‘HIPERATIVIDADE PRECISA DE REMÉDIO? CONHEÇA TERAPIAS ALTERNATIVAS’

Uma criança inquieta, que na escola mal para sentada na cadeira, é uma forte candidata a receber um diagnóstico comum no Brasil: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), tratado, na maioria dos casos, com remédios tarja preta. Houve um tempo em que os psicofármacos usados no tratamento, como a famosa ritalina, até se esgotavam nas farmácias brasileiras. Esse tempo passou?

Não que o TDAH tenha saído da agenda dos profissionais da educação ou da rotina dos pais desesperados por uma cura para o “mau comportamento” dos filhos. O que aconteceu foi que começaram a surgir alternativas aos medicamentos, que apresentam efeitos colaterais fortes, como taquicardia e insônia. A modernização das terapias para exercitar o cérebro, como o método Neurofeedback, tem apontado um outro caminho possível para “medicar” de forma natural quem tem o transtorno.

A proposta do Neurofeedback, que teve sua origem no Japão, é treinar o intelecto para que o paciente consiga sustentar um determinado esforço mental por mais tempo. Ou seja, se a intenção dele for fazer uma tarefa inteira em sala de aula, com os meses de prática o cérebro vai saber como atingir esse objetivo. Chega a um ponto em que o raciocínio passa a se manter estável, evitando interrupções seguidas, como ocorre com quem tem TDAH.

Para alcançar um bom nível de concentração, no treinamento do Neurofeedback a criança fica conectada a um computador. As ondas cerebrais são medidas com ajuda de eletrodos. Quando o software detecta desatenção, imediatamente envia um sinal. Ao longo de dezenas de sessões, o jovem aprende a se controlar.

Neurofeedback no Brasil

Pediatra há 20 anos, Valéria Modesto, pós-graduada em Neurociências pelo Instituto D’Or, no Rio de Janeiro, já trabalha com Neurofeedback no Brasil. Ela faz atendimentos clínicos na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Os pacientes têm respondido bem às intervenções terapêuticas.

A especialista enfrenta resistência entre a classe médica com o projeto que criou em 2011 para cuidar de pessoas com TDAH, o “Mente Confiante”, mas diz que não vai desistir.

Convencida das possibilidades do Neurofeedback, Modesto diz que a aplicação das técnicas provoca outras mudanças, como “controle da tensão muscular, sudorese, frequência cardíaca e modulação do ritmo biológico do sistema nervoso central”. Os efeitos, de acordo com ela, permanecem de um a dois anos.

Luta contra os medicamentos

A terapia livre de químicos é defendida por muitos especialistas justamente porque continua fazendo efeito sobre o paciente mesmo depois de concluídas as séries de exercícios de estimulação cerebral.

Para a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Maria Aparecida Moysés, o diagnóstico precipitado do TDAH com a prescrição de medicamentos pode inclusive mascarar o diagnóstico de outras doenças. “Esse diagnóstico, que é um rótulo, não ajuda. Não podemos sedar o sofrimento. Muitos profisionais deixam de diagnosticar psicose e autismo e colocam tudo no gavetão do TDAH.” A pediatra adverte que o estado de “atenção” produzido pela ritalina não é o efeito terapêutico dela, mas uma reação adversa.

Na verdade, Moysés também é contra tratamentos alternativos como o Neurofeedback, por questionar a própria existência do TDAH. “O Neurofeedback também é um erro porque parte do princípio de que o déficit de atenção é uma doença. Esse é um transtorno jamais se comprovou. Algumas crianças são mais agitadas, mais ativas. Isso é uma doença?”, questiona.

 

Texto parcial extraído de matéria de Maurício Cancilieri, da Deutsche Well Brasil, publicada no UOL em 22/07/2016. Para lê-lo na integra: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/07/22/hiperatividade-precisa-de-remedio-conheca-terapias-alternativas.htm

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Quer saber mais sobre Hiperatividade? Conheça:

60074HIPERATIVIDADE
Como ajudar seu filho
Autora: Maggie Jones
PLEXUS EDITORA

Livro precioso para pais de crianças que sofrem desse aflitivo distúrbio. A autora fornece informação essencial sobre tratamentos convencionais, tratamentos alternativos, alimentação e dietas adequadas, cuidados específicos para as diversas idades. Mostra os passos práticos que os pais podem dar para compreender, apoiar e cuidar da criança, possibilitando à família inteira progredir de forma positiva.

 

’6 ERROS EM LINGUAGEM CORPORAL QUE FAZEM VOCÊ PARECER INSEGURO’

Decorar de cabo a rabo tudo o que você precisa dizer em uma entrevista de emprego ou apresentação não é o suficiente: seu corpo precisa falar também. Ele é, aliás, um dos primeiros aspectos que serão levados em consideração pelo seu interlocutor.

Se a sua linguagem corporal demonstrar insegurança, tudo o que a sua audiência verá será essa insegurança. O conteúdo da apresentação pode ser completamente ignorado.

Mas nem tudo está perdido. O site “Business Insider” separou uma lista de maus hábitos em linguagem corporal que podem fazer com que você passe a impressão errada, compilados pela colunista Kat Boogard. Confira e aborte todos eles imediatamente:

1. Evitar contato visual

Segundo a especialista, não conseguir um contato visual sólido faz com que qualquer pessoa pareça insegura. Olhar nos olhos faz com que a sua aparência seja mais segura e o seu assunto pareça mais interessante.

2. Gesticular “errado”

A ideia não é ser um robô e ficar o tempo inteiro parado, mas fazer gestos tímidos pode não ajudar também. Pessoas nervosas tendem a movimentar as mãos e braços junto ao corpo. Em vez de fazer isso, movimente-se com maior ênfase e segurança.

