‘NOVO ESTUDO APONTA QUE BEBÊS QUE RECEBEM MAIS CARINHO SE DESENVOLVEM MELHOR. ENTENDA COMO A PESQUISA FOI FEITA’

Não é novidade para ninguém que o carinho dos pais para os filhos é essencial. Um estudo recente desenvolvido pelo Nationwide Children’s Hospital, de Ohio, nos Estados Unidos, veio para confirmar isso. Os resultados da pesquisa mostram que as primeiras experiências sensoriais que os bebês recebem permanecem em seus cérebros pelos próximos anos.

O estudo mostra a importância do carinho  nos primeiros momentos de vida. Os resultados da pesquisa, que foi publicada na revista norte-americana “Current Biology”, apontam que os bebês prematuros respondem de forma diferente ao toque em comparação com aqueles que nasceram no tempo previsto.

Crianças prematuras tiveram menos contato de afeto com os pais e profissionais da saúde. Por isso, a resposta do cérebro não é tão forte quanto no caso dos bebês que passaram mais tempo com a família logo após o nascimento.

Como a pesquisa foi feita

Para chegar a esse resultado, os responsáveis pelo estudo analisaram um total de 125 bebês. Entre eles, os prematuros, com idade gestacional de 24 a 26 semanas, e os nascidos a termo (no período esperado), entre 38 a 42 semanas.

A análise foi feita pouco antes das crianças saírem do hospital e irem para a casa. Os pesquisadores submeteram os bebês ao contato com uma rede macia de 128 eletrodos, que registraram como o cérebro de cada um respondia a um sobro suave do ar na pele. Neste momento, foi identificado que os prematuros tiveram respostas cerebrais mais reduzidas ao estímulo.

O que os resultados indicam

O resultado da pesquisa é reflexo do modo como os bebês foram acostumados com o contato físico. Aqueles que nasceram no tempo previsto passaram mais tempo com os pais e funcionários do hospital, ou seja, receberam mais carinho. Já os prematuros passaram muito tempo na unidade de tratamento intensivo neonatal e ficaram mais distante do contato físico. Para Nathalie Maitre, os pais devem atentar-se a esse fato e cuidar para evitar o isolamento de filhos prematuros.

Matéria publicada no Delas – iG em 21/03/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: http://delas.ig.com.br/filhos/2017-03-21/carinho-estudo.html

 

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

GESTOS DE CUIDADO, GESTOS DE AMOR
Orientações sobre o desenvolvimento do bebê
10378Autor:  André Trindade
SUMMUS EDITORIAL

Cuidar de um bebê demanda mais que amor e instinto: exige precisão. Este livro encantador ensina pais, mães, professores e cuidadores em geral a lidar com bebês de maneira correta nas mais diversas situações: o banho, a amamentação, a massagem, o sono e muito mais. Belamente ilustrado e impresso em 4 cores, aborda ainda o desenvolvimento motor e cerebral das crianças desde o nascimento até os 3 anos.

“VELHICE – UMA NOVA PAISAGEM” MAIS UMA VEZ INDICADO NO DOMINGÃO DO FAUSTÃO

Fausto Silva destaca a relevância do lançamento da obra Velhice – Uma nova paisagem em seu programa do dia 19 de março. Assista no vídeo abaixo.

 

 

20199


Conheça o livro:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1463/Velhice

 

 

‘ESCRITA É INCENTIVADA EM JOGO PRODUZIDO POR PESQUISADORA DA FEUSP’

Em um levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o Brasil tem 13 milhões de analfabetos. Mas a questão é mais complexa do que se imagina. Esse número pode ser ainda maior se forem considerados os chamados analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que tem dificuldade de compreender textos simples. Com isso em mente, a pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), Silvia Colello, idealizou um jogo para estimular a prática da escrita.

O jogo chamado de “Escola: dá pra encarar?”, que conquistou o segundo lugar na categoria game no Prêmio ARede Educa, foi desenvolvido como parte da tese de Livre-Docência junto ao Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da FEUSP e contou com a participação de crianças da ONG Instituto Franco Vive, de São Paulo (SP), da faixa etária de 6 a 10 anos, oriundas da rede pública de ensino.

“Enquanto os filhos de classes sociais mais privilegiadas tem pais que contam histórias e que usam a língua escrita e possuem livros em casa, as crianças da Ong não tem esse acesso. Então montei essa pesquisa para descobrir uma maneira de fazer com que essas crianças se envolvessem mais no aprendizado da escrita”

Que vocês resolvam o problema!

Em formato de tabuleiro, os estudantes só conseguem chegar ao final – e vencer o jogo – após uma série de resoluções de problemas relacionados à escola. Para Colello, esse tipo de atividade desperta nos alunos o senso de responsabilidade e a vontade de aprender. O jogo possui três vertentes de problemas: pedagógicos, relacionais e administrativos.

“Propus isso porque, apesar das crianças irem todo dia à escola, elas tem uma visão muito superficial sobre seu funcionamento. Então, na maioria das atividades, o que se ouvia eram coisas do tipo ‘tem que ir pra escola pra não ser burro’ ou ‘tem que ir pra escola pra ser alguém na vida’”, comenta.

A pesquisadora parte do princípio de que não podemos subestimar as crianças, apesar de muitas delas terem uma relação ruim com o conhecimento e com a escola. Ao trazer problemas concretos, pelo quais muitas delas passam, foi quando a experiência se intensificou. Um dos exemplos de problemas era quanto a um troféu que uma turma ganhou. Eles tinham que decidir em que sala esse troféu ficaria.

Com isso, ao longo do trajeto do tabuleiro, eles vão acumulando ou repassando problemas e ao final, é visto o saldo de problemas restantes; a partir deles os alunos produzem textos explicando como poderiam resolvê-los. “Fiquei impressionada com o impacto que esse jogo teve, ao gerar neles uma reflexão da cultura escolar”.

As fases do interesse

Colello observou também o impacto que tinha quando os convidava para jogar. De início, conta ela, os estudantes ficavam arredios e perguntavam, de longe. “o que que é isso aí?”. “Muitas crianças estão tão desencantadas do ambiente escolar que já chegam falando ‘ah, eu não quero fazer’, então eu as deixava só observando”, explica.

