ROSANE RODRIGUES AUTOGRAFA “TEATRO DE REPRISE” NA LIVRARIA DA VILA DO SHOPPING PÁTIO HIGIENÓPOLIS (SP)

A Editora Ágora e a Livraria da Vila (Shopping Pátio Higienópolis-SP) promovem no dia 28 de setembro, quarta-feira, das 18h30 às 21h30, a noite de autógrafos do livro Teatro de reprise – Improvisando com e para grupos. A psicodramatista Rosane Rodrigues receberá amigos e convidados na livraria, que fica no Shopping Pátio Higienópolis, piso Pacaembu (Av. Higienópolis, 618 – São Paulo).

Em 1993, quando surgiu o Teatro de Reprise, na cidade de São Paulo, inspirado no Playback Theatre americano (1975) de Jonathan Fox, o Grupo Reprise estabeleceu uma relevante inovação no cenário sociopsicodramático e nas artes cênicas do Brasil. Na ocasião, o movimento psicodramático brasileiro buscava o entendimento da linguagem cênica e a aceitação da potência estética contida nas intervenções sociais, com foco nos grupos e em sua sociodinâmica. A trajetória dessa metodologia brasileira que interage com o público de maneira improvisada é o tema do livro.

Usando o Playback Theatre como base de comparação, a autora, que ajudou a criar a metodologia do Teatro de Reprise, busca refletir sobre como acontece o processo de transformação, o aprofundamento de temas e até a aprendizagem mútua, na coconstrução e corresponsabilização propiciadas pela metodologia, por meio da mobilização do coconsciente e do coinconsciente grupais.

Na avaliação de Rosane, o Teatro de Reprise, alinhado com os princípios sociopsicodramáticos da inclusão e da alegria, contribui para um dos grandes desafios atuais da nossa sociedade: retomar a noção de que somos seres grupais, de que temos de construir coletivamente os nossos caminhos em contraposição ao individualismo e ao consumismo, além de prevenir uma violência sempre existente em grupos humanos, cada vez mais perigosa e poderosa.

“Espero ter contribuído para diminuir a distância entre a psicologia e a arte, de tal forma que os artistas possam estudar seus personagens como ressonâncias estéticas e não somente pelo viés racional ou da mistura com seus preconceitos, principalmente com os doentes mentais. Cada um de nós tem qualquer grau de loucura que nos torna mais ricos e diferentes uns dos outros, e, na medida do possível, não devemos temer nossos monstros e sombras, mas dialogar metaforicamente com eles”, conclui.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1444/Teatro+de+reprise

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‘SAIBA COMO IDENTIFICAR A DISLEXIA E CONHEÇA A HISTÓRIA DE QUEM VIVE COM ELA’

O transtorno afeta leitura, escrita e soletração, mas é possível conviver com isso: “Sei que tenho um problema e tenho que lidar com ele. Para falar a verdade, na maioria das vezes nem me lembro de que sou disléxico”

No processo de aprendizagem, ela começa a dar sinais, porém é difícil chegar ao diagnóstico, já que muitas vezes é confundida com preguiça. A dislexia se caracteriza como uma dificuldade de leitura, escrita e soletração e tem origem neurobiológica. Conheça a história de quem convive com o transtorno e descubra maneiras simples de detectá-la.

A fonoaudióloga Ana Lúcia Duran conta que, ao longo do tempo, a forma de classificar a dislexia foi sofrendo alterações. Atualmente vários autores dividem o transtorno em grau leve e severo, e categorizam o tipo de acordo com a dificuldade mais evidente, que pode ser:

- Auditiva: dificuldade de percepção sonora e associação fonema/ grafema;
- Visual: dificuldade de percepção espacial (inversão de letras);
- Mista: ocorrem sintomas auditivos e visuais.

