‘SER NEGRA DOBRA RISCO DE MORTE DE JOVEM NO BRASIL, APONTA RELATÓRIO’

Uma jovem negra no Brasil corre risco 2,2 vezes maior de ser morta do que uma jovem branca, segundo o relatório Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, que será divulgado nesta segunda-feira, 11. Em 26 unidades da Federação – apenas o Paraná fica de fora -, a taxa de homicídios entre mulheres de 15 a 29 anos é maior entre as negras. Elas são ainda mais vulneráveis à violência em Estados como o Rio Grande do Norte, onde morrem 8,11 vezes mais do que as jovens brancas.

O estudo foi feito pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O índice foi calculado com base na análise de dados de 304 municípios do País com mais de 100 mil habitantes. As informações utilizadas estão divididas em quatro dimensões: violência entre jovens, frequência à escola e situação de emprego, pobreza no município e desigualdade. Essa é a segunda edição do índice, que já havia sido calculado em 2015.

“A novidade é esse olhar para a questão de gênero. Mais uma vez os dados comprovam o genocídio dos jovens negros”, diz Marlova Noleto, representante interina da Unesco no Brasil.

Aumento

O índice também mostra que a violência contra o jovem negro, considerando ambos os sexos, se agravou nos últimos dois anos. A primeira vez em que foi feito o estudo, em 2015, os negros – à época a faixa etária considerada era dos 12 aos 29 anos – tinham 2,5 vezes mais chance de serem assassinados do que os brancos. Nesta edição, o risco médio no País subiu para 2,7. “Houve um aumento, estatisticamente pequeno, mas muito significativo do ponto de vista social. Mostra que o Brasil não conseguiu trabalhar para reverter ou pelo menos diminuir essa situação. A violência se agravou contra esses jovens”, afirma Marlova.

A situação mais preocupante é a de Alagoas, onde os jovens negros correm 12,7 vezes mais risco de serem mortos, seguida da Paraíba, onde a diferença é de 8,9 vezes. Em 24 unidades da federação, eles correm mais riscos. Apenas no Paraná a taxa de mortalidade entre brancos é superior. No Tocantins, o risco é estatisticamente semelhante e, em Roraima, não foi registrado nenhuma morte de jovem branco no período analisado, o que inviabilizou o cálculo.

Os jovens de 15 a 29 anos representam um quarto da população brasileira e estão entre as maiores vítimas de homicídios. Dados do Atlas da Violência de 2017 mostram que mais da metade das 59.080 pessoas mortas por homicídios em 2015 era jovem (54,1%). Entre as vítimas, 71% eram negras (pretas e pardas) e 92% do sexo masculino.

No relatório, Francisco de Assis Costa Filho, secretário nacional de Juventude, observa ainda que o índice é um importante instrumento de análise das condições de vida dos jovens para a formulação de políticas públicas para esse grupo. “Os resultados apresentados permitirão desenvolver ações mais direcionadas e focadas sobretudo nos jovens homens e mulheres negros, contribuindo para a redução das assimetrias de gênero e para o combate ao racismo no Brasil.”

Marlova diz que os dados estão ligados a outras informações que comprovam a desigualdade. “O IBGE mostra que negros ganham 59% a menos e são 70% da população que vive em extrema pobreza. Embora a sociedade em geral diga que não há racismo no Brasil, os números mostram o contrário.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Reportagem de Isabela Palhares, da Agência Estado, publicada no UOL em  11/12/2017. Para acessar na íntegra: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/agencia-estado/2017/12/11/ser-negra-dobra-risco-de-morte-de-jovem-no-brasil-aponta-relatorio.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro da SELO NEGRO EDIÇÕES:

RACISMO, SEXISMO E DESIGUALDADE NO BRASIL
Coleção Consciência em Debate
Autora: Sueli Carneiro

Entre 2001 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero.

BAND NEWS RECOMENDA O LIVRO “DOENÇA DE ALZHEIMER – O GUIA COMPLETO”

O psiquiatra Daniel Barros e a jornalista Inês de Castro falam sobre o livro “Doença de Alzheimer – O guia completo”, na Band News FM. Confira no áudio abaixo.

 

Saiba mais sobre o livro:
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DOENÇA DE ALZHEIMER
O guia completo
Autor: Serge Gauthier Judes Poirier
MG EDITORES

Este livro apresenta uma visão geral das últimas novidades médicas e científicas sobre os avanços recentes em pesquisa, as causas e os tratamentos da doença de Alzheimer, formas de prevenção que vêm sendo desenvolvidas e hábitos e estilos de vida que foram validados cientificamente e podem desacelerar ou impedir a progressão sintomática da doença.

 

‘BISBILHOTAGEM DIGITAL: PROTEJA-SE’

Todos nós conhecemos as vantagens da era digital. Entretanto observo que a evolução das ferramentas e usos das tecnologias estão nos transformando em escravos/dependentes de todo esse arsenal tecnológico ao alcance de nossos dedos. Desde as recentes notícias que revelaram a intensa espionagem da qual os países se utilizam para bisbilhotar a vida dos próprios cidadãos e vizinhanças, escancarando, entre outros, que o governo dos EUA tem obrigado o Facebook, Google, Yahoo! e Microsoft a colaborar com a bisbilhotagem, colocando em xeque o futuro dessas empresas quanto a credibilidade e respeito à privacidade dos internautas, também o mundo empresarial vem sofrendo e conhecendo as desvantagens tecnológicas.

Artigo publicado no jornal inglês Daily Telegraph revelou que o uso que os funcionários fazem, para fins pessoais, de redes sociais como Twitter e Facebook durante o expediente causam às empresas britânicas um prejuízo de quase R$ 4 bilhões por ano em tempo desperdiçado. Mais da metade dos empregados entrevistados admitiram recorrer à essa prática. No Brasil, segundo pesquisa da Websense/Harris Interactive, o prejuízo é de pelo menos R$ 3 bilhões ao ano. E com o ingresso no mercado de trabalho de jovens acostumados a ficar plugados a tempo todo, o problema tende a aumentar ainda mais. Fica a questão: o que as empresas podem fazer para evitar, ou pelo menos reduzir essa perda?

