‘CRENÇAS POSITIVAS SOBRE A VELHICE REDUZEM RISCO DE DEMÊNCIA NA 3ª IDADE’

Idosos que adquiriram crenças positivas sobre a velhice ao longo da vida são menos propensos a desenvolver demência. Este efeito protetor foi encontrado em todos os participantes do estudo liderado pela Escola de Saúde Pública de Yale, nos Estados Unidos, inclusive naqueles que têm os genes que aumentam o risco de desenvolver a doença.

Publicado na revista PLOS ONE, o estudo relata que idosos com crenças positivas tinham 50% menos chance de ter a demência em comparação aos idosos que tinham crenças negativas. O estudo é o primeiro a examinar se as crenças de idade baseadas na cultura influenciam o risco de desenvolver demência entre pessoas mais velhas.

“Descobrimos que as crenças de idade positivas reduzem o risco da demência, mesmo com fatores genéticos envolvidos. O que seria caso de implementar uma campanha de saúde pública contra o ageísmo (discriminação etária), que é uma fonte de crenças negativas sobre a idade”, disse Becca Levy, principal autora do estudo.

Levy e sua equipe estudaram um grupo de 4.765 pessoas, com idade média de 72 anos, que estavam livres de demência no início do estudo. Cerca de 26% dos participantes tinham genes que aumentavam o risco da doença.

O estudo demonstrou que os portadores desses genes com crenças positivas sobre o envelhecimento tinham um risco de 2,7% de desenvolver demência, em comparação a um risco de 6,1% para aqueles com crenças negativas sobre envelhecer.

A demência aflige, principalmente, pessoas mais velhas e é marcada por perda de memória e incapacidade de realizar tarefas.

Matéria publicada originalmente no portal Viva Bem, do UOL, em 09/02/2018. Para ler na íntegra, acesse https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/02/09/crencas-positivas-sobre-o-envelhecimento-reduzem-risco-de-demencia.htm

***

Se você tem interesse pelo assunto e deseja envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, conheça:

VELHICE
Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
EDITORA ÁGORA

Estima-se que, em 2050, a população de pessoas com mais de 60 anos comporá 30% da população brasileira, ou seja, cerca de 66,5 milhões de pessoas. Ao lado do grande crescimento do número de idosos, há também o aumento da expectativa de vida: hoje, no Brasil, vive-se em média 75 anos. Assim, todos nós estamos ou muito em breve estaremos envolvidos com velhos: por sermos idosos, por termos alta probabilidade envelhecer ou porque nossos produtos tendem a ser consumidos por esse público. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade?

A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores.

Prefácio de Mario Sergio Cortella.

 

‘7 PASSOS PARA DRIBLAR A ANSIEDADE TÍPICA DE INÍCIO DE RELACIONAMENTO’

Medo de gostar muito, de ser rejeitado, de não ter os sentimentos correspondidos ou de descobrir que o crush promissor não passa de uma roubada são comuns em todo começo de relação.

Na ânsia de fazer um relacionamento dar certo, no entanto, muita gente acaba metendo os pés pelas mãos. Resultado: etapas atropeladas e expectativas frustradas. Inspire-se nas sugestões abaixo para driblar a ansiedade típica do início.

1 – Cuidado com as idealizações

Segundo a psicóloga Mariana Uchôa, coautora do site “Coaching e Terapia”, não há mal algum em fazer planos e ter expectativas de construir um relacionamento feliz e saudável. “Há pessoas que mal começam a se relacionar e já se imaginam de mãos dadas com o par, aposentados, em uma casa de campo com filhos, netos e cachorros”, afirma. É um problema, ainda, se você projeta no outro aquilo que espera de um par ideal. “Isso só gera ansiedade. Em vez de olhar para quem é essa pessoa de verdade, você tenta encaixá-la em suas fantasias”, fala Adelsa Cunha, psicóloga e coautora do livro “Por Todas as Formas do Amor” (editora Ágora).

2 – Mantenha a espontaneidade

Por mais tentador que seja encarnar um personagem que você acredita ser sedutor e atrativo, não há nada mais interessante do que deixar a espontaneidade agir. “Manter a imagem ensaiada gera muita apreensão e não favorece em nada a construção de um vínculo real”, diz Marina Simas de Lima, consultora de relacionamento do Match Group LatAm, detentor de aplicativos e sites de relacionamento.

3 – Analise os pontos em comum e os divergentes

Dê tempo para ver a pessoa como ela realmente é. Converse bastante, troque ideias, repare como ela age e reage diante de circunstâncias negativas (um pedido que veio errado no restaurante ou um atraso seu em um compromisso, por exemplo). Analise quais características agradam e quais as chatices que você terá de relevar ou não. Mas lembre-se: dificilmente você mudará algo, a não ser que o outro queira.

4 – Não abra mão da individualidade

“É importante ter os próprios projetos, amigos e viagens. Não é saudável nem necessário parar toda a vida por causa da entrada dessa pessoa na sua vida. Fazer isso, além de aumentar a ansiedade, gera perda de identidade”, diz Marina.

5 – Não deposite sua felicidade nas mãos da pessoa

Evite olhar para ela como se fosse a tábua de salvação de uma vida amarga e solitária. Ela é só outro ser humano cheio de dúvidas e inseguranças como você. “Um amor serve para colorir mais a vida, e não para dar sentido a ela”, afirma Adelsa.

6 – Respeite seus limites desde o início

Por querer agradar e atender às expectativas alheias, muitas vezes, fazemos coisas que nem gostamos ou queremos fazer. “Deixar claro o que não agrada logo de cara é importante para que haja uma relação verdadeira. Se quem você é de verdade não agrada, é porque a relação não deve continuar. Não permita que a ansiedade te leve a fazer coisas contra sua vontade”, fala Mariana.