Identificando o problema

É no período de alfabetização e nos primeiros anos do ensino fundamental que os sinais mais notáveis costumam aparecer. Queixas ligadas ao histórico escolar, por exemplo, pode ser um alerta. “Trocas de sons na fala não esperados para idade, dificuldades em tarefas metafonológicas, como na identificação de rimas, e incompetência nas habilidades de noção espacial e temporal são sinais que merecem atenção”, alerta Ana Lúcia.

A especialista ressalta que esse transtorno ocorre em indivíduos com inteligência normal ou acima da média. “Não há comprometimento cognitivo, mas a dificuldade leva à desmotivação em relação ao aprendizado. O diagnóstico deve ser realizado sempre por uma equipe multidisciplinar composta por médico neurologista, fonoaudiólogo e psicólogo”, explica.

Lidando com o transtorno

A comerciante Adriana Oraggio conta que sempre achou que alguma coisa não estava certa com o filho, Bruno Oraggio, mas o laudo de dislexia só veio quando o garoto tinha 11 anos, depois de passar por duas avaliações multidisciplinares. “A fase de alfabetização foi muito complicada. As coisas não fluíam igual estava acontecendo com as crianças da mesma idade. Ele tinha muita dificuldade, entendia perfeitamente tudo, mas na hora de passar para o papel era quase impossível”, lembra.

Adriana diz que Bruno fazia acompanhamento com fonoaudióloga e psicóloga desde os 5 anos e, depois que foi diagnosticado, passou a fazer acompanhamento com uma psicopedagoga, um neurologista e precisou permanecer na fonoaudióloga.

Falta de foco ou motivação?

Segundo Ana Lúcia, é comum ouvir reclamações de que os indivíduos disléxicos são desatentos. A fonoaudióloga fala que é preciso verificar se realmente é uma dificuldade manter o foco ou se é uma falta de motivação.

“Para que a criança desenvolva seus talentos é necessário um olhar cuidadoso e sensível do educador, buscando seus centros de interesse e desenvolvendo, a partir daí, estratégias facilitadoras para a leitura e escrita”, acrescenta a especialista.

Tratamento

Quando não há outras comorbidades (duplo diagnóstico) não é necessário o uso de medicamentos, mas é fundamental passar por uma terapia com fonoaudiólogo especialista em linguagem. A intervenção de um psicólogo só é preciso quando o disléxico sofre prejuízos emocionais.

“Com o tratamento, as melhoras foram muitas. Principalmente na autoestima, porque ele começou a acompanhar os outros amigos da classe e isso fez com que tudo melhorasse. Hoje o Bruno tem uma vida escolar normal. E as cobranças também são iguais as de qualquer garoto da mesma idade”, diz Adriana.

Aos 15 anos, Bruno fala que já se acostumou com o transtorno que possui. “Sempre achei que o meu problema era mais falta de atenção mesmo e que eu era o culpado. Hoje sei que tenho um problema e tenho que lidar com ele. Para falar a verdade, na maioria das vezes nem me lembro de que sou disléxico”, conta o jovem.

Postura dos pais e escola

Para Ana Lúcia, é fundamental que as pessoas que estão ao redor de quem possui o transtorno tenham compreensão das dificuldades que ela enfrenta. “Preguiça não é diagnóstico e rótulos deste gênero são muito prejudiciais”, afirma.

Ela completa dizendo que a escola também deve estar preparada para atender às necessidades do indivíduo com dislexia. “Deve haver adaptação de atividades e avaliações, de acordo com as necessidades individuais de cada aluno, em respeito a legislação vigente (Lei 13.146 capitulo IV art. 27 a 30), tomando sempre todos os cuidados para não expor o aluno”, completa a especialista.

Matéria de Beatriz Bradley e William Amorim, publicada originalmente no iG Delas, em 19/09/2016. Para acessar na íntegra: http://delas.ig.com.br/filhos/2016-09-19/dislexia.html

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Para saber mais sobre dislexia conheça a obra:


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A DISLEXIA EM QUESTÃO
Autora: 
Giselle Massi
PLEXUS EDITORIAL

A obra problematiza o reconhecimento da dislexia como distúrbio ou dificuldade de aprendizagem da escrita. Discutindo a inconsistência etiológica e sintomatológica desse suposto distúrbio, bem como a fragilidade das formas de diagnosticá-lo, a autora analisa casos de sujeitos rotulados como portadores de dislexia e mostra que eles – ao contrário dos rótulos que carregam – estão em pleno processo de construção da escrita.

