‘TESTEMUNHA VERSUS DNA: QUE PROVA VALE MAIS?’

Tribunal causa polêmica ao rejeitar exame genético para comprovação de paternidade.

O uso de material genético dos cidadãos é um assunto que já está preocupando nossos deputados. Uma empresa pode demitir funcionários com base em testes genéticos? A polícia tem o direito de usar material para elucidar um crime? Os exames de DNA para comprovar a paternidade são provas aceitáveis? Esses temas foram discutidos pela Comissão de Justiça da Câmara. Recentemente, a Comissão aprovou o substitutivo ao projeto de lei 4610/98, do Senado, que disciplina o uso de informações genéticas humanas e impõe penas para a discriminação baseada no código genético do indivíduo. Entre outras medidas, o substitutivo, que segue para votação no plenário, classifica a informação genética de cada um como confidencial e inviolável. E especifica quatro situações em que ela pode ser revelada: no diagnóstico e tratamento de doença genética; no desenvolvimento de pesquisa científica, desde que não seja identificada a pessoa doadora do material genético; em exame de paternidade; e em investigação criminal.

Se aprovado, talvez o substitutivo ajude a pôr fim na polêmica causada pela decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que não considerou o exame de DNA prova suficiente para determinar a paternidade em uma ação que se arrasta por quase dez anos. Quando ainda era adolescente, um comerciante do interior de Minas confirmou a identidade de seu pai biológico por meio de um exame de DNA – ele seria um dos pecuaristas mais ricos do estado. Por incrível que pareça, até hoje o comerciante continua lutando para que a justiça reconheça o teste como prova na ação de investigação de paternidade. Segundo o TJ mineiro, seria necessária, também, prova testemunhal da relação entre os pais do comerciante. A decisão vai na contramão do Superior Tribunal de Justiça e de muitos outros tribunais e varas pelo país afora, que têm decidido, repetidas vezes, que o exame de DNA é válido como prova de paternidade.

Mas, segundo o TJ de Minas, a exatidão do exame é de 99,99% e não de 100%, por isso existe a necessidade de prova testemunhal. A pergunta que não quer calar é: como é que uma testemunha poderia ter mais de 99,99% de certeza que uma pessoa é realmente o pai biológico de outra? Convenhamos, isso não seria possível nem mesmo se a testemunha tivesse presenciado a intimidade do casal. Quando muito, poderia afirmar que fulano e beltrana realmente mantiveram uma relação. Contudo, o teste de DNA já demonstrou que eles não apenas tiveram uma relação, como também tiveram um filho dessa relação. Sendo assim, por que a exigência da prova testemunhal?

Questões como essas devem ser regulamentadas com a máxima urgência. É inadmissível que alguém tenha de esperar décadas para ter o direito de usar o sobrenome paterno, bem como para usufruir os demais direitos que a condição de filho lhe garante, quando sua filiação já foi comprovada – com 99,99% de certeza – pelos testes genéticos.

 

Ivone Zeger é advogada especialista em Direito de Família e Sucessão. Membro efetivo da Comissão de Direito de Família da OAB/SP é autora dos livros “Herança: Perguntas e Respostas”, “Família: Perguntas e Respostas” e “Direito LGBTI: Perguntas e Respostas – da Mescla Editorial.

Artigo publicado no Estadão, em 12/08/2017. Para acessar na íntegra (restrito a assinantes ou cadastrados): http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/testemunha-versus-dna-que-prova-vale-mais/

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Conheça os livros da autora:

FAMÍLIA
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Quando o assunto é direito da família, somente uma especialista como Ivone Zeger pode responder de forma simples e direta às principais dúvidas relacionadas com casamento, divórcio, pensão alimentícia, partilha de bens, adoção, violência doméstica, filhos, união gay etc. – tudo de acordo com as mudanças ocorridas na legislação.

 

HERANÇA
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Quais são os motivos para deserdar alguém? Bens de família também entram no pagamento da dívida? Quando uma pessoa morre sem deixar testamento, quem fica com os bens? O que cabe aos enteados? E à segunda esposa? Divorciados têm direito à herança do cônjuge? O que é usufruto? Filhos têm de dividir a herança com o avô?

