‘ADOLESCENTE CRIA PÁGINA SOBRE EXPERIÊNCIAS DE ABUSO SEXUAL’

A argentina Micaela, de 17 anos, usa a internet para compartilhar as violências que sofreu do pai e fazer campanha por uma infância sem dor

Uma jovem argentina criou um blog e uma página no Facebook para abordar um tema tabu, porém provavelmente mais frequente do que se imagina: o abuso sexual na infância. Nas postagens de Por una infancia sin dolor (Por uma infância sem dor), Micaela, de 17 anos, relata o histórico de abusos que sofreu do pai desde os 4 anos e se estenderam por muito tempo, até que funcionários da escola onde estudava perceberam que ela passava por problemas e a encaminharam para atendimento psicopedagógico.

“Não diga nada à sua mãe, você também gosta”, era uma das frases do abusador, que obrigava a criança a participar de chats pornográficos e invadia seu quarto quando a mãe estava ausente. Na rede, a menina fala sobre o processo de separação dos pais depois da descoberta do abuso, as tentativas do pai de se defender na Justiça e as dolorosas mudanças na relação com a família – a avó paterna, por exemplo, por quem afirma ter muito carinho, recusa-se a acreditar nas denúncias. A intenção de Micaela, explica ela, é, além de colocar-se diante da própria experiência, conscientizar adultos sobre o assunto, de forma a observarem comportamentos da criança e não pensar que eventuais queixas sejam apenas fruto de sua imaginação. Ela chama atenção para aspectos sutis, como distinguir um abraço carinhoso de toques inadequados. “A criança tem direito de recusar beijar e abraçar um adulto quando não se sente à vontade.”

Apesar de chocante, sua história é possivelmente comum: de acordo com um levantamento feito no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP), em 2011, de dez crianças abusadas, quatro foram vítimas do próprio pai. Em 2015, a campanha #meuprimeiroassedio, que tomou conta das redes sociais, colocou em evidência o tema dos abusos sexuais na infância. Micaela posta textos no endereço porunainfanciasindolor.blogspot e na página Por una infancia sin dolor no Facebook.

Matéria originalmente publicada na edição de junho de Mente e Cérebro. Você pode acessá-la na íntegra pelo link http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/adolescente_cria_pagina_sobre_experiencias_de_abuso_sexual.html

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça o livro:

Crianças vitimas de abuso sexualCRIANÇAS VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL
Organizadora: Marceline Gabel
SUMMUS EDITORIAL

Assunto que começa a vir à tona, à medida que a sociedade mais se preocupa com os problemas infantis. Este livro traz os conhecimentos necessários para a compreensão do abuso sexual, evidenciando fatos para o seu estudo aprofundado. O leitor encontrará a variedade de atitudes das crianças e adolescentes vítimas de abusos sexuais, discussão sobre o tabu do incesto e sobre a psicopatologia dos praticantes de tais abusos.

‘APÓS PERDER BEBÊ, MÃE CRIA LOGO PARA SINALIZAR LUTO NA MATERNIDADE’

Símbolo em hospital avisa que bebê era parte de uma gestação múltipla em que nem todos sobreviveram

Símbolo em hospital avisa que bebê era parte de uma gestação múltipla em que nem todos sobreviveram

Símbolo em hospital avisa que bebê era parte de uma gestação múltipla em que nem todos sobreviveram

Na maternidade, uma mãe cansada tentando acalmar seus gêmeos recém-nascidos olha para a outra, na cama ao lado, e diz: “Você tem sorte de ter apenas um”. A intenção era fazer uma brincadeira, mas a afirmação ganhou ares de tragédia, pois a vizinha de leito também tinha tido uma gravidez múltipla e somente uma das duas bebês sobreviveu. As informações são do site americano “Babble”.

Embora prematura, Callie nasceu normal, mas Skye teve anencefalia (má formação caracterizada pela ausência total ou parcial do encéfalo e da calota craniana) e viveu apenas três horas. Mesmo sabendo da condição da bebê desde a 12ª semana de gestação, os pais, Milli Smith e Lewis Cann, ficaram arrasados com sua morte.

Contrariando as previsões médicas, que diziam que Skye não seria capaz de fazer sons, ela chorou quando nasceu e mexeu os braços, o que emocionou o casal.

O Kingston Hospital, no Reino Unido, onde o parto aconteceu, dispõe de uma sala especial, chamada Daisy, onde os pais de um bebê em estado terminal podem permanecer ao seu lado até o fim. E foi isso que eles fizeram.

Fazia pouco tempo que Skye tinha morrido quando a outra paciente fez o comentário infeliz, mas não intencional, deixando Milli devastada.

Para evitar que outras famílias passem por constrangimentos como esse, ela criou um símbolo (uma borboleta roxa) que indica que o bebê presente em determinado leito ou incubadora é parte de uma gestação múltipla em que nem todos os fetos sobreviveram. Assim, a família pode ser tratada, tanto pela equipe do hospital quanto pelos visitantes e pacientes, de maneira mais gentil e respeitosa.

Para viabilizar o projeto, Milli criou uma campanha para arrecadar fundos e espera que, no futuro, a iniciativa se transforme em uma fundação para homenagear a filha e apoiar outras famílias que passarem por perdas como a dela.

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Texto publicado originalmente no UOL, em 29/06/2016. Para lêlo na íntegra, acesse:
http://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2016/06/29/apos-perder-bebe-mae-cria-logo-para-sinalizar-luto-na-maternidade.htm

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Para entender melhor  os processos de dor e luto da perda gestacional, conheça:
20060MATERNIDADE INTERROMPIDA
O drama da perda gestacional
Autora: Maria Manuela Pontes
EDITORA ÁGORA

Por vezes o ciclo da vida inverte-se: morre-se antes de nascer. Estará a sociedade civil consciente da fragilidade da maternidade e do vigor desse sono eterno que nos desvincula da existência? Este livro denuncia os processos da dor e do luto em mulheres que enfrentaram o drama da perda gestacional. São testemunhos reais de uma dura realidade que, silenciosa, clama por ser ouvida. Prefácio de Maria Helena Pereira Franco.