21 DE SETEMBRO – DIA MUNDIAL DA DOENÇA DE ALZHEIMER

Nesta quarta-feira, 21 de setembro, comemora-se o Dia Mundial da Doença de Alzheimer. A data foi instituída pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Alertar a população sobre a importância de cuidar, reconhecer, enfrentar e aceitar a doença, lembrando não apenas que ela existe, mas que as pessoas que convivem com os doentes precisam de ajuda, apoio e orientação, é o principal objetivo da ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer).

Em 2015, 44 milhões de pessoas em todo o mundo foram diagnosticadas com a doença de Alzheimer. No Brasil, estima-se que haja 1,2 milhão de pessoas com a doença, sendo dois terços delas mulheres. Silenciosa e incurável, a doença se agrava ao longo do tempo. Quase todas as vítimas são idosas. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família.

Ao longo do mês de setembro, há uma intensa divulgação sobre a doença e seus comprometimentos, com o intuito de orientar a população. No dia 24 de setembro (sábado), a ABRAZ e o Brasil Mente Jovem, organização voltada para a conscientização sobre a importância da autonomia e independência na maturidade, promovem a primeira edição da campanha Memory Walk Brasil, uma caminhada em prol da memória e da conscientização, no parque Villa Lobos, em São Paulo.  O evento é aberto ao público. Para mais informações, acesse o site www.memorywalkbrasil.com.br

50121O Grupo Editorial Summus também apoiará a iniciativa da ABRAZ com o sorteio do livro Doença de Alzheimer – O guia completo no final da caminhada.  A obra, que acaba de ser lançada pela MG Editores, é ricamente ilustrada, escrita em linguagem didática, mas de maneira direta e rigorosa. Os autores, os psiquiatras canadenses especializados em neurologia Judes Poirier e Serge Gauthier, um dos maiores especialistas no tema atualmente, apresentam no livro uma visão geral dos últimos avanços médicos e científicos, as causas e os tratamentos do Alzheimer. Eles abordam também as formas de prevenção que vêm sendo desenvolvidas e os hábitos e estilos de vida que foram validados cientificamente e podem desacelerar ou impedir a progressão sintomática da doença.

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FALECE ZERKA T. MORENO, COCRIADORA DO PSICODRAMA

zerka-t-morenoLamentamos informar o falecimento de Zerka T. Moreno, aos 99 anos de idade. Cocriadora do psicodrama, juntamente com seu marido, J.L. Moreno, exerceu um papel pioneiro não só na criação e consolidação do psicodrama como no desenvolvimento da psicoterapia de grupo. Ao longo de seus sessenta anos de prática, ela foi responsável pela formação de muitos profissionais, em vários países.  Até 1982, foi diretora do Instituto Moreno em Beacon, Nova York, e presidente da American Society of Group Psychoterapy and Psychodrama. Teve vários artigos publicados em livros e revistas e esteve no Brasil por várias vezes, a última delas como convidada especial do XI Congresso Brasileiro de Psicodrama, realizado em Campos do Jordão, em 1998.

Para saber mais sobre a importância de Zerka para o meio psicodramatista, leia a apresentação de José Fonseca ao livro A quintessência de Zerka, publicado pela Ágora em 2008:  http://www.gruposummus.com.br/indice/20038.pdf

Zerka deixa um filho, o americano Jonathan Moreno, filósofo e historiador que sempre lutou para perpetuar o trabalho dos pais.

‘PLANO CURRICULAR EXPÕE TEMAS FILOSÓFICOS DESDE A INFÂNCIA’

O capítulo que trata do ensino de filosofia no projeto da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) já começa questionando –muito filosoficamente– o que é filosofia.