7 – Não se deixe levar pelos palpites

Tome cuidado para que a intromissão de amigos e parentes não aumente ainda mais o nível de ansiedade. Mesmo que ouça frases do tipo “essa pessoa não quer nada sério” ou “você vai acabar se machucando”, é você quem pode e deve definir os próximos passos. Claro que conselhos de pessoas queridas não devem ser desperdiçados. “Porém, segui-los o tempo todo à risca pode gerar muita tensão”, diz Mariana. Uma bela filtrada no que ouve e uma boa dose de cautela no que faz são passos seguros.

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 31/01/2018. Para lê-la na íntegra, acesse: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2018/01/31/7-passos-para-driblar-a-ansiedade-tipica-de-inicio-de-relacionamento.htm

***

Saiba mais sobre o livro da psicóloga Adelsa Cunha:

POR TODAS AS FORMAS DE AMOR
O psicodramatista diante das relações amorosas
Organizadores: Adelsa Cunha e Carlos Roberto Silveira
Autores: Suzana Modesto DuclósCarlos CalventeCarlos Roberto SilveiraDalmiro M. BustosElisabeth Maria Sene- CostaEni FernandesIrany B. FerreiraMaria do Carmo Mendes RosaMaria Luiza Vieira SantosRosilda AntonioAdelsa Cunha
EDITORA ÁGORA

Esta obra amplia as reflexões sobre o amor, trazendo para o leigo informações sobre o tema e permitindo-lhe identificar-se com o conteúdo abordado. Além disso, sensibiliza o psicoterapeuta sobre a repercussão, em sua prática clínica, de conceitos e preconceitos relacionados às diferentes formas de amar. Entre os temas abordados estão homo e bissexualidade, amor na terceira idade, amores adolescentes e a dor do rompimento amoroso.

 

‘A DITADURA DA IMAGEM’

Psiquiatra da Cruz Azul aborda os transtornos alimentares ligados à busca desenfreada pelo corpo ideal

Aparecer em uma mídia social sorrindo, exibindo um corpo com relevo de músculos moldados por exercícios tenazes e dietas mirabolantes, repleto de tatuagens que exaltem os volumes e contornos bem delineados, complementados de adornos como piercings que provoquem a imaginação sensual no Facebook e no Instagram, no final das contas, pode ter um alto preço.

Enquanto se aparece como belo ícone é “tudo de bom”, “é nóis na fita”, “linda, lindo, kkk”… A imagem vale mais do que mil palavras no nosso cotidiano da exibição da alegria. Desconfia-se que esta seja pouco verdadeira, mas o instantâneo da fama compensa o “discurso, o papo cabeça, a filosofia”.

A construção de um resultado final com esta alegoria a exibir é fruto de um árduo trabalho, que profissionais da área de saúde mental tipificam como: impulso, compulsão, baixa autoestima, narcisismo ferido, obsessividade, distorção da imagem corporal, purgação, funcionamento autopunitivo, perversão, esvaziamento psíquico e desamparo, ou seja, designações que revelam o inverso do que o sorriso e a força muscular tentam disfarçar: dor psíquica, insegurança e sentimento de fraqueza.

Quando se coloca a questão sobre: “o que veio a se chamar transtorno alimentar?”, é indissociável a conjunção entre imagem corporal/autoimagem, procedimentos compulsivos relacionados à dieta e atividade/inatividade física com comportamentos estereotipados e moldados por ideias obsessivas relacionadas à aparência.

Pode-se colocar no mesmo tacho, na mesma panela de pressão: anorexia, bulimia, vigorexia, obesidade, alcoolismo de um lado e, de outro, o “como me vejo” e “como devo me modificar”, seja pela dieta ou ausência dela, pelo excedente a ser expelido via vômito ou atividade física excessiva e ainda pela inação e autoabandono.

Os sentimentos de desamparo, fraqueza, tristeza, abandono e vazio são “tratados” na arena ou no teatro do corpo, o qual deve ser belo a todo custo, envolvendo comportamentos aditivos (comer muito e expelir, comer muito ou beber muito e se narcotizar pela saciedade como uma droga, buscar purgar/punir pela adição de exercícios para ter o tônus e a endorfina) ou restritivos (não comer, isolar-se porque se sente gordo mesmo estando esquelético, enfim, punindo-se).

O que os psicanalistas chamam de “oralidade”, que é o prazer pela boca ou mesmo evitá-lo, conduz tudo. Na raiz, a noção de que, como seres no início de nossas vidas, o prazer oral teria sido o primeiro deleite, aquele que se mantém vivo como um sentido, com mais vigor do que o sexo, posto que se precisa lidar com isso constantemente, várias vezes ao dia. A sexualidade genital pode esperar, mas, a fome, não. Esta é primordial, renovável a cada pequeno período de tempo, que se faz sentir de modo impositivo a ponto de que, quando se está faminto, não se pode pensar em outra coisa que não seja alimentar-se, um fato inadiável.

Portanto, as carências, insuficiências e instabilidades ganham tradução nisto que mais se sente, representando no que as pessoas cedem nesta busca por saciar/bloquear em prol da estética. Por exemplo, as pessoas vão às academias e conversam sobre o que comeram no final de semana passado e precisam descontar nos exercícios ou citam aquilo que vão poder comer depois dos treinos.

Tudo isso que foi dito sinaliza que os transtornos alimentares graves, como anorexia ou bulimia, denotam uma continuidade em grau maior das preocupações com a aparência, o apelo às dietas e a obstinação pela qual o indivíduo tende a não pensar sobre suas angústias fundamentais quanto a estar vivo, assim como ter responsabilidade sobre si e sua própria vida, deslocando tudo sobre o espelho do corpo e não o retrato da alma, neste nosso mundo que se esquiva das palavras buscando a imposição pela ditadura da imagem do belo corpo.