‘DISLEXIA: PAIS DEVEM FICAR ATENTOS AOS SINAIS E CONTROLAR A ANSIEDADE’

Profissional explica que de 4 a 6% da população pode ter o distúrbio e que o diagnóstico precoce ajuda no tratamento

Você já ouviu falar em dislexia? O distúrbio genético afeta apenas de 4 a 6% da população, mas é de extrema importância que os pais fiquem atentos desde a infância dos filhos, já que descobrir o problema cedo é essencial para seu tratamento.

Em entrevista ao iG Delas, a psicopedagoga Sheila Leal explica que a dislexia é um distúrbio específico da leitura e escrita, que também pode ser agravado nas questões matemáticas.

“O maior desafio é fazer com que a letra seja reconhecida e seja transformada em som. A criança vê a letra mas não reconhece o som que ela produz”. Isso quer dizer que a pessoa tem dificuldades na rota fonoaudióloga.

Para entendermos um pouco melhor, ela explica que o momento em que um dislexico vai ler é como nós lemos algo em um língua que não dominamos. “A criança lê bem devagar”, explica Sheila.

Segundo a profissional existem três tipos diferentes do distúrbio genético:

Visual: as crianças trocam as letras de lugar na hora da leitura.
Auditiva: elas não conseguem processar o som.
Mista: as duas coisas acontecem.

Além disso, o grau também pode variar entre leve, moderada e severa. Nesta última, são crianças que, com 13 anos, ainda não conseguiram ser alfabetizadas. Segundo a psicopedagoga, o problema nunca vem sozinho. “A pessoa que tem dislexia, tem outros problemas, a não ser que consiga detectar a doença muito cedo”.

Disgrafia

Muito comum nas crianças que têm esse distúrbio, a disgrafia é um problema específico de coordenação motora no momento da escrita.

Discalculia

Também pode estar presente na pessoa dislexica. “É uma dificuldade em reconhecer números, tempo, espaço, cores, meses, ano e dia da semana”, diz a psicopedagoga.

Disortografia

A criança que tem disortografia, segundo Sheila, escreve uma mesma palavra de maneiras diferentes.

A dislexia não tem cura, mas existe tratamentos. É nessa hora que os pais da criança têm que estar atentos, já que o diagnóstico deve ser feito o quanto antes. “Só vai ser detectado antes, com um pai e uma mãe extremamente presentes na vida da criança”.

Veja alguns sinais que podem detectá-la:

Uma criança que não consegue detectar cores depois dos 5 anos
Atraso de linguagem
Criança com 7 anos que ainda fala errado

“Existem muitos pré-requisitos, mas a criança já começa a dar os sinais a partir dos 4 anos”, explica ela, que o diagnóstico preciso acontece por volta dos 7 ou 8 anos da pessoa.

Relação dos pais

A profissional ressalta a importância dos pais da criança nessa fase e fala sobre a ansiedade. “Eles querem ver o filho alfabetizado com 6 anos e dificilmente isso vai acontecer. A gente precisa gerenciar a ansiedade”, conta.

Sheila ainda conta que uma simples brincadeira pode fazer com que os pais percebam que tem algo errado e devem saber que se tem um filho com esse tipo de problema, tem um filho com uma “mente brilhante”, que essas crianças têm um QI acima da média e habilidades diferenciadas.

Matéria publicada originalmente no portal iG Delas em 14/06/2016. Para acessá-la na íntegra:
http://delas.ig.com.br/filhos/2016-06-14/dislexia-pais-devem-ficar-atentos-sinais-controlar-ansiedade.html

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Saiba mais sobre o assunto com o livro:

60081A DISLEXIA EM QUESTÃO
Autora: Giselle Massi
PLEXUS EDITORA

A obra problematiza o reconhecimento da dislexia como distúrbio ou dificuldade de aprendizagem da escrita. Discutindo a inconsistência etiológica e sintomatológica desse suposto distúrbio, bem como a fragilidade das formas de diagnosticá-lo, a autora analisa casos de sujeitos rotulados como portadores de dislexia e mostra que eles – ao contrário dos rótulos que carregam – estão em pleno processo de construção da escrita.

 

‘SABE O QUE SIGNIFICA SONHAR QUE ESTÁ CAINDO? CURSOS AJUDAM A DECIFRAR’

Os analistas junguianos –profissionais que seguem os métodos e conceitos do psicólogo e psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961)– acreditam que todos os dias o inconsciente dá um presente a cada indivíduo. São os sonhos que trazem informações valiosas sobre as pessoas. Em busca de autoconhecimento, há quem se inscreva em cursos para interpretá-los.

Mediado por um analista junguiano, os grupos se encontram semanal ou quinzenalmente, durante duas horas, para discutir os próprios sonhos.

“O sonho tem uma linguagem simbólica e aparentemente não faz o mínimo sentido, parece até bobo. Quando uma pessoa o analisa em profundidade, percebe que existe coerência e uma grande sabedoria”, afirma a psicoterapeuta e analista junguiana Marion Rauscher Gallbach, coordenadora do Núcleo de Sonhos da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica) e mediadora há 30 anos de vários grupos, com integrantes na faixa etária entre 25 e 60 anos.

Segundo Jung, o sonho manda recados do inconsciente e pode servir como forma de compensação ou complementação a fim de reestabelecer o equilíbrio da mente.

Para compreender melhor essa ideia, é só pegar o exemplo de uma pessoa que sofre de sentimentos de insegurança e inferioridade e, em um sonho, vê-se no papel de um herói. É como se o inconsciente dissesse: “Você está sofrendo por ser inseguro, melhore isso para ser mais feliz”.

“O significado do sonho é sempre aquilo que a pessoa precisa perceber para se tornar quem ela realmente é, por isso ele é terapêutico”, declara Marion, autora do livro “Aprendendo com os Sonhos” (Paulus).

Na prática, o psicoterapeuta ajuda a pessoa a fazer o processamento do próprio sonho, observando tudo o que está presente em sua estrutura dramática e estimulando um detalhamento minucioso de todas as partes. É como entrar em um filme, interagir com os personagens e tentar descobrir o final (a solução).