3. Curvar-se

Ter má postura não faz mal apenas para a sua coluna, mas também prejudica na transmissão de confiança, dando a impressão de que você quer parecer menor e “sumir”. Coloque os ombros para trás e o queixo para cima.

4. Trocar seus pés de lado

Bem como a postura, os pés em constante movimento podem demonstrar insegurança extrema. Mantenha seus pés distantes, na direção de seus ombros, para uma imagem melhor nesse sentido.

5. Negligenciar expressões faciais

Tome cuidado para, ao pensar nas expressões corporais, não esquecer das faciais. Demonstrar emoção também faz parte do processo de adquirir a atenção do outro.

6. Pensar demais no aperto de mão

Cumprimentar pode parecer muito complicado em situações importantes, mas o segredo é agir naturalmente. Não balance muito o braço na hora de apertar a mão, e nem muito pouco.

Texto do InfoMoney, publicado no UOL Economia, em 18/07/2016. Acesse na íntegra: http://economia.uol.com.br/noticias/infomoney/2016/07/18/6-erros-em-linguagem-corporal-que-fazem-voce-parecer-inseguro.htm

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 Quer saber mais sobre linguagem corporal? Conheça:

10707LINGUAGEM CORPORAL
Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais
Autor: Paulo Sergio de Camargo
SUMMUS EDITORIAL

Esta é a mais completa obra sobre o tema já publicada no Brasil. Ricamente ilustrada, aborda todos os aspectos da comunicação não verbal. Além disso, ensina o leitor a identificar quando alguém está mentindo e dá dicas de como usar a linguagem corporal a seu favor nas entrevistas de emprego.

‘PAIS NÃO PODEM AFASTAR AVÓS DOS NETOS, PRINCIPALMENTE APÓS SEPARAÇÃO’

Pais não têm o direito de afastar avós de seus netos. Existe até uma lei que garante aos avós o direito à convivência com os netos em caso de separação dos pais.

Regina Beatriz Tavares da Silva, especialista em direito de família e presidente da ADFAS (Associação Brasileira de Direito de Família e das Sucessões), diz que os avós podem entrar com uma ação caso um dos pais dificulte a visita ao neto.

“O pedido de regulamentação das visitas dos avôs é muito bem visto pelos juízes, até por existir diversas pesquisas que mencionam o benefício dessa convivência para  as crianças e adolescentes”, afirma a advogada.

A psicopedagoga Elizabeth Monteiro, autora de vários livros sobre convivência familiar, diz que os pais deveriam aproveitar a experiência dos avós, principalmente em momentos de crise, como a separação do casal.

“Os avós podem ser aliados dos pais neste momento, podem ajudar a criança a compreender melhor o que está ocorrendo”, diz Betty.

Segundo ela, os pais precisam entender que quem está se separando são eles. “Os avós não têm nada a ver com isso.”

Betty afirma que os pais não podem falar mal dos avós para as crianças, nem mesmo quando estão com a razão. “Nada justifica denegrir a imagem de uma pessoa que a criança ama. Deixa a criança crescer e ela mesmo saberá fazer suas escolhas.”

Para a psicopedagoga, os pais devem estimular a convivência entre netos e avós. “Existem pesquisas mostrando que crianças que convivem com avós são mais felizes.”

VIVER MELHOR EM FAMÍLIA

Autora do livro “Viver Melhor em Família”, publicado pela Mescla Editorial, Betty estreia um programa com o mesmo nome em setembro no SBT. O programa será exibido nas manhãs de domingo.

Segundo ela, o programa será totalmente diferente daqueles no estilo ‘super nanny’. “Não vamos dar a receita, objetivo é fazer a pessoa pensar. Não existe uma fórmula mágica O que funciona para uma pessoa pode não ser bom para outra.”

No caso de crianças que fazem birra, por exemplo, Betty sugere que os pais se coloquem no lugar dela e entendam por que está agindo daquela maneira. “E também pensem sobre as atitudes que têm que podem interferir. Vamos estimular a pessoa a se colocar no lugar do outro para entendê-lo melhor.”

Texto da jornalista Fabiana Futema, publicado originalmente no blog Maternar, em 20/07/2016. Para lê-lo na íntegra, acesse (restrito a assinantes da Folha ou do UOL):
http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2016/07/20/pais-nao-podem-afastar-avos-dos-netos-mesmo-apos-separacao/? 

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Conheça os livros da psicopedagoga Elizabeth Monteiro, publicados pelo Grupo Summus, clicando nas capas abaixo:

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‘O IMPACTO DE BONS PROFESSORES NO APRENDIZADO DOS ALUNOS’

Entre 2012 e 2015, os recursos destinados à capacitação de professores caíram 67,8% no país, de acordo com o jornal “O Estado de São Paulo”. Com a redução do investimento, houve uma queda de 26% no atendimento aos professores. Segundo a reportagem, todas as modalidades de curso perderam alunos, mesmo os de Ensino a Distância (EAD). Também cursos semipresenciais passaram a ser na modalidade EAD. Outros cursos foram descontinuados, como a Redefor – Rede de São Paulo de Formação de Docentes.

Considerando nossos baixos indicadores de aprendizagem e ainda o fato de mais de 40,8% dos professores da Educação Básica não serem formados na disciplina que lecionam (conforme o Censo Escolar de 2014) esses dados são realmente preocupantes. Temos afirmado que a qualidade da nossa educação tem relação direta com a qualidade de nossos professores. Diversos estudos nacionais têm apontado as deficiências do professor, destacando a importância fundamental de uma mudança tanto na formação inicial do professor como na formação continuada e em serviço (dentro da escola), assim como na implantação de planos de salários e carreira condizentes com a importância da função docente.

No momento em que diversos países discutem a importância da educação ao longo de toda a vida, é assustador pensar que um estado como São Paulo reduza o investimento no maior ativo da educação, que é o professor.