Essas são apenas algumas das perguntas respondidas neste livro. Com base em sua ampla experiência em Direito de Família e Sucessão, a advogada Ivone Zeger esclarece – em linguagem simples e objetiva, bem distante do “juridiquês” que assusta os leigos – as dúvidas mais comuns que todos temos sobre o assunto.

DIREITO LGBTI
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Esta obra de Ivone Zeger tem o objetivo de responder a questões relativas a casamento, união estável, adoção, inseminação artificial, dissolução de união estável, divórcio, partilha de bens, herança, entre outros temas pertencentes ao Direito de Família, porém voltados ao público homossexual, bissexual e transexual.

‘CONHEÇA PIAGET, BIÓLOGO QUE REVOLUCIONOU A PEDAGOGIA E INSPIROU O CONSTRUTIVISMO’

Em diversos campos do conhecimento, é comum encontrarmos importantes teóricos que não necessariamente faziam parte daquele meio. Na comunicação, por exemplo, Theodor Adorno é um nome muito conhecido e estudado, entretanto, o filósofo da Escola de Frankfurt não pode ser chamado de jornalista. Na pedagogia, por sua vez, a história se repete: o suíço Jean Piaget, nascido em 9 de agosto de 1896,  era formado em biologia, mas seus estudos influenciaram a criação de um renomado método educacional, o construtivismo.

Para entender as ideias de Jean Piaget, precisamos ter em mente a etimologia da palavra “aluno”. Pode não parecer, mas a linguagem é capaz de revelar sentidos muitas vezes implícitos na repetição exaustiva de expressão. No caso, a palavra “aluno”, do latim, a significa ausência, falta de; enquanto luno remete a “lumni”, que sugere “luz”. Ao pé da letra, o sentido da palavra é “aquele que não tem luz” e, assim, poderia ser “iluminado” pela ação do professor.

Durante muito tempo, as relações escolares estiveram baseadas nessa lógica, mas como explica Fernanda Batista dos Santos, formada em Letras e Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP), Piaget começou a compreender que “a criança não é uma ‘ tábula rasa ’, na qual apenas se depositam conhecimentos”, e que os processos de aprendizagem durante a infância são determinados por alguns fatores, ultrapassando a simples influência do professor sobre os estudantes.

Antes do biólogo suíço, as teorias sobre o conhecimento eram classificadas em racionalistas, pois defendiam que “o conhecimento humano vinha dele mesmo e de sua razão”, ou como empiristas, ou seja, relacionadas aos estudiosos que defendiam a aquisição do conhecimento através das experiências com o mundo, como salienta Luzia Estevão Garcia, formada em Letras e Pedagogia e mestre em Linguagem e Educação pela Faculdade de Educação da USP (FEUSP).

Por meio da observação do crescimento de seus filhos, desde o nascimento até meados da adolescência, Piaget encontrou novos caminhos ao questionar: “como o ser humano é capaz de aprender?”, assim, a partir dessa premissa, elaborou a chamada Epistemologia Genética. Segundo explica o argumento do teórico, com o propósito de analisar as etapas do desenvolvimento infantil, a criança aprenderia através de suas interações com o meio, em uma troca constante entre o indivíduo e as experiências pelas quais ele passa, portanto.

A Epistemologia Genética

“Piaget não desenvolveu um método de ensino”, enfatiza Luzia ao explicar que um dos principais pontos da obra do biólogo, a Epistemologia Genética, é um estudo sobre os mecanismos de aprendizagem dos seres humanos. Ao identificar as características do crescimento infantil, o suíço traçou um “mapa do desenvolvimento da criança”, como exemplifica a pedagoga e psicopedagoga Ismênia Ribeiro de Faria.

1ª Etapa: Sensório-motora
– Até o 24º mês
Ênfase para a incorporação de elementos externos e desenvolvimento de suas capacidades motoras, como engatinhar

2ª Etapa: Pré-operatória
– Dos 02 aos 07 anos
Domínio da linguagem, formação de imagens mentais e imitação da realidade; destaque para a importância do mundo e exemplos concretos

3ª Etapa: Operatório-concreta
– Dos 07 aos 12 anos
Pensamento lógico e início da capacidade de abstração, porém, o “concreto” ainda é muito presente

4ª Etapa: Operatório-formal
– A partir dos 12 anos
Pensamento hipotético-dedutivo, autonomia e consolidação da personalidade

Ao dividir a infância em quatro faixas etárias, o biólogo mostra como a aprendizagem depende das possibilidades de cada etapa, ou seja, não é possível forçar uma criança a aprender algo antes do seu tempo . Ismênia ainda explica que “alguns pais não entendem, mas nós [educadores] não podemos introduzir um conteúdo antes que a criança esteja apta a entendê-lo”.