Por Dr. Carlos Neumann – Psiquiatra da Cruz Azul, Doutor em Psicologia Clínica e Psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise –, publicado originalmente no Portal Cruz Azul, em 03/01/2018. Para acessar na íntegra: Para lê-lo na íntegra, acesse: http://www.cruzazulsp.com.br/a-ditadura-da-imagem/

***

 

Tem interesse pelo assunto? Conheça:

…………………………….
A BELEZA IMPOSSÍVEL
Mulher, mídia e consumo
Autora: Rachel Moreno
EDITORA ÁGORA

A quem interessa vender uma beleza inalcançável? De que maneira a mídia manipula nossa consciência em nome dos interesses do mercado? Quais são as conseqüências para as adolescentes de hoje? Onde entram as “diferentes” – gordinhas, velhas, negras – nesse sistema? Rachel Moreno responde a estas e outras perguntas neste livro vigoroso e crítico, apontando caminhos para que possamos nos defender dessas armadilhas.

‘CIÚME NORMAL OU DOENTIO? AVALIE COMO VOCÊ AGE EM 5 SITUAÇÕES DO COTIDIANO’

Em pequenas doses, sentir ciúme em uma relação amorosa é natural. No entanto, há quem perca o controle, mesmo sem motivos concretos.

A maneira como cada um de nós reage determina se o que sentimos é saudável ou merece atenção, como apontam os exemplos a seguir.

Situação 1: o par está dedicando muita atenção a alguém

Normal
Há uma sensação de desconforto. A pessoa que não faz a linha ciumenta apenas vai reclamar se realmente for deixada de lado. Ou se, depois de analisar as evidências, concluir que o entusiasmo do par está, de fato, além da conta. Mesmo assim, o comum é que se aproxime para participar da conversa de maneira cordial. E, quando o casal estiver a sós, aí, sim, é hora de ter uma conversa honesta e sem ameaças, para poder esclarecer as coisas, antes de tomar qualquer atitude.

Fora de controle
Vítima de uma fantasia constante de que pode er alvo de traição e abandono, a pessoa interpreta de cara que o par está dando em cima de alguém e, sem pensar, questiona o que está acontecendo de forma agressiva e descontrolada.

Situação 2: seu amor tem uma amizade especial

Normal
Pode até pintar um ciumezinho da pessoa por ela ter feito parte do passado do seu amor e, juntos, os dois terem compartilhado várias histórias e aventuras. Porém, a amizade não é vista como uma ameaça ao relacionamento.

Fora de controle
Ciumentos patológicos não hesitam em fazer chantagens do tipo “ou pessoa ou eu”. Na cabeça deles, houve um envolvimento no passado ou ainda deve haver. Esse tipo de insegurança pode detonar uma relação promissora ou fazer com que seja vivida à base de mentiras e omissões, já que o par pode passar a esconder que continua a manter contato com o amigo.

Situação 3: discussão de relacionamento

Normal
Por mais que ambos estejam tensos, existe o mínimo de respeito na conversa, que ocorre sempre quando estiverem a sós.

Fora de controle
Acontece na forma de monólogo, ou melhor, de barraco. Gritos e acusações não têm momento certo para acontecer. Quando a raiva sobe à cabeça, qualquer local é propício. Depois do escândalo, em geral, há a ressaca moral na forma de remorso e pedidos de desculpas.

Situação 4: ansiedade sobre o futuro da relação

Normal
Existe o medo de perder a pessoa amada para um terceiro elemento, mas é transitório e baseado em fatos. O maior desejo é preservar o relacionamento, pois há a vontade de compartilhar a vida com o par.

Fora de controle
Caracteriza-se por ser exagerado, sem motivo aparente que o provoque, deixando o ciumento absolutamente inseguro e transformando-o em um cerceador da liberdade do outro. Parece que só o par pode dar sentido à vida da pessoa.

Situação 5: a vida, de modo geral, do par

Normal
Há o interesse genuíno de saber como foi o dia do outro. Como a pessoa preza a própria individualidade, encara com naturalidade o fato de que o outro tenha interesses e hobbies próprios. Às vezes, uma ou outra coisinha –como um comentário de alguém em uma rede social– provoca uma pontada de ciúme, mas qualquer dúvida ou ansiedade é discutida pelo casal.

Fora de controle
A relação vira uma espécie de investigação, com checagem de celulares e ligações recebidas constantemente, que e-mails recebeu e por qual motivo, com quem falou e sobre o que, onde está e a que horas volta… Atrasos ou demora em responder mensagens no WhatsApp são motivos de desconfiança e gritaria. Os questionamentos são intermináveis e, por mais que a pessoa se explique, o ciumento nunca se dá por satisfeito.

Fontes: Andrea Lorena Stravogiannis, psicóloga, neuropsicóloga e colaboradora do Programa de Transtornos do Impulso do IPq-USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo); Eduardo Ferreira-Santos, psiquiatra, psicoterapeuta e autor do livro “Ciúme – O Lado Amargo do Amor” (editora Ágora); Poema Ribeiro, psicóloga e sexóloga, e Raquel Fernandes Marques, psicóloga da Clínica Anime, de São Paulo.

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 12/01/2018. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2018/01/12/ciume-normal-ou-doentio-avalie-como-voce-age-em-5-situacoes-do-cotidiano.htm

***

…………………………………………..
Saiba mais sobre o livro do psiquiatra e psicoterapeura Eduardo Ferreira Santos:

CIÚME
O lado amargo do amor
EDITORA ÁGORA

O autor, que é psiquiatra, mergulha no tema do ciúme, mostrando as causas de seu surgimento e suas conseqüências para as relações afetivas – como dependência, perda de auto-estima e até distúrbios psicológicos graves. Ele também aponta saídas para situações neuróticas. Afinal, o ciúme acaba transformando o amor, sentimento altruísta por natureza, no mais exacerbado egoísmo.

‘ QUANDO A DOR DE PERDER UM BEBÊ NÃO É RESPEITADA: “VAI INCINERAR COM O LIXO” ’

Perder um filho é dilacerante para pais e mães. Mas famílias que perderam seus bebês –antes mesmo do nascimento ou logo após– relatam dificuldade de encontrar espaço físico e acolhimento para viver o seu luto, ainda no hospital. Há mulheres que são colocadas no mesmo ambiente com mães que estão recebendo seus filhos saudáveis ou em quartos vizinhos, tendo de ouvir o choro de recém-nascidos e a alegria das famílias.

