‘MINDFULNESS VS. MEDITAÇÃO: AFINAL, QUAL É A DIFERENÇA ENTRE AS TÉCNICAS?’

Mindfulness é meditação, mas meditação não é mindfulness. Os mais críticos dizem que mindfulness é meditação de americano, estilo fast-food. Quem a defende, afirma que é um treino mental e traz os benefícios da prática milenar de forma laica, para o homem moderno.

Há mais de 500 tipos de meditação — hindu, zen budista, cabala e sufi são as mais conhecidas. A maioria delas busca o autoconhecimento e a serenidade. “Siddhartha Gautama, Shakyamuni Buddha ou só Buda foi quem falou que a causa do sofrimento humano estava na mente, por isso essa busca constante em acalmá-la, atingindo a serenidade”, afirma o professor e pesquisador da USP, Rubens Maciel. Especialista em meditação, ele explica que mindfulness bebe muito das técnicas de tradicionais.

Com raízes budistas, mindfulness é o que está na moda por enquanto. Na livraria Saraiva, por exemplo, há mais de 200 títulos sobre a prática — na norte-americana Amazon são mais de 83 mil títulos, entre livros, e-books, CDs e DVDs.

Mas, enquanto Buda buscava a serenidade, a principal promessa do mindfulness é atingir o foco, a atenção plena. “Quando você exercita, como em uma academia, a sua capacidade de focar e estar com a atenção totalmente voltada para uma única coisa ou tarefa, sua produtividade e memória vão melhorar. Mindfulness ensina as técnicas para exercitar a mente”, explica Rita Kawamata, instrutora da Assertiva Mindfulness desde 2014. Ela oferece cursos específicos para crianças hiperativas e pessoas com distúrbios alimentares.

“Mindfulness pode ser praticada por todos, inclusive crianças”, afirma a psicóloga Ingrid Arantes, que indica meditação para os seus pacientes. Para ela, a técnica é um tipo de meditação.

“Meditação mindfulness não é desligar a mente, desativar o pensamento, nem controlar a mente, mas, sim, a capacidade de ficar no momento presente”, explica Stephen Little, físico, budista e diretor de aprendizagem da The School of Life, no Brasil.

Ensinamentos de Buda
O termo mindfulness foi cunhado em 1979 pelo professor Jon Kabat Zinn, na Universidade do Massachusetts, nos EUA, onde também foram feitos os primeiros estudos em pacientes que sofriam com dores crônicas. Adepto do budismo zen, Kabat Zinn sistematizou algumas técnicas que aprendeu após anos de meditação e ioga. O curso Mindfulness Based Stress Reduction (Redução de Stress Baseado em Mindfulness) passou a ser dado em oito semanas e seu principal foco era melhorar a qualidade de vida dos pacientes que estavam sob estresse devido a doenças.

De acordo com Maciel, da USP, a década de 1970 marca a chegada dos ensinamentos orientais ao ocidente, por causa da invasão do Tibet e a ida de muitos monges budistas para os EUA e Europa. “Foi quando o ocidente começou a descobrir os benefícios da meditação, alvo de inúmeras pesquisas científicas”, diz o professor e pesquisador.

Há cinco anos, Maciel dá cursos de meditação para alunos e funcionários do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Os resultados da sua pesquisa, entretanto, ainda não foram publicados. “Muitos sentem as melhorias ainda durante o curso e relatam que estão mais calmos, atentos e menos ansiosos, além de notarem melhoria nas relações familiares”, afirma o especialista.

Esses mesmos benefícios são elencados pelos alunos da instrutora Rita. A reportagem do UOL acompanhou uma aula em uma academia na zona sul de São Paulo, na qual os alunos aprendiam a praticar a fala consciente e a escuta ativa. Em duplas, enquanto um falava o outro apenas ouvia, vigiando a própria mente para não tirar o foco do que o colega dizia. Não era permitido responder. Quem terminava a fala antes dos cinco minutos estabelecidos, ficava em silêncio (que ali é muito bem-vindo).

“Mindfulness está relacionado a sair do piloto automático, não se deixar levar pelos condicionamentos. O outro pilar é a atitude gentil, que não é julgadora e prevê o acolhimento e a compreensão das coisas e dos outros como são”, diz Rita

O professor da USP explica que mindfulness baseia-se muito em duas linhas da meditação: a Theravada e a Vipassana. Essas práticas buscam a quietude e serenidade mental. “A mente da maioria das pessoas é selvagem, como um macaco que pula de galho em galho. Pensa-se sobre muitas coisas ao mesmo tempo. A mente age por conta própria, fazendo correlações. Quem medita, busca viver e focar no presente, aquietar a mente”, explica. Atenção e a produtividade são consequências dessa ordem mental.

Estresse, ansiedade e depressão
Maciel explica que os ansiosos estão em constante sofrimento e isso se manifesta em dores e doenças. “Se você está o tempo todo pensando ‘será que o meu chefe gostou do trabalho? Será que meu namorado vai ligar? Será que vai dar certo?’, o seu corpo reage como se estivesse em constante ameaça e por isso libera mais cortisol, hormônio que afeta o bom funcionamento do sistema imunológico”, diz. E completa: “ao aquietar a mente a meditação isso muda o metabolismo, tornando o sistema imunológico mais resistente”.