No segundo momento do jogo a pesquisadora explica que as coisas já mudavam. Aqueles que antes não queriam participar, começavam a interferir nas ideias dos colegas. O terceiro momento é o da tomada de atitude, com os alunos impondo seus pensamentos e suas ideias.

Colello afirma que a conclusão óbvia a que chegou foi que, sim, as crianças da periferia estão atrasadas. A conclusão não óbvia é que, pelo pouco que se faz, elas reagem muito. “Isso põe abaixo a ideia de que as crianças são apáticas, e que não querem se envolver na aprendizagem”.

“A ideia é que a escola pode mudar, ela deve mudar, se aproximar do lúdico. Deve provocar a criança com suas atividades, para elas saírem dessa condição de marasmo e se tornarem mais protagonistas do seu conhecimento”, afirma a pesquisadora.

Texto publicado originalmente no site da Faculdade de Educação da USP. Para acessá-lo na íntegra: http://www4.fe.usp.br/escrita-e-incentivada-em-jogo-produzido-por-pesquisadora-da-feusp

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Silvia Colello é autora da Summus Editorial. Conheça seus livros:

10657ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Silvia M. Gasparian Colello, Sérgio Antônio da Silva Leite

Neste livro, dois especialistas da Unicamp e da USP ampliam a compreensão do ensino da língua escrita. É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.
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10246A ESCOLA QUE (NÃO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

 

10711TEXTOS EM CONTEXTOS
Reflexões sobre o ensino da língua escrita
Organizadora: Silvia M. Gasparian Colello
Autores: Teresa Cristina Fernandes Teixeira, Érica de Faria Dutra, Gláuci Helena Mora Dias, Maria Aparecida Vedovelo Sarraf, Maria de Lurdes Valino, Martha Sirlene da Silva, Márcia Martins Castaldo, Nilma Guimarães , Silvia M. Gasparian Colello, Andréa Luize

Com o objetivo de discutir a alfabetização em sua complexidade, esta obra usa o referencial socioconstrutivista para relacionar teoria e prática em diferentes abordagens: as concepções de ensino e de escrita, as trajetórias escolares na alfabetização de crianças e adultos, os processos cognitivos na aprendizagem da escrita, a produção textual na infância e adolescência, os desafios da transposição didática e a formação de professores alfabetizadores.

‘PESQUISA RECRIA NEURÔNIOS E ENCONTRA GENE LIGADO À ANOREXIA’

Neurônios derivados do organismo de meninas que sofrem de anorexia possuem um padrão característico de ativação do DNA, associado ao sistema que regula a sensação de prazer durante a alimentação.

Os dados sugerem que seria possível projetar medicamentos específicos contra o distúrbio.

“A anorexia ainda carrega muito estigma social, e muitos acreditam que seja algo psicológico. No entanto, é uma doença com bases biológicas claras, gerada a partir de contribuições genéticas e ambientais”, argumenta o biólogo brasileiro Alysson Muotri, que trabalha na Universidade da Califórnia em San Diego, autor do estudo.

Apesar de afetar 1% das pessoas com uma aversão irracional à ideia de ganhar peso (e que pode levar à morte), ainda falta muito para entender como a doença surge.

Para chegar às conclusões descritas em artigo na revista “Translational Psychiatry”, Muotri e colegas adotaram uma abordagem que tem rendido descobertas a respeito de autismo e mal de Parkinson, por exemplo.

Já que é praticamente impossível investigar diretamente o que acontece nas células cerebrais de pessoas com esses problemas enquanto elas ainda estão vivas, os cientistas usaram uma tecnologia que cria neurônios a partir de uma simples biópsia de pele.

A tecnologia em questão é a das células iPS (células pluripotentes induzidas), por meio da qual a amostra de tecido da pele recebe modificações para que as células voltem a um estado extremamente versátil, semelhante ao das células de um embrião com poucos dias de vida.

O passo seguinte é o cultivo delas num “caldo” específico, que propicia a transformação delas no tipo celular desejado –no caso, neurônios do córtex, a “área nobre” do cérebro.

Como os neurônios obtidos por esse método possuem o mesmo material genético dos que estão no cérebro da pessoa que foi submetida à biópsia, espera-se que eles simulem, de forma razoavelmente precisa, o que ocorre no organismo do doente.

Com base nisso, os cientistas obtiveram amostras de quatro adolescentes com um quadro de anorexia severa e refratárias a terapias leves.

Os pesquisadores também produziram neurônios derivados de quatro mulheres e meninas saudáveis, de modo a poder comparar as duas populações de células.

A preferência por pacientes do sexo feminino na adolescência se justifica porque a anorexia é dez vezes mais comum entre mulheres, e os sintomas costumam aparecer alguns anos após a puberdade.

Depois que os neurônios derivados de ambos os grupos do sexo feminino tinham se estabelecido numa cultura de células, os cientistas fizeram uma extensa análise da expressão gênica deles–ou seja, do padrão de ativação ou desativação de DNA nas células, o qual, por sua vez, rege o funcionamento celular por meio da produção maior ou menor de proteínas e outras moléculas.

De maneira geral, as diferenças entre os dois grupos de neurônios são sutis, embora eles pareçam se comportar de forma distinta –os neurônios das jovens anoréxicas têm mais em comum entre si do que com os das mulheres e meninas saudáveis. A ativação elevada de um gene específico nos neurônios “anoréxicos”, porém, chamou a atenção dos pesquisadores.

Trata-se do pedaço de DNA conhecido como TACR1, que contém a receita para a produção de uma fechadura bioquímica na qual se encaixa a taquicinina. “Ela atua no eixo cérebro-intestino e foi associada à sensação de gordura corporal”, explica Muotri.

Ou seja, parece que ajuda a regular a impressão que cada pessoa tem de estar magra ou gorda –uma das peças que fica fora de lugar para quem tem anorexia, um distúrbio que faz pessoas magérrimas continuarem a achar que estão muito acima do peso.

Curiosamente, já existem drogas que são antagonistas do TACR1, ou seja, atrapalham seu funcionamento. São usadas por pacientes que fazem quimioterapia e, por isso, perdem o apetite.

“Seria tentador testar isso agora [em quem sofre de anorexia], mas acredito que ainda é cedo”, diz Muotri. “Essas drogas têm muito efeito colateral e talvez tivessem de ser usadas cronicamente, o que não seria tão vantajoso.”