A conhecida revista britânica “The Economist” colocou como capa de sua edição de meados de junho o tema “como fazer um bom professor”, desmitificando as vocações ou soluções mágicas e enfatizando a importância da profissionalização docente. Segundo a publicação, é fundamental que os professores adquiram experiências de sala de aula e possam contar com escolas e instituições que tratem sua formação com rigor e possibilitem o seu contato com os colegas e a comunidade. A revista cita um estudo americano que demonstra que em um único ano os professores tidos como os 10% melhores impactam três vezes mais a aprendizagem dos alunos que os 10% piores.

Em outra edição, a mesma revista apresentou um dossiê sobre inteligência artificial, destacando o papel da educação diante das novas tecnologias e demonstrando tanto a importância de um ensino adaptativo de acordo com as características e níveis de cada aluno, como o fato de que a educação ao longo da vida é uma realidade. Nesse contexto, o aprender continuamente, o reaprender e a atualização de novos conteúdos são dimensões mais importantes do que o aprofundamento de um tema ou disciplina.

No entanto, a predominância de cursos curtos ou mais rápidos no mundo contemporâneo não significa que a educação básica perdeu sua importância. A ênfase dada à necessidade de uma sólida fundamentação nas habilidades de letramento e matemática é considerada como condição ainda mais vital para apropriação constante de novos conhecimentos.

A educação continua ainda é um desafio na sociedade contemporânea. Em um país como o Brasil, onde ainda não alcançamos níveis básicos na qualidade da aprendizagem de nossas crianças e jovens, negligenciar a formação dos professores é um risco de não só não avançarmos nos indicadores como comprometermos ainda mais as atuais e futuras gerações.

Estamos arriscando o futuro do país.

Artigo de Maria Alice Setubal, publicado no UOL Educação em 19/07/2016. Para acessá-lo na íntegra: http://educacao.uol.com.br/colunas/maria-alice-setubal/2016/07/19/o-impacto-de-bons-professores-no-aprendizado-dos-alunos.htm

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça o livro:

10502PROFISSÃO DOCENTE: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Sonia Penin, Miquel Martínez

Partindo da premissa de que o trabalho docente se dá nos emaranhados de um contexto social e institucional, Sonia Penin, diretora da Faculdade de Educação da USP, e Miquel Martínez, diretor do Instituto de Ciências da Educação da Universidade de Barcelona, trazem elementos e perspectivas que enriquecem a análise da referida temática.

BRENO SERSON AUTOGRAFA “TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES” NA LIVRARIA DA VILA, NA VILA MADALENA

A MG Editores e a Livraria da Vila (Vila Madalena-São Paulo) promovem no dia 4 de agosto, quinta-feira, das 18h30 às 21h30, a noite de autógrafos do livro Transtornos de ansiedade, estresse e depressões – Conhecer e tratar. O autor do livro, o psiquiatra Breno Serson, receberá amigos e convidados na livraria, que fica na Rua Fradique Coutinho, 915 – Piso Térreo – Vila Madalena, São Paulo.

Em linguagem simples, o livro compartilha conhecimentos sobre os transtornos de ansiedade, estresse ou depressão e os tipos de tratamentos disponíveis. Sem desconsiderar a importância da abordagem convencional, Serson ressalta a necessidade de compreender a singularidade de cada indivíduo, estabelecer o vínculo médico-paciente e valorizar a medicina integrativa.

Atualmente, as doenças mentais atingem mais de 700 milhões de pessoas no mundo todo. Transtornos de ansiedade e depressão são as campeãs, afetando cerca de 360 milhões de indivíduos. Ao mesmo tempo, os laboratórios farmacêuticos lançam cada vez mais medicamentos para tratar essas doenças, mas em muitos casos eles são prescritos sem levar em conta as características individuais dos pacientes.

“O livro valoriza a ideia de uma medicina integrativa que conjugue esforços de tratamento e possa prevenir problemas, diminuindo a possibilidade de os transtornos se repetirem no futuro. São orientações gerais que buscam dar a medida do que fazer e de quanto fazer, de acordo com cada caso”, explica o médico.

Partindo de sua experiência de quase 30 anos, o psiquiatra propõe, além dos tratamentos convencionais com medicamentos e/ou psicoterapia, medidas baseadas na chamada medicina integrativa. Corroboradas pelas maiores instituições médicas do planeta, elas abrangem a readequação alimentar e nutricional, atividades/exercícios físicos e o uso de novas tecnologias médicas, além de ioga, meditação e acupuntura. Ele mostra, ainda, que a consideração de aspectos espirituais e/ou filosóficos e mudanças no estilo de vida contribuem efetivamente para tratar os TADs.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1442/9788572551199

Transtornos de ansiedade, estresse e depressoes

‘CONHEÇA AS ORIGENS DO PILATES, PRÁTICA QUE BENEFICIA O CORPO E A MENTE’

Método que exige autocontrole e precisão foi criado por um alemão na primeira metade do século 20. Com a ajuda da mulher, ele desenvolveu a técnica que conquistou adeptos mundo afora.

Hoje mundialmente conhecido, o pilates envolve força muscular, autocontrole, consciência na respiração e filosofia de movimento. A complexa compilação de exercícios foi criada por Joseph Hubert Pilates, com o auxílio da esposa.

Nascido no ano de 1883 no estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália, Pilates teve uma infância marcada por problemas físicos e respiratórios, como asma, febre reumática e raquitismo. Já na juventude, ele se interessou pelo treinamento e fortalecimento do corpo, inteirando-se sobre ginástica, esqui, fisiculturismo, ioga e meditação.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Joseph Pilates passou um período detido e usou a reclusão para estudar a fundo o movimento dos animais e a prática da ioga e desenvolver sua própria metodologia. Detentos participavam dos sistemáticos exercícios, e há supostos registros de que eles sobreviveram ilesos à forte epidemia de gripe da época, além de demonstrarem ótima saúde apesar de confinados.

