‘8 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE COMO A CIÊNCIA VÊ A CURA GAY’

A liminar concedida pelo juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, causou polêmica ao permitir que psicólogos ofereçam terapias de “reversão sexual” para pacientes gays, sem qualquer censura ou autorização do CFP (Conselho Federal de Psicologia).
O UOL esclarece como a ciência vê esse tema:

1 – A homossexualidade é considerada uma doença?

Não. Desde 1973, a Associação Americana de Psiquiatria excluiu a homossexualidade da lista de doenças listadas no DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

A OMS (Organização Mundial da Saúde) só tomou a mesma decisão em 1990, enquanto o CFP (Conselho Federal de Psicologia) proibiu os tratamentos desde 1999.

Com a despatologização, o termo homossexualismo foi abandonado, já que o sufixo -ismo é muito usado para nomear doenças.

2 – Se não é doença, o que é?

Uma orientação sexual. Uma série de estudos mostraram que a homossexualidade não passa de uma variação de comportamento comum entre os seres humanos e que não implica em uma diferenciação que pode ser revertida com intervenção médica.

3 – E por que homossexuais procuram ajuda profissional?

Principalmente por causa do preconceito. Por crescer em uma sociedade heteronormativa, os homossexuais passam por um processo difícil de aceitar sua orientação sexual e assumir ela para a família e os amigos. Sem contar que ainda precisam lidar com o preconceito da sociedade em que vivem.

4 – O que fez os psiquiatras não considerarem a homossexualidade um distúrbio?

A classe médica desconsiderou a homossexualidade como distúrbio por dois motivos: uma série de estudos científicos e pela luta dos ativistas LGBT.

Em 1948, o biólogo norte-americano Alfred Kinsey publicou um estudo sobre o comportamento sexual do homem e tratou a homossexualidade como uma possibilidade, não como patologia. Em 1957, a psicóloga Evelyn Hooker também publicou um estudo em que comparou 30 homossexuais com 30 heterossexuais e não identificou qualquer distúrbio psicológico no grupo gay.

5 – E como se sabe que ser gay não é uma escolha?

Isso é demonstrado também por uma série de estudos comportamentais e biológicos. Um deles feito pelo neurocientista Simon LeVay encontrou uma evidência biológica de que os homens gays já nascem com essa orientação por conta de uma diferença na região do hipotálamo.

Um outro estudo citado pela APA (Associação Americana de Psiquiatria) avaliou 3.261 gêmeos com idades entre 34 e 43 anos e revelou que “análises quantitativas mostraram uma variação do comportamento atípico do gênero durante a infância e que a orientação sexual dos adultos é em parte devida à genética”.

Outra evidência observada pelo cientista belga Jacques Balthazat é que a exposição a certos hormônios durante o desenvolvimento fetal tem um papel importante na orientação sexual. O estudo concluiu que homossexuais foram expostos a atípicas condições endócrinas durante a gestação.

A Associação Americana de Psiquiatria diz que “a opinião preponderante da comunidade científica é que há um forte componente biológico na orientação sexual, e que interação genética, hormonal e fatores ambientais interagem na orientação de uma pessoa”.

6 – Um especialista, como um psicólogo, pode ajudar a fazer com que um homossexual vire heterossexual?

O papel do psicólogo não é “curar”, mas, sim, ajudar o paciente a buscar qualidade de vida em todos os aspectos, inclusive sexual. Após a decisão do juiz brasileiro, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) soltou uma declaração, dizendo que a homossexualidade não deve ser tratada.

7 – E o que provou que a cura gay não funcionava?

Os principais tratamentos focavam na apresentação de uma série de estímulos homoeróticos e, ao mesmo tempo, administração de substâncias que provocassem enjoos e nojo. Outras terapias, também violentas, eram administração de hormônios e eletroconvulsoterapia.

No entanto, uma série de estudos científicos desqualificou “esses tratamentos” por não terem material clínico suficiente de modificação na orientação sexual. Sem contar que uma série de estudos antropológicos também comprovavam que existiam gays entre outros povos, como gregos e indígenas. E esse comportamento era encarado com naturalidade entre esses povos.

8 – Quais as consequências de um “tratamento de reorientação sexual”?