Sob o ponto de vista jurídico, a posição predominante é de que o sigilo de correspondência previsto na Constituição Federal não pode ser usado para encobrir abusos. Exemplo de abuso é utilizar o e-mail corporativo, que é uma ferramenta de trabalho, para finalidades que não estão relacionadas ao trabalho. Por esse motivo, é importante que as empresas estabeleçam, de preferência em contrato, uma política muito clara sobre o que é permitido ou não no que diz respeito à utilização de meios eletrônicos pelo funcionário durante o horário de trabalho. Nas grandes organizações, o tema deve constar no Código de Ética Profissional da empresa. Algumas, inclusive, já usam sistemas para monitorar os sites que seus funcionários visitam na internet. Portanto, se um empregado for pego visitando sites pornográficos ou jogando pôquer virtual quando deveria estar trabalhando, ele está, sim, sujeito à demissão por justa causa.

Outra questão importante referente ao uso dos e-mails no ambiente de trabalho é que eles podem ser usados como provas em ações judiciais relativas a assédio moral e assédio sexual. O assédio moral ocorre quando o chefe fere, repetidamente, a dignidade de seu subordinado, dirigindo-se a ele de forma insultuosa, tratando-o de modo abusivo, denegrindo sua imagem etc. Já o assédio sexual é assim definido pela lei nº 10.224, de 15 de maio de 2001: “Constranger alguém com intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”.

O que nem todos se dão conta é que o assédio, seja ele moral ou sexual, não ocorre apenas através de contato pessoal. Eles também podem ocorrer através de e-mails cujo conteúdo possa ser considerado insultuoso ou abusivo, no primeiro caso, ou de conotação sexual, no segundo. E não só podem, como de fato são usados por funcionários em ações movidas contra colegas, chefes e a própria empresa. Afinal, conforme diz o Código Civil, “responde o patrão pelos atos de seus subordinados”. Isto significa que se o empregado sofrer assédio moral ou sexual por parte de colegas de trabalho ou superiores, o empregador poderá ser responsabilizado. Contudo, se a empresa possuir uma política clara sobre o assunto, devidamente comunicada ao funcionário antes da ocorrência, o empregado considerado culpado poderá ser demitido por justa causa.

Sendo assim, todo cuidado é pouco. A desculpa de que aquele e-mail abusivo ou malicioso era “apenas uma brincadeira” não vai colar. Prova disso é o aumento das ações trabalhistas relativas ao assédio nas quais os e-mails são utilizados como evidências. Nessas ações, é bom que se diga, os reclamantes costumam pleitear – e com frequência ganhar – significativas indenizações. É um preço alto demais para se pagar por supostas “brincadeiras”.
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*Ivone Zeger é advogada especialista em Direito de Família e Sucessão. Membro efetivo da Comissão de Direito de Família da OAB/SP, do IBDFAM- Instituto Brasileiro de Direito de Famíia, e do IASP, é autora dos livros “Herança: Perguntas e Respostas”, “Família: Perguntas e Respostas” e “Direito LGBTI: Perguntas e Respostas – da Mescla Editorial – Fanpage: www.facebook.com/IvoneZegerAdvogada e blog: www.ivonezeger.com.br

Artigo publicado no Estadão em 30/11/2017. Para acessá-lo: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/bisbilhotagem-digital-proteja-se/

 

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Conheça os livros da autora:

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FAMÍLIA

Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Quando o assunto é direito da família, somente uma especialista como Ivone Zeger pode responder de forma simples e direta às principais dúvidas relacionadas com casamento, divórcio, pensão alimentícia, partilha de bens, adoção, violência doméstica, filhos, união gay etc. – tudo de acordo com as mudanças ocorridas na legislação.


HERANÇA

Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Quais são os motivos para deserdar alguém? Bens de família também entram no pagamento da dívida? Quando uma pessoa morre sem deixar testamento, quem fica com os bens? O que cabe aos enteados? E à segunda esposa? Divorciados têm direito à herança do cônjuge? O que é usufruto? Filhos têm de dividir a herança com o avô?

Essas são apenas algumas das perguntas respondidas neste livro. Com base em sua ampla experiência em Direito de Família e Sucessão, a advogada Ivone Zeger esclarece – em linguagem simples e objetiva, bem distante do “juridiquês” que assusta os leigos – as dúvidas mais comuns que todos temos sobre o assunto.

DIREITO LGBTI
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Esta obra de Ivone Zeger tem o objetivo de responder a questões relativas a casamento, união estável, adoção, inseminação artificial, dissolução de união estável, divórcio, partilha de bens, herança, entre outros temas pertencentes ao Direito de Família, porém voltados ao público homossexual, bissexual e transexual.

‘10 COISAS QUE VOCÊ NÃO DEVE FAZER AO COMEÇAR UMA ATIVIDADE FÍSICA’

Exercícios são muito bem-vindos na nossa rotina, mas quem está começando deve tomar alguns cuidados e se lembrar de coisas bem simples. Veja dicas de um educador físico e evite problemas ao começar uma atividade física

Você decidiu que é a hora de começar a malhar. Sua motivação para deixar o sedentarismo de lado pode a busca por mais qualidade de vida ou também pode ser a proximidade do verão e a vontade de exibir um corpo em forma nas praias por aí. Aproveite esse ânimo extra e invista em sua saúde com uma atividade física regular.

Entretanto, para que a atividade física seja realmente benéfica para o corpo e para a mente, vale tomar alguns cuidados, principalmente se você é iniciante na academia. Você lembrou de se alimentar da maneira correta antes de partir para o treino de bike? Ou está com a roupa adequada para aquela aula puxada de jump (aula na qual você pula em uma cama elástica, seguindo os movimentos do professor e o ritmo da música)?

Conversamos com o educador físico João Gabriel Santos, gerente da Unidade Teotônio Vilela da academia Just Fit, em São Paulo, e para ajudar ele montou uma lista com 10 coisas que você não deve fazer ao começar uma atividade. Veja os detalhes e evite problemas e até lesões:

  1. Não consultar um médico

Não é a toa que personal trainer e academia pedem um aval de um médico antes de o aluno começar a malhar. Esse exame não é mais obrigatório, mas ainda é muito importante, segundo o professor. E ele fala que o mais escuta por aí é “Eu estou bem, não preciso disso”. Entretanto, mesmo que sinta bem e não tenha nenhuma queixa, um check-up completo vai mostrar qual a sua condição física e até ajudar a montar os treinos mais adequados para seu corpo e seus objetivos.