A partir deste “mapa”, as análises do estudioso se tornaram matéria-prima para o surgimento de um método educacional, o construtivismo . De acordo com Luzia, quando a pedagogia compreende que são as experiências com o mundo que constroem o conhecimento da criança, esta ideia muda a lógica da sala de aula e propõe uma nova forma de lidar com os alunos. Agora, os professores não são mais os ditos “detentores” do conhecimento, mas facilitadores, que guiam o aluno em sua própria jornada de aprendizado.

O papel do professor na sala de aula

“Ela [a criança] interage com o meio e aprende”, segundo Fernanda. Esta é a síntese do construtivismo, que não espera que o aluno seja um depósito de informações, mas que ele construa o conhecimento a partir de experiências. Assim, o educador passa a apresentar diversas situações para as crianças, que observam e, depois, recebem uma contribuição teórica do professor.

De acordo com a pedagoga Rosangela Milani Paes, um famoso modelo são as pequenas experiência realizadas nas aulas de ciências. Plantar o feijão no algodão e fazer com que os alunos acompanhem seu crescimento para depois compreenderem, a partir do professor, o processo da fotossíntese, é um bom e simples exemplo.

Além disso, a utilização do Material Dourado nas aulas de matemática une dois conceitos piagetianos, segundo Rosangela: a experimentação por meio das peças e o uso do “concreto”, tão importante nas primeiras fases de desenvolvimento, para que pequenas operações matemáticas sejam compreendidas.

Acompanhando a presença do professor, um importante componente das salas de aula não pode ser deixado de lado: o material didático. Por mais que o construtivismo seja um método muito difundido no Brasil, alguns aspectos do sistema brasileiro de ensino – como o vestibular – ainda perpetuam a ideia do aluno como receptor de conhecimento, o que é refletido em diversos livros e apostilas escolares.

A elaboração de um livro com os conceitos de Jean Piaget, segundo Santos, precisa de elementos que coloquem o aluno como “atuante em seu processo de aprendizagem”, por exemplo, com mecanismos que possam instigar o interesse da criança pelo assunto abordado. Longe do tradicional modelo de aula, em que o professor expõe o conteúdo e espera que os estudantes guardem as informações passadas, tal material deve priorizar a ação da criança , colocando o professor como um “guia” do processo.

Editora de materiais para a Educação Infantil e Ensino Fundamental, Garcia explicou que a produção dos livros depende das exigências dos departamentos pedagógicos e comercial. “Este ano, por exemplo, encomendaram um livro para crianças de 2 anos, eu pensei logo em Piaget, em um livro cheio de texturas para o bebê explorar, sons diversos, nada de escrita. Mas eu ainda não sei como vai o livro ficar no final”, ilustrou.

Identificar o quanto a criança é inteligente e o seu papel de protagonismo durante a aprendizagem foi um dos grandes feitos de Jean Piaget, o que mostra a importância de sempre repensar as estratégias pedagógicas e as teorias que estão sendo colocadas em prática. Afinal, as transformações sociais e as novas descobertas acontecem a todo o momento, e assim, “o ato de ensinar deve ser reciclado, já que o mundo está em constante mudança ”, como explica Santos.

Artigo publicado no iG Educação em 09/08/2017. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2017-08-09/aniversario-jean-piaget.html

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Saiba mais sobre Piaget, com as obras da Summus:


O JUÍZO MORAL NA CRIANÇA

Autor: Jean Piaget

Obra pioneira de um dos maiores pensadores do século. A partir de entrevistas com crianças, o autor analisa as regras do jogo social e a formação das representações infantis: os deveres morais e as idéias sobre mentira e justiça entre outras. Fundamentalmente para psicólogos e educadores.