Para o psiquiatra Antonio Leandro Nascimento, da UFRJ, a abordagem adotada no novo trabalho é muito interessante por tentar investigar os aspectos celulares e genéticos da gênese da anorexia. “Mas não podemos esquecer que são apenas uma parte do quebra-cabeça. O ambiente e os aspectos culturais também são importantes”.

Segundo Nascimento, hoje não existem medicamentos voltados especificamente para os pacientes anoréxicos –o tratamento é centrado na terapia cognitivo-comportamental. Por isso, identificar possíveis alvos para drogas é importante, afirma.

Metéria de Reinaldo José Lopes, publicada originalmente na Folha de S. Paulo. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/03/1866579-pesquisa-recria-neuronios-e-encontra-gene-ligado-a-anorexia.shtml

 

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Quer saber mais sobre anorexia? Conheça os livros do Grupo Summus:

20710ANOREXIA E BULIMIA
Guias Ágora – Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Julia Buckroyd
EDITORA ÁGORA

Nos últimos 25 anos, a anorexia e a bulimia transformaram-se em endemias entre os jovens do mundo ocidental. O livro traz informações atualizadas sobre o assunto, que ainda é pouco conhecido e que atinge uma enorme camada de jovens entre 15 e 25 anos de idade. A autora esclarece como a sociedade e a cultura colaboram com a criação dessas doenças, descreve os sintomas, as conseqüências e também como ajudar no âmbito familiar e profissional.

10241A EXPERIÊNCIA ANOREXICA
Autora: Marilyn Lawrence
SUMMUS EDITORIAL 

De forma simples e direta, a autora trata o complexo tema de anorexia que, nos tempos atuais, tem afligido um grande número de mulheres e jovens. O estudo busca entender por que a doença aflige basicamente o sexo feminino, e também analisa por que alguns tipos de tratamentos hospitalares são tão desastrosos. A autora oferece explicações e, principalmente, novas perspectivas. A quase inexistente bibliografia sobre a questão em nosso país torna esta obra consulta obrigatória.

10124MULHERES FAMINTAS
Uma psicologia da anorexia nervosa
Autora: Angelyn Spignesi
SUMMUS EDITORIAL

Uma obra essencial que explora a anorexia através do imaginário, linguagem e metáforas espontaneamente produzidas pelos que sofrem deste mal. A autora conduz à dimensão simbólica da anorexia e à compreensão dos seus significados e conceitos mais profundos. O respeito da autora pela natureza da psique feminina fica evidente em cada página. Um convite para que as mulheres comecem a escrever sobre si mesmas, a partir de sua psique. Uma grande contribuição para o conhecimento do que é ser mulher.

10693O VÍCIO DA PERFEIÇÃO
Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimento psiquíco
Autora: Marion Woodman
SUMMUS EDITORIAL 

Este livro explora os temas Anorexia Nervosa, Bulimia e Obesidade. Com a apresentação de vários casos clínicos, a conceituada autora verifica a relação dessas síndromes com o momento sociocultural, a mitologia, a literatura e principalmente a psicologia profunda de C. G. Jung.

 

‘ANTIBIÓTICO DOXICICLINA PODE SER ESPERANÇA NO TRATAMENTO DO PARKINSON’

Um estudo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, sugere que o medicamento antibiótico doxiciclina – usado há mais de meio século contra infecções bacterianas – pode ser indicado em doses mais baixas para o tratamento da doença de Parkinson.

Segundo os autores, a substância reduz a toxicidade de uma proteína conhecida como α-sinucleína, que em certas condições forma agregados que recobrem e lesam as células do sistema nervoso central. A morte dos neurônios dopaminérgicos (produtores do neurotransmissor dopamina) é o principal evento relacionado ao desenvolvimento de sintomas como tremores, lentidão de movimentos voluntários e rigidez, entre outros. Não há atualmente fármacos capazes de impedir que esse processo degenerativo progrida.

A pesquisa contou com apoio da FAPESP e a participação de três cientistas brasileiros vinculados à Universidade de São Paulo (USP): Elaine Del-Bel, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), Leandro R. S. Barbosa e Rosangela Itri, ambos do Instituto de Física (IF), na capital.

“Temos dados animadores de experimentos com camundongos e uma grande esperança de que o efeito neuroprotetor também possa ser observado em pacientes humanos. Esse tratamento poderia impedir a evolução da doença de Parkinson e, portanto, pretendemos iniciar em breve um ensaio clínico”, disse Del-Bel em entrevista à Agência FAPESP.

A descoberta agora detalhada nas páginas da Scientific Reports ocorreu de forma fortuita, há cerca de cinco anos, quando Marcio Lazzarini, ex-aluno de Del-Bel, realizava o pós-doutorado no Max Planck Institute of Experimental Medicine, na Alemanha.

Para estudar possíveis alternativas terapêuticas contra o Parkinson em camundongos, o grupo recorreu, naquela época, a um modelo bastante consagrado para induzir nos animais uma condição semelhante à doença humana. O método consiste em administrar uma neurotoxina – a 6-idroxidopamina (6-OHDA) – que causa a morte dos neurônios dopaminérgicos.

“Mas para nossa surpresa, dos 40 animais que receberam a 6-OHDA, apenas dois desenvolveram sintomas de parkinsonismo, enquanto os demais permaneceram saudáveis. Uma técnica do laboratório percebeu que os roedores haviam sido alimentados por engano com uma ração que contém doxiciclina. Começamos então a investigar a hipótese de que a substância poderia ter protegido os neurônios”, contou Del-Bel.

O grupo repetiu o experimento e acrescentou um segundo grupo de animais que, em vez de receber a doxiciclina pela ração, foi tratado com injeções do antibiótico em doses baixas no peritônio.

“Foi um sucesso nos dois casos. Publicamos os resultados na revista Glia, em 2013, sugerindo que, em doses subantibióticas, a doxiciclina poderia ter um efeito anti-inflamatório, protegendo os neurônios dopaminérgicos”, contou Del-Bel.