  1. Não seguir orientação de profissional devidamente habilitado

“‘Eu não preciso de professor eu já sei treinar’. Essa é outra frase dita por muitas pessoas que voltam as academias”, lembra o profissional. E se você precisa tomar cuidados quando está começando, quando está retomando o ritmo também precisa de precaução.

Durante o tempo que ficou parada, por exemplo, você provavelmente perdeu tônus muscular e condicionamento físico e, com isso, nem sempre vai conseguir manter o ritmo que seguia antes, pelo menos não nos primeiros dias. Vá com calma.

Além disso, seus objetivos podem ter mudado nesse tempo. “É importante apresentar os objetivos e atualizar os projetos físicos com o apoio de quem sabe as novidades e pode facilitar o caminho do emagrecimento ou da hipertrofia. Um professor de qualidade sempre vai saber encontrar seu limite. Então procure sempre orientação”, ressalta João Gabriel.

  1. Não seguir o treino proposto

Esse erro acontece com iniciante e com os mais experientes. Quem já treina há um tempo pode pensar que já pode fazer tudo sozinho, inclusive mudar os exercícios. De acordo com João Gabriel, isso pode acabar em lesão e o aluno nem vai saber ao certo o que causou o problema, já que estava fazendo um exercício diferente do proposto.

Quem está começando pode não entender o movimento proposto logo de cara e, mesmo assim, tentar fazer tudo sozinho. De novo, há risco de lesão sem nem entender o motivo. Cansou do treino ou tem dúvida? Pergunte ao professor, sempre!

  1. Só fazer o que gosta

“Qual professor nunca ouviu uma aluna falar ‘não vou treinar braço senão vou ficar enorme’, como se isso acontecesse em um passe de mágica”, fala João Gabriel. Sim, é muito comum receber o treino assim que chega na academia e já torcer o nariz para alguns exercícios e colocar ressalvas para não fazer outros. Não caia nessa enrascada.

É preciso treinar o corpo como um todo e o professor que montou seu treino sabe disso. “Independentemente de seu objetivo, o fortalecimento muscular é indispensável para prevenir lesões e trabalhar todos os grupos de forma equilibrada promove o desenvolvimento harmônico e sem desproporções”, afirma o professor.

  1. Fazer o mesmo treino sempre

Uma outra situação também pode acontecer. O aluno pode adorar o treino e querer ficar com ele para sempre. Se já está dando certo e os resultados estão aparecendo, por que mudar, não é mesmo? Porque se ficar eternamente na mesma coisa, esses benefícios vão sumir.

De acordo com o especialista da Just Fit, é preciso mudar o treino periodicamente para oferecer novos estímulos motores e também desafios ao corpo, que ajudam a manter o aluno motivado a seguir na academia. Além disso, é preciso descansar o corpo e os grupos musculares para que eles se recuperem das micro lesões causadas pelos exercícios. O músculo também precisa de um período de descanso.

  1. Não prestar atenção à roupa escolhida para academia

A escolha da roupa que vai usar na academia vai muito além da estética. Um bom top, por exemplo, dará sustentação adequada para os seios para aquela aula de jump citada lá em cima. Uma corrida, mesmo que na esteira, também exige algo que dê sustentação. Sem isso, a mulher pode sentir dores, por exemplo.

“A roupa é fundamental para um bom período de treino. Fazer tividade física com trajes inadequados gera desconforto e, em alguns casos, o aluno nem consegue treinar”, ressalta o professor da academia de São Paulo.

  1. Não prestar atenção ao tênis que será usado

Quem está começando por cair no erro de achar que basta o calçado ser confortável que ele já é o ideal para a atividade física. Nem sempre. O conforto é importante, mas escolher o calçado ideal também.

É importante, por exemplo, saber se o tênis tem o formato indicado para sua pisada – se ela é neutra, plana, pronada ou supinada. Diversas lojas especializadas oferecem esse tipo de ajuda. O calçado errado pode sobrecarregar articulações como joelho e tornozelo e resultar em dores no futuro.

Ele também precisa dar estabilidade para o exercício escolhido. Para a corrida, por exemplo, é interessante é seja leve e absorva o impacto. Para uma pedalada, há sapatilhas que se encaixam no pedal da bike e podem ser usadas na rua ou nas aulas de spinning.

  1. Não se alimentar direito

“O corpo é uma máquina e precisa de combustível adequado para funcionar”, comenta João Gabriel. Mesmo com tanta informação disponível sobre como levar uma vida e uma alimentação saudável, tem gente que ainda acredita que um caminho para emagrecer é apenas comer menos, sem pensar nas consequências. Não é o suficiente faz um almoço leve, passar a tarde sem comer nada e ir treinar a noite. Há um risco muito grande de sentir fraqueza e passar mal na academia.

Segundo o educador físico, o ideal é fazer um lanche que use como fonte de energia um carboidrato complexo uma hora antes do exercícios. Esse carboidrato, encontrado, por exemplo em pães integrais, é consumido lentamente e fornece energia de forma mais equilibrada ao corpo.

Depois do treino também é fundamental se alimentar de maneira adequada para repor o que o corpo perdeu e ainda ter melhores resultados das atividades. E o ideal é não demorar muito para fazer essa refeição. “Após o treino, o organismo tem uma baixa de nutrientes, vitaminas e minerais, então dentro de no máximo uma hora devemos buscar carboidratos e proteínas de alto ou moderado índice glicêmico, que serão rapidamente absorvidos pelo organismo, atuando diretamente em sua recuperação”, comenta o profissional. Nesse caso pode ser um pão de farinha branca com proteína magra, como carne magra ou frango.

  1. Não beber água

Se até na correria do dia a dia é comum esquecer de beber água, imagina entre um exercício e outro. Mas alunos novatos e experientes devem lembrar sempre de beber água antes, durante e depois da atividade física para se manter hidratado.

Segudno João Gabriel, a falta de água pode levar a desidratação, que traz problemas como fadiga muscular e queda no desempenho. Portanto, tenha sempre uma garrafinha a mão e dê alguns goles de vez em quando. Também não exagere não tome muita água de uma vez para não correr o risco de ficar com aquela sensação de ter um aquário no estômago. Sabe aquele dita: “Devagar e sempre”? Pois bem, ele funciona muito bem por aqui. Beba aos poucos e sempre.

João Gabriel ainda diz que, em linhas gerais, a indicação é beber dois litros de água por dia.