Qual escolher?
“Quem quer estender o estado de presença [atenção plena] para o dia, vai achar a orientação de mindfulness mais atraente”, afirma Stephen Little. Para a psicóloga Ingrid, o importante mesmo é meditar, “Independentemente de modismos, fico muito feliz que as pessoas estejam preocupadas em meditar. É algo que te conecta com você mesmo e possibilita um universo interior de paz, tranquilidade e amor”, diz.

Os especialistas, porém, fazem um alerta sobre a massificação dos cursos de meditação: “Mindfulness não é ‘fast’, é uma prática de artesão. Infelizmente, está sendo divulgado cada vez mais como a nova panaceia mental”, afirma Little. Rubens Maciel diz que muita gente faz o curso de oito semanas e já se diz um instrutor, “mas para ser um mestre de meditação é preciso ter, no mínimo, dez mil horas dedicadas à prática”, afirma. Para quem quer começar a meditar, Maciel aconselha buscar locais que seguem a linha Theravada, que é a mais tradicional. Little dá uma dica: “pergunte ao instrutor de mindfulness se ele já deu, ao menos, dez cursos”.

Matéria de Heloísa Negrão, publicada originalmente no UOL, em 07/12/206. Para lê-la na íntegra, acesse: http://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/redacao/2016/12/07/mindfulness-vs-meditacao-qual-e-a-diferenca-entre-as-tecnicas.htm

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Para saber mais sobre meditação, conheça alguns dos livros do Grupo Summus sobre o tema:
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10716VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch
SUMMUS EDITORIAL

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.
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50065MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

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60038CHAN TAO
Essência da meditação
Autores: Norva M. Leite, Lilian F Takeda, Jou E. Jia
PLEXUS EDITORA

Este livro foi escrito por um dos melhores médicos acupunturistas do Brasil, o dr. Jou Eel Jia, foi preparado para ensinar meditação e a cultura tradicional chinesa a um número cada vez maior de pessoas. Somos levados, por intermédio de algumas lendas e um pouco de filosofia, aos caminhos do conhecimento de nossa essência através da meditação.
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20039MEDITAÇÃO JUDAICA
Um guia prático
Autor: Aryeh Kaplan
EDITORA ÁGORA 

Este livro, baseado na tradição e com pinceladas de transcendentalismo, é um guia essencial para a meditação judaica. Com explicações claras e exercícios fáceis de fazer, apresenta várias técnicas meditativas – como mantras, contemplação, visualização e preces –, permitindo ao leitor desenvolver uma conexão mais forte com seu lado espiritual.
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20704NÃO FAÇA NADA, SÓ FIQUE SENTADO
Um retiro de meditação budista ao alcance de todos
Autora: Sylvia Boorstein
EDITORA ÁGORA

Um livro indicado para aqueles que, eventualmente, já se sentiram atraídos pela meditação budista mas não souberam como começar a praticar. A autora, Sylvia Boorstein, psicoterapeuta de origem judaica, consegue trazer o budismo para o cotidiano da vida moderna. Em linguagem clara e direta, ela explica os ensinamentos milenares do budismo, de um jeito fácil de entender, acreditar e praticar. Seguindo este guia, com dedicação e perseverança, o leitor estará se iniciando ou se aprofundando na prática da meditação budista.
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20717NOSSA LUZ INTERIOR
O verdadeiro significado da meditação
Autor: J. Krishnamurti
EDITORA ÁGORA

Para os seguidores de Krishnamurti, este livro é um presente de novo milênio. Para quem vai conhecê-lo agora, ele talvez represente um reinício de vida. Trata-se de uma coletânea de textos extraídos de palestras ainda não-publicadas. São insights atemporais sobre onde encontrar as verdadeiras fontes da liberdade, da sabedoria e da generosidade humana dentro de cada um de nós. Ele faz considerações sobre o que é, de fato, a meditação – tema central desta obra – e induz o leitor a procurar o seu próprio modo de colocá-la em prática.

‘ALUNO BRASILEIRO GOSTA DE CIÊNCIAS, MAS É MASSACRADO PELO CONTEÚDO’

Os resultados do exame internacional Pisa mostram uma esquizofrenia nacional. Os alunos por aqui gostam mais de ciências do que quem estuda em países desenvolvidos, mas, em comparação internacional, o desempenho brasileiro é bem menor.

De acordo com o Pisa, 40% dos estudantes do país declaram que querem seguir carreiras ligadas à ciência e à tecnologia –taxa maior do que a encontrada nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que é de 24%.

Mais: metade dos alunos brasileiros afirma ter interesse por ciências –foco do Pisa deste ano. Os estudantes por aqui disseram que até se divertem com conteúdos científicos.

O problema é, na hora da avaliação, quem estuda no Brasil acerta só 30,6% das questões de ciências. Para se ter uma ideia do que isso significa, na Finlândia, país referência na educação mundial, o índice de acerto nas mesmas questões chega a 56,4%.

Menos da metade de nossos estudantes sabe o básico de ciências. Em Estados como Alagoas, o pior do país no exame, os brasileirinhos erram três de cada quatro questões de ciências.

Estamos no final da fila na avaliação de ciências, em 63º lugar, de um total de 70 países. É basicamente um desastre.

Gostar de ciências, como declaram os estudantes brasileiros no Pisa, não é difícil. A ciência explica a vida em todas as suas formas e trata do mundo de uma escala milhares de vezes menor do que a espessura de um fio de cabelo até o tamanho do Universo.