Mecanismo de ação

Entender os mecanismos por trás do efeito neuroprotetor da doxiciclina tem sido o foco dos estudos mais recentes, realizados em colaboração com o grupo liderado pela pesquisadora Rosana Chehin, da Universidade de Tucumán, na Argentina, além de duas pesquisadoras do Instituto do Cérebro e da Medula Espinhal sediado em Paris, na França: Rita Raisman-Vozari e Julia Sepulveda-Diaz. A colaboração com Chehin tem apoio da FAPESP por meio de um acordo com o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina (Conicet), no âmbito do Programa SPRINT – São Paulo Researchers in International Collaboration.

Nesses novos ensaios, que envolveram métodos de caraterização estrutural e espectroscópicos, o foco foi a proteína α-sinucleína – considerada uma das principais causadoras da morte dos neurônios dopaminérgicos.

“A α-sinucleína é uma proteína desordenada pequena que, na presença da membrana celular, se agrega formando fibras com uma ordem estrutural de empilhamento de folhas-beta ao longo do eixo. Chamamos essas fibras de amiloides. Já foi provado que grandes fibras amiloides dessa proteína não são tóxicas para as células e sim os chamados estágios oligoméricos, formados por pequenas quantidades de α-sinucleína agregada. Esses oligômeros são capazes de lesar a membrana dos neurônios”, contou a professora Itri.

Os pesquisadores sintetizaram pequenos oligômeros de α-sinucleína para estudar in vitro se a doxiciclina interferia no processo de agregação e de formação de fibras.

Com uma combinação de três diferentes técnicas – ressonância magnética nuclear, espalhamento de raios X a baixos ângulos e espectroscopia por infravermelho – foi possível perceber duas situações distintas. No meio sem doxiciclina, α-sinucleína se agrega em direção à formação de fibras amiloides. Já no meio contendo o antibiótico, a proteína forma outro tipo de agregado, com forma e tamanho diferente. Nos testes em cultura de células e membranas modelo, observamos que eles não causaram danos à membrana celular”, contou Itri.

Os testes em cultura foram feitos com células imortalizadas de neuroblastoma humano. Usando técnicas de microscopia eletrônica de transmissão, o grupo observou que a presença de doxiciclina no meio de cultura reduziu a agregação de α-sinucleína em mais de 80%. “Como consequência, aumentou a viabilidade das células em mais de 80%”, contou Del-Bel.

No âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP, a professora da FORP-USP tem investigado mais profundamente os efeitos do tratamento com doxiciclina em camundongos. “A investigação também está vinculada ao projeto “Mecanismos celulares e moleculares envolvidos no papel de neurotransmissores atípicos em transtornos neuropsiquiátricos”, coordenado por Francisco Silveira Guimarães”, diz Del-Bel.

“Ainda não temos dados publicados, mas posso adiantar que a doxiciclina melhora os sintomas da doença no modelo animal. Resultados preliminares nos sugerem que, além da ação anti-inflamatória, de diminuir a liberação de algumas citocinas, a doxiciclina também altera a expressão de alguns genes-chave para o desenvolvimento do Parkinson”, disse Del-Bel.

Segundo a pesquisadora, evidências da literatura científica indicam que os agregados de α-sinucleína podem recobrir e lesar não apenas os neurônios, como também astrócitos e as demais células da glia. Além de Parkinson, portanto, esse processo está relacionado ao desenvolvimento de outras doenças neurodegenerativas, como a demência com corpos de Lewy (DCL) – o segundo tipo mais comum após o Alzheimer. Estudos futuros poderão investigar se a doxiciclina também pode ter efeito benéfico nessas outras situações.

O artigo “Repurposing doxycycline for synucleinopathies: remodelling of α-synuclein oligomers towards non-toxic parallel beta-sheet structured species” pode ser lido em: www.nature.com/articles/srep41755.

 

Matéria de Karina Toledo para  Agência FAPESP. Para lê-la na íntegra, acesse:

http://agencia.fapesp.br/antibiotico_doxiciclina_pode_ser_esperanca_no_tratamento_do_parkinson/24835/

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 Tem interesse pelo assunto? Conheça:


60055CONHECENDO MELHOR A DOENÇA DE PARKINSON
Uma abordagem multidisciplinar com orientações práticas para o dia-a-dia
Organizador: João Carlos Papaterra Limongi
PLEXUS EDITORA

Um livro especializado, com textos atraentes, simples, dirigido ao leitor que precisa de mais informação do que aquela recebida no consultório médico. Esclarece as mudanças que a enfermidade ocasiona, auxiliando tanto o portador da doença quanto a sua família. Inclui informações sobre a doença em si, exposição ilustrada de exercícios físicos, recomendações para melhorar o desempenho no falar e esclarecimentos sobre alimentação adequada.

Matéria de Karina Toledo para  Agência FAPESP. Para lê-la na íntegra, acesse:

http://agencia.fapesp.br/antibiotico_doxiciclina_pode_ser_esperanca_no_tratamento_do_parkinson/24835/

‘CRIATIVO OU COM INICIATIVA? SUA LETRA PODE INDICAR TRAÇOS DE PERSONALIDADE’

Seja você é destro ou canhoto, tem uma letra bonita ou não, sua forma de escrever pode dedurar aspectos da sua personalidade. É o que garantem os grafólogos, especialistas que se dedicam a analisar a caligrafia para desvendar traços do comportamento humano.

“É um princípio neurológico: eu não escrevo com a mão, escrevo com o cérebro, através de pulsos neurológicos que estimulam músculos que vão gerar a escrita. Através do movimento muscular, chegamos a questões psicológicas”, explica Edilson Fernandes, professor de grafologia, consultor da área e psicólogo. “Em certa medida, a escrita está atrelada ao cérebro, a questões neurológicas. Se consigo reconhecer os padrões, consigo fazer associações”.

Esse tipo de estudo segue o mesmo princípio do chamado teste psicotécnico, já conhecido por quem tirou a Carteira Nacional de Habilitação. Segundo Fernandes, a grafologia é uma análise combinatória entre questões neurológicas, simbólico-gráficas e sociais. A análise vai muito além da beleza da escrita. Letra mais ou menos redonda, a forma como você corta o T, como faz o pingo do I, o jeito como você ocupa o espaço da folha ao escrever e muitos outros elementos são estudados pelos especialistas.

Cada um desses elementos tem um significado e ainda há uma análise combinatória imensa. “A gente levanta 418 elementos distintos em um processo de análise grafológica. O volume de informação é muito grande”, revela Fernandes.