  1. Perder o foco

O celular pode ser um grande aliado ou um inimigo gigante da atividade física. Estudos mostram, por exemplo, que ouvir música é um ótimo estímulo para o exercício. Ajuda a ditar o ritmo da caminhada, deixa a atividade mais divertida e pode te fazer relaxar e esquecer do mundo lá fora. E para aproveitar todos esses benefícios, basta celular, fone de ouvido e qualquer aplicativo de música.

Por outro lado, o celular pode virar uma distração. São mensagens que não de chegar, pausas para fotos e selfies… E aí mora o perigo. “De nada adianta fazer uma boa série e ter um intervalo de 10 minutos entre os exercícios por estar no celular ou batendo papos longos. A sociabilização é importante, mas manter o foco nos exercícios potencializa seus resultados com a atividade física”, destaca João Gabriel.

Matéria de Aretha Martins, publicada originalmente no iG, em 29/11/2017. Para acessá-la na íntegra: http://delas.ig.com.br/alimentacao-e-bem-estar/2017-11-29/atividade-fisica-erros.html

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Quer saber mais sobre a prática de atividades físicas? Conheça:

MANUAL DA SAÚDE
150 perguntas e respostas sobre exercício e vida saudável
Autor: Alexandre Vieira
MG EDITORES

A fim de esclarecer conceitos e oferecer dicas úteis e eficazes sobre a prática de exercícios, a obra traz as 150 perguntas mais comuns relacionadas ao tema. Com respostas claras e objetivas, ela aborda assuntos como fisiologia, alimentação, lesões, perda de peso, sedentarismo e prevenção de doenças. Uma seção especial dirige-se a mulheres, crianças e idosos. Para sedentários, esportistas e professores.

‘QUANTO MEU FILHO VAI CRESCER? É POSSÍVEL DESCOBRIR COM UM CÁLCULO SIMPLES’

Uma das principais preocupações que afligem os pais e também os adolescentes está relacionada à altura. Esta apreensão é normal, principalmente entre os meninos que propagam a imagem de que homem tem que ter músculos, ser alto e atleta.

Porém, antes de tudo, é preciso entender que uma estatura baixa ou alta de uma pessoa é causada por variantes de um padrão de crescimento normal, influenciada pela genética, porém uma patologia pode influenciar na altura.

O pediatra tem papel fundamental na identificação de crianças com crescimento anormal. Além de ter documentado a altura e peso dos pais, acompanhar e registrar através de um gráfico de crescimento, as medidas do paciente ao longo do tempo, pois são estas medidas que servem de base para o diagnóstico de anormalidades.

A altura de um indivíduo adulto é determinada geneticamente e, para se ter uma ideia da altura deste baixinho na fase adulta, baseada na altura dos seus pais, calcula-se, para as meninas, a média entre a estatura do pai menos 13 cm e a estatura do pai”. (ver dados abaixo)

Cálculo da altura (cm):    

MENINO = [altura materna + altura paterna + 13] ÷ 2
MENINA = [altura materna + altura paterna – 13] ÷ 2

Exemplo:

Cálculos da estatura parental média de um filho e uma filha de pais com as seguintes estaturas: o pai tem 172,72 cm, e a mãe tem 157,48 cm

Filho: [172,72 cm + 157,48 cm + 13 cm]/2 = 171,6 cm
Filha: [172,72 cm – 13 cm + 157,48 cm]/2 = 158,6 cm

*Dados do American Family Physician – 2008

No entanto, é preciso considerar que quanto mais precoce o início da puberdade de uma pessoa, menor será sua estatura final e, inversamente, quanto mais tardia, maior será seu crescimento. Dificilmente uma criança de pais e avós com estaturas pequenas, terá uma altura muito superior que a de seus descendentes. Outra dúvida frequente está relacionada à taxa de crescimento com a puberdade, um período da adolescência com duração de dois a quatro anos, caracterizada por transformações biológicas, físicas e psíquicas. É nesta fase que acontece o crescimento esquelético linear, a alteração da forma e composição corporal, o desenvolvimento de órgãos, e mudanças no sistema reprodutivo sexual.

E como descobrir se há um déficit no crescimento de uma criança? Para fazer esta avaliação é necessário saber, antes de tudo e com precisão a altura, o peso e a maturação sexual. Este processo será mais bem alinhado com o acompanhamento do pediatra, que poderá avaliar se há ou não deficiência na curva de crescimento.

Não há motivos para pânico e alarde se o seu filho é baixinho. O processo de crescimento é relativo de criança para criança, e envolve estudo particular de caso a caso. Lembre-se, qualquer dúvida ou alerta de que algo está errado, converse abertamente com o médico pediatra do seu filho.

Artigo publicado originalmente no Blog do Pediatra (VivaBem – UOL), do dr. Sylvio Renan, autor de “Pediatria hoje” e “Seu bebê em perguntas e respostas”, em 25/11/2017. Para lê-lo na íntegra, acesse: https://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2017/11/25/quanto-meu-filho-vai-crescer-e-possivel-descobrir-com-um-calculo-simples/

 

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Conheça os livros do dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros, publicados pela MG Editores:

PEDIATRIA HOJE
Orientações fundamentais para mães, pais e cuidadores

Nesta obra, Sylvio Renan Monteiro de Barros selecionou os principais textos publicados em seu site, o Blog do Pediatra, e no portal Minha Vida. Seu olhar cuidadoso e sensato, permeado pelos ensinamentos de D. W. Winnicott e também pelas mais recentes atualizações da medicina, constitui um farol no caminho de pais, mães, cuidadores, educadores e profissionais de saúde.

 

SEU BEBÊ EM PERGUNTAS E RESPOSTAS
Do nascimento aos 12 meses

Obra que reúne informações imprescindíveis para mães e pais de primeira viagem. Mas não se trata de um compêndio técnico sobre o “bebê-padrão”, e sim de um livro que aborda casos específicos atendidos pelo autor ao longo de três décadas de pediatria. Dividido em meses, traz perguntas e respostas sobre desenvolvimento físico e psicológico, alimentação, sono, comportamento, estímulos e cuidados com o bebê.

 

‘ALIMENTAÇÃO INFANTIL: 11 ERROS QUE A GENTE COMETE SEM PERCEBER’

É comum que cometermos erros acreditando que estamos fazendo o melhor pelas crianças. Por isso, o UOL lista os principais, de acordo com Priscila Maximino, nutricionista do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, e com a médica nutróloga Ana Luisa Vilela.