Quem é curioso gosta de ciências. Jovens são curiosos.
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Texto de Sabine Righetti, publicado na Folha de S. Paulo, em 06/1’2/2016. Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/12/1838911-aluno-brasileiro-gosta-de-ciencias-mas-e-massacrado-pelo-conteudo.shtml

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 Para saber mais sobre o ensino de ciências, conheça o livro:

10891ENSINO DE CIÊNCIAS: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Nélio Bizzo, Attico Chassot
SUMMUS EDITORIAL 

Transitando entre história, filosofia e ensino de ciências, esta obra aborda, entre outros temas, a origem das espécies e do homem, o papel da igreja na história da ciência, a dimensão dos conteúdos nas disciplinas científicas, as relações entre o saber popular e o saber científico, a interdisciplinaridade e a transversalidade. Livro fundamental para a formação de professores de ciência no contexto brasileiro.

Compre este título com desconto na Amazon.com.br:

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‘ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL PARA AS CRIANÇAS: COMO ENSINAR SEU FILHO A COMER BEM’

Explorar diferentes texturas, cores e sabores pode ser uma ótima forma de inserir uma alimentação saudável na rotina das crianças

Com a correria do dia-a-dia nem sempre é fácil manter uma alimentação saudável. Fast-foods e comidas congeladas ganham cada vez mais espaço na rotina das famílias. Diante desse cenário, como inserir alimentos saudáveis nas refeições e fazer com que as crianças comam bem?

Como o paladar delas ainda está sendo formado, é importante incentivá-las a desenvolver o prazer por frutas, verduras e legumes sem distinção. Pensando no assunto, Camila Verdeja, criadora do site “Pequeno Gourmet”, especializado em alimentação saudável infantil, listou 5 dicas para ajudar os pais. Confira:

1) Diversifique o preparo

“Além de variar os ingredientes, vale a pena revezar no modo de preparo das receitas”, recomenda Camila. Por exemplo, você pode colocar um fio de azeite ao assar um ingrediente. Isso vai dar sabor e textura diferentes. Também é possível substituir água por caldo de carne ou até mesmo suco de laranja.

2) Explore diferentes texturas, cores e sabores

Um dos fatores mais importantes na formação do paladar é a variedade. Ofereça alimentos com diferentes texturas, cores e sabores para que desde muito nova a criança começa a se acostumar e gostar de frutas, legumes e verduras. “É preciso haver equilíbrio na oferta dos alimentos, sem priorizar nenhuma textura, sabor ou cor”, orienta Camila.

3) Utilize os mesmos ingredientes dos pratos dos adultos

Para fortalecer os hábitos saudáveis em toda a família é interessante preparar a papinha do bebê com os mesmos ingredientes que serão usados para os adultos da casa. Além de ganhar tempo na rotina e diminuir os gastos, os pequenos terão um exemplo saudável em casa.

4) Apresente os alimentos

Sempre que possível, apresente os ingredientes à criança, falando o nome e explicando por qual motivo está colocando na comida. “Os alimentos devem fazer parte da rotina e a abordagem não precisa ser feita somente na hora das refeições”, diz.  Ainda que em tom de brincadeira, é possível ensinar a importância de consumir diferentes tipos de alimentos. Também é interessante levar os pequenos a feiras e hortifrutis.

5) Deixe a criança brincar

Durante o preparo, permita que a criança pegue na comida e até monte o próprio prato. Não se incomode com a sujeira! Isso também faz parte do processo de aprendizagem e entendimento do alimento. Para deixar o momento mais divertido, coloque uma música no ambiente ou faça refeições temáticas. Assim, a alimentação saudável entra na rotina de forma mais fácil.

Texto publicado originalmente no iG Delas, em 03/12/2016. Para lê-lo na íntegra, acesse http://delas.ig.com.br/filhos/2016-12-03/alimentacao-saudavel-criancas.html

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Tem interesse pelo assunto? Conheça os livros da nutricionista Cláudia Lobo, publicados pela MG Editores:
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50079ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA INFÂNCIA
Conceitos, dicas e truques fundamentais

Todo dia surgem informações de como oferecer uma alimentação saudável aos filhos. Produtos que parecem ricos em nutrientes fazem sucesso, mas logo suas desvantagens são desmascaradas. Pensando nisso, a nutricionista Cláudia Lobo criou um guia para ajudar os pais a oferecer uma alimentação saudável às crianças. Mudança de hábitos, organização e perseverança são alguns dos ingredientes apontados por ela. Imperdível.

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50066COMIDA DE CRIANÇA
Ajude seu filho a se alimentar bem sempre

Mostrando de maneira objetiva como montar um cardápio adequado à realidade de cada família, este livro ensina quais alimentos escolher na hora de comprar e por que fazê-lo; como economizar tempo e dinheiro; e como preparar refeições rápidas e nutritivas. Também sugere formas de transformar a própria criança em aliada no processo de educação alimentar e traz mais de 50 receitas nutritivas, ricamente ilustradas.


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‘A PAIXÃO PELO GIM’

Meu caso com o gim começou graças a Luís Buñuel. Quando escrevi um romance sobre a geração que foi jovem no final dos anos 60/começo dos 70, “O Fantasma de Luís Buñuel”, reli suas memórias e a descrição que ele faz do gim antes de dar sua receita do dry martini que me conquistou. Para ele, o gim era o companheiro ideal para a imaginação. “Por quê?” – pergunta-se. “Não tenho ideia. Mas constato isso.”