A psicóloga Larissa Rocha, uma das fundadoras do projeto Do Luto à Luta: Apoio à Perda Gestacional e Neonatal, perdeu um filho aos cinco meses de gestação, em função de um problema chamado gestação molar (na qual um tumor, geralmente benigno, desenvolve-se no útero), e viveu situações desrespeitosas em uma maternidade privada no Rio de Janeiro.

“Do meu quarto, logo após a curetagem, ouvia bebês chorarem. Funcionários entravam e me perguntavam do meu filho. Ganhei kit maternidade, um brinde distribuído em algumas maternidades particulares”, conta Larissa, que perdeu um bebê entre as gestações dos filhos Tomás, 4 anos, e Mila, 1.

Na falta de um protocolo oficial que oriente hospitais e profissionais da saúde a lidarem com a perda gestacional e neonatal, o Do Luto à Luta reivindica um tratamento mais humanizado com base em algumas orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

“O uso de uma pulseira diferente pela mãe que perdeu o filho já evitaria que ela fosse alvo de perguntas indelicadas. Se não é viável ter uma ala só para o atendimento delas na maternidade, elas poderiam, pelo menos, serem colocadas afastadas das mães com seus filhos nos braços”, diz Larissa.

“Se pesar menos de 500 g, vai incinerar com o lixo hospitalar”

“Era noite e cismei que o Felipe não estava mexendo. Estava com cinco para seis meses de gestação. Na manhã seguinte, eu e meu marido fomos para o hospital público mais perto da minha casa. Estava fazendo o pré-natal pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. O médico tentou ouvir o coração do bebê, e nada. Fiz um ultrassom, que constatou que o Felipe estava morto. O médico virou para mim e falou: ‘Você fez alguma coisa para isso acontecer?’. Insinuando que eu tinha provocado um aborto! Fui até o lado de fora do hospital dar a notícia para o meu marido, porque não tinham deixado ele ficar lá dentro comigo. Sentamos os dois na calçada e choramos. Quando entrei, tive de tomar remédio para expulsar o bebê. Fiquei 24 horas em trabalho de parto, vendo outras mães tendo seus filhos saudáveis. Morrendo de dor, a cada vez que ia ser examinada para conferir a dilatação, ouvia das enfermeiras: ‘Foi você que perdeu o bebê, não é?’. Na hora em que finalmente ele nasceu, a que estava comigo falou sem rodeios: ‘Se pesar mais de 500 g tem de fazer funeral, se não, vai incinerar com o lixo hospitalar’. Disse isso e colocou ele e a placenta em uma bacia de alumínio e levou. Sei que o luto era meu, mas não teve respeito.” Kátia Gonçalves Moreira, 38 anos, é mãe também de Fernanda, 17, e Mariana, 10.

 

Texto parcial de matéria de Adriana Nogueira, publicada no UOL em 22/09/2017. Para acessar na íntegra e ver outras histórias, clique em https://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2017/09/22/maes-que-perderam-seus-bebes-vivem-o-luto-no-meio-da-alegria-da-maternidade.htm

 

***

MATERNIDADE INTERROMPIDA
O drama da perda gestacional
Autora: Maria Manuela Pontes
EDITORA ÁGORA

Por vezes o ciclo da vida inverte-se: morre-se antes de nascer. Estará a sociedade civil consciente da fragilidade da maternidade e do vigor desse sono eterno que nos desvincula da existência? Este livro denuncia os processos da dor e do luto em mulheres que enfrentaram o drama da perda gestacional. São testemunhos reais de uma dura realidade que, silenciosa, clama por ser ouvida.
Prefácio de Maria Helena Pereira Franco.

‘UM POUCO DA HISTÓRIA DO CINEMA LGBT PELA LISTA DE FILMES QUE MARCARAM AS DÉCADAS’

Se você acha que a temática LGBT é recente no cinema se engana, e muito. Uma das primeiras películas da história da sétima arte, um curta já sonorizado cerca de 30 anos antes do som fazer parte da indústria cinematográfica, trazia dois homens dançando ao som de um violino: The Dickson Experimental Sound Film, de 1895.

Nas décadas seguintes algumas citações sobre o tema apareceram aqui e ali no cinema . Mas em 1924, um filme chamado Mikael traz claramente personagens gays na história da relação de um pintor de sucesso com seu discípulo, tumultuada pela chegada de uma mulher que passa a seduzir o garoto.

De lá para cá a visibilidade de gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, travestis, transexuais, não binários e todas as nuances desta gigantesca cartela de cores se multiplicou por um milhão.

Como todos gostam de listas,  eu e meu master colaborador Alisson Prando inclusos, listamos aqui – sem pretensão histórica ou crítica, mas, sim, como um recorte afetivo  – nossas obras prediletas.
……

Morte em Veneza (1971)

Para descansar e recuperar energias após stress artístico e pessoal, o compositor de meia idade Gustave viaja a Veneza.

Nestas férias conhece o jovem Tadzio, e sua família. Arrebatado, acaba obcecado pela beleza física do garoto, apaixonando-se platonicamente por ele, fato que transforma sua conduta e seu caráter.

Direção primorosa de Luchino Visconti.
….

Problemas Femininos (1973)

Filmado por John Waters no início da década de 70, ‘Problemas Femininos’ é mais uma parceria de ouro da dupla Waters & Divine. Nesse longa, Divine, ícone cult e travesti, é uma adolescente que foge da casa para uma vida de prazeres libertinos, tudo porque ela não ganhou seu sapato de “chá-chá-chá”, no Natal. Na fuga, ela é molestada por um vil motorista (que também é interpretado por Divine – essa é a ideia de “amor a si mesmo” de Waters?). No entanto, ela não deixa que a maternidade interfira nos seus planos de estrelato e se transforma em uma bizarra apresentadora de um espetáculo apocalíptico. É o quarto filme de John Waters, que segue sua estética autoral, grotesca, altamente subversiva e vulgar.
………………

A Gaiola das Loucas – La Cage aux Folles (1978)

A despeito de tratar de forma caricata e estereotipada os gays, fato comum naqueles tempos, esse é um dos filmes que mais me fez rir no cinema. Talvez pela minha própria condição na época.