De acordo com a Associação Brasileira de Pilates, nesse período Joseph “usou as camas hospitalares e outros artefatos [cintos, lastros e molas] para fortalecer enfermos, desenvolvendo os primeiros protótipos dos aparelhos hoje conhecidos”.

Após a guerra, Pilates voltou para Alemanha, onde trabalhou como preparador físico, especialmente com policiais de Hamburgo e bailarinos. Por volta de 1925, ele emigrou para os Estados Unidos, e, na viagem, conheceu a enfermeira Clara Zeuner, sua futura mulher e parceira no desenvolvimento do método que se tornaria mundialmente famoso.

Em Nova York, Joseph Pilates abriu um centro de treinamento no mesmo prédio do New York City Ballet. A dedicação de Clara foi fundamental para organização de seu método, além de incrementá-lo para reabilitação corporal. Famosos dançarinos e coreógrafos da época tornaram-se adeptos, como Martha Graham e George Balanchine. A essa altura já estava integrada à “filosofia Pilates” a importância da dança e do movimento para o equilíbrio do corpo e da mente.

Joseph Pilates escreveu suas teorias e métodos em livros como “Sua Saúde e Retorno à Vida pela Contrologia”, nome pelo qual o inventor chamava a técnica. Ele também foi inventor de mais de 20 aparelhos especialmente desenvolvidos para a prática, que utilizam o peso do próprio corpo e exigem propulsão do usuário.

Depois do marido, aos 84 anos, Clara continuou a dirigir o estúdio do casal por dez anos, até morrer em 1977. A prática continuou através de seus pupilos, treinados ao longo de 50 anos.

Fortalecimento e consciência corporal

Como uma filosofia do movimento, os mais de 300 exercícios criados pelo casal Pilates promovem alinhamento mental e físico, consciência corporal e fortalecimento e alongamento dos músculos.

O treino tem como principais benefícios melhorias na circulação sanguínea, no condicionamento físico e na resistência respiratória e muscular. Os movimentos são feitos lentamente, exigindo atenção do praticante.

A contrologia passou a ser conhecida pelo sobrenome de seu desenvolvedor graças à popularização de publicações na década de 1980 que compilaram seus ensinamentos. Friedman e Eisen, por exemplo, sintetizaram seis princípios no livro “The Pilates Method of Physical and Mental Conditioning”: respiração consciente, concentração, controle, fluidez, precisão e centralização da força.

Deve-se reforçar que a difusão dos ensinamentos de Pilates adaptou-se às preferências de seus discípulos, gerando diferentes vertentes. Detalhes como aparelhos usados e nomenclatura dos princípios podem se diferenciar dependendo do difusor do método.

Popularização no Brasil

De acordo com a Aliança Brasileira de Pilates (Abrapi), a primeira pessoa a difundir a técnica no país foi a baiana Alice Becker Denovaro, abrindo um estúdio em Salvador no ano de 1991. Graduada em Dança pela Universidade Federal da Bahia e mestre em Coreografia pelo California Institute of The Arts, Alice trouxe consigo dos Estados Unidos o primeiro aparato de pilates.

Cada metrópole brasileira teve seu próprio pioneiro, como a dançarina Ruth Rachou, em São Paulo, que trouxe o método para seu espaço de dança em 1993. Quatro anos depois, Elaine de Markondes começou os trabalhos em Curitiba, após participar de diversos cursos e workshops.

O crescimento da prática de pilates foi tamanho no país que Denovaro notou a necessidade de unificar os profissionais de pilates na Abrapi, sendo a primeira presidente da organização.

Criada nos moldes da associação americana Pilates Method Alliance, a Abrapi estabeleceu um parâmetro de qualidade para prática do pilates, produzindo um guia próprio listando os 300 exercícios catalogados pelos discípulos diretos de Joseph Pilates, assim como sua nomenclatura.

Texto de Danielle Rotholi Balensifer, da Deutsche Welle, publicado no UOL em 15/07/16. Para acessá-lo na íntegra: http://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/deutsche-welle/2016/07/15/conheca-as-origens-do-pilates-pratica-que-beneficia-o-corpo-e-a-mente.htm

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 Tem interesse por Pilates? Conheça:

10422O CORPO PILATES
Um guia para fortalecimento, alongamento e tonificação sem o uso de máquinas
Autora: Brooke Siler
SUMMUS EDITORIAL 

O método desenvolvido por Joseph Pilates prioriza os movimentos realizados sem aparelhos, utilizando o corpo como ferramenta única e para desenvolver força, resistência e flexibilidade. Neste livro, encontramos a seqüência de movimentos fiéis às intenções originais de Pilates, com instruções e desenhos explicativos precisos e esclarecedores.

10520DESAFIOS DO CORPO PILATES
Na academia, em casa e no dia a dia
Autora: Brooke Siler
SUMMUS EDITORIAL

Um programa de condicionamento físico deve possibilitar força, flexibilidade e condicionamento cardiovascular. Partindo das práticas de Pilates no solo, descritas em O corpo Pilates, Brooke Siler demonstra neste livro de que forma esses objetivos podem ser atingidos em um mesmo programa de exercícios. Também propõe algumas formas de levar para o dia-a-dia, sob supervisão de um orientador, os princípios de controle corporal do Pilates.

Aproveite o combo especial*: os dois livros por apenas R$ 120,00! (*oferta por tempo limitado). Acesse: http://www.gruposummus.com.br/combos/41

‘VIOLÊNCIA DOMÉSTICA VAI ALÉM DE FORMAS FÍSICAS DE ABUSO’

O namorado de Lisa Fontes nunca bateu nela nem puxou seus cabelos, mas invadiu seu computador e instalou uma câmera para espioná-la em seu quarto e, sutilmente, distanciou-a dos amigos e da família.