Por conta disso, ele explica que é preciso tomar cuidado ao analisar cada traço de forma isolada e que é importante comparar com outros sinais.

Fernandes conta que o método costuma ser usado por profissionais de RH que trabalham no departamento de seleção. É pedido que os candidatos façam uma redação, em um papel branco e sem linhas. “Então eles fazem a avaliação e olham as características que chamam mais a atenção. É um sujeito mais criativo ou não? Depois de tomar notas, ele vai entrar na entrevista com essa pessoa para checar essas hipóteses iniciais que ele pegou na grafologia. Mas eles não vão contratar alguém que não tenha competência só porque tem o perfil de personalidade maravilhoso. Não funciona desse jeito”.

Confira a matéria na íntegra, publicada originalmente no UOl, em 07/03/2017,com alguns exemplos de interpretação da grafologia, fornecidos por Edilson Fernandes: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/03/07/criativo-ou-com-iniciativa-sua-letra-pode-indicar-tracos-de-personalidade.htm

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Tem interesse pelo tema? Conheça os livros de grafologia publicados pela Ágora:

 

20538bGRAFOLOGIA PARA TODOS
Autor: Mauricio Xandró

Guia para os que querem se iniciar na técnica de analisar a personalidade das pessoas através da grafia, ensinando como classificar e interpretar a escrita. A grafologia, hoje em dia, está sendo utilizada como ferramenta de avaliação na seleção de pessoal, na medicina, na psiquiatria e na criminologia.

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20063GRAFOLOGIA EXPRESSIVA
Edição revista, atualizada e ampliada
Autor: Paulo Sergio de Camargo

Este é um estudo aprofundado no qual o autor unifica conceitos da escola italiana e da escola francesa e acrescenta o seu viés pessoal de atualização cultural. Tendo recolhido 15 mil escritas para esta obra, Paulo Sérgio selecionou mais de 200 que representam as diferentes espécies no trato diário. Imprescindível para quem trabalha com grafologia.

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20653A GRAFOLOGIA NO RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE PESSOAL
Autor: Paulo Sergio de Camargo

A grafologia tem sido utilizada no mundo inteiro como um instrumento a mais para a seleção de empregados nas empresas. Sua aplicação seria simples e rápida, bastante abrangente e dispensaria a presença do candidato quando existe o fator distância. Este livro é mais do que um simples manual. Ele faz o grafólogo repensar seus deveres e obrigações e a desenvolver suas análises, buscando consolidar a grafologia como ciência no Brasil.

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20061SUA ESCRITA, SUA PERSONALIDADE
Autor: Paulo Sergio de Camargo

Existe letra feia? Por que os médicos usam garatujas? Quais as vantagens de escrever com as duas mãos? Que fazer quando sua assinatura é falsificada? O que é a síndrome do escrivão? Essas e outras perguntas, feitas ao autor em todas as suas palestras pelo mundo, são respondidas nesta obra escrita em linguagem simples e bemhumorada. A idéia é mostrar a importância da escrita em nosso cotidiano.

 

‘MÃE E FILHA SURDAS PASSAM POR CIRURGIA PARA RETOMAR AUDIÇÃO’

Com surdez profunda desde bebê, a dentista Alexandra Mottola Tavares, 35, conseguiu desenvolver bem a fala e sempre se virou fazendo leitura labial. Nunca esteve em seus planos tentar otimizar a audição.

Mudou de ideia depois da chegada da primeira filha, Maria Paola, 5. A garota herdou sua deficiência auditiva, mas fez o chamado implante coclear. Agora ouve com desenvoltura e impõe novos desafios na relação com a mãe.

A cirurgia da menina foi realizada quando ela tinha um ano e seis meses, na Santa Casa de São Paulo, pelo SUS, que banca o procedimento em apenas um dos ouvidos.

O implante é feito na cóclea, na parte interna da orelha, e tem potencial de resultados muito superior a qualquer aparelho auditivo, quando indicado –em cerca de 80% dos casos, segundo especialistas.

Hoje em dia, Maria Paola canta, tagarela, fala com desenvoltura e sem intercorrências –o que é natural no caso dos surdos–, além de perceber sons sem olhar para a boca das pessoas [para ler os lábios], ponto que mais mexeu com as convicções da mãe.

“Existia a tecnologia, eu era apta a adotá-la e percebi que se eu pudesse ouvir melhor, minha filha também poderia se beneficiar, a nossa interação seria melhor. E assim tem sido. As respostas da nossa comunicação evoluem a cada dia. Pedi orientação em oração e tudo está dando certo”, afirma a mãe.

Alexandra fez a operação de implante com êxito, há cerca de um ano, no Hospital das Clínicas de Campinas (SP), também pelo SUS. Não sente nenhum incômodo, mas está se acomodando aos poucos com a tecnologia.

“Já consigo ouvir mais que o dobro do que conseguia com o aparelho antigo, tradicional [não invasivo]. O som agora é mais claro, limpo. Percebo o som da chuva, dos passarinhos e até a gritaria das crianças”, diz.

Alexandra e a filha, e também um de seus irmãos, uma tia e a mãe, possuem a Síndrome de Waardenburg, de ocorrência genética, que, além da surdez, pode ter repercussões na pele e na coloração do cabelo.

“O percentual de passar a surdez é de 50% e a Paola herdou de mim. Ela é a mais velha. Tenho outros dois filhos, Samuel, 3, e João David, de 1 ano e oito meses. Os meninos ouvem perfeitamente. Agora, com o implante, consigo diferenciar os choros e os gritos de todos. Sei quando é uma brincadeira ou que algo errado aconteceu.”

SOMBRAS

A dentista, formada pela Universidade Federal de Alfenas, tenta atualmente perceber a voz dos filhos sem fazer a leitura labial, o que desenvolveu com 12 anos de fonoaudiologia e atenção da família. Maria Paola também faz fono, mas raramente precisa olhar para o interlocutor para entendê-lo.

“Estou reaprendendo muitas coisas. A minha adaptação à leitura labial é grande e é difícil reprogramar o cérebro. Na faculdade, os professores, às vezes, se esqueciam de olhar para os alunos na hora da explicação ou usavam projetores, então, fui conseguindo ler os lábios deles mesmo nas sombras.”