É a história de um casal de gays, donos de uma boate de shows igualmente gay, que está sempre na mira dos conservadores.

O filho de um deles,  fruto de um relacionamento hétero, vai se casar justamente com a filha de um deputado do partido conservador.

A coisa complica de vez quando os pais da noiva resolvem conhecer os pais do noivo.
……………………….

Vitor ou Vitória (1982)

Uma grande cantora lírica que não consegue trabalho nem desenvolver sua carreira artística conhece um cantor gay, também desempregado.

Juntos eles  inventam um subterfúgio para chegar lá atingindo fama e sucesso: ela se  passar por um homem cantando com uma transformista.

Tudo vai bem até que ela  Julie Andrews, estonteante, dirigida por Blake Edwards) se apaixona por um gângster.
……………………….

Minha Adorável Lavanderia (1985)

O jovem paquistanês Omar administra a lavanderia do tio em Londres e faz amizade com Johnny (Daniel Day-Lewis), que vai trabalhar no local.

Sem levar em consideração as diferenças raciais acabam se apaixonando, tocando o negócio e a vida juntos.

Stephen Frears faz um bom retrato dos anos de chumbo da era Tatcher.
……………………..

Garotos de Programa (1991)

Um escancarado retrato da cena gay nos Estados Unidos sob direção de Gus Van Sant, mais precisamente na cidade de Portland, do início da  década de 90, onde dois garotos estão envolvidos com drogas e prostituição.

Os meninos em questão são Scott, na ação para causar vergonha à família, e Mike, narcoléptico e apaixonado por Scott.

Nada mais nada menos que Keanu Reeves e River Phoenix no auge da juventude e beleza.
…………………

Minha vida em Cor de Rosa (1997)

O garoto Ludovic, de 7 anos de idade, é um menina presa num corpo de menino.

Ele decide romper com os padrões que lhe foram impostos e aparece numa festinha no condomínio classe alta, para o qual a família acabou de mudar-se, usando um vestido.

Diferente de hoje o tema era bastante incomum no cinema de 1997 abordado com muita delicadeza pelo diretor Alain Berliner.
………

Madame Satã (2002)

A melhor atuação nos cinemas do excelente ator Lázaro Ramos se deu nesse longa de Karim Äinouz, em 2002.

No filme, ele interpreta Madame Satã, icônica perfomer e travesti negra que viveu nos anos 30 no Rio de Janeiro.

O filme é uma obra importante, especialmente por contar de maneira fiel um dos primeiros ícones da comunidade T no Brasil, que sofreu bastante discriminação pelo Estado e pela Polícia.
………….

Monster: Desejo Assassino (2003)

Dirigido por Patty Jenkins, esse filme rendeu um Oscar de Melhor Atriz a Charlize Theron. Irreconhecível, ela interpreta Aileen Wuornos, uma andarilha e prostituta que se apaixona pela jovem Selby Wall, uma adolescente que é mandada pelos pais para morar com seus tios, na intenção de “curar sua lesbianidade”. A paixão entre as duas é mais forte que as pressões da família. E juntas decidem tomar conta de seus destinos.

Na impossibilidade de achar um emprego sério, Aileen continua a se prostituir para poder sustentar a namorada. Quando um de seus clientes se torna mais violento e coloca sua vida em risco, ela é obrigada a cometer um crime para se defender. E esse será o primeiro de uma série que a levará à destruição. Baseado em fatos reais.
………………………..

The Bublle (2006)

Um complexo e tórrido romance interracial e interreligioso amarra a belíssima história de amor entre um Judeu (Noan) e um Árabe (Ashraf), neste conto triste de Eytan Fox, num mundo de guerras e intolerância.

Passado numa Tel-Aviv moderna,  que parece capaz ao menos por algum tempo, de preservar o casal de todos os conflitos no qual estão inseridos.  Para arrematar, a trilha mais que linda foi composta por Ivri Lider e traz uma das minhas músicas prediletas.

Prepare uma caixa de lenços queem-size!


Texto parcial extraído da coluna de Vicente Negrão, publicada originalmente no iGay, em 06/09/2017. Para ler o artigo na íntegra, acesse: http://igay.ig.com.br/colunas/vicente-negrao/2017-09-06/cinema-lgbt-lista-filmes.html

 

***

Tem interesse por cinema LGBT? Conheça:

CINE ARCO-ÍRIS
100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras
Autor: Stevan Lekitsch
EDIÇÕES GLS

Entediado com os filmes em que o mocinho fica com a mocinha? Em que o bandido é mau e o mocinho é bom? Eles estão longe da sua realidade? Seus dias de filmes chatos acabaram! Neste pequeno guia, os mocinhos choram e ficam com os mocinhos; as mocinhas amam e batem nas mocinhas; bandidos e bonzinhos acabam juntos. A obra também traz histórias de bastidor, curiosidades técnicas e muito mais.

 

 

‘SIGA 8 PASSOS PARA PERDOAR DE VERDADE UMA TRAIÇÃO E SEGUIR EM FRENTE’

Ser alvo de uma infidelidade provoca vários sentimentos: mágoa, raiva, ciúme, vontade de se vingar… Por amor, muita gente decide relevar uma traição, mas desculpa o par somente da boca para fora. No íntimo, o ressentimento continua crescendo, impedindo a pessoa de seguir em frente e reconstruir a relação. Conversar muito sobre o que houve e fugir de culpas inúteis são alguns dos conselhos para conseguir perdoar de verdade. Veja outros, se você quiser, de verdade, relevar e tocar a vida do casal adiante:

Não faça de conta que nada aconteceu

Varrer a sujeira para debaixo do tapete só ajuda a acumular mais pó. Se quer mesmo perdoar e seguir em frente, não se reprima. Ser traído é muito dolorido, mas ignorar qualquer tipo de emoção significa não curar verdadeiramente a ferida. Sentir raiva, culpa, mágoa, decepção, fracasso, vergonha e sensação de perda faz parte do processo luto. Dói, mas é uma dor necessária.