  1. Dar qualquer suco de caixinha

Muitas vezes a gente prefere suco de caixinha ao refrigerante. Mas, dependendo da composição, um é tão cheio de açúcar quanto o outro. Para ser saudável, o produto precisa ser feito apenas de água e suco de fruta. Como saber isso? Veja a lista de ingredientes na caixinha. Se tiver açúcar, esqueça, principalmente para os menores de dois anos.

  1. Dar suco natural à vontade

Dar um suco natural, sem ser como parte de um dos dois lanches (no meio da manhã ou à tarde), que devem compor a alimentação diária, pode prejudicar o apetite da criança. Um suco que contenha 200 calorias pode representar 20% das necessidades nutricionais de uma criança de três anos, por exemplo. Com isso, ela não sente fome nas refeições principais.

  1. Trocar fruta por suco

Entre dar a fruta para a criança comer ou o suco natural dela, prefira a primeira opção. Ingerir a fruta é uma experiência enriquecedora para a educação alimentar da criança. Ela vai mastigar, conhecer a textura … Além de consumir fibras, elemento importante para o bom funcionamento gastrointestinal, que às vezes se perdem no preparo do suco.

  1. Substituir refeições principais

A criança não se alimentou direito no almoço ou no jantar, e os pais trocam por um iogurte, suco ou copo de leite. Não faça isso. Por mais difícil que seja ver o filho sem comer, tenha em mente uma coisa: criança com acesso a comida não passa fome. Espere o horário da próxima refeição.

  1. Deixar os filhos escolherem o que comer

Crianças pequenas não têm capacidade cognitiva de escolher o melhor alimento para elas. Não pergunte o que a criança quer comer. Você pode, sim, oferecer opções dentro de um mesmo grupo alimentar. Exemplo: hoje você quer macarrão ou purê de batata? Ambos são fontes de carboidrato.

  1. Forçar ou chantagear

Já falamos aqui que ver um filho sem comer pode parecer desesperador. Mas, nessa guerra, não vale tudo. Chantagear e/ou forçar fisicamente estão fora de questão. Quando se trata de alimentação, os pais decidem o que a criança come e somente ela decide o quanto.

  1. Deixar biscoitos a mão

Biscoitos de maisena e de polvilho não são tão inocentes quanto parecem. O primeiro é feito basicamente de gordura vegetal e açúcar e o segundo, de gordura e sal. Depois de um ano, podem ser consumidos eventualmente, como parte de um lanche. Mas nada de fazer deles parte da alimentação diária.

  1. Engrossar o leite com farinhas

A maioria das crianças não precisa tomar leite engrossado com farinhas. O recurso só deve ser usado por indicação do pediatra ou de um nutricionista, em casos específicos de baixo de peso ou de déficit de crescimento.

  1. Fazer papinha com muitos legumes misturados

Na expectativa de o filho ingerir o maior número de nutrientes, pais fazem papinhas com vários legumes e/ou verduras batidos. Com isso, a criança não aprende a mastigar nem a distinguir o sabor e a textura dos alimentos. O melhor é fazer receitas com poucos ingredientes e amassados, para que existam pedaços a serem mastigados.

  1. Fazer da sobremesa um presente

No dia a dia, você não dá sobremesa, mas cria a regra de doce nos finais de semana. Ao fazer isso, você torna esse tipo de alimento um hábito. Em vez disso, deixe que a criança peça e você atenda, quando possível, lembrando que os menores de dois anos não devem ingerir açúcar.

  1. Liberar embutidos “magros”

Crianças até três anos, pelo menos, não devem consumir embutidos, nem os ditos magros, como peito de peru e de frango. Com muito sal e conservantes em sua composição, esses alimentos têm potencial de causar alergia.

 

Matéria de  Adriana Nogueira, publicada originalmente no UOL, em 14/11/2017. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2017/11/14/alimentacao-infantil-11-erros-que-os-pais-cometem-achando-que-estao-certos.htm

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Quer saber mais sobre alimentação infantil? Conheça os livros da nutricionista Claudia Lobo:
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ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA INFÂNCIA
Conceitos, dicas e truques fundamentais
MG EDITORES

Todo dia surgem informações de como oferecer uma alimentação saudável aos filhos. Produtos que parecem ricos em nutrientes fazem sucesso, mas logo suas desvantagens são desmascaradas. Pensando nisso, a nutricionista Cláudia Lobo criou um guia para ajudar os pais a oferecer uma alimentação saudável às crianças. Mudança de hábitos, organização e perseverança são alguns dos ingredientes apontados por ela. Imperdível.

 

COMIDA DE CRIANÇA
Ajude seu filho a se alimentar bem sempre
MG EDITORES

Mostrando de maneira objetiva como montar um cardápio adequado à realidade de cada família, este livro ensina quais alimentos escolher na hora de comprar e por que fazê-lo; como economizar tempo e dinheiro; e como preparar refeições rápidas e nutritivas. Também sugere formas de transformar a própria criança em aliada no processo de educação alimentar e traz mais de 50 receitas nutritivas, ricamente ilustradas.

‘ANSIEDADE PODE VIRAR DOENÇA; SAIBA IDENTIFICAR E O QUE FAZER’

Parece uma ansiedade comum, mas não passa. É uma preocupação excessiva e difícil de controlar. E, sim, essa sensação vai atrapalhar a sua vida e pode desencadear uma depressão. As características descritas anteriormente dizem respeito ao TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada).

Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), é preciso que a inquietação dure pelo menos seis meses consecutivos e aconteça em relação a diferentes assuntos, como desempenho no trabalho e familiar, por exemplo, mas sem motivo aparente, como a possibilidade de uma demissão. O psiquiatra Lucas Gandarela, do Programa de Transtornos de Ansiedade do Ipq (Instituto de Psiquiatria da USP), diz que o TAG “toma conta da vida do indivíduo”.

“Mais frequente em mulheres, é um distúrbio recorrente em 5 a 7% da população mundial, que percebe o problema e procura um médico. Por mais contraditório que seja, ansiosos demoram para buscar ajuda, acham que vai passar e acabam desenvolvendo algo pior, como a depressão”, explica. De acordo com Gandarela, que faz parte da classe de médicos responsáveis por fazer esse diagnóstico, indivíduos com TAG são “intolerantes à incerteza”.