O que também, prazerosamente, passei a constatar. E o dry martini virou o rei dos drinques aqui de casa.

De vez em quando, topo um Negroni – também à base de gim –- oferecido pelo meu bartender preferido ou, saindo do gim com certo esforço, um Sazerac.  Quando convidada, aceito também com muito gosto o imbatível gim-tônica da querida amiga e historiadora, Zilda Yokoy, que acrescenta alguns bagos verde-azulados de zimbro à deliciosa mistura que delicadamente coloca em nossos copos.

Tendo escolhido o gim como bebida preferida, achava que saber que ele é feito de zimbro me bastava. De fato, basta, ou nem isso é preciso saber para apreciar o líquido translúcido e sutilmente cremoso cuja beleza, por si só, é uma atração estética adicionada à sua graça. No entanto, saber mais sobre algo que amamos não deixa de ser uma alegria; descobrir suas perfeições e intimidade só enriquece a experiência de desfrutá-lo.

Foi o que confirmei ao ler o livro recém-publicado pela editora Mescla, “Os segredos do gim”, de José Osvaldo Albano do Amarante, de cuja sapiência etílica ninguém pode duvidar. Assim fiquei sabendo que o gim não é inglês, como humildemente eu pensava, e sim uma invenção holandesa do século XVII, feito a partir de um destilado alcoólico básico de cereais como cevada, trigo, milho, centeio, e também – o que me pareceu estranhamente modernoso – uva, cana-de-açúcar e maçã. Só depois é que entram os inapreensíveis botânicos, a alma do gim: uma mistura de especiarias, ervas, flores e frutas, que tem como ingrediente predominante o inigualável zimbro, sem o qual o gim não é gim. É justamente nessa combinação que reside o maior segredo de cada produtor – há, inclusive, os que o mantêm a sete chaves.

O Tankeray London Dry Gin – feito com álcool de grão de trigo, e quatro destilações (não me pergunte por que, pois como o mestre Buñuel, não tenho ideia) – recebe a infusão de uma receita secreta da qual o produtor só divulga quatros ingredientes: bagos de zimbro, sementes de coentro, raiz de angélica e de alcaçuz. É meu preferido, mas penso talvez abandoná-lo agora que soube que o gim mais perfeito para um dry martini, segundo os principais bartenders do mundo, é seu irmão, o Tanqueray No.Ten Gin que, entre outras sutilezas, recebe uma pitada de flores de camomila. Não é demais?

Conhecer os botânicos do gim é a delícia extra que este livro nos traz. Dá vontade de conhecer alguns só pelo inusitado de sua mistura, como o que leva olho-de-dragão chinês, sementes de papoula branca turca e folhas de lótus chinesas; ou o que leva yuzu (fruta asiática híbrida) e açafrão.

Nas minhas próximas viagens levarei uma lista dos mais apaixonantes. E também daqueles dos quais quero distância, como um que leva pepino holandês, e outro que leva resina de franquincenso (resina aromática usada no incenso). Ou, pensando bem, talvez os experimente: até para o gim é preciso ter a mente aberta. Pois não é que me deu vontade de experimentar o brasileiro Arapuru London Dry Gin que leva em sua infusão de botânicos, fatias de caju desidratado, sementes de pacová, sementes de puxuri, e fruto seco de imbiriba?

Acho que farei meu próximo dry martini com esse.

Obrigado, Amarante!

PS: A quem interessar possa. A receita do dry martini do Buñuel é muito parecida com a inventada por Sir Winston Churchill, e que está no livro do Amarante. Basta adicionar sobre o gelo algumas gotas de Noilly Pratt e 4 gotas de angustura, mexer, e esvaziar o copo. O gelo conserva os vestígios sutis dos dois aromas, e sobre ele derrama-se o gim puro. Mexe-se um pouco et voilá! O melhor dry do mundo.
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Artigo publicado no Blog de Maria José Silveira, em 24/11/2016. Para acessar na íntegra: http://www.invencoesverdadeiras.com.br/2016/11/24/a-paixao-pelo-gim/


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Conheça o livro:

segredos-do-gim_3dOS SEGREDOS DO GIM
Autor: José Osvaldo Albano do Amarante
MESCLA EDITORIAL

Única obra brasileira do gênero, Os segredos do gim inova em todos os aspectos. Do projeto gráfico arrojado às formas de consumo, passando pela história do surgimento da bebida, o livro aborda a legislação brasileira e europeia que regulamenta a produção da bebida, as principais ervas aromáticas utilizadas no preparo, o processo de destilação, os grandes líderes mundiais na fabricação do gim, as principais marcas brasileiras e, claro, os coquetéis mais consumidos – e os mais exóticos. Totalmente ilustrado, traz ainda os melhores bares de gim no Brasil e no mundo.

Compre este título com desconto na Amazon.com.br:

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ANDRÉ TRINDADE AUTOGRAFA O LIVRO “MAPAS DO CORPO” NA LIVRARIA CULTURA DO SHOP. IGUATEMI

A Summus Editorial e a Livraria Cultura – Shopping Iguatemi (São Paulo) promovem no dia 22 de novembro, terça-feira, das 19h às 21h30, o lançamento do livro Mapas do corpo – Educação postural de crianças e adolescentes, do psicólogo e psicomotrista André Trindade. O autor receberá os convidados para sessão de autógrafos na livraria, que fica Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.232 – Piso 3, Jd. Paulistano – SP. 