“Não há como definir ‘filosofia’ sem simultaneamente perguntar pela suficiência da definição proposta. Justamente essa dificuldade aponta para algo de essencialmente filosófico: a vocação interrogativa”, diz, na página 166, o documento divulgado pelo governo federal em maio deste ano e ainda sob discussão.

As perguntas sobre a natureza e o escopo da filosofia, como se sabe, são mais antigas que o grego Platão (428/427 a.C.-348/347 a.C.), figura fundamental da tradição filosófica do Ocidente. São portanto, bem anteriores à transformação da matéria em disciplina obrigatória no ensino médio do país, a partir da lei 11.684/2008. É um debate interminável.

Considerando todos esses séculos de discussão, o texto do projeto da BNCC se sai bastante bem tanto na caracterização da natureza da disciplina –aberta, especulativa, fazendo fronteira com diversas áreas ou mesmo “invadindo” regiões próximas– quanto na definição do que deve ser ensinado nessa etapa de aprendizado, bem como na divisão das unidades curriculares em três “grandes temas”.

Tudo isso de modo sucinto e com baixo teor de jargões, à semelhança dos capítulos sobre o ensino de sociologia (embora os quatro parágrafos da “estrutura do componente na educação básica”, nas páginas 166 e 167, sejam repetidos lá adiante, na base do control C + control V).

Acertadamente, o documento mostra como “questões filosóficas” estão na vida dos estudantes desde a educação infantil –”por exemplo, quando os professores tratam com as crianças da socialização dos espaços comuns por meio de regras de convivência e de jogos, aprendizagens que, mais tarde, serão revisitadas no estudo filosófico da ética e da filosofia política”.

Chamar a atenção para isso, diz o texto, tem o objetivo de “facilitar uma inserção mais orgânica e integrada do componente no currículo escolar” (ou seja, fazer com que os adolescentes entendam que a filosofia não é uma conversa tão extraterrestre).

Texto parcial de Rogério Ortega publicado originalmente na Folha de S. Paulo, em 19/09/2016. Para ler a análise na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/09/1814619-plano-curricular-expoe-temas-filosoficos-desde-a-infancia.shtml

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Se você tem interesse pelo tema, conheça:

10060A FILOSOFIA VAI À ESCOLA
Autor: Matthew Lipman
SUMMUS EDITORIAL

O ensino da filosofia nas escolas de 1o. e 2o. graus é aqui defendido como uma forma de oferecer às crianças e aos jovens a oportunidade de discutir conceitos universais e desenvolver um espírito crítico e investigativo. Publicação fundamental no contexto brasileiro, onde a inserção da filosofia nos currículos escolares ainda é uma questão controvertida.

MORRE JEAN CLARK JULIANO

jean-clark-julianoLamentamos informar que faleceu neste domingo, 11 de setembro, aos 74 anos, vitima de complicações decorrentes de um AVC, sofrido há alguns meses, Jean Clark Juliano. Considerada uma das pioneiras da Gestalt Terapia no Brasil, ela é autora dos livros A vida, o tempo, a psicoterapia (2010) e A arte de restaurar histórias (1999), ambos da Summus Editorial. 

Formada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Jean era supervisora em psicologia clínica e em psicologia educacional. Também foi uma das fundadoras do grupo de Gestalt do Brasil, criado há mais de quarenta anos.

Ela deu aulas em diversas instituições de ensino, manteve grupos de estudos em várias cidades brasileiras e foi professora do curso de especialização em Gestalt-terapia do Instituto Sedes Sapientiae.

Também foi cofundadora do Centro de Estudos de Gestalt de São Paulo, além de membro do corpo editorial da Revista de Gestalt e uma das fundadoras da International Gestalt Therapy Association. Era palestrante em eventos nacionais e internacionais na área de Gestalt.

Desde a década de 1970 atendia adolescentes e adultos em seu consultório particular na cidade de São Paulo.