Depois de compartilhar a informação, o significado se revela. E os especialistas garantem que é muito mais fácil e rico interpretar um sonho em grupo do que sozinho.

“Tenho grupos que estão há anos juntos. Cria-se uma cumplicidade entre eles incrível e muitas coincidências significativas, que Jung chama de sincronicidade. Não é raro o grupo sonhar com o mesmo tema ou ter o mesmo símbolo repetido no sonho de cada um”, diz o filósofo e psicoterapeuta junguiano Ascânio Jatobá, que anota diariamente todos os seus sonhos, há mais de 30 anos.

Para Denise Ramos, professora titular do programa de psicologia clínica da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, entender o sonho é uma questão de prática.

“Aconselho todos os meus alunos e pacientes a pegar um caderno e anotar os sonhos com frequência. Depois de um tempo, é possível entender esse universo e utilizar todas essas informações preciosas para equilibrar a vida. Jung mesmo falava que se uma pessoa lembrar dos seus sonhos todas as noites, dificilmente, ela fica doente.”

Interpretando sonhos

Ser perseguido está entre os enredos mais comuns, segundo o livro “The Top 100 Dreams” (os cem principais sonhos, em tradução livre do inglês) do psicólogo escocês Ian Wallace, que estuda sonhos universais há 30 anos. Outros temas corriqueiros são ficar nu, voar, cair bruscamente, perder um dente, entre outros.

Acompanhe a seguir a interpretação genérica de alguns sonhos comuns, que podem mudar de significado de acordo com o contexto pessoal.

Perseguição

Esse sonho costuma causar profunda angústia. Há um problema a enfrentar, mas você tem medo e tenta fugir dele. A única saída é estabelecer um diálogo com o perseguidor: quem é ele, afinal? É um alerta de que você precisa enfrentar uma situação em vez de sair correndo. Pode-se tornar recorrente caso você se recuse a encarar a questão.

Voo

Voar é uma forma de aliviar as tensões e costuma ser mais frequente em jovens. Pode significar às vezes o receio de fazer alguma coisa muito ousada e não se dar conta de que é necessário aterrissar, fincar o “pé no chão”. Ou seja, entrar em contato com a realidade e lidar com as coisas do cotidiano.

Nu em público

Você está se sentindo muito fragilizado, sem proteção. Tem medo de ser exposto, ridicularizado, sofrer bullying ou rejeição. Pode ser também um momento de transformação, não sei com que roupa eu vou. Estou mudando, preciso de uma forma diferente de me comportar no mundo.

Descontrole do carro

Você acelera e dirige sem controle, dando trombadas. Está relacionado ao modo de conduzir sua vida. Você está dirigindo mal e suas atitudes demonstram isso. Desacelere, observe e mude o caminho, em outras palavras, seu comportamento.

Texto de Daniela Venerando, publicada originalmente no UOL, em 23/06/216. Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2016/06/23/sabe-o-que-significa-sonhar-que-esta-caindo-cursos-ajudam-a-decifrar.htm

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Conheça alguns livros do Grupo Summus que abordam o tema:

10193OS ANIMAIS E A PSIQUE
Baleia, carneiro, cavalo, elefante, lobo, onça, urso
Organizadora: Denise G. Ramos
SUMMUS EDITORIAL

Presente no cotidiano, nos sonhos, nas fantasias, nos mitos, nos contos, no folclore e nas artes, o animal é uma das imagens mais poderosas para o ser humano, tanto em seu universo externo quanto no interno. Pela compreensão de suas relações com esse domínio, o leitor terá em suas mãos uma chave para autocompreender-se e entender o mundo em que vive. Perceberá, então, como a relação homem–animal–ambiente compõe uma unidade indissolúvel e indispensável ao equilíbrio, seja ele o do organismo individual, o ecológico ou o das nossas sociedades.
Só agora a humanidade desperta para a força dessas ligações e começa a entender seu profundo e rico significado.
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20526A SABEDORIA DOS SONHOS
Para desvendar o inconsciente feminino
Autora: Karen A. Signell
EDITORA ÁGORA

Após ter estudado durante mais de dez anos os sonhos de mulheres, a autora condensou sua pesquisa neste livro, no qual analisa oitenta tipos de sonhos femininos universais. Recorrendo a exemplos de contos de fada, folclore e mitologia como referência, K. Signell ajuda a mulher moderna a desvendar seus problemas atuais de relacionamento, trabalho e sexualidade, através dessas imagens do inconsciente. Um livro rico e intenso, tanto para profissionais como para a leitora que procura entender seus sonhos sozinha.
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10667SONHOS EXÓTICOS
Como utilizar o significado dos seus sonhos
Autores: Stanley Krippner, André Percia de Carvalho
SUMMUS EDITORIAL

Este livro se propõe a estudar alguns tipos especiais de sonhos curiosos. A partir de uma perspectiva multidisciplinar os autores apresentam uma visão criativa e fascinante dos sonhos lúcidos, proféticos, compartilhados, criativos e outros. Além de buscar o significado genérico de cada tipo analisado, os autores enriquecem o trabalho sugerindo caminhos para que o leitor descubra o conteúdo e o sentido de seus próprios sonhos. Assim, trata-se de um livro valioso para estudantes e pesquisadores, bem como para o leigo desejoso de saber mais sobre os sonhos para seu conhecimento e crescimento pessoal.
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20145SONHOS E SÍMBOLOS NA ANÁLISE PSICODRAMÁTICA
Glossário de símbolos
Autor: Victor R. C. Silva Dias
EDITORA ÁGORA 

Com base em seu trabalho de observação clínica, o autor desenvolveu o que chamou de método da decodificação dos sonhos. O método interpreta o símbolo do sonho e, por meio da repetição de sonhos, tenta desvendar sua mensagem simbólica. Além desse tema, o livro – fundamental para profissionais que trabalham com sonhos – traz ainda um glossário de signos e sonhos. Edição revista.
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10771GESTALT E SONHOS
Nova edição revista e atualizada
Autor: Alberto Pereira Lima Filho
SUMMUS EDITORIAL

Esta obra visita as origens da Gestalt-terapia e investiga cuidadosamente o desenrolar do trabalho de Frederick Perls, fundador da abordagem, para descrever o método de experimentos com sonhos. Acompanhando passo a passo o raciocínio de Perls, o autor focaliza os critérios que orientam suas intervenções, bem como as pistas que o psicoterapeuta colhe no discurso, no comportamento e nas manifestações expressivas do cliente.