Mais sintomas

Além da própria ansiedade e outros sintomas psicológicos, como pensamentos negativos costumeiros, dificuldade de concentração e irritabilidade, o TAG tem sinais físicos. “O corpo vai dando sinais de que não está tudo bem e podem surgir inquietação, falta de ar, suor excessivo e fadiga”, afirma Marisa Graziela Morais, terapeuta cognitivo comportamental.

Os especialistas dizem que não existem evidências científicas que expliquem a maior incidência em mulheres, mas que este fato pode estar ligado a desequilíbrios hormonais, como na produção de serotonina e dopamina, conhecidos como hormônios da felicidade. Outro desencadeante, segundo Maria, é a baixa qualidade de vida que temos nos dias atuais.

“A sociedade está extremamente competitiva e ‘ansiogênica’ e as pessoas sofrem com isso. Crises políticas, econômicas, o desemprego, tudo isso gera ansiedade, que pode virar um distúrbio. Alguns conseguem lidar com isso de forma que não se agrave, mas outros não”.

Como tratar?

De acordo com Gandarela, ir ao psiquiatra ainda é um tabu, “as pessoas ainda são resistentes porque se sentem fracassadas”. Entretanto, o TAG é um um distúrbio crônico, difícil de tratar e precisa de acompanhamento medicamentoso, com antidepressivos, e psicológico, com terapia cognitivo comportamental.

“Essa linha é considerada a ideal porque utiliza técnicas de controle em relação a como o indivíduo pode lidar com esses sintomas de estresse, pensamentos disfuncionais e os comportamentos deles decorrentes. Com a terapia, desenvolvemos estratégias para controlar a ansiedade”, explica Mara Lúcia Madureira, especialista da área.

Mudança de hábito

Aliado aos medicamentos e à terapia, Gandarela afirma que é necessário uma mudança de estilo de vida. Por isso, um dos passos para tratar o TAG é olhar mais para si mesmo.

“Ter mais momentos de autocuidado, hobbies, que seja qualquer coisa que te faz bem pode ajudar. Além disso, cuidar da higiene do sono também faz parte dos aspectos importantes para fazer o tratamento funcionar.”
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Matéria de Thais Carvalho Diniz, publicada originalmente no UOl em 20/10/2017. Para acessá-la na íntegra:  https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/10/20/a-ansiedade-virou-doenca-entenda-o-que-e-o-tag.htm

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Quer saber mais sobre assunto? Conheça:

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES
Conhecer e tratar
Autior: Breno Serson
MG EDITORES

Insônia, falta ou excesso de apetite, falta de ar, tonturas, medos, aperto no peito, pensamentos angustiantes. Esses e outros sintomas físicos e mentais podem indicar um transtorno de ansiedade ou depressão, que atinge cada vez mais nossa sociedade contemporânea. Este livro objetiva partilhar conhecimento, em linguagem simples, sobre os transtornos ansiosos e depressivos e os tipos de tratamento disponíveis, refletindo sobretudo sobre a integração de tratamentos convencionais e de medidas gerais benéficas.

 

‘BULLYING E VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS AINDA SÃO TEMAS SEM DIAGNÓSTICO NO PAÍS’

O Brasil não tem um mapeamento claro sobre a dimensão da violência dentro das escolas. Não há estudos abrangentes sobre a temática, o que, segundo especialistas, dificulta não só um diagnóstico do problema, mas também uma intervenção mais adequada.

Na sexta-feira, um estudante de 14 anos atirou contra colegas de sala em uma escola particular de Goiânia. Dois morreram e outros quatro ficaram feridos.

O próprio autor dos disparos disse à polícia que era vítima de bullying. Colegas relataram que o estudante, tímido e retraído, era vítima de gozações contínuas e era xingado de “fedorento”.

Pesquisadora sobre violência nas escolas, Miriam Abramovay afirma que não é possível saber, por exemplo, quais são os fatores de risco aos quais os estudantes estão envolvidos, nem tampouco possíveis estratégias de proteção -essa realidade é foco, inclusive, de estudo que ela coordena atualmente em dois Estados.

“Não temos diagnósticos. Estados e municípios não querem ver expostos dados negativos em geral, muito menos sobre a violência nas escolas”, diz ela, ligada à Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais). “No sistema privado talvez seja ainda mais difícil.”

Em parceria com o MEC (Ministério da Educação) e OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos), a Flacso realizou uma pesquisa em 2015 com 6.700 estudantes das sete capitais mais violentas do país. Divulgado no ano passado, é o último levantamento de maior fôlego feito no país.

Mesmo que parcial, os dados indicam um cenário preocupante da escola como reprodutora da violência social, mas também produtora de uma violência particular.

Quatro em cada dez estudantes (do 6º ano do ensino fundamental ao 3º do médio) afirmaram já terem sofrido violência física ou verbal dentro da escola no último ano.

Em 65% dos casos, o agressor foi um colega –15% assumem já ter cometido alguma violência. Um quarto das agressões relatadas ocorreram dentro da sala de aula.

Sem uma sistematização dos desafios, as escolas têm dificuldade de lidar com desafios de violência e bullying -uma sequência contínua de ataques. “A escola está muito ligada no ensino e aprendizagem e não olha corretamente para isso. Não consegue detectar inclusive casos extremos como esse”.

Em Goiânia, o estudante, que é do 8º ano, relatou ter planejado o ataque por três meses. O pai disse que o filho havia passado por tratamento psicológico. Ele deu 11 onze tiros, mas uma das vítimas era seu alvo principal.

A psicopedagoga Quézia Bombonatto afirma que a problemática envolve alunos, escolas e famílias. “As escolas precisam sempre conversar com o grupo, é um trabalho que precisa ser feito permanentemente, sem esperar que algo aconteça”, diz ela, conselheira vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia. “E as famílias devem ficar muito atentas”.

Mudanças de comportamento, queda de rendimento e desinteresse em ir à escola, por exemplo, podem ser sinais de que algo pode estar errado. “Tanto a vítima de ataques quanto o algoz precisam de atendimento.”

A falta do diagnóstico mais confiável não significa que as escolas não tem feito nada. Embora, pela falta de informações, é difícil mensurar a efetividade de ações no nível nacional.

Nas escolas públicas de ensino fundamental, 74% dos diretores dizem que têm projetos nas escolas com a temática da violência e 83%, sobre bullying. Os dados são do questionário aplicado na realização da Prova Brasil de 2015. Naquele mesmo ano, 17% dos gestores relataram terem identificado alunos com armas como faca e 3%, com revólver.