Esse tipo de “tratamento” pode causar frustrações não só para o paciente, mas para seus familiares. Além de comprometer a saúde mental por aumentar o risco de depressão, suicídio e ansiedade.

Fontes: Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas); Carla Zeglio, diretora e psicoterapeuta sexual do INPASEX; Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP; Edith Modesto, psicanalista e fundadora do GPH (Grupo de Pais de Homossexuais).

Matéria publicada originalmente no UOL Comportamento, em 23/09/2017. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/redacao/2017/09/23/8-perguntas-e-respostas-sobre-como-a-ciencia-ve-a-cura-gay.htm

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Conheça o livro de Edith Modesto, uma das fontes da matéria e autora das Edições GLS:

ENTRE MULHERES
Depoimentos homoafetivos

Este livro traz depoimentos de mulheres lésbicas e bissexuais de várias idades, profissões e classes sociais. Os temas são variados: relações familiares, juventude, religião, trabalho e preconceito. Trata-se do relato vivo da experiência de cada uma dessas mulheres, que deixaram todo o conforto emocional do mundo convencional para viver a dura vida de homossexual em um país tipicamente machista.

FÁBIO PARANHOS, AUTOR DO LIVRO “CORAGEM DE SER”, PARTICIPA DE SEMINÁRIO SOBRE PATERNIDADE

A Rede Nacional Primeira Infância, através do GT Homens pela Primeira Infância, promove nos dias 1 e 2 de Setembro, em São Paulo, o III Seminário Nacional Paternidades e Primeira Infância: avanços e desafios do cuidar. O objetivo do evento é dar visibilidade à diversidade de experiências dos pais homoafetivos, pais adolescentes e encarcerados, além de abordar temas como a ampliação da licença-paternidade, guarda compartilhada e educação para a igualdade de gênero.

O ativista Fábio Paranhos, coautor do livro Coragem de ser (Edições GLS), é um dos convidados a palestrar no seminário. Usando como base o tema do livro, ele vai mostrar os 14 depoimentos de homens que assumiram a homossexualidade depois de ter formado uma família. “São histórias de amor, de encontros e desencontros, de sofrimento e superação”, afirma Paranhos, destacando que o livro também traz depoimentos de filhos desses homens tão corajosos.

Nesta sexta-feira, dia 1º, a programação do evento será dedicada ao debate e reflexão com especialistas no tema, vindos de diferentes estados do Brasil. A mesa 1, sobre a importância das políticas públicas na valorização da paternidade, vai abordar a ampliação da licença-paternidade, os próximos passos para a regulação e efetivação do Marco Legal da Primeira Infância, e também sobre o papel do homem no desenvolvimento e educação das crianças. Na segunda mesa de debates, a diversidade das famílias brasileiras estará presente, com falas de pais adotivos homoafetivos, pais adolescentes, pais transexuais e pais que já estiveram em situação de prisão. A terceira mesa de debates vai discutir o novo posicionamento do homem na dinâmica familiar, e contará com a presença de defensores do direito à guarda compartilhada das crianças, e representantes de movimento que defende a participação dos pais nas creches.

O segundo dia do evento será dedicado às oficinas vivenciais e rodas de conversa para escuta e troca de experiências, sobre temas como amamentação e alimentação saudável, educação para a equidade de gênero e oficinas sobre o brincar. As crianças serão bem-vindas, e poderão participar de atividades propostas por um grupo de educadores, para que os pais e mães possam participar das oficinas. Também no sábado, acontecerá um encontro com autores e especialistas sobre paternidade e o encerramento com a apresentação da Banda Alana.

O III Seminário Nacional Paternidades e Primeira Infância: avanços e desafios do cuidar é uma realização do GT Homens pela Primeira Infância, integrado pelas seguintes organizações: Aldeias Infantis SOS Brasil, CECIP – Centro de Criação de Imagem Popular, Coordenação Nacional de Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Comitê Vida, Diário do Papai, Instituto Papai, Plan, Portal Aleitamento.com, Portal 4Daddy, Primeira Infância Melhor e Promundo Brasil. E conta com o apoio da secretaria-executiva da Rede Nacional Primeira Infância / CECIP – Centro de Criação de Imagem Popular.