Mesmo assim, ela não se considerava uma vítima de violência doméstica. “Só conseguia ver nosso relacionamento como uma relação ruim”, conta Lisa, de 54 anos, que leciona educação para adultos na Universidade de Massachusetts, campus de Amherst.

Foi somente após fazer uma pesquisa sobre violência emocional que ela descobriu um nome para o que vivenciava: controle coercitivo, um padrão de comportamento que algumas pessoas –geralmente homens, mas nem sempre– empregam para dominar os parceiros. O controle coercitivo descreve uma estratégia contínua e múltipla, com táticas que incluem manipulação, humilhação, isolamento, violência financeira, perseguição, “gaslighting” (manipulação psicológica envolvendo a distorção de informações) e, às vezes, violência física ou sexual.

“O número de comportamentos violentos não importa tanto quanto o seu grau. Uma mulher me contou que o marido não queria que ela dormisse de costas. Ela devia encher o carrinho de compras de determinada maneira, vestir roupas de certa forma, lavar-se no banho em uma ordem determinada”, diz Lisa, autora de um livro sobre controle coercitivo.

Embora o termo “controle coercitivo” não seja amplamente conhecido nos Estados Unidos, o conceito de formas não físicas de abusos como um tipo de violência doméstica está ganhando reconhecimento. Em maio, a hashtag #MaybeHeDoesntHitYou decolou no Twitter, com usuárias relatando suas histórias.

Em dezembro, Inglaterra e Reino Unido ampliaram a definição de violência doméstica para “comportamento coercitivo e controlador em um relacionamento íntimo ou familiar”, transformando-o em delito penal com sentença máxima de cinco anos. Até agora, pelo menos quatro homens foram condenados segundo a nova lei.

“Nessa abordagem, muitos atos que eram tratados como contravenções menores ou que não eram vistos como delitos são todos considerados parte de uma única conduta criminosa séria”, diz Evan Stark, assistente social forense e professor emérito da Universidade Rutgers, que ajudou a redigir a nova lei.

Stark observa que a lei inglesa diz respeito a uma conduta que ocorre ao longo do tempo. A lei norte-americana não trata do controle coercitivo; ela trata somente de episódios de agressão e protege principalmente as mulheres que se viram sujeitas a ataques físicos. Mas em quase 20% dos casos de violência doméstica não existe lesão corporal, ele explica.

O controle coercitivo costuma se transformar em violência física contra o cônjuge, como constatou estudo de 2010 publicado em “The Journal of Interpersonal Violence”. “O controle é realmente a questão”, afirma Connie Beck, uma das autoras do estudo e professora adjunta de Psicologia da Universidade do Arizona. “Se você conseguir controlar verbalmente as liberdades básicas da pessoa –aonde ela vai, quem ela vê, o que ela faz– não é necessariamente preciso bater nela com frequência, mas se a pessoa não obedece, então o agressor costuma recorrer à violência física.”

Para uma vítima de controle coercitivo, uma ameaça pode ser interpretada equivocadamente como amor, principalmente nos primeiros estágios de um relacionamento ou quando a pessoa se sente muito vulnerável.

Lisa, por exemplo, era recém-divorciada e tinha mais de 40 anos quando conheceu o ex-namorado. Ele era encantador, amoroso e, embora fosse meio obsessivo, ela deixou para lá. Pouco importava que ela fosse doutora em aconselhamento psicológico e especializada em violência infantil e contra a mulher.

“Para uma pessoa procurando por amor e romance, pode ser maravilhoso que alguém queira monopolizar seu tempo”, ela admite.

Para Rachel G., 46 anos, mãe de três filhos que mora nos arredores de Boston (ela não quis revelar o nome completo para proteger sua privacidade), a manipulação era exaustiva. O ex-marido a obrigava a dividir a escova de dente e nunca a deixava fechar a porta do banheiro. Ele instalou câmeras pela casa e um aparelho de GPS em seu carro para vigiar seus movimentos. Às vezes, ele aparecia sem avisar no trabalho dela, “sempre dizendo que precisava saber onde eu estava caso as crianças necessitassem de mim ou porque ele tinha saudade e queria me ver, mas era seu estilo de controlar meu comportamento”.

Ela se sentia infeliz, mas aguentou durante 18 anos. Nunca lhe ocorreu ir embora. Por causa dos filhos e porque “ele me convencera de que eu seria infeliz em outro lugar”, conta Rachel, que arrecada doações para uma entidade beneficente. “Eu era uma esposa ruim, em todos os sentidos, uma mãe negligente ou dominadora, não o apoiava, uma cozinheira ruim, dava prioridade ao trabalho, minha família gostava mais dele do que de mim, nossos amigos gostavam mais dele do que mim. Quanto pior eu me sentia em relação a mim mesma, quanto mais duvidava de mim mesma e internalizava a maneira como ele me via e a maneira como o mundo deveria funcionar, mais submissa e condescendente eu me tornava.”

No final, foi ele e não ela quem pediu o divórcio, depois de flagrá-la tendo um caso. Ela não se orgulha dos atos, mas agradece ao fato de que isso a livrou daquele relacionamento. “Eu não teria ido embora se ele não pedisse a separação. Eu tinha medo.” Desde então, ela vem tentando restabelecer o contato com parentes e amigos.

Por fim, Lisa deixou o parceiro após quatros anos. A decisão nasceu depois que ela viveu duas semanas longe dele e percebeu como estava diminuída. “Recebia inúmeros telefonemas e e-mails todos os dias, mas era um grande alívio acordar e me deitar sem ter de estar com ele. Recuperei a noção de ser uma pessoa independente, ter minhas próprias opiniões, minha própria perspectiva.”