Esgote o assunto com o par

Entender o que levou a pessoa a trair é fundamental, inclusive para motivar e selar o perdão. Portanto, converse muito com a pessoa e elimine todas as dúvidas e fantasmas de sua cabeça. Falar sobre o assunto é doloroso, claro, mas transformá-lo em tabu é pior ainda. Ao tentarem entender o que levou à infidelidade é possível compreender o que falta (ou não) na relação e, assim, reinventá-la.

Evite buscar mais detalhes

Os dois conversaram a fundo sobre o assunto e você decidiu superar o chifre e continuar o romance? Ótimo, então nada de ficar repetindo na mente cada trecho da conversa ou, pior, ir atrás de detalhes e informações sobre a vida da pessoa com quem o par traiu você, por exemplo. Fuçar redes sociais e alimentar a imaginação com fantasias só vão reviver e prolongar o sofrimento. E mais: você corre o risco de se tornar uma pessoa obsessiva e até adoecer, além de comprometer o futuro da relação.

Não caia no jogo da culpa

Pare de se martirizar procurando entender como e onde você errou. Evite, também, acusar as outras pessoas de mau-caratismo, maldade e frieza, entre outras coisas. Em vez de buscar culpados para a infidelidade, encare a experiência como uma oportunidade de olhar a relação de modo diferente e de fazer ajustes.

Pare de jogar na cara

Se resolveu perdoar e seguir em frente, vire a página. Não traga a história à tona a todo momento, seja na forma de indiretas ou de ameaças. Não use o que aconteceu para manter o outro sob controle ou de lembrá-lo o quanto você sofreu.

Dê um voto de confiança

Voltar a confiar é fundamental. A vontade de fiscalizar cada passo do outro é grande, mas é uma armadilha. Se você usar o controle para sufocar uma pessoa, será muito difícil seguir em frente. Cuidado para não transformar sua relação em uma prisão e criar novos problemas.

Não torne o episódio um reality show

Se há a mínima chance de perdão, evite sair contando o que houve por aí, ainda mais para gente que não tem relação alguma com o ocorrido. Embora você esteja buscando acolhimento, acredite, essas pessoas não ajudarão em nada. Ou, pior ainda, ajudarão de forma torta, usando as próprias experiências como parâmetro para dar pitacos inúteis. E lembre-se: publicar desabafos nas redes sociais é uma exposição desnecessária. Bico calado e discrição são as palavras-chave se você quer mesmo dar uma nova chance ao amor.

Valorize o que é bom

Em um primeiro momento, pode parecer uma tarefa árdua. Mas assim que conseguir organizar as ideias e pensar com clareza, faça uma lista mental dos momentos agradáveis e desagradáveis, das situações de gratidão, cuidado e entrega versus as de frustração, mágoa e decepção. Se a parte boa for mais relevante do que a ruim, você terá condições de sentir motivação para perdoar.

Fontes consultadas | Luciano Passianotto, psicoterapeuta e terapeuta de casais; Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC–SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Raquel Fernandes Marques, psicóloga da Clínica, de São Paulo (SP), e Thais Rabanea, psicóloga

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 03/08/2017. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/08/03/siga-8-passos-para-perdoar-de-verdade-uma-traicao-e-seguir-em-frente.htm

***

Conheça a obra da Ágora que tem a psicóloga Marina Vasconcellos entre os coautores:

PSICODRAMA COM CASAIS
Organizadora: Gisela M. Pires Castanho
AutoresDalmiro M. Bustos, Gisela M. Pires CastanhoJúlia MottaMaria Amalia Faller VitaleMaria Cecília Veluk Dias BaptistaMaria Cristina Romualdo GalatiMaria Rita SeixasMarina da Costa Manso VasconcellosMarta EcheniqueMônica R. Mauro, Vivien Bonafer Ponzoni
EDITORA ÁGORA

Este livro foi escrito para todos aqueles que se interessam por terapia de casal e por psicodrama. São 11 capítulos escritos por psicodramatistas com experiências diversas, dotados de vários exemplos nos quais os profissionais mostram como exercem sua prática clínica.

‘CONHECE A ASTROLOGIA VOCACIONAL? TEM GENTE USANDO PARA MUDAR DE CARREIRA’

A jornalista Lívia*, 32, iniciou a transição para uma nova carreira após receber os resultados da sua consulta astrológica voltada à área profissional. A médio prazo, planeja abandonar a área de produção de conteúdo para turismo e tornar-se escritora. “Já comecei a escrever e tenho me sentido bem satisfeita”, conta.

Segundo a astróloga Lilian Marins, a maior parte das pessoas tem habilidades múltiplas e nem sempre consegue utilizar todas as suas potencialidades em uma única profissão. E a astrologia vocacional – uma técnica de análise focada na carreira – pode ajudar a encontrar aptidões que, até então, não estavam sendo utilizadas no trabalho, indicando um novo caminho a seguir.

Como faz?

Toda a avaliação é feita a partir do Mapa Natal, que é a fotografia dos astros no céu no momento e local de nascimento da pessoa. Para tirar conclusões, os astrólogos avaliam a posição de cada astro e também os aspectos que formam entre si. “Os planetas, asteroides, Sol e Lua mostram uma relação e, por meio dessa linguagem simbólica que é a astrologia, explicam, definem e informam o funcionamento físico, emocional e intelectual da pessoa”,  explica a astróloga Elizabeth Nakata.

Algumas áreas específicas do Mapa merecem mais atenção, como acontece com as Casas 2, 6 e 10, que respondem pela realização material e profissional.

Quem procura?

Segundo os astrólogos, um dos focos da astrologia vocacional é dar suporte para decisões relacionadas a mudanças de função, de emprego ou mesmo de área profissional. Porém, a técnica também pode auxiliar os jovens em época de vestibular. “O Mapa permite que o estudante possa escolher de forma mais consciente entre um extenso leque de opções, para contemplar o uso adequado de suas habilidades, em sintonia com a sua verdadeira vontade”, explica o astrólogo Patrick Mesquita.