Além dos debates, o evento vai contar com o lançamento do documentário “Pai é quem cuida”, oficinas e rodas de conversas para escuta e troca de experiências. As inscrições são gratuitas e as vagas, limitadas, clique aqui para se inscrever.

Serviço

Evento: III Seminário Nacional Paternidades e Primeira Infância: avanços e desafios do cuidar
Data: 1º e 2 de setembro, sexta-feira e sábado
Horário: das 8h as 17h30 (sexta) e das 8h as 12h30 (sábado)
Local: Sede do Projeto Quixote
Endereço: Av. Engenheiro Luís Gomes Cardim Sangirardi, 789 – Vila Mariana – São Paulo
Inscrições e vagas limitadas, acesse:  https://goo.gl/s97hFN

 

Sobre o livro

Contrariando o senso comum, estudo recente realizado na Universidade de Toronto, no Canadá, estimou que mais da metade dos pais homossexuais era composta por pais biológicos e não adotivos. De início, essa constatação pode gerar questionamentos do tipo: por que ele se casou e teve filhos se sabia que era gay? Por que escondeu o que sentia da família? O livro Coragem de ser – Relato de homens, pais e homossexuais  lançamento das Edições GLS, escrito pela psicóloga Vera Moris e pelo ativista Fábio Paranhos, mostra que esse raciocínio não é apenas incorreto, mas terrivelmente preconceituoso. Por meio de depoimentos de homens que assumiram a homossexualidade depois de formar uma família, os autores encontraram, sobretudo, homens que tentaram ser “normais” antes de entender e aceitar o que realmente eram.

A sombra da heteronormatividade, segundo os autores, que os persegue até a idade adulta, faz que eles existam, vivam e ajam exatamente de acordo com essa norma, trazendo a concretização do sonho da família perfeita e da vontade de ser pai. Porém, aos poucos, a percepção da orientação homossexual começa a vir à tona. Ao mesmo tempo, a separação está associada à temida necessidade de se reconhecer não heterossexual.

“Esses homens se casaram com parceiras por quem estavam apaixonados e com elas tiveram filhos. Viveram, entre namoro e o casamento, uma vida satisfatória. Para alguns, encontrar a mulher amada depois de uma infância e de uma adolescência problemática representava a possibilidade de constituir uma família. Porém, mais tarde, eles constataram aquilo que não conseguiam mais esconder: a inevitável atração – tanto sexual quanto afetiva – por pessoas do mesmo sexo”, afirma Vera Moris.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1467/Coragem+de+ser

VERA MORIS E FÁBIO PARANHOS AUTOGRAFAM O LIVRO “CORAGEM DE SER”, NA LIVRARIA DA VILA, EM SP

As Edições GLS e a Livraria da Vila (Al. Lorena – SP) promovem no dia 16 de maio, terça-feira, das 18h30 às 21h30, a noite de autógrafos do livro Coragem de ser – Relatos de homens, pais e homossexuais. Os autores – Vera Moris e Fábio Paranhos – recebem os convidados e amigos no piso térreo da livraria, que fica na Alameda Lorena, 1.731, nos Jardins, em São Paulo.

Contrariando o senso comum, estudo recente realizado na Universidade de Toronto, no Canadá, estimou que mais da metade dos pais homossexuais era composta por pais biológicos e não adotivos. De início, essa constatação pode gerar questionamentos do tipo: por que ele se casou e teve filhos se sabia que era gay? Por que escondeu o que sentia da família? O livro mostra que esse raciocínio não é apenas incorreto, mas terrivelmente preconceituoso. Por meio de depoimentos de homens que assumiram a homossexualidade depois de formar uma família, os autores encontraram, sobretudo, homens que tentaram ser “normais” antes de entender e aceitar o que realmente eram.

A sombra da heteronormatividade, segundo os autores, que os persegue até a idade adulta, faz que eles existam, vivam e ajam exatamente de acordo com essa norma, trazendo a concretização do sonho da família perfeita e da vontade de ser pai. Porém, aos poucos, a percepção da orientação homossexual começa a vir à tona. Ao mesmo tempo, a separação está associada à temida necessidade de se reconhecer não heterossexual.