Texto parcial extraído de artigo de Abby Ellin, publicado no The New York Times e reproduzido no UOL. Para lÊ-lo na íntegra, acesse: http://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2016/07/14/violencia-domestica-vai-alem-de-formas-fisicas-de-abuso.htm

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Para saber mais sobre o assunto, conheça obras do Grupo Summus que abordam o tema:

10661FERIDAS INVISÍVEIS
Abuso não-físico contra mulheres
Autora: Mary Susan Miller
SUMMUS EDITORIAL

Milhões de mulheres em todo o mundo sofrem uma violência não-física por parte de maridos e companheiros, nem sempre fácil de identificar e neutralizar: Intimidações, manipulação emocional e sexual, humilhações, chantagens financeiras, etc. Este livro expõe a existência do problema, oferece meios de identificá-lo e sugere alternativas para que a mulher possa fugir do pesadelo.

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VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA NAS RELAÇÕES CONJUGAIS
Pesquisa e intervenção clínica
Autora: Adelma Pimentel
SUMMUS EDITORIAL

A violência psicológica que permeia a convivência dos casais é o tema deste livro. Essa modalidade de agressão aparece nas relações conjugais com intensa incidência e sem que seja reconhecida pelos cônjuges, sobretudo pela mulher. Visando estudar e combater o fenômeno, Adelma Pimentel caracteriza a violência psicológica e propõe a nutrição psicológica, por meio da Gestalt-terapia, para o enfrentamento da violência que atinge o casal.

‘REDES SOCIAIS ATRAPALHAM SUPERAR FIM DE RELACIONAMENTO’

Antes das redes sociais, quando um romance acabava, se as pessoas não compartilhavam o mesmo círculo de amigos, dificilmente tinham oportunidade de conversar ou se esbarrar. A distância e a ausência facilitavam superar o rompimento. Hoje, é possível acompanhar a vida do “ex” pela internet, com riqueza de detalhes, graças aos posts, check-ins e fotos do Facebook, Instagram etc. Essa curiosidade não só provoca um sofrimento enorme como ainda dificulta elaborar o fim da relação e seguir adiante.

“Esse comportamento de ficar vigiando o ‘ex’ nas redes sociais não é nada saudável e indica que ainda há uma forte ligação entre ambos, tanto pelo perseguidor quanto pelo perseguido, que simplesmente poderia bloquear o outro”, declara o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, autor do livro “Ciúme – O Lado Amargo do Amor” (Editora Ágora).

Na opinião da psicoterapeuta Maura de Albanesi, a mania de “stalkear” (ato de perseguir virtualmente alguém) faz com que a pessoa não consiga se desvincular da relação. “É um sinal de que o indivíduo ainda alimenta a ideia de um retorno ou tenta arquitetar algum plano para se encontrar com sua paixão, fazendo uma espécie de jogo de sedução às escondidas. O que só causa expectativas frustrantes.”

A psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em terapia familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo), diz que quem fica olhando o que o outro está fazendo e com quem anda, na verdade, não deseja colocar um ponto final no relacionamento.

“No fundo, a pessoa guarda dentro de si a esperança de um dia retomar a relação ou está esperando a oportunidade de se vingar de quem a deixou. Além disso, também quer manter algum tipo de controle do que acontece na vida do outro”, fala.

A melhor forma de realmente esquecer é deixar de ter contato e notícias do antigo amor. Resistir à tentação de xeretar é uma decisão que necessita de disciplina. “Exclua a pessoa de seus contatos, não fique checando seus passos por meio de amigos em comum, enfim, tenha em mente que, se pretende seguir a vida, essa é a alternativa mais eficiente”, afirma Marina.

Maura diz que é preciso desenvolver força de vontade e entender que o romance acabou. “Enquanto nutrir alguma esperança de retorno, será mais difícil vencer a tentação de vasculhar as redes sociais”, afirma a psicoterapeuta.

Mania de xeretar pode virar obsessão

De acordo com Alexandre Bez, psicólogo especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, a questão não é se preocupar em resistir a essa averiguação pessoal e/ou perseguição, mas, sim, importar-se com a real motivação dessa curiosidade.

“Por trás dessa atitude pode haver desde um sentimento verdadeiro, fantasias, frustração por não ter dado certo ou TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)”, declara o especialista.

Conforme a experiência de Bez, ao identificar o motivo que dispara esse gatilho emocional, fica mais fácil compreender a dinâmica e, assim, elaborar estratégias para diminuir ou cessar definitivamente o comportamento.

“Stalkear” pode se transformar em uma patologia caso a pessoa deixe de fazer outras atividades do dia a dia para vasculhar a vida alheia e comprometa outros campos –profissional, familiar, lazer– para se dedicar à espionagem.

“A terapia passa a ser indicada para ajudar o indivíduo a entender a razão de não conseguir ‘soltar’ o outro e as razões que levam a controlar a vida do antigo par. Aqui já não existe o bom senso, o equilíbrio e, sim, uma obsessão. É preciso elaborar o luto da perda da relação e investir em si próprio, para que esse momento sirva de crescimento pessoal”, diz Marina.

Na opinião da psicóloga, o término de uma relação é o momento propício para refletir sobre o que não deu certo, os motivos de cada um para que isso acontecesse, como pode ser diferente em uma próxima história e principalmente sobre o que esperar de um novo parceiro.

“É um bom momento para praticar exercícios físicos, rever amigos, investir no trabalho, fazer coisas que deixou de fazer por estar com alguém, curtir a liberdade e, principalmente, estar de verdade com as pessoas, e não virtualmente. Deixar as redes sociais de lado e apostar nas relações ao vivo ajuda bastante a superar essa fase”, diz Marina.