GIKOVATE FAZ PALESTRA E SESSÃO DE AUTÓGRAFOS NO LANÇAMENTO DO LIVRO “PARA SER FELIZ NO AMOR”

MG Editores e a Livraria Cultura do Conjunto Nacional (São Paulo) promovem no dia 13 de setembroterça-feira, o lançamento do livro Para ser feliz no amor, de Flávio Gikovate. Das 18 ás 19 horas, haverá palestra com o psicoterapeuta no Teatro Eva Herz. A sessão de autógrafos acontecerá em seguida, em frente ao teatro, no piso superior da livraria, que fica na Avenida Paulista, 2073, São Paulo.

Serão distribuídas senhas uma hora antes do evento, em frente ao teatro.

Saiba mais sobre o livro lançado em http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1449/Para+ser+feliz+no+amor+

Para ser feliz no amor

PARA EDUCADOR PORTUGUÊS, ‘NÃO SE APRENDE NADA NUMA AULA’

Idealizador da Escola da Ponte, em Portugal, José Pacheco influenciou professores do mundo todo com a proposta educacional implantada no colégio a partir de 1976. 

Os colégios dos quais participa ou que aconselha não têm aulas, séries nem provas. As crianças escolhem projetos –fazer um robô, por exemplo– e aprendem os conteúdos curriculares a partir deles. No Brasil, onde Pacheco vive hoje, dezenas de escolas seguem seus princípios.

Na semana passada, ele foi a Brumadinho (MG) participar do seminário internacional de educação Experiências em Trânsito, promovido pelo Instituto Inhotim. Falou sobre sua resistência ao modelo tradicional de escola, que não consegue ensinar a todos, e contou suas experiências práticas.

Atualmente, integra o conselho consultivo do Projeto Âncora, escola pública de Cotia (SP), que segue os princípios da Ponte. O colégio português, que completou 40 anos na última quinta-feira (1º), obteve “muito bom” na mais recente avaliação externa oficial de Portugal. Esta é a segunda melhor nota da escala, que vai de “insuficiente” a “excelente”.

Leia a entrevista a seguir.

Folha – Por que o senhor diz que dar aula no século 21 é um “escândalo”?
José Pacheco -
Porque não se aprende nada numa aula. Não se prova nada em uma prova. Por que há aula? Por que são 50 minutos? Por que há turma? Por que há série? Ninguém sabe responder isso, e essa escola que está aí, igual à do século 19, produz ignorância e infelicidade.

Na Constituição, está escrito e consagrado o direito à educação. Na LDB, está escrito que é um direito de todos os brasileiros. As escolas dão esse direito? Não. Produz muitos milhões de analfabetos, muita ignorância, muita defasagem. Se a política educacional não garante o direito à educação, podem continuar com as mesmas práticas? Não. Estou a falar de ética. De direito. Se o modo como o professor trabalha não consegue ensinar tudo a todos, tem o direito de continuar desse modo?

Sem aulas e, portanto, sem uma ordem de conteúdos a seguir, como as escolas podem garantir os objetivos curriculares mínimos?
Nas nossas escolas não há objetivos mínimos. São objetivos máximos, que é toda a grade. Todas as crianças, jovens e adultos aprendem tudo que está na grade, ao contrário de outras escolas. Só que não tem um planejamento por ano, idade, série, ciclo porque isso não tem fundamento nenhum.

E quando nenhum projeto desenvolvido pelos alunos demanda, por exemplo, que aprendam a raiz quadrada. O professor tem que sugerir?
Sim, o currículo tem que ser cumprido. Mas aparecem as necessidades. Agora, quando eu digo que numa aula não se aprende nada, há professores que se levantam indignados e dizem que aprenderam tudo na aula. E eu pergunto: quem sabe fazer raiz quadrada? Ninguém sabe, e tiveram aula. Tiveram prova e não provaram nada.

Se eu perguntar qual é a forma para calcular o volume da esfera, é a mesma coisa. Nada se aprende numa aula, e isso é um tabu. É preciso que alguém diga aquilo que todo mundo já sabe.