 

‘ELE NÃO TE BATE, MAS… HASHTAG DISCUTE SINAIS CLÁSSICOS DE RELACIONAMENTOS ABUSIVOS’

Existe um tipo de violência que não deixa hematomas, cicatrizes ou marcas profundas na pele. Ela se manifesta por meio de gestos, censuras, olhares e atitudes que nada lembram a tradicional e brutal violência física. É uma ameaça invisível e implacável, imperceptível até mesmo para as vítimas que estão submetidas a algum tipo de abuso emocional e psicológico. Discutir e identificar relacionamentos abusivos é o objetivo da hashtag #EleNãoTeBate, que está ganhando força nas redes sociais. A ideia é mostrar que um relacionamento não precisa atingir um determinado nível de agressividade e desrespeito para ser considerado abusivo e violento.

Com o relato de experiências e traumas pessoais, mulheres têm compartilhado suas histórias e descoberto sinais clássicos de abuso emocional. “#EleNãoTeBate, mas repete o tempo inteiro que você é burra e não duraria muito tempo sem ele”, diz um dos posts publicados no Facebook. Você consegue adivinhar quantas mulheres já ouviram esse tipo de ameaça? É muito mais do que podemos imaginar, infelizmente.

Por isso, a conscientização é essencial para quebrar o ciclo de violência e abuso. As vítimas precisam ter consciência de que estão em relacionamentos tóxicos, sem perspectiva de melhora ou evolução. Separamos alguns dos melhores relatos com sinais de que você pode estar vivendo um relacionamento abusivo. Para ler mais, basta clicar na hashtag no próprio Facebook. Presta atenção!
Texto de Giovanna Tavares, publicado no Portal Vírgula em 16/06/2016. Para acessá-lo na íntegra: http://virgula.uol.com.br/comportamento/ele-nao-te-bate-mas-hashtag-discute-principais-caracteristicas-de-relacionamentos-abusivos/#img=1&galleryId=1077808

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Para saber mais sobre violência psicológica contra a mulher, conheça:
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10661FERIDAS INVISÍVEIS
Abuso não-físico contra mulheres
Autora: Mary Susan Miller
SUMMUS EDITORIAL 

Milhões de mulheres em todo o mundo sofrem uma violência não-física por parte de maridos e companheiros, nem sempre fácil de identificar e neutralizar: Intimidações, manipulação emocional e sexual, humilhações, chantagens financeiras, etc. Este livro expõe a existência do problema, oferece meios de identificá-lo e sugere alternativas para que a mulher possa fugir do pesadelo.
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10719VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA NAS RELAÇÕES CONJUGAIS
Pesquisa e intervenção clínica
Autora: Adelma Pimentel
SUMMUS EDITORIAL

A violência psicológica que permeia a convivência dos casais é o tema deste livro. Essa modalidade de agressão aparece nas relações conjugais com intensa incidência e sem que seja reconhecida pelos cônjuges, sobretudo pela mulher. Visando estudar e combater o fenômeno, Adelma Pimentel caracteriza a violência psicológica e propõe a nutrição psicológica, por meio da Gestalt-terapia, para o enfrentamento da violência que atinge o casal.

TERAPIA ESPECIALIZADA EM ‘LUTO COMPLICADO’ GANHA ESPAÇO NO PAÍS

Texto de Sabine Righetti publicado originalmente no Equilíbrio e Saúde, da Folha de S.Paulo. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://folha.com/no1781223

Confira algumas dicas de leitura no final da matéria.

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Há sete anos, a publicitária Mariane Maciel, 38, estava se recuperando da perda da mãe, vítima de um câncer havia poucos meses, quando teve sua vida transformada mais uma vez. Seu noivo, Leo, estava entre os 228 passageiros do avião da AirFrance que caiu na costa brasileira.

Ele tinha vindo da França, onde fazia um doutorado, para formalizar o pedido de casamento a Mariane.

As duas perdas consecutivas fizeram com que a publicitária procurasse uma terapia de luto –especialidade da psicologia que visa ajudar a pessoa a processar sua perda. A modalidade, dizem especialistas, cresce no Brasil.

“Quando comecei a trabalhar com isso, ouvia piadinhas. As pessoas me perguntavam: mas luto não é normal? Pode ser ou pode não ser”, diz a psicóloga Maria Helena Franco, criadora, há 20 anos, do Laboratório de Estudos do Luto na PUC-SP.

“Tínhamos poucos pacientes no começo. Hoje, temos lista de espera”, diz.

No caso de Mariane, foram cinco meses de terapia de luto. Primeiro, com dois encontros na semana; depois, um. Ela procurou a clínica de psicologia especializada Quatro Estações, em São Paulo.

Nas sessões, fazia exercícios, recebia indicações de leitura e falava bastante.

“Aos 30 anos, meus amigos ainda não tinham lidado com perdas como as minhas”, diz a publicitária. “Você se vê sozinho e pressionado para ficar bem logo.”

Não é todo enlutado, porém, que “precisa” da terapia de luto. Quem perdeu seus entes de maneira repentina ou em situação de violência pode se beneficiar mais da abordagem. Pode ser o caso também de quem sofre o chamado luto complicado –o antigo “luto patológico”.

Segundo Luciana Mazorra, especialista no atendimento a enlutados da Quatro Estações, o luto é uma oscilação entre o sofrimento da perda com momentos em que a pessoa segue a vida. “Quando o indivíduo fica preso no sofrimento e não consegue seguir a vida, o luto é complicado.”

A proposta do terapeuta varia de acordo com o caso. Um dos exercícios envolve a criação de uma caixa de lembranças da pessoa que morreu, conta Luciana. Mas, para quem se sente desconfortável, há outras propostas.