Pesquisador e estudioso na área da educação postural, André Trindade conhece bem o caminho para o desenvolvimento humano. Ligado à área do movimento, domina a arte de orientar crianças e adolescentes a adquirir e manter uma boa postura. Em seu livro, que conta com prefácio de Rosely Sayão, ele resume sua experiência de mais de 20 anos de trabalho em escolas e no consultório.

Com muitas ilustrações – de autoria do próprio autor –, desenhos e fotografias, o livro aborda a infância e a adolescência – dos 3 aos 16 anos – do ponto de vista do corpo, da postura e do movimento. “A leitura visual do livro é um gancho para os adolescentes e os desenhos servem de roteiro para serem compartilhados com as crianças”, reflete Trindade.

Com objetividade, o autor trata dos temas e dos desafios da educação enfrentados pelos professores e pelos pais, como a falta de concentração dos alunos, o aumento da violência, a desorganização postural e o impacto do mundo virtual e da internet. E propõe soluções práticas, mediante a inclusão do corpo e do movimento no cotidiano de crianças e jovens. A ideia é que pais e educadores apliquem os conhecimentos adquiridos no dia a dia de seus filhos e alunos.

Dividida em sete partes, a obra aborda, entre outros temas, a linguagem corporal, a pele, os ossos, músculos e articulações e o que o autor denomina “Mapas do corpo” – conjunto de referências capazes de determinar distâncias, direções e ligações entre as partes do corpo, a fim de facilitar o movimento coordenado. Ao longo do livro, o autor compartilha com os leitores dezenas de atividades para estimular a boa postura, a flexibilidade, a autoconfiança e o prazer da brincadeira.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1458/Mapas+do+corpo

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‘HIPNOSE PODE AJUDAR A TRATAR ANSIEDADE E A CONTROLAR MEDOS E DORES’

Manter a atenção concentrada nas sugestões ditas por outra pessoa e, ao mesmo tempo, alcançar um estado de relaxamento corporal, a ponto de sentir que está quase pegando no sono. É assim basicamente que acontece uma sessão de hipnose. A técnica serve como uma ferramenta para causar efeitos terapêuticos nas pessoas, como diminuir a ansiedade e controlar o medo de alguma coisa.

Verdade ou charlatanismo?

O uso da hipnose é regulamentado pela resolução número 013/00 de 20 de dezembro de 2000 do Conselho Federal de Psicologia, que permite o uso da técnica como um recurso auxiliar e técnico de trabalho do psicólogo.

No Brasil, não há formação acadêmica para hipnólogos, mas no exterior o assunto é levado a sério. Nos Estados Unidos e na Austrália, há programas de pós-graduação e, na França, a hipnose é usada como recurso no sistema público de saúde.

Ao contrário da imagem construída na ficção, é mito que alguém possa entrar em transe hipnótico contra a própria vontade e que será capaz de fazer coisas que não gostaria.

“Trata-se de um procedimento voluntário. Tal como em uma aula de dança, o indivíduo precisa se deixar levar”, diz Luiz Guilherme Velloso, cardiologista e membro da equipe de hipnose clínica do Hospital São Camilo – unidade Pompeia, em São Paulo.

Para a hipnose dar certo, é fundamental que a pessoa preste muita atenção à voz e aos comandos do profissional, confie nele e relaxe. Só assim, ele poderá induzi-la.

“O ser humano, quando quer, tem grande capacidade de concentrar atenção em algo. Alguns, quando hipnotizados, costumam relaxar a ponto de achar que estão sonhando, embora durante a sessão de hipnose, o paciente tenha plena consciência de que pode acordar a qualquer momento, abrir os olhos e se levantar”, diz Guilherme Raggi, coordenador do Grupo de Estudos de Hipnose e Estados Alterados da Consciência do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo).

Há indivíduos que são hipnotizados mais facilmente do que outros, o que pode ser avaliado por hipnólogos facilmente. Repare que, antes de hipnotizar alguém em shows e programas de TV, geralmente, a plateia é convidada para um teste rápido, o teste prévio de suscetibilidade hipnótica.

É pedido que todos levantem o braço direito, por exemplo. Algumas pessoas respondem a esse comando rapidamente. São elas as preferidas pelos terapeutas e escolhidas para participarem. De acordo com Raggi, isso acontece porque elas se mostram mais capazes de seguir sugestões.

Medo de avião

Quem tem medo de viajar de avião pode recorrer à hipnose uma semana antes da data da viagem. Também é possível procurar ajuda de um hipnólogo para encarar o medo de falar em público em certa ocasião.

A situação não vai ser resolvida por completo, o medo pode voltar depois, mas pontualmente estará sob controle, e a pessoa poderá embarcar ou realizar a palestra com tranquilidade.

No entanto, é importante compreender que a hipnose não é uma solução mágica. Para se livrar do problema de vez, geralmente, à hipnoterapia é aliada terapia psicológica semanal ou mais vezes por semana, dependendo do caso.

No controle da dor, a técnica faz sucesso. Ajuda a aliviar a ansiedade antes de começar um tratamento odontológico, por exemplo, e se revela uma alternativa para os alérgicos à anestesia.

De acordo com Osmar Ribeiro Colás, especialista em psicoterapia cognitivo comportamental e coordenador do Grupo de Estudos de Hipnose da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) há 17 anos, também é possível recorrer à técnica para mudar a percepção de dor do parto e para fazer os pacientes sofrerem menos durante a colocação de sondas.