A segurança dos filhos também pesou na decisão da mãe, que fica a maior parte do tempo em casa cuidando deles. O pai, Francimar Bernardino Tavares, 30, é enfermeiro e trabalha também em período noturno.

“Pedi muito a Deus para me ajudar com o cuidado dos meus filhos. Fiz o implante por eles, para aumentar a segurança e melhorar minha relação com eles. Com outras pessoas, podia pedir para falar mais devagar, para olhar para mim [para ler os lábios], mas com crianças o processo é bem mais difícil.”

ENCONTRO

No último dia 11 de fevereiro, em São Paulo, o Parque Ibirapuera recebeu um dos maiores eventos de troca de experiências e informações entre surdos implantados do mundo, o Cochlear Day. Foi em uma das edições anteriores do evento que Alexandra obteve mais informações sobre o dispositivo e se encorajou a fazer a cirurgia.

“No meu caso, tudo está sendo ótimo até aqui e acho que vai melhorar mais, meus filhos vão ganhar mais com uma mãe que pode compreendê-los melhor, mas a decisão de fazer ou não o implante é de cada um, assim como são individuais os resultados da cirurgia”, diz a mãe.

Reportagem de Jairo Marques, publicada originalmente na Folha de S. Paulo, 19/02/2017. Para acessá-la na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/02/1860083-mae-e-filha-surdas-passam-por-cirurgia-para-retomar-audicao.shtml

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça da blogueira Paula Pfeifer, editados pela Plexus:

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60092CRÔNICAS DA SURDEZ

Nesta obra, Paula Pfeifer discute um assunto que, por vezes, se torna tabu: a deficiência auditiva, que tanto afeta a comunicação e a interação humanas. Porém, a autora passa longe da autocomiseração e mostra que os surdos podem e devem levar uma vida feliz, independente e produtiva. Dividido em três partes, o livro relata como Paula lidou com as dificuldades e as agruras da surdez, traz textos que ela escreveu no blogue Crônicas da Surdez – que tem milhares de acessos mensais –, além de apresentar depoimentos emocionantes de leitores. Temas como preconceito, tecnologia, mercado de trabalho e bullying são apresentados de forma leve, sem julgamentos, permitindo aos deficientes auditivos, a seus familiares e a profissionais de saúde refletir sobre as experiências cotidianas e sobre a capacidade de superação inerente a todos nós.

 

60094NOVAS CRÔNICAS DA SURDEZ
Epifanias do implante coclear

Nesta obra, Paula Pfeifer conta como foi perder a audição desde a infância até chegar à surdez bilateral profunda aos 31 anos e, então, fazer um implante coclear e voltar a ouvir. A jornada em direção ao som foi cheia de altos e baixos, e o livro mostra com sinceridade os melhores e os piores momentos desse caminho: da decisão de fazer a cirurgia aos meses seguintes à ativação dos eletrodos.

 

‘4 ATITUDES QUE SÓ LEVAM VOCÊ AO FRACASSO, SEGUNDO ESPECIALISTAS’

São Paulo – Se você já colocou, ou espera um dia colocar, sua carreira em “piloto automático”, ou seja, anseia por navegar pelo mercado sem que seja necessário fazer o esforço dos anos iniciais na profissão, cuidado. Isso pode levá-lo à derrocada, garantem especialistas.

“Não existe espaço para acomodados. Piloto automático para carreiras só serviria se fosse de 3ª geração e com inteligência cognitiva”, brinca, Irene Azevedoh, diretora de transição de carreira da LHH.

A dificuldade em perceber a volatilidade do mundo é mais evidente em profissionais de segmentos que enfrentam menos turbulências, segundo Irene.  Por outro lado, quem já passou por reestruturações, fusões e aquisições muito provavelmente tem maior grau de consciência.

“Não existe mais um mundo seguro, nem garantia, nem zona de conforto”, diz Jaqueline Weigel,  coach estudiosa de futurismo  e focada em ajudar as pessoas a fazer a transição para a nova era.  É que diante desse cenário, atitudes se tornam obsoletas e podem significar a fracasso profissional, segundo os especialistas.

O que acontece, muitas vezes, é que comportamentos já sem validade hoje seguem sendo praticados por profissionais ainda que eles adotem discurso completamente diferente e ajustado aos novos tempos. “A maioria é farsa”, diz Jaqueline.

Confira que tipo de mentalidade não dá mais resultado na carreira de ninguém:

1. “Eu sei como se faz”

Imagine um engenheiro que há 30 anos trabalhe da exata mesma forma. A quem questiona o seu modo de fazer ele dá a clássica resposta: “sei como se faz, sempre foi assim que eu fiz”.

Profissionais com essa mentalidade perdem espaço para aqueles que têm o foco direcionado para a experimentação e visão sistêmica. Ganham destaque pessoas que topam experimentar novas maneiras de fazer as coisas e que consigam perceber como mudanças na rota afetam o todo da operação.

2. “Eu insisto”

Sem consciência da velocidade de mudança, insistir em caminhos antigos ainda que eles não funcionem mais é outra atitude obsoleta para limar da carreira. “Temos que parar de perder tempo tentando arrumar o que não vale. É como querer consertar um videocassete nos dias de hoje”, diz Jaqueline.

Se não traz mais resultado, o melhor é tomar outro rumo.“Pessoas muito rígidas e não dispostas a se adaptar a essa realidade de mundo volátil estão comentendo um dos erros que considero cruciais na carreira”, diz Irene Azevedoh.

A mudança é constante e rápida e já há quem saiba disso. “São aqueles profissionais que pensam: não deu certo? Vamos fazer de outro jeito”, diz Jaqueline.

3. “Uso meu poder para impor o que eu quero”

É o medo de não possuir as competências necessárias para percorrer novas trilhas que leva profissionais a adorar o que já conhecem. “Pessoas com essa mentalidade, geralmente, usam sua autoridade para impor velhos caminhos”, diz Jaqueline.

Executivos identificados com poder, comando, controle, ego e vaidade tendem a decretar sua vontade sem pensar no que é melhor para o negócio e, por isso, vão fracassar.

Está mais ajustado à atualidade quem é nutrido pelo novo e não liga para autoridade. “ Pelo contrário, compartilha o poder, estimula, empodera e acompanha, ao invés de controlar”, diz Jaqueline.