A também publicitária Rita Almeida, 56, fez terapia de luto e terapia convencional –que já fazia antes– após a morte de seu filho, Paulo, 28, há quatro anos. Ela recebeu a notícia pelo telefone. O filho estava trabalhando em Londres. “As pessoas não querem falar sobre morte”, diz. “A terapia de luto me ajudou a entender o que eu estava sentindo. Você descobre formas de conviver com a dor.”

O luto das mães também é bastante valorizado –incluindo a perda gestacional.

“Haverá momentos de muita tristeza ao longo da vida”, diz Ana Beatriz dos Santos, psicóloga do HC da USP e membro do Laboratório de Estudos sobre a Morte da USP.

Mães que perderam seus filhos costumam ser ativas em grupos de ajuda. Rita ajudou a criar o “Vamos falar sobre o luto”, site que reúne histórias de enlutados e é comandado por sete amigas com diferentes experiências –incluindo Mariane.

“Há uma espécie de cerco do silêncio. Quem sofre, quem está doente ou por perto evita falar sobre o assunto”, diz Ana Beatriz. Para quem está convivendo com enlutados, a indicação é estar por perto e ouvir sempre que a pessoa quiser falar a respeito.

luto

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Para saber mais, conheça alguns livros do Grupo Summus que abordam o tema, incluindo alguns com a participação da psicóloga Maria Helena Franco, citada na matéria:

AMOR E PERDA 
As raízes do luto e suas complicações
Autor: Colin Murray Parkes
SUMMUS EDITORIAL

Amor e luto são duas faces da mesma moeda: não podemos amar sem temer a perda do ser amado. Neste livro, Colin Parkes traz uma nova visão sobre o apego, o amor e o luto. Ele aborda a perda de pais, filhos ou cônjuges na vida adulta, explica o mecanismo de isolamento por que passam os enlutados e mostra maneiras de oferecer apoio. Leitura imprescindível para estudantes e profissionais das áreas de psicologia, psiquiatria e sociologia.

 

CONVERSANDO SOBRE O LUTO  
Autores: Maria Aparecida de Assis Gaudereto MautoniEdirrah Gorett Bucar Soares
EDITORA ÁGORA

Embora a morte seja nossa única certeza, ela se tornou um fenômeno mitificado e temido. Este livro se propõe a ajudar as pessoas a lidar melhor com momentos de tanta angústia. Por meio de depoimentos, orientações e reflexões, ele nos ajuda a perceber que o sofrimento causado pelo luto e os questionamentos que vivemos são comuns a todo ser humano.

 

FORMAÇÃO E ROMPIMENTO DE VÍNCULOS  
O dilema das perdas na atualidade
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
SUMMUS EDITORIAL

Este livro reúne grandes especialistas em formação e rompimento de vínculos. Entre os temas abordados estão os dilemas dos estudantes de medicina diante da morte, a questão das perdas em instituições de saúde, o atendimento ao enlutado, a morte no contexto escolar, as consequências psicológicas do abrigamento precoce, as possibilidades de intervenção com crianças deprimidas pela perda e a preservação dos vínculos na separação conjugal.

 

LUTO  
Estudos sobre a perda na vida adulta
Autor: Colin Murray Parkes
SUMMUS EDITORIAL

Muitas vezes as pessoas sentem-se desorientadas quando perdem um parente ou um amigo querido. O estudo do sentimento de perda e do luto tem ocupado, na última década, um espaço considerável no campo da psicologia. O autor, um dos pioneiros dessa área, desenvolve novas e atualizadas teorias que ajudam a entender as raízes do pesar e do sofrimento causados pelo luto. É uma abordagem baseada na sua experiência clínica, que apresenta propostas concretas para minimizar os efeitos emocionais e psicológicos da perda. Indicado para médicos, clérigos, psicólogos e advogados que lidam com o assunto, e também para pessoas que se interessem em entender melhor esta situação emocional.

 

LUTO  
Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Ursula Markham
EDITORA ÁGORA

Todos nós, mais cedo ou mais tarde, vamos ter de lidar com a perda de alguma pessoa querida. Alguns enfrentarão o luto com sabedoria inata; outros, encontrarão dificuldades em retomar suas vidas. Este livro ajuda o leitor a entender os estágios do luto, principalmente nos casos mais difíceis como os das crianças enlutadas, a perda de um filho ou, ainda, os casos de suicídio.

 

LUTO MATERNO E PSICOTERAPIA BREVE  
Autora: Neli Klix Freitas
SUMMUS EDITORIAL

A perda de um filho é um dos acontecimentos mais difíceis de aceitar, pois nenhuma mãe espera enterrar um filho. O livro focaliza as manifestações do luto em mães que perderam seu filho ainda jovem, pelo câncer, ou por uma doença repentina e fatal. A obra identifica e analisa o luto materno através de uma abordagem terapêutica individual e faz uma extensa revisão sobre psicoterapia breve, de orientação psicanalítica, apresentando vários casos com suas avaliações psicológicas.

 

MATERNIDADE INTERROMPIDA   
O drama da perda gestacional
Autora: Maria Manuela Pontes
EDITORA ÁGORA

Por vezes o ciclo da vida inverte-se: morre-se antes de nascer. Estará a sociedade civil consciente da fragilidade da maternidade e do vigor desse sono eterno que nos desvincula da existência? Este livro denuncia os processos da dor e do luto em mulheres que enfrentaram o drama da perda gestacional. São testemunhos reais de uma dura realidade que, silenciosa, clama por ser ouvida. Prefácio de Maria Helena Pereira Franco.

 

O RESGATE DA EMPATIA 
Suporte psicológico ao luto não reconhecido
Organizadora: Gabriela Casellato
SUMMUS EDITORIAL

O tema do luto não sancionado é pouco abordado na literatura clínica. Neste volume, profissionais da área de saúde preenchem essa lacuna tratando de temas como prematuridade, infidelidade conjugal, aposentadoria, morte de animais de estimação, perda de familiares por suicídio e, o luto de cuidadores profissionais. Estratégias para lidar com a perda e os transtornos psiquiátricos decorrentes dela também fazem parte da obra.

‘ENSINANDO MINHA FILHA A VALORIZAR O QUE ELA TEM DE MELHOR’

Há uma infinidade de padrões e estereótipos que pressionam meninas a quererem ser quem elas não são

Babi fará 15 anos em pouco mais de 3 meses e está no auge dos conflitos da adolescência.