O que acha da proposta para a Base Nacional Comum Curricular que está em discussão?
Quando a equipe que propõe a base nacional estabelece conteúdos por ano, com anos iniciais e anos finais, significa que vamos ter uma escola com anos iniciais e anos finais. Ou seja, uma escola cartesiana do século 19. Não é assunto sério. Educação é uma só. Por que se subdivide, onde está a fundamentação científica e pedagógica? Será que um médico trabalha com os recursos e as fundações teóricas do século 19? Não. O professor trabalha.

Como vê o uso de tecnologia na escola?
As novas tecnologias são incontornáveis. Nós autorizamos ao limite. Nas escolas onde eu trabalho, nós construímos plataformas digitais de aprendizagem. A criança trabalha também com o celular, o iPhone, laptop, tudo. Desde que haja acesso à informação no domínio virtual, vamos lá. Nós utilizamos tudo quanto é nova tecnologia, porém não damos um laptop para cada aluno.

Por quê?
Porque vamos criar monstrinhos de tela de computador, que não veem nada do lado, que estão a pastar conteúdo na internet sem saber o que estão a fazer. Nunca tantos instrumentos de comunicação nós tivemos e nunca tanta solidão existiu neste mundo.

Vi numa escola em Nova York cada aluno no seu laptop, e um professor lá na frente com a intranet. Ele vigiava tudo o que os alunos estavam a ver. Era um único conteúdo. Havia divisória entre cada criança. Não podiam ver o que o outro estava falando. As pessoas não percebem que estão a reforçar o individualismo, a condenar os outros à solidão?

Como é nas escolas onde o sr. trabalha?
As crianças têm acesso a tudo para procurar respostas às perguntas contidas nos roteiros de estudo que construímos com ela para concluir um projeto. Elas pegam o laptop e vão procurar.

Nós ensinamos a selecionar, analisar, criticar, comparar, avaliar, sintetizar, comunicar informação —processos de pensamento complexos que o professor mediador deve ensinar. E elas sabem analisar, criticar, comparar e vão produzir conhecimento. Não fazem cópia. E depois vão testar a recolha de dados junto com um professor. E aí acontece a passagem da informação para o conhecimento.

Porque colocar uma criança em contato com o laptop e a informação não conduz ao conhecimento. Ela vai copiar. E, depois, o conhecimento não é suficiente. Tem que pegar esse conhecimento e colocar numa ação. É assim que as crianças desenvolvem competências.
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Matéria de Angela Pinho, publicada originalmente no jornal Folha de S. Paulo, em 06/09/2016. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/09/1810551-para-educador-portugues-modelo-escolar-do-sec-19-produz-ignorancia.shtml

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça “De volta ao quintal mágico”, livro sobre a Te-Arte, escola que aplica a metodologia proposta por José Pacheco:
20017DE VOLTA AO QUINTAL MÁGICO
A educação infantil na Te-Arte
Autora: Dulcilia Schroeder Buitoni
Prefácio de José Pacheco
EDITORA ÁGORA

A conhecida escola da Tê, da educadora Thereza Soares Pagani, é o tema desta obra na visão de uma jornalista, mãe de ex-alunos. Este livro apresenta a metodologia da escola e o seu dia a dia. Mostra também a mudança para sede própria e a chegada de uma nova geração de cuidadores que atuam, cada um a seu modo, sob o olhar vigilante e as diretrizes de Therezita.

‘DROGA EXPERIMENTAL MOSTRA AÇÃO ‘IMPRESSIONANTE’ CONTRA ALZHEIMER’

Uma droga experimental removeu o acúmulo de proteínas no cérebro de pessoas com mal de Alzheimer em estágio leve e retardou seu declínio mental, segundo um estudo publicado na revista científica “Nature” nesta quarta (31).

Os resultados aumentaram as esperanças de que um tratamento para a doença, que afeta a memória e a independência, esteja finalmente ao alcance da medicina. Especialistas pediram, porém, cautela com a interpretação das conclusões do estudo.

