após o rompimento da relação.

“É importante o acompanhamento de profissionais especializados para que a vítima possa identificar os danos causados, buscar sua cura e uma nova forma de se relacionar com os outros e consigo mesma”, completa Daiane.

Para ler na íntegra, acesse: https://azmina.com.br/reportagens/violencia-psicologica-saiba-como-identificar/

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2 comments

  1. Eu estou passando por uma situação bem difícil sou cansada tenho 5 filhos todos de menor meu marido ne humilhar muito estou com ele pq ñ tenho lugar pra morar como meus filhos só que ñ aguento mais esta vida😔

  2. Me chamo Lenilde eu sofro essa agreçao todos os dias ,tenho 29 anos de casada tive dois filhos desse casamento,toda vida ele me xingou muito ,me humilhou perto dos outros mandava ir tomar no C…,falava que eu era retardada me traia muito,só que eu não tinha profissão nenhuma decidir ficar com ele para criar meus filhos com o bom e o melhor,fiz ele dar de tudo para meus filhos.E a vida deu a ele um presente a impotência total por causa da diabetes, nunca mais tive relação , porque na verdade tomei nojo dele .hoje meus filhos estão casados tentei trabalhar fora mais ele interfere tanto que me atrapalha e ele hj e totalmente dependente de mim e mesmo assim tenta me prender ,só tenho que sair com ele ,me investiga o tempo todo estou esperando a hora certa e vou separar dele se Deus quiser.

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