É aquela fase da vida em que começamos a nos entender, compreender como nosso corpo funciona e, através dessas descobertas, buscamos nosso lugar no mundo.

Ela está vivendo um turbilhão hormonal, além de muitas mudanças físicas e psicológicas.

Os adolescentes procuram pertencer a um grupo, ainda estão se afirmando, buscando referências e modelos para seguir.

As redes sociais e mídia em geral vendem vidas perfeitas, corpos sarados, cabelos maravilhosos e um life style difícil de ser atingido por muitos jovens. E é assim que todo esse universo de ideias e expectativas acabam por minar a autoestima, principalmente, das meninas, na minha opinião.

Acredito que muitas de nós, mães, temos experiências sobre momentos difíceis vividos durante a fase da adolescência nesse sentido. Todas sentimos inseguranças, faz parte, mas para algumas pessoas essas dificuldades podem marcar para sempre e, nesse caso, as marcas da baixa autoestima serão arrastadas para a vida toda.

Me preocupo muito com a questão e vou dividir com vocês algumas dicas para auxiliar na autoestima das meninas, principalmente as adolescentes, pois acredito que os maiores conflitos aparecem durante a juventude. Podemos agir desde cedo e evitar que isso vire um problema futuro!

Mostrar seus pontos fortes e qualidades, elogiar pequenas ações e acertos tornam nossa filhas mais seguras;

Mostrar que ninguém é igual a ninguém e que diferenças de interesses ou físicas são saudáveis, não há melhores ou piores, apenas diferentes;

Ensinar a aceitar sua realidade. Temos o que temos, somos o que somos e não precisamos da aprovação de ninguém;

Mostrar que um grupo de amigos se forma pela variedade. Não precisamos ser igual a ninguém para encontrar nosso lugar no mundo.

Acima de tudo procuro mostrar para minha filha que entendo todos os dilemas pelos quais ela passa – não minimizo nenhuma queixa ou preocupação – e que também já me senti pressionada a seguir padrões, já senti minha autoestima baixa por querer ter algo que não pude ter, ou ter um corpo mais cheio de curvas quando era supermagra.

Sei que não posso defendê-la de tudo nesse mundo, não posso poupá-la de frustrações, mas estando presente e auxiliando posso ajudá-la a conhecer seu valor e assim acredito que ela não se deixará afetar facilmente.

Confio estar fazendo o melhor que está ao meu alcance para que ela cresça com a certeza de que sempre confiará em si mesma e não se sentirá diminuída em nenhuma situação da vida.

Texto de Marina Breithaupt publicado originalmente no Disney babble. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://disneybabble.uol.com.br/br/comportamento/ensinando-minha-filha-valorizar-o-que-ela-tem-de-melhor

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Se você tem interesse pelo tema, tem que conhecer o livro:

20537É UMA MENINA
Como desenvolver a auto-estima de nossas filhas
Autora: Virginia B. Rutter
EDITORA ÁGORA 

Livro que orienta as mães no trabalho de ajudar suas filhas a crescerem confiantes e orgulhosas de sua feminilidade, dos primeiros dias de vida e ao longo de todas as outras etapas de seu crescimento. A autora dá idéias de atitudes práticas e pequenos rituais que podem ser introduzidos na vida cotidiana. É recomendado não só para mães, mas para todas as mulheres – avós tias, madrinhas, madrastas – que convivem intimamente com meninas.

‘COMO LIDAR COM OS TRAUMAS NA INFÂNCIA’

Acidentes, perdas, quedas e até sustos podem abalar as crianças, mas enfrentar o problema com respeito, cuidado e amor ajuda a superá-lo

Trauma, de acordo com os especialistas em comportamento humano, é uma experiência emocional desagradável de muita intensidade, que deixa uma marca duradoura na mente da pessoa. Quando acontece na infância e não é tratado de maneira adequada, pode prejudicar a adolescência e até a maturidade.

“Crianças traumatizadas podem se tornar adultos que percebem o mundo como um lugar hostil e perigoso. O sentimento de medo e desamparo cria uma predisposição para quadros depressivos, ansiedade, fobias e pânico, entre outros problemas”, informa a neuropsicóloga Deborah Moss, mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP).

De forma geral, os traumas infantis ocorrem devido a diversos fatores, alguns inevitáveis, como perda repentina de uma pessoa querida, necessidade de uma intervenção médica de emergência, quedas, acidentes, desastres, assaltos etc.

“Qualquer tipo de violação no desenvolvimento normal da criança pode causar trauma. Quando ela é incapaz de superar algum acontecimento em sua vida, está traumatizada. Isso acontece quando a carga emocional é mais intensa do que pode suportar”, diz Cynthia Wood, psicóloga na clínica Crescendo e Acontecendo, de São Paulo (SP).

Mais exemplos? Brigas entre os pais, xingamentos, chantagem emocional, adultos alcoolizados ou drogados na frente da criança, surras, depreciação constante, abandono, sustos com cachorro ou outros animais, achar que a esqueceram na escola, separação prolongada dos pais, divórcio e presenciar cenas de sexo, entre outros.

Respeitar o medo é fundamental

Para a terapeuta familiar e psicopedagoga Quezia Bombonatto, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), também é preciso levar em conta a personalidade do pequeno e os seus medos.

“Algumas são mais medrosas ou ansiosas por natureza, o que é biológico. É frequente ver crianças com medo do escuro, de monstro. Trata-se de algo normal que acaba passando com a idade, mas depende muito de como os pais lidam com a questão”, diz.

Como ela exemplifica, se chamam uma criança constantemente de medrosa, isso acaba marcando e ela se torna uma adulta com medo de tudo. Quezia ainda alerta contra os riscos de obrigá-la a enfrentar seus receios de maneira muito drástica. É o caso de quem força o filho para tirar foto no colo do Papai Noel no shopping, desprezando seus gritos de desespero.