Pesquisas nacionais e internacionais mostram que o clima escolar –em que a identificação e combate a conflitos é parte fundamental– contribui para melhores resultados da escola, como de aprendizado e de redução das desigualdades. Abramovay, da Flacso, vai além. “Essa violência prejudica não só o alunos e a escola, mas tem consequências sociais e econômicas”, diz. “Ninguém sai incólume”.

A Folha questionou o MEC sobre a existência de dados, bem como acerca da atuação federal na temática, mas não obteve resposta. A pasta lamentou o episódio e, em nota, disse reafirmar “o compromisso com a busca de uma sociedade mais justa e solidária, pautada no respeito à diversidade, à convivência harmônica e à tolerância entre crianças, adolescentes e jovens”.

 

Matéria de Paulo Saldaña, publicada originalmente na Folha de S. Paulo, em 22/10/2017. Para acessá-la na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1929183-bullying-e-violencia-nas-escolas-ainda-sao-temas-sem-diagnostico-no-pais.shtml

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Tem interesse pelo tema? Conheça:

A SOCIEDADE DA INSEGURANÇA E A VIOLÊNCIA NA ESCOLA
Autora:
Flávia Schilling
SUMMUS EDITORIAL

Entre os discursos da violência como uma epidemia e o silêncio por ela provocado, há discursos inauditos e imprevistos que apontam para uma compreensão ampliada das questões que nos preocupam. Este livro discute a violência que está na escola, apresentando as várias dimensões que cercam o problema e apontando algumas ações possíveis que estão ao alcance de todos nós.

 

A VIOLÊNCIA NA ESCOLA
Autores: M. PerdriaultG. MangelC. Colombier
SUMMUS EDITORIAL

O tema da violência escolar é uma presença cada vez mais constante em todos os veículos de imprensa. Ele encontra um enfoque atualizado e detalhado neste livro, do ponto de vista da pedagogia institucional. São quatro monografias que abordam a violência na escola, com descrições do ambiente opressivo que circunda os adolescentes, a agressividade entre professores e alunos entre si. É o relato de uma experiência visando meios de trabalhar com uma classe especialmente violenta. A violência selvagem e a violência simbólica aqui analisadas tornam esse livro um instrumento esclarecedor e necessário. Um texto forte e realista, de leitura imprescindível.

‘QUE TIPO DE COMILÃO VOCÊ É? DECIFRAR SUA FOME PODE TE AJUDAR A EMAGRECER’

Quando falta autocontrole com a comida, e os ponteiros da balança sobem sem parar, o problema pode estar na sua cabeça, e não na barriga. Comer até sem ter fome é sinal de um distúrbio psicológico — e será preciso se conhecer a fundo para frear a comilança. A missão é desvendar o que te fez ter essa relação de exagero com os alimentos.

“Não é só fazer dieta, é importante ter apoio da psicoterapia para compreender a mudança, entender suas motivações e aprender a se defender dos estímulos errados”, explica Arthur Kaufman, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP.

Ou seja: a mente tem que mudar junto com o corpo. Para diferenciar o que é fome da vontade de comer, você tem que saber em que grupo se enquadra.

Os comilões que mais aparecem no consultório:

  • Come por impulso

A cena é: você está de dieta, mas entra na cozinha e vê um doce incrível. Sem nem pensar direito, e nem se lembrar do esforço para manter o foco, bastam algumas garfadas para devorar tudo! Nessa necessidade imediata de recompensa, a pessoa come sem controle e depois sofre por ter estragado a vida saudável.

  • Devora por vontade mesmo. Mas é muita vontade!

Pode ser normal, saudável ou patológico. Tudo bem ter vontade de comer brigadeiro de vez em quando, mas não o tempo todo. O problema aqui é não considerar a saúde e comer apenas o que quiser, na hora em que quiser, pensando apenas em ter prazer.

  • Come em resposta aos sinais externos

Sabe quando você acha que tem o controle da alimentação, mas vai em uma festa e não resiste em ver a cerveja e as coxinhas? Ou passa em frente a uma loja de bolos e para para comprar um na hora? Basta ver os alimentos por perto para você perder o controle e mandar tudo para dentro.

  • Amigos engordativos

Não precisa culpá-los, mas será necessário se defender de tantas ofertas e dos perigos daqueles que dizem: “Fica mais um pouquinho, afinal, furar um dia a dieta não engorda, é só uma saideira?” O problema é que um único petisco geralmente leva esse tipo de pessoa a emendar outros dez e enfiar o pé na jaca de vez.

  • Comilança sem controle e sem fim

A compulsão começa pelo impulso, mas você exagera na comida em pouco tempo e não dá chance ao controle. O exemplo clássico é acabar com uma caixa Bis em três minutos. Quando você percebe tudo o que engoliu se sente mal, se culpa e fica deprimido.

  • Come para afogar as mágoas

É o que acontece com quem desconta na comida quando não está em um bom momento. Teve um problema e está triste? Usa a comida como uma companhia, uma espécie de apoio para ficar alegre momentaneamente e esquecer o que o chateou no primeiro momento.

Como se desvincular da comilança?

Não existe uma receita, mas já vamos avisando: só comer menos de uma hora para outra não basta. “Sua cabeça não compreende a mudança de apenas colocar menos comida no prato. Existe todo um processo psicológico que precisa ser vivenciado”, diz Kaufman.
Além de aprender a controlar as escolhas, você deve descobrir novas formas de se premiar e se conhecer melhor, descobrindo o que motiva essa urgência por comida. Buscar por ajuda profissional também pode ajudar a analisar a gravidade de seu caso, se existe compulsão mesmo.

Quando come sem saber o motivo, não há nada de errado aparente e comer é mais forte do que você, o problema pode ser psiquiátrico, sendo necessário até o uso de remédios.

Matéria de Maria Júlia Marques, publicada originalmente no  UOL, em  27/10/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: https://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/listas/que-tipo-de-comilao-voce-e-decifrar-sua-fome-pode-te-ajudar-a-emagrecer.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro do psicoterapeuta Flávio Gikovate:
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DEIXAR DE SER GORDO
MG EDITORES

A convicção de Gikovate é a de que as dietas para emagrecer engordam. Trata-se de um estudo psicólogico acerca da obesidade, que tem por objetivo ajudar as pessoas a se livrarem do problema. Este livro, que já está na sétima edição e foi revisado pelo autor, é para quem quer deixar de ser gordo e não apenas emagrecer temporariamente, à custa de regimes torturantes e ineficazes.