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 14/07/2016. Para lê-la na íntegra, acesse: http://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2016/07/14/redes-sociais-atrapalham-superar-fim-de-relacionamento.htm 

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Conheça os livros do psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos e da psicóloga Marina Vasconcellos, que participam da matéria:

20034CIÚME
O lado amargo do amor
Autor: Eduardo Ferreira-Santos
EDITORA ÁGORA

O autor, que é psiquiatra, mergulha no tema do ciúme, mostrando as causas de seu surgimento e suas conseqüências para as relações afetivas – como dependência, perda de auto-estima e até distúrbios psicológicos graves. Ele também aponta saídas para situações neuróticas. Afinal, o ciúme acaba transformando o amor, sentimento altruísta por natureza, no mais exacerbado egoísmo.

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20188PSICODRAMA COM CASAIS
Organizadora: Gisela M. Pires Castanho
Autores: Vivien Bonafer PonzoniGisela M. Pires CastanhoJúlia MottaMaria Amalia Faller VitaleMaria Cecília Veluk Dias BaptistaMaria Cristina Romualdo GalatiMaria Rita SeixasMarina da Costa Manso VasconcellosMarta EcheniqueMônica R. MauroDalmiro M. Bustos
EDITORA ÁGORA

Este livro foi escrito para todos aqueles que se interessam por terapia de casal e por psicodrama. São 11 capítulos escritos por psicodramatistas com experiências diversas, dotados de vários exemplos nos quais os profissionais mostram como exercem sua prática clínica.

“SONHO POSSÍVEL PARA CRIANÇAS DA FAVELA”, DIZ ALUNA NEGRA DE MEDICINA NO RJ

A carioca Mirna Moreira, 22, lembra-se da reação dos colegas no dia em que obteve nota máxima na disciplina de Anatomia, a mais temida por alunos recém-ingressados no curso de medicina da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

“Eu e uma outra menina? Branca? Gabaritamos a prova dessa matéria. Ninguém se surpreendeu com o desempenho dela, mas comigo foi diferente. Algumas pessoas ficaram surpresas. Ouvi a frase ‘Como assim você conseguiu?’”, recorda.

Negra e cotista, Mirna nasceu e cresceu no Complexo do Lins, conjunto de favelas na zona norte do Rio onde vive até hoje com a família.

“Quero devolver à minha comunidade o que vou aprender no curso de medicina. Quando ponho meu jaleco, prescrevo sonhos”, diz ela sobre a perspectiva de futuro que diz mostrar às crianças da favela.

Recentemente, um post da página Boca de Favela no Facebook sobre Mirna viralizou. Foram quase 79 mil curtidas e mais de 17 mil compartilhamentos. Em depoimento à BBC Brasil, ela falou sobre pobreza, racismo, negritude e empoderamento feminino. Confira:

“Nasci e cresci no Complexo do Lins, conjunto de favelas na zona norte do Rio de Janeiro. Hoje, aos 22 anos, me sinto uma privilegiada. Por esforço dos meus pais, ele bombeiro, ela telefonista, consegui ter acesso ao estudo e foi por causa deles que hoje faço medicina.

É até engraçado falar em privilégio nas minhas circunstâncias. Mas não são todas as pessoas daqui que têm um sonho e podem concretizá-lo. Sou uma exceção à regra. Fala-se em meritocracia, mas ela é inexistente a partir do momento que nem todo mundo tem as mesmas oportunidades.

Com exceção do primário, sempre estudei em colégio particular. Ganhava bolsas parciais e meus pais se esforçavam para pagar o resto. Quando fiz curso pré-vestibular, a mensalidade era de R$ 2.000. Nunca teria esse dinheiro. Mas conviver com essas duas realidades completamente diferentes me permitiu ter maior senso crítico. Conto nos dedos das mãos, por exemplo, os amigos que frequentavam minha casa durante a escola.

É desafiador ser negro e morar em uma favela no Brasil. Vivo um preconceito duplo. Vez ou outra, sou seguida por seguranças em lojas.

Medicina

E quando decidi cursar medicina, embora sempre tenha tido o apoio dos meus pais, muita gente próxima questionou minha escolha. Me perguntavam: ‘Você quer isso mesmo? Você não tem cara de médica’.

Entendo em parte esse pensamento. A sociedade diz a nós, negros, que não vamos conseguir. Além disso, continuamos sofrendo com a falta de representatividade. Você entra em um hospital e vê poucos médicos negros. Atores negros ainda são uma minoria nas novelas. E tudo isso apesar de sermos a maioria da população.

Prestei vestibular por três anos até conseguir passar no curso de medicina. Entrei por cotas, mas não estudei menos por isso. Nas vezes que fui reprovada, fiquei muito mal. Sabia que meus pais tinham outras contas para pagar e não poderiam me bancar nessa situação. Mas eles não desistiram do meu sonho. Nem eu.

Escolhi medicina pela arte de cuidar do outro. E pretendo ser médica de família. Não se trata de uma especialização muito divulgada e é até desprezada pelos próprios médicos.

Mas acho que meu envolvimento com essa área diz muito de onde eu venho. Quero devolver à minha comunidade o que me foi dado e atender a quem realmente precisa.

Racismo

Não vou generalizar, mas sempre tem alguém que me olha torto na faculdade. Porque sou negra, moradora de favela e cotista.

No primeiro período, por exemplo, aconteceu um episódio do qual não me esqueço. Eu e uma menina branca fomos as únicas a gabaritar a prova teórica de Anatomia, uma das disciplinas mais temidas pelos alunos. Alguns colegas ficaram surpresos. Disseram que ‘escondi o jogo’ e me perguntaram como eu tinha tirado uma nota daquelas. Por quê? Se as pessoas mal se conheciam, por que tanta surpresa com o meu desempenho e não com o dela?

Recentemente, também fui alvo de um ataque racista na internet. Uma página moderada pelos alunos da Uerj, sem vínculo com a universidade, decidiu fazer um concurso de beleza. Cada curso tinha uma representante –e eu fui escolhida para representar o curso de medicina.