A estudante Juliana Mattos, 21, estava em dúvida sobre qual curso escolher, até fazer o Mapa Natal com esse objetivo. “Eu me surpreendi com as coisas que o astrólogo falou sobre mim! E uma das primeiras observações que ele fez foi que eu poderia me dar bem trabalhando com tecnologia”, conta. Era o impulso que faltava para ela mudar de cidade e iniciar um curso de informática. “Atualmente, estou bem feliz com a minha decisão”, diz.

Qual é o resultado?

Após a análise do Mapa, o astrólogo deve apontar algumas possibilidades ao cliente, mas jamais apresentará um resultado determinante sobre o futuro profissional. “O astrólogo que eu consultei me mostrou informações que o Mapa trazia sobre minhas características pessoais, potencialidades e até dificuldades relacionadas ao lado profissional. Eu tomei minha decisão entre os vários caminhos que ele me apontou”, diz Lívia.

Também é possível descobrir que se está na área certa, porém, em um local de trabalho inadequado. “Na astrologia vocacional, identificamos aspectos como necessidade de segurança, habilidade para lidar com assuntos financeiros, ambientes de trabalho mais propícios, entre outros”, afirma a astróloga Titi Vidal.

*Nome trocado a pedido da entrevistada.

Reportagem de Gabriela Guimarães e Rita Trevisan publicada originalmentne no UOL, em 26/07/2017. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/horoscopo/noticias/redacao/2017/07/26/conhece-a-astrologia-vocacional-tem-gente-usando-para-mudar-de-carreira.htm

***

 

Se interessou pelo assunto? Conheça:

VOCAÇÃO, ASTROS E PROFISSÕES
Manual de astrologia vocacional (acompanha CD)
Autores: Márcia Mattos e Ciça Bueno
EDITORA ÁGORA

A astrologia, neste livro de duas das mais conceituadas profissionais da área, se mostra uma ferramenta poderosa para auxiliar na identificação da verdadeira vocação. Um CD para que cada um faça a própria análise astrológica, completa esta obra dirigida a jovens e adultos em busca do melhor caminho profissional.

‘JOVEM, REPENSE SEUS VALORES EM RELAÇÃO À VELHICE, RECOMENDA PSICÓLOGA’

Maria Célia Abreu fala com conhecimento da causa que defende. Aos 73 anos, a psicóloga e professora universitária por mais de 20 anos na PUC-SP, é taxativa: ainda há preconceito exacerbado com imagem dos velhos, diz. E os jovens precisam ficar mais atentos ao tema, completa a autora de “Velhice: uma nova paisagem” (editora Agora), livro em que reúne depoimentos, experiências e dicas sobre a questão que lhe é mais cara atualmente.

Maria Célia fala mansamente, mas é enfática. Esqueça expressões como “melhor idade” ou “idade do ouro”, elas fazem parte do esforço de reconhecimento do velho na sociedade, mas não passam disso, garante Maria Célia. E, em recado claro às gerações mais jovens, um recado: repensem seus valores em relação aos velhos.

Quais os efeitos dos preconceitos que ainda cercam a velhice?

O preconceito contra a velhice existe – muitas vezes não conscientizados – e cria uma crença falsa que restringe a sua exposição a experiências diversificadas. Se eu tenho um preconceito contra velho, não me aproximo de quem tenha mais idade e posso estar perdendo a oportunidade de uma convivência muito rica. É algo a ser reconhecido, trazido à consciência e depois combatido.

Os velhos também têm preconceito contra velhos?

O velho que também tem preconceito contra velho vai limitando a sua própria vida. Ele se educou nessa sociedade em que se dizia que velho era algo inferior, debilitado, incapaz, então ele apreende que está incapaz, decadente e começa a se comportar como tal. Como se não merecesse mais ser autônomo, ele vai ficando à parte do mundo, principalmente desse mundo tecnológico. Então, temos de ter consciência do nosso preconceito, tenhamos nós qualquer idade, sabendo que eles são prejudiciais.

O fato de os velhos serem hoje numericamente expressivos, uma tendência que vai persistir, não muda o cenário e a percepção que se tem dessa fase da vida?

Sim, os velhos eram um grupo numericamente pouco significativo até pouco tempo atrás. Hoje, se você vai ao velório de alguém com 60, 70 anos, ouve ‘nossa, morreu novo’. Há uma mudança muito grande na sociedade para se adaptar a essa quantidade de velhos. Os termos idade de ouro e melhor idade, por exemplo, são parte desse esforço, mas, claro, a velhice não é nada disso. Mas esses termos foram cunhados para fazer valer direitos. Aí o velho foi ganhando visibilidade.

Qual é a “nova paisagem” a que você se refere no seu livro? Você escreve por experiência própria?

Sim, há influência das minhas experiências. Nos últimos dois, três anos a gente está começando a entrar numa nova paisagem. Existia uma imagem que ainda usamos, que associa o envelhecimento à descida de uma montanha. Ao descer, a gente perde tudo aquilo que ganhou enquanto subia. Essa imagem é desesperante, desesperançada, péssima. A vida não é uma montanha que se sobe ou se desce. A vida é uma estrada que você não sabe o quanto ela será extensa ou não. Se você atravessa uma paisagem árida, cheia de pedregulhos, calma, ela vai acabar. A estrada continua. Não necessariamente todo começo de estrada tem paisagens amenas, há infâncias muito dolorosas. E não necessariamente o final, a velhice, é pobre. Muitas vezes é a melhor fase que a pessoa vive. A gente enaltece a infância e diz que a velhice é péssima. Isso não é verdade.

A velhice pode mesmo ser a melhor fase da vida de uma pessoa?

Todas as idades têm seu valor.

Por que a velhice assusta tanto? Ou é a morte?