“Esses homens se casaram com parceiras por quem estavam apaixonados e com elas tiveram filhos. Viveram, entre namoro e o casamento, uma vida satisfatória. Para alguns, encontrar a mulher amada depois de uma infância e de uma adolescência problemática representava a possibilidade de constituir uma família. Porém, mais tarde, eles constataram aquilo que não conseguiam mais esconder: a inevitável atração – tanto sexual quanto afetiva – por pessoas do mesmo sexo”, afirma Vera Moris.

Para saber mais sobre o livro, acesse: http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1467/Coragem+de+ser

Coragem de ser

 

Conheça também a página do livro no Facebook (www.faceboook/livrocoragemdeser) e o blog http://livrocoragemdeser.blogspot.com/, criados pelos autores da obra.

‘COMO PAIS PODEM AJUDAR E APOIAR OS FILHOS QUANDO ELES SE ASSUMEM HOMOSSEXUAIS?’

Muitos pais ainda não são capazes de aceitar a homossexualidade dos filhos, mas fazê-lo pode tornar o momento muito mais simples para aqueles que estão saindo do armário; psicólogo dá dicas de como lidar com isso

Muitos filhos homossexuais ainda não têm coragem de se assumir para os pais. Em alguns casos, isso acontece porque eles sentem medo de sofrer e de não serem aceitos pela família. Já que a sexualidade dessas pessoas já faz com que elas corram riscos e encarem o preconceito da sociedade, é muito importante que os pais compreendam a situação e consigam apoiá-los.

De acordo com o Psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr, do  Instituto Paulista de Sexualidade, muitos pais sentem dificuldades em aceitar a sexualidade dos filhos por já terem “planejado” a vida deles – inclusive no aspecto afetivo – mentalmente. “Ao perceber que um filho não está cumprindo os desígnios que estipularam para este filho, ele ‘deve estar errado’, e isto se aplica a sexo”, explica o psicólogo.

O primeiro passo que os pais devem dar para que o processo de aceitação fique mais suave é aprender a administrar as próprias frustrações e entender que os filhos não estão seguindo o caminho esperado. “Eles precisam aprender a ser assertivos, afirmativos e não hostis, não agressivos. Este é um ponto difícil, pois adultos já estão limitados pelas formas que já conhecem e consideram corretas”, diz o Rodrigues.

Mãe e filha contra a homofobia

A fotógrafa Nanah Farias é um exemplo de mãe que conseguiu aceitar e apoiar a filha lésbica. Ela sempre esteve por perto da moça e da namorada dela, e percebeu que as duas poderiam protagonizar um ensaio fotográfico feito por ela. Quando viu o resultado, Nanah decidiu publicar as fotos em apoio ao relacionamento da filha, mesmo sabendo que o projeto estaria suscetível a críticas negativas.

A filha de Nanah não se assumiu para a mãe logo de cara e já estava namorando uma menina quando decidiu se abrir com a mãe sobre a própria sexualidade. A relação das duas ficou abalada porque Nanah sentiu que a filha e a namorada – que também era amiga de Nanah – não confiaram nela para contar a verdade. “Eu fiquei com raiva porque ela mentiu para mim sendo que a gente tem uma política de não mentir em casa”, diz a mãe.

“Todos sofrem com isso. É muito difícil você falar para uma pessoa que não está acostumada com homossexuais na família que ela precisa aceitar. É preciso se acostumar que a sua filha é diferente das relações que estamos acostumados. Você vai vendo e se acostumando que está tudo bem e normal”, comenta Nanah.

Os amigos de Nanah ainda estranham o fato de ela receber normalmente a namorada da filha em casa. “Eu digo que é a mesma coisa que quando meu filho chega com a namorada dele. Eu abraço a menina e ela almoça com a gente”, diz a mãe. Ela ainda fala sobre a importância de os pais amarem os filhos homossexuais “Eu penso assim: se ela é minha filha, eu a amo de qualquer jeito. Por que não amar só porque ela tem uma namorada? Ela continua igual”, finaliza.

Por Carina Brito, publicado originalmente no iG, em 17/04/2017. Para ler na íntegra, acesse: http://igay.ig.com.br/2017-04-17/pais-ajudar-filhos-homossexuais.html 

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Para saber mais sobre o assunto? Conheça o livro: 

30031PAPAI, MAMÃE, SOU GAY!
Um guia para compreender a orientação sexual dos filhos
Autora: Rinna Riesenfeld

Escrito por uma sexóloga e terapeuta com longa experiência em lidar com pais aflitos, este livro responde as inúmeras questões dos familiares de homossexuais. Repleto de exemplos e diálogos reais, o guia é essencial para a compreensão do preconceito, da sexualidade e da importância dos poderosos laços familiares.