Minha foto recebeu vários comentários racistas. Li coisas do tipo: “Como assim essa preta tá fazendo medicina?” ou “Você vota na negra mas não alimenta macaco no zoológico”.

Decidi registrar uma denúncia na polícia. Mas não houve investigação. Se você não é artista, demora bastante.

Negritude

Acho que essa minha iniciativa foi um reflexo da minha maturidade. Me sinto mais consciente sobre meus direitos. E também resolvi assumir de vez minha negritude, começando pelo meu cabelo.

Desde criança, alisava os fios. Hoje, percebo que fazia isso porque queria me enquadrar. Na escola, minhas amigas eram brancas e tinham cabelo liso.

Mas resolvi parar. Não queria mais ser refém de algo que não me fazia bem. E foi uma ótima surpresa. Meu cabelo é lindo e amo os meus cachos. Antigamente, me embranquecia. Isso acabou. Tenho orgulho de ser negra.

E hoje tenho cada vez mais certeza disso. Há alguns meses, participei de uma ação sobre sexualidade na adolescência para escolas públicas no Morro dos Macacos. Na saída de uma delas, as meninas negras pediram para tirar fotos comigo e elogiaram meu cabelo crespo. Elas me viram como referência.

Isso porque, quando entro na favela de jaleco, não prescrevo apenas remédios, prescrevo sonhos. Mostro para essas meninas que elas podem ter um futuro.

Coincidentemente, porém, no dia dessa ação na escola, voltei no mesmo ônibus que uma aluna. E quando desci no mesmo ponto que ela aqui perto de casa, ela perguntou: ‘o que você tá fazendo aqui’?

Chorei muito. Mas isso só me fez ter mais consciência da minha função social. Com o perdão do trocadilho, quero poder dar uma ‘injeção de ânimo’ nessas pessoas.

Reconheço que aqui os sonhos são muitas vezes limitados pela falta de oportunidades. Mas espero que um dia todos nós tenhamos chances iguais.

Não vai ser fácil, mas sei que é possível.”

Texto de Luis Barrucho, da BBC Brasil, publicado no UOL Educação em 13/07/2016. Para acessá-lo na íntegra: http://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2016/07/13/sonho-possivel-para-criancas-da-favela-diz-aluna-negra-de-medicina-no-rj.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

40084AFROCIDADANIZAÇÃO
Ações afirmativas e trajetórias de vida no                   Rio de Janeiro
Autor: Reinaldo da Silva Guimarães
SELO NEGRO EDIÇÕES 

Quando Reinaldo da Silva Guimarães propôs pesquisar a trajetória profissional dos bolsistas de ação social formados pela PUC-Rio, ele adotou sua própria história como referência intelectual e emocional para compreender as percepções narradas pelos entrevistados. Estes apontam para um contexto pautado na perseverança e no desejo de superação, mostrando uma realidade pouco conhecida e difícil de ser traduzida, mas repleta de simbolismos: a realidade das relações raciais no Brasil. A trajetória do autor reflete e dá essência e concretude ao conceito de afrocidadanização: nascido em comunidade pobre, Reinaldo conseguiu superar diversos momentos difíceis e ingressar na universidade. Como um dos protagonistas dessa história de “sucesso”, ele aproveita sua narrativa para explicitar o processo de construção de identidade racial. Livro foi produzido em regime de coedição com a PUC-Rio. Prefácio de Elisa Larkin Nascimento.

BATE-PAPO COM A AUTORA DO LIVRO “DIREITO LGBTI – PERGUNTAS E RESPOSTAS” NA BLOOKS LIVRARIA , EM SP

A Mescla Editorial e a Blooks Livraria promovem no dia 14 de julho, quinta-feira, às 19h, um bate-papo, seguido de sessão de autógrafos, com a advogada Ivone Zeger, autora do livro Direito LGBTI – Perguntas e respostas. A livraria fica no Shopping Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569 – 3º piso, São Paulo).

Quem nunca passou pelo constrangimento de ser preterido em um processo seletivo de emprego por sua orientação sexual, de ficar em dúvida sobre qual banheiro utilizar, como é o caso dos transgêneros, ou de ser abordado por um grupo homofóbico não terá a exata noção do que significa ter leis que possam garantir sua integridade moral e física. A existência desses direitos, contudo, não basta. É necessário e urgente ampliar o conhecimento para quem se vê tolhido nessas situações cotidianas e para aqueles que precisam aprender a reconhecer e respeitar as leis. Foi pensando nessa conjuntura que Ivone, uma das maiores especialistas brasileiras em Direito de Família, escreveu o livro Direito LGBTI – Perguntas e Respostas.

Partindo das perguntas mais comuns feitas por clientes e por membros da comunidade LGBTI, Ivone aborda centenas de tópicos – muitos deles ainda desconhecidos da maioria da população e até de seu público-alvo. São informações técnicas sobre casamento, união estável, usufruto, intersexo, adoção, inseminação artificial, dissolução de união estável, divórcio, guarda de filhos, testamento, partilha de bens, herança – enfim, todos os temas pertencentes ao Direito de Família.

Com base em sua ampla experiência na área, Ivone responde às perguntas alicerçada em casos concretos em 16 capítulos, sem apelar para o “juridiquês”. Os conceitos emitidos não têm juízo de valor e não são, de maneira nenhuma, baseados em opiniões pessoais. Para elaborar as respostas, ela utilizou a Constituição Federal e o Código Civil de 2002, amparou-se em decisões dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dos desembargadores do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do que foi alimentado em jurisprudência e em audiência cujos casos foram posteriormente divulgados pela mídia, além de resoluções, como as do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1440/Direito+LGBTI

Bate-papo Livraria Blooks Shopping Frei Caneca