Colás ainda cita ser interessante usar a hipnoterapia para fazer a modificação de sintomas no caso da menopausa e da tensão menstrual, entre outros.

Velloso conta que, no Hospital São Camilo, ele e a psicóloga Maluh Drupat, trabalham para aliviar a claustrofobia que algumas algumas pessoas sentem quando têm de se submeter ao exame de ressonância magnética e ao tratamento com a câmera hiperbárica, ambos realizados em equipamentos parcial ou totalmente fechados.

“Ainda são poucos os atendimentos. Muitos médicos, embora saibam da possibilidade de indicar a técnica, acham essa uma saída muito alternativa e temem serem julgados pouco ortodoxos pelo paciente”, declara Raggi.

Ajudar pacientes gagos também está entre os benefícios listados por Colás. “Entre seis e 12 sessões costumam ser suficientes para o indivíduo se livrar da gagueira. Para algumas situações, é possível ensinar também a auto-hipnose, para que ele sugira ideias a si mesmo”, conta.

O perigo das falsas memórias

A hipnose em si é uma técnica inofensiva, pois trabalha com uma modificação ligeira da consciência humana. “É como sonhar acordado, tal como acontece quando estamos caminhando e com o pensamento ‘longe’”, explica Raggi.

Segundo o especialista, sob hipnose, a pessoa interpreta literalmente o que o terapeuta diz, por isso, ela não deve ser empregada para fazer alguém se lembrar do rosto de um agressor, como no caso de um assalto. O perigo é que o hipnotizado venha a criar uma falsa memória, quando, na verdade, está reproduzindo somente ideias de quem o hipnotizou.

Outro cuidado a ser tomado é em relação a pacientes que sofreram abuso sexual, esquizofrênicos com histórico de surto e pessoas que tenham transtorno bipolar. Para esses casos, a técnica é invasiva demais e pode piorar a situação.

Colás também não recomenda a hipnose para paciente deprimido grave com tendência suicida, que não esteja em tratamento. “O que antes a pessoa não tinha coragem de fazer, ela pode passar a ter e fazer”, diz.

Para não ser vítima de charlatanismo, Colás recomenda buscar hipnólogos membros da ABSH (Associação Brasileira de Hipnose).

Matéria de Beatriz Vichessi, publicada originalmente no UOL, em 16/11/2016. Para acessá-la na íntegra: http://bit.ly/2ggWamQ

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Tem interesse pelo assunto? Conheça os livros da Summus que abordam o tema:

10179ATRAVESSANDO
Passagens em psicoterapia
Autores: Richard Bandler, John Grinder

A Programação Neurolinguística é a técnica que ensina a entender os processos internos das pessoas através da identificação dos padrões de linguagem verbal e extraverbal. Neste livro os autores enfatizam, principalmente, a formação dos estados de transe, revalorizando a hipnose como recurso psicoterapêutico.

10219PSICOTERAPIAS E ESTADOS DE TRANSE
Autores: Livio Tulio Pincherle, Dirce Barsottini T. da Silva, Alla Milstein Gonçalves, Alberto Lyra

Um livro pioneiro, reunindo temas de grande atualidade terapêutica: a terapia de vidas passadas, a hipnose, a psicologia transpessoal. Os estados de transe são o elo de ligação entre os diferentes capítulos.

DENISE DE CASTRO AUTOGRAFA “O MÉTODO CORPO INTENÇÃO” NA LIVRARIA DA VILA, EM SÃO PAULO

Denise de Castro em noite de autógrafos de seu livro recém-lançado pela Summus Editorial, O método Corpo Intenção - Uma terapia corporal da prática à teoria.       O evento ocorreu no dia 27 de outubro, na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis.

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Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/9788532310521

 

 

 

JOSÉ OSVALDO ALBANO DO AMARANTE AUTOGRAFA O LIVRO “OS SEGREDOS DO GIM” NO SUBASTOR, EM SÃO PAULO

A Mescla Editorial e o bar SubAstor, em São Paulo, promovem no dia 7 de novembro, segunda-feira, das 19h às 23h, a noite de autógrafos do livro Os segredos do gim, de José Osvaldo Albano do Amarante, um dos maiores especialistas em bebidas do país. Seu novo livro reúne todas as informações sobre a produção e o consumo do gim no Brasil e no exterior. A obra é resultado de um trabalho de mais de 25 anos, incluindo pesquisas, degustações e visitas a bares especializados na bebida. Os convidados serão recebidos no bar, que fica Rua Delfina, 163, Vila Madalena, São Paulo – SP.

Segundo Amarante – que é também autor dos livros Os segredos do vinho para iniciantes e iniciados e Queijos do Brasil e do mundo para iniciantes e apreciadores, ambos da Mescla Editorial –, a primeira data de que se tem registro na produção de gim foi no início do século XVII, na Holanda. Mais tarde, a bebida chegou ao Reino Unido, levada pelos britânicos que formaram as tropas que lutaram na Holanda durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). “A bebida fez imenso sucesso no Reino Unido, em particular na Inglaterra, razão pela qual hoje é considerada a pátria do gim”, complementa o autor.