 

‘SETE PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE OS DIREITOS DA COMUNIDADE LGBTI’

Lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e intersexuais (indivíduo que tem características sexuais femininas e masculinas) precisam conhecer os próprios direitos para assim se protegerem contra a discriminação.

A seguir, a advogada Ivone Zeger, autora do livro “Direito LGBTI – Perguntas e Respostas” (Mescla Editorial); Ana Raggio, advogada da ONG Grupo Dignidade –ONG paranaense de promoção da cidadania LGBT–, e Sérgio Camargo, especializado em direito homoafetivo, esclarecem as principais dúvidas sobre o assunto.

1. Existe diferença entre união civil e casamento gay?

Sim. União civil é a popularmente conhecida “união estável”, quando não há mudança no estado civil do casal. Eles são chamados de companheiros, enquanto os do casamento levam o nome de cônjuges. “Atualmente, a união estável e o casamento possuem tratamento jurídico muito similar, mas ainda há diferenças e uma proteção maior para o casamento”, diz a advogada Ana Raggio, da ONG Grupo Dignidade. Na união civil, o companheiro só tem direito à parte da herança relativa aos bens adquiridos durante o relacionamento. Já no casamento, todos os bens do cônjuge morto, inclusive os adquiridos antes de iniciarem a relação, entram na divisão. Desde 2013, o Conselho Nacional de Justiça criou uma resolução que proíbe que os tabeliães se recusem a converter uniões estáveis homoafetivas em casamentos. Eles também são obrigados a celebrarem casamentos homoafetivos, quando solicitado.

2. Para que serve a escritura pública de união estável?

É o documento que prova a união estável de um casal em órgãos públicos e privados. É feita em um Tabelionato de Notas, diante do tabelião e do advogado. “O documento terá as premissas que o casal estabeleceu, como a escolha do regime de partilha de bens”, diz o advogado Sérgio Camargo, especializado em direito homoafetivo. A escritura pública é especialmente útil para auxiliar em conflitos ou problemas judiciais caso o relacionamento termine, seja por separação ou morte.

3. Travestis podem mudar de nome?

Na atualidade, há duas correntes jurídicas: a que defende a mudança somente em caso de cirurgia de troca de sexo e a que defende que a cirurgia não deve ser uma condição para isso. Por enquanto, não há garantia de aceitação desse pedido na Justiça, mas existem casos de transexuais que conseguiram mudar de nome e gênero em registro de nascimento antes mesmo da cirurgia.

4. Homossexuais podem ser deserdados por sua orientação sexual?

Não. O fato de o herdeiro ser homossexual ou transgênero não justifica a exclusão dele da herança. Os chamados herdeiros necessários –formados por descendentes (filhos, netos, bisnetos), ascendentes (pais, avós, bisavós) e cônjuge– só podem ser deserdados se for provado que cometeram atos ilícitos, previstos por lei, como homicídio ou crimes de honra (calúnia, difamação ou injúria). “Os atos têm de ser cometidos contra o autor da herança ou seu cônjuge ou companheiro ou contra seus ascendentes ou descendentes”, diz a advogada Ivone Zeger, autora do livro “Direito LGBTI – Perguntas e Respostas” (Mescla Editorial).

5. Um casal do mesmo sexo pode adotar filhos?

Sim. Porém, de acordo com Ivone, como não há uma legislação que aponta o que pode ou não pode para casais homoafetivos, muitos encontram juízes resistentes em autorizar a adoção. “Dependendo da cidade em que o processo acontecer, pode haver maior ou menor dificuldade de aceitação”, diz a advogada. Não há lei que proíba a adoção, mas também não há uma que permita. O processo é o mesmo para todos, mas casais do mesmo sexo ainda precisam conviver com a incerteza do sucesso.

6. É possível pedir pensão para um ex-companheiro homoafetivo?