Foi algo do tipo que aconteceu com Eloisa, de 3 anos, filha da dona de casa Amanda Soares Pinheiro, 35. “A Elô sempre gostou de piscina, mas tem medo de molhar a cabecinha. No fim do ano passado, o tio a pegou no colo e entrou numa piscina maior. Ele quis vencer o medo dela na marra e afundou com tudo. Resultado: ela nunca mais quis saber de entrar na água”, revela.

A mãe está tentando fazer a menina superar o trauma com brinquedinhos na banheira e na piscininha inflável montada em casa. “Mas ainda está difícil”, admite. Para Quezia, os adultos devem ter muito cuidado e saber não só identificar, mas respeitar se a criança está pronta (ou não) para lidar com o medo.

Atenção aos sinais

Os pais ainda têm que estar atentos a qualquer mudança de comportamento da criança que possa indicar um trauma: se ela está mais triste, quieta, introvertida ou, ao contrário, mais agressiva, se não interage.

De acordo com Ana Paula Magosso Cavaggioni, psicóloga da Clia Psicologia e Educação, na capital paulista, outros indícios são pesadelos ou gritos e falas durante o sono, acordar excessivamente durante a noite, xixi na cama, dificuldade para dormir, culpa, comportamentos infantilizados e necessidade de atenção constante. “Caso esses sintomas perdurem por mais de quatro semanas, é necessário procurar ajuda profissional”, orienta.

O que os pais podem fazer

Aproximar-se e tentar conversar com a criança, incentivando-a a falar sobre o que sente e pensa. É importante para dar um novo significado ao evento traumático.

Também é uma boa ideia oferecer exemplos próprios ou de outras pessoas que vivenciaram traumas semelhantes e contar como fizeram para superar. “Isso leva a criança a perceber que é possível se livrar do sentimento ruim e lhe dá esperança e motivação para cuidar do que sente”, esclarece Ana Paula.

Ofereça ajuda. Crianças expostas a tratamentos de saúde invasivos e dolorosos, por exemplo, precisam receber um suporte psicológico para passar por essa vivência, sem que ela traga consequências negativas no futuro.

Cuide da segurança dos filhos, sem superprotegê-los. Fique atenta para as situações em que se sentem inseguros, encorajando, mas sem desrespeitá-los. Também não exponha a situações de risco. No mais, oferecer amor e tempo de qualidade ajuda – e muito!

Por outro lado, o pior erro que os pais podem cometer é fazer de conta que nada aconteceu. Muitos imaginam que a lembrança e o sofrimento do que foi vivido vão desaparecer com o tempo se omitirem ou ignorarem a experiência. Ledo engano, pois o recomendado é enfrentar a situação o quanto antes.

E atenção: ceder a todos os desejos do filho e deixar de estabelecer rotinas, normas e regras não faz com que os pais não traumatizem seus filhos, mas sim, que os deixem desamparados em sua infância, desprotegidos e inseguros, por não terem referências que podem e devem ser dadas pelo adulto.

Artigo publicado originalmente no portal Disnay babble. Para acessá-lo na íntegra: http://disneybabble.uol.com.br/br/comportamento/como-lidar-com-os-traumas-na-infancia

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Saiba mais sobre o assunto com o livro:

20709TRAUMAS DE INFÂNCIA
Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Ursula Markham
EDITORA ÁGORA

Um trauma de infância pode ter sido causado pela ação deliberada de uma pessoa ou pode ter ocorrido acidentalmente. A autora mostra como identificar esse trauma e como lidar com ele por meio de exercícios e estudos de caso. O número de pessoas que sofreu alguma situação traumática na infância é imenso e a leitura deste livro poderá ajudá-las a superar e a melhorar sua qualidade de vida.

‘VOCÊ SABE COMO LIDAR COM AS FRUSTRAÇÕES E IRRITAÇÕES DO DIA A DIA?’

Saiba o que deixa as mulheres mais estressadas – e como mudar isso!

“O estresse é uma reação preparatória do organismo diante de um evento ou situação que exige uma adaptação significativa”, explica Moema Formiga, psicóloga junguiana e psicopedagoga.

Eis porque ele se tornou tão comum na nossa sociedade atual. O excesso de informação, as inúmeras preocupações e o ritmo de mudança extremamente acelerado ao qual somos submetidos todos os dias ajudam a fomentar sua propagação.

Prova disso são os elevados níveis detectados na população. No Brasil, por exemplo, o problema afeta 70% das pessoas, sendo que 30% estão em nível crítico, segundo dados da Internacional Stress Managemente Associations (ISMABR).

Os números alarmantes revelam que é preciso estar atenta aos vários sinais emocionais e físicos que o corpo dá quando algo não vai bem.

“Qualquer desconforto emocional é um indício. Desde um pequeno incômodo de que algo não está bem, até situações mais perceptíveis de mau humor, irritação e agressividade. Já os sintomas físicos envolvem dor de cabeça, insônia, tensão muscular, dores de estômago etc”, alerta a psicóloga e psicopedagoga.

Para não deixar que as pequenas irritações do dia a dia se tornem a última gota de um copo que, provavelmente, pode estar cheio, confira os conselhos que a especialista nos deu, baseados em depoimentos de algumas leitoras de Disney Babble.

Estresse no trânsito

“Sempre tento manter uma direção defensiva, mas me irrita muito ver que as pessoas dirigem como se estivessem dentro de um condomínio. Eu xingo mesmo, porque guardar rancor faz mal!”, diz Michele Kanashiro, 34 anos, designer, de São Paulo (SP).

Dica da especialista: “Tenha em mente que o trânsito é apenas um meio para te levar a algum lugar, não uma competição de quem ocupa mais espaço ou de quem vai mais rápido. Claro que situações que ofereçam risco físico nos assustam e estressam, mas todas as outras, se nos livrarmos desses sentimentos competitivos, tendem a ter pouco significado.”

Estresse com desorganização

“Algo que tem me incomodado bastante ultimamente é a desorganização. Mas o que mexe mais comigo é a minha própria falta de organização, porque antes eu não era assim. Fico triste, mas não consigo mudar”, lamenta Ana Lúcia Ribeiro, 54 anos, secretária, do Rio de Janeiro (RJ).