‘CASAR OU NÃO CASAR: EIS A QUESTÃO’

Sinal dos tempos: ao iniciar um relacionamento, o casal realiza uma romântica viagem ao cartório mais próximo e registra um documento no qual esclarece suas intenções. Em geral, as cláusulas e disposições que o casal faz constar no contrato resumem-se ao seguinte: o que é meu é meu, o que é seu é seu, e quando o relacionamento acabar, ninguém deve nada a ninguém. Carimbos e assinaturas devidamente providenciados, o casal deixa o cartório feliz da vida, com a certeza de que o patrimônio de cada um está devidamente protegido de eventuais intempéries que possam acometer o relacionamento amoroso. Será?

Não raro, quando me deparo com interlocutores ávidos por obter as melhores respostas para as dúvidas em direito de família e direito sucessório, uma delas é mesmo singular “- Dra. Ivone, o que é mais interessante para um casal: formalizar de uma vez o casamento ou manter o relacionamento como união estável?”

Difícil resposta. Cada casal, individualmente falando, traz uma história de vida, relacionamentos anteriores, filhos, algum tipo de sociedade profissional, enfim, uma série de envolvimentos passados e presentes que podem interferir e modificar tanto a trajetória profissional como a amorosa/sentimental.

Não por outro motivo observamos que a prática dos chamados contratos de relacionamento está tão disseminada que é possível encontrar, após uma rápida consulta na internet, modelos desses documentos prontos para imprimir e assinar. Contudo, é preciso ter cuidado – e uma boa orientação profissional – na hora de elaborar tais contratos. Do contrário, você pode pensar que acabou de adquirir um seguro capaz de proteger seus bens de rompimentos afetivos e de outros “sinistros” advindos de uma separação, quando, na verdade, está se expondo a uma bela e custosa briga na Justiça.

Quer ver um exemplo? Certa vez um cliente me trouxe um contrato que ele havia baixado da Internet. O documento possuía uma cláusula na qual os contratantes se comprometiam a não fazer nenhuma exigência futura em relação ao patrimônio um do outro. Mais adiante, outra cláusula informava que os dois garantiam jamais, em hipótese alguma, exigir pensão alimentícia do parceiro ou parceira se o relacionamento chegasse ao fim. Tudo muito bonito no papel.

Na prática, porém, as coisas não são bem assim. Se a relação vier a se tornar uma união estável – definida pelo artigo 1.723 do Código Civil Brasileiro de 2002 como um relacionamento público, continuo e duradouro, estabelecido com o objetivo de constituir família (havendo ou não filhos em comum) –, o regime de bens que prevalece é o equivalente ao da comunhão parcial de bens. De acordo com esse regime, os parceiros têm direito, após a separação e o devido reconhecimento judicial da união estável, à metade dos bens adquiridos pelo casal a título oneroso durante o relacionamento.

E se um dos companheiros vier a falecer, o parceiro sobrevivente poderá receber herança, em proporções que dependerão da existência de outros herdeiros e de seu grau de parentesco com o falecido. Cabe lembrar que esses direitos independem do fato de o parceiro ter ou não contribuído financeiramente para a aquisição dos bens em questão. Além disso, é bom que se deixe claro: pessoas que vivem em união estável também podem requerer o pagamento de pensão alimentícia ao fim do relacionamento.

Tendo tudo isso em mente, voltemos aos contratos. Os parceiros de uma união estável podem estabelecer, por meio de documento registrado em cartório, um acordo referente à administração e partilha de seus bens diferente das estipulações previstas pelo regime da comunhão parcial. Contudo, nada impede que, no futuro, um dos dois recorra à justiça para contestar esse acordo, alegando, por exemplo, que as circunstâncias mudaram e que agora ele ou ela necessita de amparo econômico. E, dependendo do entendimento que tiver do caso, o juiz pode lhe dar razão.

É importante ressaltar que nem mesmo um contrato elaborado por advogado, segundo parâmetros legais, está imune de ser judicialmente contestado. Porém, quanto maior for o embasamento legal do documento, maiores serão as chances de que o juiz o aceite na ocorrência de uma eventual disputa judicial. Conclusão: informe-se e consulte um advogado especializado em Direito de Família antes de baixar um contrato de relacionamento da Internet.

Gastar um pouco de tempo e de dinheiro antes pode lhe poupar de uma série de despesas e de dores de cabeça depois.

 

Ivone Zeger é advogada especialista em Direito de Família e Sucessão. Membro efetivo da Comissão de Direito de Família da OAB/SP é autora dos livros “Herança: Perguntas e Respostas”, “Família: Perguntas e Respostas” e “Direito LGBTI: Perguntas e Respostas – da Mescla Editorial.

Artigo publicado no Estadão, em 10/10/2017. Para acessar na íntegra (restrito a assinantes ou cadastrados): http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/casar-ou-nao-casar-eis-a-questao/

 

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Conheça os livros da autora:

FAMÍLIA
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Quando o assunto é direito da família, somente uma especialista como Ivone Zeger pode responder de forma simples e direta às principais dúvidas relacionadas com casamento, divórcio, pensão alimentícia, partilha de bens, adoção, violência doméstica, filhos, união gay etc. – tudo de acordo com as mudanças ocorridas na legislação.

 

HERANÇA
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Quais são os motivos para deserdar alguém? Bens de família também entram no pagamento da dívida? Quando uma pessoa morre sem deixar testamento, quem fica com os bens? O que cabe aos enteados? E à segunda esposa? Divorciados têm direito à herança do cônjuge? O que é usufruto? Filhos têm de dividir a herança com o avô?

Essas são apenas algumas das perguntas respondidas neste livro. Com base em sua ampla experiência em Direito de Família e Sucessão, a advogada Ivone Zeger esclarece – em linguagem simples e objetiva, bem distante do “juridiquês” que assusta os leigos – as dúvidas mais comuns que todos temos sobre o assunto.

DIREITO LGBTI
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Esta obra de Ivone Zeger tem o objetivo de responder a questões relativas a casamento, união estável, adoção, inseminação artificial, dissolução de união estável, divórcio, partilha de bens, herança, entre outros temas pertencentes ao Direito de Família, porém voltados ao público homossexual, bissexual e transexual.