 

DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM EM PIAGET E VIGOTSKI
A relevância do social
Autora: Isilda Campaner Palangana

Esta obra clássica, agora em edição revista, analisa os processos de aprendizagem e desenvolvimento humano à luz das teorias de Jean Piaget e Lev Semenovich Vigotski. Para tanto, Isilda Campaner Palangana examina os fundamentos metodológicos e as raízes epistemológicas dos postulados desses dois grandes mestres da psicologia da educação. Contribui, assim, para que se compreendam as convergências e divergências conceituais entre eles, sobretudo no que diz respeito ao papel da interação social na promoção da aprendizagem e do desenvolvimento das capacidades e funções psicológicas caracteristicamente humanas.

A CONSTRUÇÃO DO HOMEM SEGUNDO PIAGET
Uma teoria da educação
Autor: Lauro de Oliveira Lima

Este livro é uma leitura da obra de Jean Piaget do ponto de vista de sua aplicação ao processo educacional. O autor é o maior conhecedor e divulgador de Piaget entre nós, tendo difundido e posto em prática seus ensinamentos. Em 50 pequenos textos, são comentados os pressupostos de toda a visão de Piaget sobre a criança e a Educação, no esforço de construção de um adulto equilibrado, em condições de encontrar seu caminho na sociedade.


PIAGET, VYGOTSKY, WALLON

Teorias Psicogenéticas em discussão
Autores: Yves de La TailleMarta Kohl de OliveiraHeloysa Dantas

Três professores da Universidade de São Paulo, da área de psicologia do desenvolvimento e aprendizado, analisam substantivos em psicologia à luz das teorias de Piaget, Vygotsky e Wallon. Entre eles, os fatores biológicos e sociais no desenvolvimento psicológico e a questão da afetividade e da cognição.
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PIAGET PARA PRINCIPIANTES
Autor: Lauro de Oliveira Lima

O maior especialista em Piaget no Brasil remiu neste volume mais de 30 artigos e ensaios analisando em seus mínimos detalhes a obra do genial educador suíço em torno da criança, seu desenvolvimento e o adulto.

 

GRUPO SUMMUS APOIA MANIFESTO DO PORTAL 4DADDY

Carta endereçada à sociedade civil e ao estado

Muitos de nós quando pequenos sonhávamos fazer a diferença no mundo. Idealizávamos profissões como bombeiro, policial, astronauta ou jogador de futebol para ganhar a Copa do Mundo e fazer a felicidade do nosso país. Eu, por exemplo, quis ser Lixeiro. Achava bárbaro poder subir e descer do caminhão em movimento, além de poder ajudar a manter a cidade limpa, uma questão que sempre me incomodou desde criança. Uma profissão até hoje que valorizo muito.

Há também aqueles que viam a oportunidade de salvar o mundo se adquirissem superpoderes, como Superman, batman, Homem de Ferro, Flash, Homem-Aranha, entre outros.

Crescemos e, no mundo real, pouco daqueles sonhos e idealismos permaneceram vivos. A maioria de nós sobrevive entre o trabalho e a casa, o supermercado e a padaria, e, quem sabe, uma caminhada no parque de vez em quando.

Até nos tornamos pais! A paternidade é um dos caminhos para se revelar o que temos de mais profundo em nossa construção individual. Como pais vislumbramos a chance de preencher aquele anseio que, desde a infância, incita-nos a ser grandes. A paternidade não acontece somente na geração de uma nova vida, mas em toda formação desse outro ser humano. A cada fase da criança, há uma nova oportunidade de o pai se reinventar enquanto “CUIDADOR” e se melhorar como ser humano.

A importância da figura paterna

A paternidade e o envolvimento nas tarefas domésticas e de cuidado, independente de gênero, importam SIM! É o que revela o crescente conjunto de estudos produzidos no mundo inteiro sobre o tema ao longo das últimas duas décadas. Existem evidências claras sobre o impacto positivo do envolvimento do pai no cuidado, especialmente para a saúde materno-infantil, desenvolvimento cognitivo da criança, empoderamento da mulher, além de apresentar consequências positivas para a saúde e bem-estar dos próprios pais.

A ONG ProMundo lançou em 2016 o primeiro relatório Situação da Paternidade no Brasil , que também pretende  realçar a limitação desses dados e estimular a sua produção por agências do governo, instituições acadêmicas, pesquisadores independentes, ONGs e demais interessados.

Diz a Constituição Federal do Brasil, no Capítulo VII, artigo 266, parágrafo 7º: “Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.”