A droga, aducanumab, é apenas o último anticorpo a mostrar resultados promissores em ensaios clínicos iniciais, de Fase 1, disseram. Anteriormente, outras substâncias aprovadas na primeira fase acabaram decepcionando nos testes decisivos sobre sua eficácia, na Fase 3.

“Embora o resultado seja potencialmente animador, é importante moderar as expectativas com cautela considerável”, disse Robert Howard, professor de psiquiatria na Universidade College London.

“Seria prematuro concluir que isto provavelmente representará um tratamento efetivo para a doença de Alzheimer”, acrescentou.

Pesquisadores dos Estados Unidos e da Suíça testaram a aducanumab, desenvolvida pela empresa de biotecnologia Biogen, em 165 pessoas com Alzheimer em fase inicial durante um ano.

Alguns pacientes receberam injeções mensais do anticorpo, e outros tomaram um placebo.

Nos cérebros dos pacientes que receberam a droga, houve uma “eliminação quase completa” das chamadas placas amiloides, disseram os pesquisadores.

Amiloides são proteínas aderentes que se agrupam em depósitos no cérebro, bloqueando os neurônios – um dos mecanismos suspeitos de causar o mal de Alzheimer.

“O efeito do anticorpo é muito impressionante”, disse Roger Nitsch, professor no Instituto de Medicina Regenerativa da Universidade de Zurique e coautor do estudo.

AGORA É A HORA

Após um ano de tratamento, “praticamente nenhuma placa beta-amiloide pôde ser detectada nos pacientes que receberam a dose mais alta”, afirma um comunicado da universidade.

E embora o ensaio não tenha sido concebido para testar a eficácia da droga, a equipe observou um aparecimento mais lento dos sintomas em pacientes tratados.

Tal observação apoia a hipótese de que as placas amiloides são de fato o que causa o Alzheimer, disseram os pesquisadores, mas testes mais aprofundados são necessários para provar isso definitivamente.

“De fato, a confirmação de que o tratamento anti-AB (beta-amiloide) retarda o declínio cognitivo seria um divisor de águas para a maneira como nós entendemos, tratamos e prevenimos a doença de Alzheimer”, comentou Eric Reiman, diretor-executivo do Instituto Banner Alzheimer, em Phoenix, Arizona.

“Agora é a hora de descobrir”, acrescentou.

A droga provocou, porém, efeitos colaterais, incluindo acúmulo de líquido no cérebro e dores de cabeça.

O mal de Alzheimer é a forma mais comum de demência, condição que afeta quase 50 milhões de pessoas no mundo todo, com cerca de 7,7 milhões de novos casos diagnosticados por ano, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

A idade avançada é o principal fator de risco, e não há prevenção nem tratamento eficaz para os sintomas do Alzheimer, que incluem perda de memória, desorientação, ansiedade e comportamento agressivo.

Como o ator Gene Wilder, que faleceu na segunda-feira, as pessoas não morrem de Alzheimer em si, mas devido a complicações da doença, que podem incluir infecções e desnutrição.

No ano passado, a empresa farmacêutica americana Eli Lilly disse que a droga solanezumab, também um anticorpo, mostrou resultados promissores quando administrada a pessoas em estágios iniciais de Alzheimer.

Os cientistas aguardam com expectativa os resultados de testes mais aprofundados com ambas as drogas, que devem ser realizados nos próximos meses.
Da AFP, publicado na Folha de S. Paulo em 01/09/2016. Para acessar na íntegra:
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/09/1809234-droga-experimental-mostra-acao-impressionante-contra-alzheimer.shtml

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Se você tem interesse pelo assunto tem que conhecer o livro recém-lançado pela MG Editores:

50121DOENÇA DE ALZHEIMER
O guia completo
Autores: Serge Gauthier Judes Poirier

Este livro, ricamente ilustrado, apresenta uma visão geral das últimas novidades médicas e científicas sobre os avanços recentes em pesquisa, as causas e os tratamentos da doença de Alzheimer, formas de prevenção que vêm sendo desenvolvidas e hábitos e estilos de vida que foram validados cientificamente e podem desacelerar ou impedir a progressão sintomática da doença.