4. “NÃO OLHO À MINHA VOLTA”

É o tal do piloto automático. “Enquanto não há razões graves, tem muita gente que não vai mudar”, diz Jaqueline.

O contrário desse comportamento é ser aberto, consciente e questionador. “Geralmente são pessoas imbuídas de grande valor moral e ético e que não se convencem com a máxima é assim que funciona”, diz Jaqueline.

Irene, da LHH, chama atenção para a importância da capacidade de aprendizado nesse mundo de rupturas tecnológicas. “Um recrutador vai querer saber, por exemplo, quantas vezes na carreira, o profissional quis aprender algo novo”, diz.

Ela afirma que adaptabilidade e capacidade de aprendizado fazem parte de um “pacote de competências” que todo profissional deve ter.

Matéria publicada originalmente na Exame.com. Para lê-la na íntegra, acesse:
http://exame.abril.com.br/carreira/4-atitudes-que-so-levam-voce-ao-fracasso-segundo-especialistas/

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça o livro:

10321TEMPERAMENTO E CARREIRA
Desvendando o enigma do sucesso
Autores: Orlando H. GemignaniMaria da Luz Calegari
SUMMUS EDITORIAL

O temperamento com que se nasce, e que acompanha o indivíduo pela vida, tem muito mais influência na trajetória pessoal e profissional do que supunham os psicólogos até poucos anos atrás. Esta obra mostra o caminho do sucesso por meio da análise de características como visão de mundo, talentos, interesses e motivações. Também são apresentadas minibiografias de 16 ícones da cultura brasileira que alcançaram sucesso absoluto nas áreas que abraçaram.

‘BRIGA, TIROS E MEDO: 50% DOS BRASILEIROS DIZEM ESTUDAR EM ÁREAS VIOLENTAS’

Após uma semana do início das aulas, o vigilante desempregado Sérgio Rodrigues do Nascimento, 43, já havia pedido a mudança do filho de 10 anos da Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, na zona sul de São Paulo, para outra unidade. “No terceiro dia, dois alunos foram expulsos da sala, já vi um monte de gente pulando o muro da escola, e ontem meu filho disse que levou um chute de outro garoto na hora do intervalo”, conta o pai.

“A gente fica de coração partido de deixá-lo aqui”, afirma Nascimento, que nos últimos dias percorreu outras escolas da região em busca de vagas em turmas de sextos anos do ensino fundamental. “Não quero que meu filho vire bandido.”

Na mesma região, outro pai tentava tirar o filho da Escola Estadual João Ernesto Faggin pelo mesmo motivo. “Eu estudei aqui quando tinha 10 anos e a escola já não era boa. Hoje tenho 41 anos e nenhum dos meus colegas de classe estão vivos”, afirma o morador do bairro, que preferiu não dar o nome porque tem medo de represálias dos traficantes da região.

Seu filho de 12 anos já havia faltado aos três primeiros dias de aula, porque o pai se recusou a aceitar a matrícula na Ernesto Faggin. “Parece que até a direção tem medo. Cheguei para pedir a transferência e a sala está cheia de grades”, diz.

A sensação de insegurança não é exclusiva dos pais desses alunos nem da capital paulista. Os dados da Pense (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) compilados e publicados no 10º Anuário de Segurança Pública, de novembro de 2016, mostram que 50,8% dos alunos do nono ano do ensino fundamental estão em escolas localizadas em áreas de risco de violência. A pesquisa, realizada por amostragem, levou em consideração 2.630.835 entrevistas com estudantes de todo o país matriculados no nono ano do ensino fundamental das redes pública e privada.

Traficantes rondam as escolas 

Nos dois colégios citados, por exemplo, a reportagem presenciou adolescentes usando drogas, traficantes rondando as escolas e pinos de cocaína espalhados pelo chão a poucos metros da entrada das unidades de ensino. Sem sucesso, a funcionária de uma delas tentou barrar a entrada de jovens que não estavam matriculados no colégio. Havia também lixo e entulho nas calçadas.

“Dividimos o crime escolar em três tipos: o que está previsto no Código Penal, pode ferir e matar –esse é muito complicado de combater e não está em todas as escolas. Há também a microviolência, que é a violência do cotidiano e está nas relações sociais dentro da escola. O terceiro é a violência simbólica, quando você faz mal e o outro não consegue responder, como a homofobia. Essa é uma violência quase transparente”, diz Miriam Abramovay, da Flacso Brasil (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), que pesquisa o tema há mais de 15 anos.

No ano passado, o técnico em enfermagem Leonardo Vieira dos Santos, 31, atendeu a uma ligação desagradável da escola em que os filhos de 15 e 11 anos estudavam na zona sul de São Paulo. “Eles disseram que tinha acontecido uma briga. Cheguei à escola e meu filho mais novo tinha sido agredido por um colega. Não foi briga.”

O técnico em enfermagem registrou um boletim de ocorrência e, em seguida, procurou a diretoria regional de ensino para transferi-lo para outra unidade. “A gente se sente muito mal, não quer que isso aconteça com um filho”, diz.

“O que mais me dá medo são assaltos nos pontos de ônibus”

Na Bahia, os dados da pesquisa mostram que 47,6% estudantes do ensino fundamental consideram violenta a área onde está situada a escola. Na rede privada, o percentual é de 52,7%, enquanto na educação pública a avaliação é de 46,8%.

Luana Carvalho, 11, mora no bairro São Rafael, em Salvador, uma localidade com as mesmas características da região onde estuda, o Cabula: perfil de classe média, com boa infraestrutura, comércio pujante e próximo de comunidades pobres.

Responsável pela menina, Andréa não tem tempo de levá-la para a aula, mas não arrisca deixar Luana ir de ônibus por medo de assaltos. Apesar de a escola manter um considerável nível de segurança (câmeras, porteiros, grades), a mãe considera que o Cabula é uma área violenta.

“É um bairro muito visado, porque concentra em um pequeno raio escolas particulares, universidade, supermercados, bancos”, descreve. “O que mais me dá medo são assaltos nos pontos de ônibus. Por isso contratei transporte escolar, para protegê-la desse tipo de violência”, acrescenta.

A contadora lembra que, há cerca de dois anos, foi buscar a filha na escola, mas encontrou a instituição fechada devido a um tiroteio. O motivo foi uma tentativa de assalto a um carro-forte que abastecia os terminais de um supermercado na avenida Silveira Martins, a poucos metros da escola.