Dica da especialista: “Desorganização externa normalmente reflete uma desordem interna. Afinal, em um ambiente bagunçado, é difícil encontrar algo. Talvez esse seja o objetivo da desordem interna: impedir que você entre em contato com algo que lhe pareça desagradável. A dica é criar rituais de organização rigorosos, pelo menos para itens importantes, como chaves, documentos, cartões de banco etc. Deixe-os sempre no mesmo local e, se possível, mantenha uma agenda de compromissos. Vá aos poucos, sem tanta autoexigência – bagunceiros não gostam de ser controlados e costumam reagir com mais bagunça.”

Estresse com telemarketing

“Uma coisa que me deixa brava são aquelas ligações insistentes de empresas querendo me vender algo – principalmente quando se trata de banco. Meu humor se altera e acabo respondendo seca para quem está do outro lado da linha”, admite Maria Aparecida Granado Rodrigues, 59 anos, professora de português, de São José do Rio Pardo (SP).

Dica da especialista: “O conselho é simples: faça ouvidos moucos, faça-se de surdo. Espere a primeira pausa respiratória de quem te ligou e diga, calma e claramente: ‘Não estou interessada, obrigada!’ Repita a mesma expressão a cada nova ‘brecha respiratória’. Fique tranquila, pois você não estará sendo mal-educada e a pessoa rapidamente desistirá.”

Estresse com má educação

“Grosseria e má vontade. Fico muito incomodada quando alguém é mal-educado comigo, ou se entro numa loja e a pessoa me atende com aquela cara de poucos amigos. Situações assim estragam o meu dia e, depois, fico pensando nas respostas que eu poderia ter dado”, comenta Camila Luzzin, 31 anos, consultora de beleza, de São Bernardo do Campo (SP).

Dica da especialista: “Aqui temos uma situação de expectativas desproporcionais. Nós, enquanto consumidores, que estamos em um momento agradável, temos a expectativa de que todas as pessoas envolvidas na ação compartilhem desse ‘sentimento’. Só que nem sempre isso acontece, pois a vendedora pode estar enfrentando algum problema grave, ou até estar de TPM. Claro que faz parte da função dela o bom atendimento, mas se pudermos ser mais empáticos com o outro, no sentido de nos colocarmos em sua posição, parte de nossa frustração se esvai.”

Texto parcial de matéria publicada originalmente no portal Disney babble. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://disneybabble.uol.com.br/br/saude-e-bem-estar/voce-sabe-como-lidar-com-frustracoes-e-irritacoes-do-dia-dia

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:

20155STRESS A SEU FAVOR
Como gerenciar sua vida em tempos de crise
Autora: Susan Andrews
EDITORA ÁGORA

Você anda cansado, com dor de cabeça, tonturas, dores musculares, problemas de sono e emoções à flor da pele? Isso, você já sabe, é estresse. Impossível evitá-lo nessa era de incerteza em que vivemos. Para mudar essa situação, é preciso tomar novas atitudes e gerenciar seu estresse para usá-lo a seu favor. Uma maneira de fazer isso é desenvolver a capacidade de transformar a raiva, o medo e a depressão em energia positiva, encontrando assim o centro da estabilidade e da tranquilidade em si mesmo. Para ajudá-lo a alcançar tais objetivos, Susan Andrews desenvolveu uma linha de trabalho baseada em sua experiência como psicóloga, ambientalista e monja. Ela ensina técnicas que nos ajudam a responder com mais clareza e flexibilidade às mudanças aceleradas que acontecem ao nosso redor.

Edição revista.

‘COMO A DITADURA DA BELEZA INFLUENCIA SUA SEXUALIDADE?’

Para desfrutar do prazer na cama, é preciso aceitar e se sentir confortável com seu corpo, sem se importar com os padrões impostos pela mídia

Se você pudesse mudar alguma coisa no seu corpo, o que seria? Perderia uns quilinhos, aumentaria os seios, ganharia alguns centímetros de altura? Todas as opções anteriores? Seja qual for seu desejo, é compreensível que você queira mudar alguma coisa, afinal, sempre achamos que algo poderia ser melhor. Contudo, segundo a terapeuta de casal e família Tatiana Leite, não é recomendável se tornar escrava de uma ditadura da beleza, “pois isso pode afetar diretamente sua autoestima e, consequentemente, sua sexualidade”.

Não é de hoje que os meios de comunicação e as redes sociais nos mostram os chamados corpos “perfeitos” associados com a ideia de sucesso e felicidade. “Mas, vamos combinar, quantas mulheres conseguem realmente atingir esses padrões? E a que custo? Com certeza, a imensa minoria da população. Por isso, encontramos tantas mulheres insatisfeitas com sua aparência física”, explica a especialista.
De acordo com Tatiana, essa percepção afeta o desenvolvimento da sexualidade da mulher: “A indústria do consumo incorporou em nossa cultura padrões que prejudicam a construção de uma autoimagem positiva, fazendo com que a liberdade sexual ficasse aprisionada por uma necessidade estética”.

A terapeuta ensina o caminho das pedras: “Para que você desfrute plenamente da sua sexualidade é muito importante se aceitar e se sentir confortável com seu corpo. Afinal, como você terá intimidade com outra pessoa se não tem consigo mesma? Nosso corpo é uma ferramenta essencial para desfrutar o prazer e a intimidade que está associada à sexualidade. Portanto, para compartilhar momentos íntimos com outra pessoa você deve estar à vontade com você e, automaticamente, com sua nudez”.

Texto de Renato Bianchi publicado na revista Sou mais Eu. Para lê-lo na íntegra, acesse:
http://bit.ly/1Xh8rqA

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Saiba mais sobre a ditadura da beleza com o livro:

20048A BELEZA IMPOSSÍVEL
Mulher, mídia e consumo}
Autora: Rachel Moreno

A quem interessa vender uma beleza inalcançável? De que maneira a mídia manipula nossa consciência em nome dos interesses do mercado? Quais são as conseqüências para as adolescentes de hoje? Onde entram as “diferentes” – gordinhas, velhas, negras – nesse sistema? Rachel Moreno responde a estas e outras perguntas neste livro vigoroso e crítico, apontando caminhos para que possamos nos defender dessas armadilhas.