“O Reino Unido é um dos principais fabricantes de gim e a casa do gim tipo London gin”, afirma o autor.  Segundo ele, em 2014, existiam 202 destilarias registradas no estado, sendo 134 na Escócia, 61 na Inglaterra, seis no País de Gales e uma na Irlanda do Norte. Essa grande concentração de destilarias, diz ele, deve-se ao fato de as grandes empresas do setor terem optado por consolidar, na Escócia, as indústrias do uísque escocês, do gim e da vodca, obtendo uma maior economia de escala. Ele revela ainda que, em 2013, foram exportadas do Reino Unido 139 milhões de garrafas de gim de 750 ml.

Ao traçar o panorama mundial da bebida, o autor mostra também que as Filipinas são o maior mercado de gim do mundo, com consumo de cerca de 50 milhões de caixas de 9 litros. Esse volume, diz ele, representa cerca de 40% de todo o mercado mundial de gim e o consumo doméstico é dominado pela produção local (98%). “A destilaria filipina San Miguel é, de longe, a marca mais importante, com produção de 22 milhões de caixas de 9 litros, equivalendo a 62% do mercado”, afirma o especialista.

Para saber mais sobre o livro, acesse http://www.gruposummus.com.br/mescla/livro/9788588641464

Noite de autógrafos do livro Os segredos do gim

‘SETE PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE OS DIREITOS DA COMUNIDADE LGBTI’

Lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e intersexuais (indivíduo que tem características sexuais femininas e masculinas) precisam conhecer os próprios direitos para assim se protegerem contra a discriminação.

A seguir, a advogada Ivone Zeger, autora do livro “Direito LGBTI – Perguntas e Respostas” (Mescla Editorial); Ana Raggio, advogada da ONG Grupo Dignidade –ONG paranaense de promoção da cidadania LGBT–, e Sérgio Camargo, especializado em direito homoafetivo, esclarecem as principais dúvidas sobre o assunto.

1. Existe diferença entre união civil e casamento gay?

Sim. União civil é a popularmente conhecida “união estável”, quando não há mudança no estado civil do casal. Eles são chamados de companheiros, enquanto os do casamento levam o nome de cônjuges. “Atualmente, a união estável e o casamento possuem tratamento jurídico muito similar, mas ainda há diferenças e uma proteção maior para o casamento”, diz a advogada Ana Raggio, da ONG Grupo Dignidade. Na união civil, o companheiro só tem direito à parte da herança relativa aos bens adquiridos durante o relacionamento. Já no casamento, todos os bens do cônjuge morto, inclusive os adquiridos antes de iniciarem a relação, entram na divisão. Desde 2013, o Conselho Nacional de Justiça criou uma resolução que proíbe que os tabeliães se recusem a converter uniões estáveis homoafetivas em casamentos. Eles também são obrigados a celebrarem casamentos homoafetivos, quando solicitado.

2. Para que serve a escritura pública de união estável?

É o documento que prova a união estável de um casal em órgãos públicos e privados. É feita em um Tabelionato de Notas, diante do tabelião e do advogado. “O documento terá as premissas que o casal estabeleceu, como a escolha do regime de partilha de bens”, diz o advogado Sérgio Camargo, especializado em direito homoafetivo. A escritura pública é especialmente útil para auxiliar em conflitos ou problemas judiciais caso o relacionamento termine, seja por separação ou morte.

3. Travestis podem mudar de nome?

Na atualidade, há duas correntes jurídicas: a que defende a mudança somente em caso de cirurgia de troca de sexo e a que defende que a cirurgia não deve ser uma condição para isso. Por enquanto, não há garantia de aceitação desse pedido na Justiça, mas existem casos de transexuais que conseguiram mudar de nome e gênero em registro de nascimento antes mesmo da cirurgia.

4. Homossexuais podem ser deserdados por sua orientação sexual?

Não. O fato de o herdeiro ser homossexual ou transgênero não justifica a exclusão dele da herança. Os chamados herdeiros necessários –formados por descendentes (filhos, netos, bisnetos), ascendentes (pais, avós, bisavós) e cônjuge– só podem ser deserdados se for provado que cometeram atos ilícitos, previstos por lei, como homicídio ou crimes de honra (calúnia, difamação ou injúria). “Os atos têm de ser cometidos contra o autor da herança ou seu cônjuge ou companheiro ou contra seus ascendentes ou descendentes”, diz a advogada Ivone Zeger, autora do livro “Direito LGBTI – Perguntas e Respostas” (Mescla Editorial).

5. Um casal do mesmo sexo pode adotar filhos?

Sim. Porém, de acordo com Ivone, como não há uma legislação que aponta o que pode ou não pode para casais homoafetivos, muitos encontram juízes resistentes em autorizar a adoção. “Dependendo da cidade em que o processo acontecer, pode haver maior ou menor dificuldade de aceitação”, diz a advogada. Não há lei que proíba a adoção, mas também não há uma que permita. O processo é o mesmo para todos, mas casais do mesmo sexo ainda precisam conviver com a incerteza do sucesso.

6. É possível pedir pensão para um ex-companheiro homoafetivo?

Há a possibilidade de pedir alimentícia para si ou para os filhos –até 18 anos ou que conclua curso universitário– ou as duas ao mesmo tempo. A decisão do juiz será baseada nas possibilidades financeiras de quem pagará e nas necessidades de quem pede.

7. Transexual pode usar banheiro destinado ao sexo com o qual se identifica?

Não há uma lei federal que aborde a questão, porém o uso de banheiro público por mulheres travestis ou transexuais e homens transexuais, de acordo com a sua identidade de gênero, é entendido como um direito. Porém, sem lei, muitos usuários ainda podem passar por situações constrangedoras.