Há a possibilidade de pedir alimentícia para si ou para os filhos –até 18 anos ou que conclua curso universitário– ou as duas ao mesmo tempo. A decisão do juiz será baseada nas possibilidades financeiras de quem pagará e nas necessidades de quem pede.

7. Transexual pode usar banheiro destinado ao sexo com o qual se identifica?

Não há uma lei federal que aborde a questão, porém o uso de banheiro público por mulheres travestis ou transexuais e homens transexuais, de acordo com a sua identidade de gênero, é entendido como um direito. Porém, sem lei, muitos usuários ainda podem passar por situações constrangedoras.

Matéria do UOL, publicada em 28/10/2016. Para acessá-la na íntegra: http://estilo.uol.com.br/comportamento/listas/sete-perguntas-e-respostas-sobre-os-direitos-da-comunidade-lgbti.htm 

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Conheça o livro:

70042
DIREITO LGBTI
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger
MESCLA EDITORIAL

Esta obra de Ivone Zeger tem o objetivo de responder a questões relativas a casamento, união estável, adoção, inseminação artificial, dissolução de união estável, divórcio, partilha de bens, herança, entre outros temas pertencentes ao Direto de Família, porém voltados ao público homossexual, bissexual e transexual.

A CULTURA DO BEIJO

Ontem, 13 de abril, dia do beijo, o psicólogo Klecius Borges conversou com Ronnie Von sobre o que o beijo representa em nossa sociedade em diferentes contextos.

Klecius Borges é psicólogo formado pela Universidade Federal  de Minas Gerais (UFMG). Participou de diversos cursos nos Estados Unidos e, nos últimos 12 anos, vem se dedicando ao atendimento psicológico de gays e seus familiares, de acordo com a visão afirmativa. É autor dos livros Terapia afirmativa e Muito além do arco-íris, ambos da GLS, e colabora com diversos veículos de comunicação e promove palestras sobre homoafetividade em empresas e organizações.

‘CASAL DE LÉSBICAS NO HORÁRIO NOBRE COLOCA LUZ SOBRE CONFLITOS ENFRENTADOS POR MULHERES’

Entrevista com o psicólogo Klecius Borges, especializado no atendimento psicológico de gays, lésbicas, bissexuais e seus familiares de acordo com a visão afirmativa. Ouça abaixo:

Para conhecer os livros do autor, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/busca/klecius+borges/all/0

‘DOIS TRANSEXUAIS FALAM SOBRE OS DESAFIOS DA PATERNIDADE’

O cantor e compositor Erick Barbi, 35, casou-se com a psicóloga especialista em identidade de gênero Bárbara Dalcanale Menêses, que conheceu frequentando um grupo de autoajuda para transexuais. Com a união, tornou-se padrasto de dois meninos, um de 11 e outro de sete anos. Quando os dois começaram a namorar, ela tinha acabado de sair de um casamento, estava grávida de três meses e com um filho de três anos. Hoje em dia, os meninos o chamam de “pai do coração”.

Com o tempo, coube a ele explicar aos garotos o que é ser transexual. “Eu e minha mulher introduzimos o assunto com o mais velho, mostrando amigos que eram transexuais. Começamos explicando que tal pessoa tinha nascido menina, mas não se sentia assim”, diz.

Quando a definição ficou clara na cabeça do garoto, o casal lançou a pergunta: “e se o Erick fosse transexual?”. Ao que o menino rapidamente respondeu: “tudo bem”. “Foi só depois de todo esse processo que eu me sentei com ele para conversar e mostrei minhas fotos de criança. Eu disse que era muito triste naquela época, porque não podia ser o que queria. E ele entendeu.”

Quatro anos depois dessa conversa, eles revivem as mesmas experiências com o filho mais novo, que ainda não sabe da identidade de gênero do padrasto, mas entende o que é ser transexual. “Ele está em uma fase muito engraçada e sempre que vê um amigo nosso pergunta se é transexual ou não”, conta.

Em uma dessas vezes, ao receber a confirmação da mãe, o menino não teve dúvidas: colocou a cabeça para fora da janela do carro e gritou: “tchau, transexual!”.

Aos dois anos, Barbi demonstrava interesse por brinquedos e roupas considerados masculinos. Ele passou por vários psicólogos e, aos 16, depois de pesquisar e ler muito sobre o assunto, entendeu que era transexual. Então, iniciou um tratamento hormonal para adquirir as características masculinas que não tinha.