Morrer pode acontecer em qualquer idade, mas se sabe que, uma vez velho, se está próximo do fim. Há quem enfrente isso muito bem. E tem quem relute diante da própria velhice. Quanto mais se falar sobre morte, isso deixa de ser tabu. E isso também é algo recente. A morte, os cuidados paliativos, o testamento vital, os cuidados que você pode ter para preparar a sua própria morte. Isso exige reflexão, coragem.

Há, de certo modo, uma profusão de estudos sobre o envelhecimento. Como, de fato, passamos a encarar a velhice de modo diferente? Na prática, a teoria é outra, não?

Já há inúmeras profissões lidando com o envelhecimento, isso é um bom sinal. O que sabemos é que tem de dar liberdade, respeitar e garantir autonomia aos velhos. A própria família carrega o preconceito, muitas vezes.

De quem ou de que instituições é a responsabilidade por falarmos e cuidarmos tão precariamente dos velhos?

Estamos num processo de transformação. O tema está se abrindo. Os políticos estão percebendo a força política dos velhos. E a indústria também está começando a perceber que o velho tem de ter uma atenção diferente do jovem.

Como lidar com a fragilidade do outro diante da própria fragilidade, no caso de pessoas de 60, por exemplo, que cuidam de pais acima de 80?

Essa turma, em geral, tem filhos demandando atenção além dos pais, o que faz com que haja uma geração espremida entre dois lados. Temos de lidar com as coisas com naturalidade. O velho é uma pessoa importante e de alguma forma você vai ter de se adaptar a ele, assim como se adapta aos filhos. É importante não interferir na vida dos pais mais do que eles precisam. O velho tem de lutar por sua autonomia. E o jovem tem de confiar que o velho é capaz. Com bom senso. Tem de saber e conversar sobre as limitações.

Os 50 anos são tidos como um marco, atualmente, as queixas começam aí. Para quem ainda não chegou, mas está perto, o que você diria?

Todas as fases da vida são apenas novas paisagens. O que conta é a prevenção. Para ser um velho legal, saudável e de cabeça aberta você tem de começar já a cuidar do corpo, da forma física, da saúde, tem de estudar, ler, aprender, manter o cérebro funcionando, participar da comunidade e cultivar relações afetivas. Jovem, é muito provável que você fique velho; é muito provável também que você trabalhe com velhos e para velhos. Convém repensar seus sentimentos em relação ao velho e à velhice, bem como os valores atribuídos a eles. É preciso se informar sobre esse segmento da população, ainda tão desconhecido. Você vai fazer parte dele.

Entrevista feita por Maria da Luz Miranda, publicada em O Globo em 15/07/2017. Acesso na íntegra para cadastrados: http://blogs.oglobo.globo.com/depois-dos-50/post/jovem-repense-seus-valores-em-relacao-velhice-recomenda-psicologa.html

***

Conheça o livro de Maria Celia de Abreu:

VELHICE
Uma nova paisagem
EDITORA ÁGORA

Todos nós estamos ou muito em breve estaremos envolvidos com velhos: por sermos idosos, por termos alta probabilidade envelhecer ou porque nossos produtos tendem a ser consumidos por esse público. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade? A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

‘DIVÓRCIO CONFLITUOSO DOS PAIS PREJUDICA SAÚDE DOS FILHOS POR DÉCADAS, DIZ ESTUDO’

Quando as crianças vivenciam um divórcio ou separação conflituosa de seus pais, a situação parece prejudicar sua saúde por décadas, até a idade adulta, disseram pesquisadores nesta segunda-feira (5).

O estudo, publicado na científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), foi feito com 201 adultos saudáveis que concordaram em ser colocados em quarentena, expostos a um vírus que causa o resfriado comum e monitorados por cinco dias.

Aqueles cujos pais se separaram e não se falaram durante anos eram três vezes mais propensos a adoecer, em comparação com aqueles cujos pais se separaram mas permaneceram em contato durante o crescimento das crianças.

Pesquisas anteriores mostraram que os adultos cujos pais se separaram durante sua infância têm um risco aumentado de ter a saúde mais fraca.

O último estudo mostrou que este risco maior de contrair doenças se deve se deve, ao menos em parte, a uma inflamação aumentada em resposta a uma infecção viral, segundo o artigo.

“As experiências estressantes no início da vida fazem algo com a nossa fisiologia e processos inflamatórios que aumenta o risco de uma saúde mais fraca e doenças crônicas”, disse Michael Murphy, associado de pesquisa de pós-doutorado em psicologia na Universidade Carnegie Mellon.

“Este trabalho é um avanço na nossa compreensão de como o estresse familiar durante a infância pode influenciar a susceptibilidade de uma criança a doenças 20-40 anos depois”, acrescentou.

O estudo também mostrou que os filhos adultos de pais que se separaram mas ficaram em contato não eram mais propensos a ficar doentes do que os filhos adultos de famílias intactas.

“Nossos resultados visam o sistema imunológico como um importante portador do impacto negativo a longo prazo do conflito familiar”, disse Sheldon Cohen, coautor e professor de psicologia.

“Eles também sugerem que os divórcios não são todos iguais, e que a comunicação contínua entre os pais amortece os efeitos deletérios da separação nas trajetórias de saúde das crianças”, completou.

Matéria publicada originalmente no UOL, em 05/06/2017. Para acessá-la na íntegra: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/afp/2017/06/05/divorcio-conflituoso-dos-pais-prejudica-saude-dos-filhos-por-decadas-diz-estudo.htm

***

Tem interesse pelo assunto? Conheça:

SOB FOGO CRUZADO
Conflitos conjugais na perspectiva de crianças e adolescentes
Autora: Maria Dolores Cunha Toloi
EDITORA ÁGORA

Partindo da ideia de que a saúde mental de crianças e adolescentes está diretamente ligada à convivência familiar saudável, Dolores Toloi mostra também que, tanto quanto o divórcio, a manutenção do casamento com alto nível de conflito é prejudicial aos filhos. Ao final, apresenta uma bem-sucedida proposta de sociodrama temático para lidar com esse público.