‘DIA NACIONAL DE COMBATE AO FUMO: INCA USA ESPORTE COMO ARMA CONTRA TABAGISMO’

Motivado pela Olimpíada do Rio de Janeiro, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) adotou o esporte como temática de conscientização para o Dia Nacional de Combate ao Fumo, marcado para a próxima segunda-feira (29).  Com o slogan #MostreAtitude: sem o cigarro sua vida ganha mais saúde, a campanha quer atingir principalmente a faixa etária entre 13 e 35 anos.

A ideia é que o tema estimule a prática de esportes e assim influencie na prevenção e na cessação do tabagismo, já que o hábito de fumar atrapalha a execução de atividades físicas. Ao consumir produtos que contêm tabaco, os praticantes de esportes diminuem sua performance, principalmente em relação à respiração. Segundo o Inca, enquanto pratica esporte, quem fuma fica cansado com mais facilidade; sofre com falta de ar; tem resistência reduzida e poder de reação mais lento.

Os benefícios de parar de fumar são percebidos rapidamente. De acordo com o Inca, após duas horas sem cigarro, a nicotina deixa de ser detectada na corrente sanguínea, após oito horas, o nível de oxigênio normaliza-se e, até 24 horas depois, os pulmões funcionam melhor. Dois dias depois da última tragada, já é possível perceber melhor cheiros e sabores e, após um ano, o risco de infarto do miocárdio cai pela metade.

Dados do levantamento Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico, do Ministério da Saúde, houve redução de 33,8% no número de fumantes adultos nos últimos 10 anos, sendo que 10,4% da população das capitais brasileiras mantêm o hábito de fumar. Em 2006, o percentual era de 15,7% para o conjunto das capitais. Os homens permanecem como os que mais fazem uso do tabaco (12,8%), e as mulheres fumantes representam 8,3% do total da população feminina das capitais. Há 10 anos, esse número era de 20,3% entre os homens e de 12,8% entre as mulheres.

O Ministério da Saúde, alerta que, apesar da redução do número de fumantes, as doenças causadas pelo tabagismo acarretam aproximadamente 200 mil mortes por ano no Brasil. O tabaco é um fator importante no desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis como câncer e problemas pulmonares e cardiovasculares.

Tratamento

A rede pública de saúde oferece medicamentos como adesivos, pastilhas, gomas de mascar (terapia de reposição de nicotina) e bupropiona para quem quiser parar de fumar.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde,  em 2013, 73,1% das pessoas que tentaram parar de fumar conseguiram tratamento.

Da Agência Brasil, publicado na Isto É em 27/08/2016. Para acessar na íntegra:
http://istoe.com.br/dia-nacional-de-combate-ao-fumo-inca-usa-esporte-como-arma-contra-tabagismo/

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Tem interesse em parar de fumar ou conhece alguém que têm? Conheça os livros:
50059CIGARRO: UM ADEUS POSSÍVEL
Autor: Flávio Gikovate
MG EDITORES

Conseguir parar de fumar é algo parecido com a conquista de uma medalha olímpica. É uma conquista que honra o vencedor, resgata sua auto-estima, a força e a confiança na razão. A obra é uma proposta prática e cheia de calor humano para você se livrar de vez desse inimigo íntimo. E da saudade dele.

 

50050DEIXAR DE FUMAR FICOU MAIS FÁCIL
Autora: Dra. Jaqueline Scholz Issa
MG EDITORES

O grande mérito deste simpático trabalho é tratar o assunto com respeito e objetividade. Ele informa o que é necessário saber, baseado em pesquisa e na longa prática da autora, cardiologista que coordena o Ambulatório de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração da FMUSP – Incor. Essencial para quem está flertando com a idéia de parar de fumar, ou já tentou largar o cigarro e não conseguiu.
Prefácio do Dr. Adib Jatene.