Descoberta

Cauê André, 30, descobriu a explicação para o sentimento de inadequação que sentia assistindo a uma entrevista com João W. Nery, um dos primeiros transexuais brasileiros a fazer uma cirurgia de mudança de sexo, no programa “De Frente com Gabi” (SBT). Era outubro de 2011 e o escritor estava lá para divulgar o livro “Viagem Solitária – Memórias de um Transexual 30 Anos Depois” (Editora Leya).

“Não sabia da existência desse termo transexual, achava que era homossexual, mas, na realidade, sempre me senti um homem. Daí, nesse dia, conforme o João falava, eu ia me identificando. Fui percebendo que eu era exatamente como ele se descrevia”, afirma.

Cauê André se reconheceu transexual aos 27 anos, quando já namorava sua atual mulher, com quem está há sete anos. O primeiro passo foi contar para ela a decisão de mudar o próprio corpo. Tudo para que, ao se olhar no espelho, pudesse enxergar a imagem do homem que era.

“Precisamos conversar muito porque, até então, ela gostava de mulheres. Tinha medo que, depois que eu tomasse os hormônios, ela perdesse o interesse por mim, mas a realidade é que ela nunca deixou de estar ao meu lado”, declara.

André tomou hormônios aos 29 e, dois meses depois, submeteu-se a uma mastectomia (cirurgia para a retirada das mamas). Feliz com o próprio corpo e em um relacionamento estável, começou a cogitar a possibilidade de se tornar pai.

“A gente sempre quis ter filho, mas adotar não era o nosso desejo. Por isso, fomos atrás de clínicas de fertilização”, diz. Mas o preço do procedimento –que retiraria o óvulo de Cauê André para fecundá-lo com o esperma de um doador e, em seguida, implantá-lo na mulher– assustou o casal. “Custava cerca de R$ 16 mil por tentativa, só que é muito difícil conseguir de primeira”, diz.

Foi assim que os dois decidiram fazer o que eles chamam de inseminação artificial caseira, em 2010, com espermas doados por conhecidos que não tinham vontade de ter filhos. “Nós buscávamos na internet as pessoas, conversávamos e arcávamos com o exame de sangue de cada uma, para garantir que o sêmen não estivesse contaminado”, fala.

Uma vez de posse do esperma do doador, o líquido era colocado em uma seringa sem agulha e injetado por ele mesmo na mulher, durante o período de ovulação.

Para dar certo, foram quatro anos de tentativa e muitos doadores. Na quinta inseminação, no final de 2014, o exame de gravidez, enfim, deu positivo. “Na hora, a gente nem conseguia acreditar. Hoje, ela está grávida de seis meses, mas temos roupas compradas há cinco anos”, afirma André.

Desafios diários

Atualmente, o desafio de André é conseguir um emprego para garantir que a filha terá total amparo. Ele ainda não tem uma documentação compatível com o gênero que assumiu e aguarda autorização da Justiça para mudar o nome no RG.

“Procuro emprego diariamente, mas é muito complicado. Eu me inscrevo para uma vaga masculina e chego lá com um documento de identidade feminino”, diz. Por essa mesma razão, a filha, a princípio, será somente registrada com o nome da mãe. Assim que houver a mudança de nome, o pai será incluído na certidão de nascimento. “O mais importante já temos: esse ser que nós vamos amar para o resto da vida.”

No futuro, André pretende falar abertamente com a filha sobre diversidade sexual, assim como Barbi faz com os enteados que, por conta disso, consideram natural uma família não ser apenas aquela formada por um homem e uma mulher.

“Em função da educação que receberam, os meninos já defendem seus valores na escola. Quando alguém diz, por exemplo, que homem não pode beijar homem, eles logo dizem que pode, sim”, afirma Barbi.