“A violência é um reflexo da sociedade em todo o país. Se o bairro o onde a escola está inserida é violento, a instituição fica exposta, vulnerável, quer seja privada ou pública”, diz Rui Oliveira, coordenador do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia. “A escola não é uma ilha, pois está propensa a diversas influências externas, fatores estruturais da sociedade, tais como desigualdade social, desemprego, tráfico de drogas e ausência de políticas públicas para combater essas questões.”

“Criança é muito vulnerável” 

Diretor do soteropolitano Colégio São Lázaro, o professor Antônio Luiz afirma que não é permitido aos alunos sair da escola no horário do intervalo, nem mesmo os estudantes secundaristas. A exceção, frisa o docente, ocorre somente nos dias de aula integral, com autorização das famílias, no horário do almoço.

“Nossa preocupação não é só em relação à violência externa que possa ocorrer, mas também quanto à influência das drogas”, diz o professor. “Além disso, orientamos aos alunos evitar sair com objetos chamativos na rua, usar tênis mais simples e sair em grupos no final da tarde.”

A 500 metros do São Lázaro está o Colégio Municipal da Engomadeira, que leva o mesmo nome do bairro popular onde os ônibus voltaram a circular somente depois de dois dias por conta da morte de dois homens em confronto com a PM, no último dia 4.

Texto parcial de reportagem de Marcelle Souza, Franco Adailton e Ronald Lincoln Jr., publicada originalmente no UOL em 16/02/2017. Para ler a matéria completa, acesse: https://educacao.uol.com.br/noticias/2017/02/16/briga-tiros-e-medo-50-dos-brasileiros-dizem-estudar-em-areas-violentas.htm

 

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:

10952A SOCIEDADE DA INSEGURANÇA E A VIOLÊNCIA NA ESCOLA
Autora: Flávia Schilling
SUMMUS EDITORIAL

Entre os discursos da violência como uma epidemia e o silêncio por ela provocado, há discursos inauditos e imprevistos que apontam para uma compreensão ampliada das questões que nos preocupam. Este livro discute a violência que está na escola, apresentando as várias dimensões que cercam o problema e apontando algumas ações possíveis que estão ao alcance de todos nós.

‘MEDITAÇÃO MINDFULNESS AJUDA DE POLICIAIS A DEPENDENTES QUÍMICOS’

Perceba o ambiente à sua volta. Sinta sua respiração, o ar entrando e saindo. Não tente controlar o ar, apenas o perceba. Quais são os seus pensamentos e sentimentos? Onde está sua mente? Concentre-se neste exato momento, no agora.

O mindfulness (“atenção plena”) é uma forma de meditação que pretende concentrar a atenção das pessoas no momento presente. A prática, normalmente usada para controle do estresse, começou a ser pesquisada com seriedade e utilizada até mesmo para combater dependências químicas e ajudar policiais militares a lidar com o tenso trabalho do dia a dia.

A aposentada Sonia Schaal, 61, após ter câncer de mama, desenvolveu um problema na coluna. Dor e preocupação com um possível retorno do tumor tiraram o sono dela. O jeito foi começar a tomar benzodiazepínicos, também conhecidos como calmantes ou ansiolíticos.

“É horrível usar remédio tarja preta. Eu tomava umas duas, três gotas por noite, todos os dias”, diz Sonia, que usou a droga por dois anos. “Você fica ‘sonado’, não consegue acordar direito e não tem a qualidade de sono que teria com o sono fisiológico.”

Sonia afirma que, por um período de tempo, mais especificamente um ano, foi dependente do remédio.

O cansaço – e um anúncio no jornal do bairro– levou a aposentada a um grupo que utilizava o mindfulness para ajudar mulheres a combater o uso de substâncias químicas.

“A ideia do programa era recrutar pessoas que faziam uso crônico desses medicamentos”, afirma Viviam Barros, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Saúde e Uso de Substâncias da Unifesp.

Ela afirma que a maior parte desses remédios é prescrita. A recomendação, porém, é que o uso aconteça por, no máximo, quatro semanas.

As técnicas de mindfulness foram trabalhadas com as participantes em sessões semanais de duas horas, por oito semanas. Após isso, elas foram acompanhadas por mais 6 meses.

A pesquisadora afirma que as mulheres que desenvolveram a meditação conseguiram abandonar mais facilmente e com menos sofrimento os remédios. Além disso, elas também passaram a sofrer menos por terem insônia.

“Elas aprenderam a lidar com a insônia”, diz Viviam. Segundo ela, com a prática, as participantes do projeto aprenderam a perceber movimentos que a mente faz.

“Por exemplo, quando a pessoa vê que ela não está conseguindo dormir. Começam a surgir vários pensamentos. ‘Amanhã tenho que trabalhar, não vou conseguir trabalhar, estarei muito cansada.’ Isso vai aumentando o grau de ansiedade, o que intensifica ainda mais os pensamentos”, afirma Viviam, que nomeia o processo de “espiral ruminativa de pensamentos”.

Com o mindfulness, segundo a pesquisadora, as pessoas passam a reconhecer o que acontece em suas mentes sem necessariamente serem “carregadas” por isso.

“Vivemos no piloto automático”, diz Sonia. “Com o mindfulness a pessoa percebe como ela mesma funciona.”

TENSÃO DIÁRIA

Com base em experiências realizadas em outros países, foi iniciado também um projeto piloto de mindfulness para policiais em um batalhão da Polícia Militar de São Paulo.

“São pessoas que poderiam se beneficiar da técnica para lidar melhor com o stress e com as emoções. Ajuda a ter mais empatia”, diz Marcelo Demarzo, coordenador do Mente Aberta, centro de pesquisa ligado à Unifesp.

O tenente-coronel Marcio da Silva, um dos policiais a participar do projeto, diz que as meditações proporcionaram mais tranquilidade, calma e serenidade na vida profissional e na familiar.

Texto parcial de matéria de Phillippe Watanabe publicada na Folha de S. Paulo, em 11/02/2017. Para lê-la na íntegra, acesse:
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/02/1857820-meditacao-mindfulness-ajuda-de-policiais-a-dependentes-quimicos.shtml

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Tem interesse pelo tema? Conheça:

10716VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch
SUMMUS EDITORIAL

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.

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