Matéria do UOL, publicada em 28/10/2016. Para acessá-la na íntegra: http://estilo.uol.com.br/comportamento/listas/sete-perguntas-e-respostas-sobre-os-direitos-da-comunidade-lgbti.htm 

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Conheça o livro:

70042
DIREITO LGBTI
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger
MESCLA EDITORIAL

Esta obra de Ivone Zeger tem o objetivo de responder a questões relativas a casamento, união estável, adoção, inseminação artificial, dissolução de união estável, divórcio, partilha de bens, herança, entre outros temas pertencentes ao Direto de Família, porém voltados ao público homossexual, bissexual e transexual.

‘BASE DE CIÊNCIAS DEVE ESBARRAR EM PLANO PARA ENSINO MÉDIO’

A proposta para a área de ciências naturais do ensino fundamental na atual versão da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), do Ministério da Educação, adota uma abordagem “pé no chão” que pode funcionar bastante bem se aplicada com conhecimento de causa e criatividade.

O currículo esboçado no documento se concentra numa diversidade relativamente pequena de temas, privilegia a contextualização e evita a necessidade de experimentos caros e complicados.

Do ponto de vista programático, o documento acerta em cheio ao destacar a necessidade de “reconhecer múltiplas possibilidades de interpretação dos fenômenos da natureza, no sentido de desafiar a noção de ciência como verdade absoluta, baseada exclusivamente em fatos comprovados”.

Também há diversas menções ao trabalho de elaborar e testar empiricamente hipóteses, um dos cernes do método científico. O desafio é incorporar essa visão ao cotidiano da classe, evitando que, na prática, os alunos acabem apenas aceitando passivamente as conclusões prontas apresentadas pelo professor.

Ainda quanto à visão geral que dá base à proposta, é elogiável a disposição de abordar fenômenos da astronomia, da biologia ou da geologia a partir do cotidiano dos alunos, e de ressaltar a importância do método e do conhecimento científicos como ferramentas de cidadania.

A base desse ponto de vista é praticamente inatacável: numa sociedade tecnológica como a nossa, na qual a riqueza e a qualidade de vida dependem de descobertas científicas, as quais também criam uma série de dilemas éticos e políticos, é crucial que a população entenda como a ciência funciona, ao menos de maneira geral.

Só assim é possível tomar decisões fundamentadas sobre temas complexos, como os riscos de novas formas de energia ou a eficácia de uma suposta droga milagrosa contra o câncer.

POUCOS E BONS ALVOS

Tradicionalmente, as aulas de ciências naturais se intensificam na segunda metade do ensino fundamental (a qual, no sistema adotado hoje no país, corresponde ao período que vai do sexto ao nono ano escolar). É nessa fase do ensino que os alunos passam a ter um professor dedicado exclusivamente a ensinar ciências -o que também acontece com outras disciplinas.

A questão é que um só professor, na verdade, é pouco para a potencial diversidade de temas da área, e a tentação de atirar para todos os lados sem acertar nenhum alvo para valer é enorme. Para resolver esse dilema, a atual versão da Base Nacional Comum Curricular, do MEC, aposta em alguns poucos temas. Vários têm relevância prática imediata, como o funcionamento do corpo humano, micro-organismos ou a natureza do solo; outros estão na base de grandes áreas do conhecimento.

Esse é o caso da teoria da evolução, princípio organizador de toda a biologia que recebe merecido destaque. A falta de bons laboratórios (ou mesmo de qualquer laboratório) é, como se sabe, um dos grandes entraves ao ensino de ciências no país. O currículo proposto não tenta bater de frente com essa limitação básica.

As sugestões que o documento faz em relação a experimentos são quase sempre simples, como as tradicionais demonstrações do funcionamento do Sistema Solar e das estações do ano, que podem ser feitas facilmente com bolas de futebol e uma lanterna, digamos.

Talvez a grande ironia em relação à boa proposta para o ensino fundamental seja a possível falta de articulação dela com o que virá mais tarde, já que a atual proposta de reforma do ensino médio não prevê que as disciplinas de ciências naturais (física, química e biologia) sejam oferecidas a todos os alunos, mas apenas aos interessados.

Nesse caso, não haverá oportunidade de aprofundar temas importantes justamente quando os adolescentes alcançarem capacidade cognitiva para entendê-los melhor. E isso terá um impacto negativo para a meta de criar cidadãos cientificamente alfabetizados, que sejam capazes de tomar decisões bem informadas sobre o mundo deste século 21.

Matéria de Reinaldo José Lopes, publicada originalmente na Folha de S. Paulo, em 16/10/2016. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/10/1823229-base-de-ciencias-deve-esbarrar-em-plano-para-ensino-medio.shtml 

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Saiba mais sobre o assunto com o livro:

10891ENSINO DE CIÊNCIAS: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Nélio Bizzo, Attico Chassot
SUMMUS EDITORIAL

Transitando entre história, filosofia e ensino de ciências, esta obra aborda, entre outros temas, a origem das espécies e do homem, o papel da igreja na história da ciência, a dimensão dos conteúdos nas disciplinas científicas, as relações entre o saber popular e o saber científico, a interdisciplinaridade e a transversalidade. Livro fundamental para a formação de professores de ciência no contexto brasileiro.