Matéria de Marina Oliveira e Thaís Macena publicada orifinalmente no UOL, em 10/04/2015. Para lê-la na íntegra, acesse: http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2015/04/10/dois-transexuais-falam-sobre-os-desafios-da-paternidade.htm

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Quer saber mais sobre transexualidade? Conheça o livro:

30002TRANSEXUAIS
Perguntas e respostas
Autor: Gerald Ramsey
EDIÇÕES GLS

O que são transexuais? Por que desejam mudar de sexo? A terapia pode curá-los? Gerald Ramsey, um psicólogo que há vinte anos trabalha nas comissões de gênero que acompanham o processo de redesignação sexual, dá explicações claras e detalhadas para as dúvidas que mais ouviu de familiares e amigos de transexuais, e mesmo de seus colegas médicos e terapeutas. Inclui os procedimentos para diagnóstico de disforia de gênero do “Manual de diagnósticos e estatísticas americano” e as normas para diagnóstico e redesignação sexual da Associação de Disforia de Gênero Harry Benjamin.

 

 

PERSONAGENS LÉSBICAS DA NOVELA BABILÔNIA SÃO ESPELHO POSITIVO E LIBERTADOR

Um casal de mulheres lésbicas octogenárias debatendo questões cotidianas, dividindo preocupações e trocando afetos. Com essa cena singela e natural, os autores da nova novela da TV Globo, Babilônia, introduziram as personagens vividas por Nathália Timberg e Fernanda Montenegro.  Na opinião do psicólogo Klecius Borges, um dos maiores especialistas do Brasil em terapia afirmativa, a ideia de incluir na trama um casal de mulheres com esse perfil é oportuna e salutar. “Oportuna porque colocará alguma luz sobre as dificuldades e os conflitos que muitas mulheres enfrentam ao se assumirem publicamente, como um casal homoafetivo. E salutar por apresentar aos muitos casais, que vivem invisíveis e amedrontados, e também à sociedade, de forma geral, um espelho positivo e potencialmente muito libertador.”

Segundo Borges, as dificuldades dos casais homoafetivos envolvem desde preconceitos sociais mais gerais, como o direito ao casamento e à adoção, como conflitos pessoais que se manifestam nas relações familiares e profissionais. Pioneiro na aplicação da terapia afirmativa no Brasil – modalidade psicoterápica que se ocupa especificamente das questões comuns enfrentadas por esse público –, ele afirma que as questões sobre relacionamento estão no topo da lista dos assuntos levados ao consultório. O que falta para esse público, segundo ele, é informação, já que são raras as referências ou representações sobre a natureza dessas relações.

30077No livro Muito além do arco-íris – Amor, sexo e relacionamentos na terapia homoafetiva, das Edições GLS, Borges começa a corrigir essa escassez de informação. Apresentando uma seleção de casos tratados de uma perspectiva não heternormativa, ele aborda assuntos como autoaceitação, visibilidade social, homofobia e preconceito, abrindo caminho para a autorreflexão e a transposição de barreiras na busca de uma vida mais equilibrada e feliz.

“Por mais que certas questões relacionais sejam comuns a todos os indivíduos, afirmar que casais são casais, não importando sua orientação e identidade sexual, é no mínimo um reducionismo”, diz Klecius.  Segundo ele, essa afirmação desconsidera as dinâmicas psíquicas e sociais envolvidas nas vivências e experiências de indivíduos e casais submetidos a uma cultura não apenas heteronormativa, mas muitas vezes opressora e dominada, ainda hoje, por práticas e atitudes fortemente discriminatórias.

Ao longo da obra, o autor fala sobre temas difíceis, como modelos de relacionamento, modalidades de casamento, traição, ciúme, luto, identidade sexual, compulsão sexual, solidão, homofobia internalizada, o ódio de si mesmo, a idealização do amor pelo outro.

Os casos relatados no livro são uma mistura de histórias e de pacientes que buscam uma solução para os seus conflitos. “Questões como visão patológica da sexualidade e preconceito em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à homoparentalidade, entre outras, além de específicas desse grupo, carregam em si um elevado teor emocional que requer uma escuta distinta”, avalia o psicólogo.

Mesmo as questões ligadas à afetividade e à sexualidade, propriamente ditas, embora comuns a todos, não importando a orientação sexual, neste grupo apresentam peculiaridades, dilemas e desafios próprios de uma natureza de relacionamento fundada na duplicidade de gênero. “Mas por falta de modelos aceitos e reconhecidos no âmbito social, tais indivíduos se espelham ainda nos padrões e modelos heterossexuais”, complementa Klecius. 

Para saber mais sobre o livro, acesse:
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