A construção do conceito de “paternidade responsável” exige uma desconstrução do modelo anterior (pai responsável = pai provedor) para uma visão moderna que ressalta o fenômeno na sua integralidade. A discussão em torno da promoção da paternidade e do cuidado também se relaciona diretamente com a luta pela superação das desigualdades entre homens e mulheres.

Desconstruindo um modelo

Estudos realizados por redes como Rede Nacional Primeira Infância e de Organizações como Instituto Papai, apontam que o investimento em políticas de valorização da paternidade e do papel do homem como cuidador tem o potencial de desconstruir um modelo dominante de masculinidade – patriarcal e machista – que reforça a desigualdade de gênero, abrindo caminho para a construção de outros modelos não violentos, baseados no afeto e no cuidado.

Na psicanálise, a função paterna, é um conjunto de funções/ações que podem ser exercidas por qualquer pessoa que assuma esse papel/figura perante a criança, independentemente do gênero e da sua ligação sanguínea.

Por esse motivo, a plataforma de formação paterna 4daddy levanta as bandeiras da paternidade ativa baseada numa criação afetiva, social e cidadã, e visa reposicionar a figura paterna nessa nova dinâmica.

Uma causa

Queremos aqui formalizar o nosso manifesto: #paternidaderesponsável – Um ato, um direito, uma escolha!

Um ato, pois queremos chamar a sociedade civil para “exercer” a função paterna baseada numa criação afetiva, social e cidadã de nossas crianças e adolescentes. Trata-se de atitude/ato social e político de conscientização.

Um direito, por que ser e ter um “pai” é um direito. Seja homem ou mulher, toda criança tem o direito de ter a figura paterna presente em sua vida. E todo(a) cuidador(a) adulto tem o direito e DEVER de exercer essa figura assistido(a) pelo Estado.

Uma escolha, já que as funções paternas e maternas podem ser exercidas por qualquer adulto que tenha sob sua responsabilidade uma criança e/ou um adolescente. Independente  do gênero ou orientação sexual, grau de parentesco biológico ou afetivo desse adulto. Ser pai, cumprindo suas obrigações legais, não é necessariamente exercer essa paternidade de forma afetiva e social. Ser cuidador, seja mãe ou pai, afetivo ou biológico, é uma escolha!

Apoie essa ideia, compartilhando esse manifesto! Convidamos a todos e todas, Estado, organizações privadas e públicas a se juntarem conosco para continuarmos construindo essa nova ideia. Estamos abertos para conversas e debates sobre o tema, e todos os assuntos a ele correlatos.”

 

Do Portal 4Daddy. Para acessar na íntegra: https://4daddy.com.br/carta-enderecada-a-sociedade-civil-e-ao-estado/

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Tem interesse pelo tema? Conheça:

CADÊ O PAI DESSA CRIANÇA?
Autora: Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

Pais ausentes, descomprometidos, perdidos em seus papéis. Nessa realidade contemporânea, se A culpa é da mãe, cadê o pai da criança?

Baseada em sua experiência clínica e em pesquisas diversas, Betty Monteiro aborda os conflitos familiares, os modelos inadequados de pais – ilustrados com casos clínicos – e dá sugestões para resgatar a identidade paterna e mostrar sua importância na formação dos pequenos.

“O MÍNIMO PARA VIVER”: COMO ESCAPAR DOS GATILHOS DE TRANSTORNOS ALIMENTARES

Filmes, séries, novelas e reportagens podem fragilizar pessoas que já passaram pelo problema ou têm algum tipo de predisposição

Uma jovem que sofre com anorexia, depois de inúmeros tratamentos falhos, inicia um novo tratamento contra o problema com um médico nada convencional. Ao lado dela, outros seis jovens com transtornos alimentares.

Essa é a história do filme “ O Mínimo Para Viver ”, da Netflix. A ideia é retratar a realidade das pessoas que sofrem com transtornos alimentares , mostrar que elas não seguem necessariamente um padrão estético e que a luta não é exatamente conta a balança, mas contra a mente da pessoa. Entretanto, essas mesmas informações que podem ser de grande aprendizado para o público em geral podem desencadear pensamentos ruins naqueles que já passaram pelos problemas ou têm alguma predisposição.

Gatilhos para os transtornos

Rita Calegari, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica em entrevista ao Delas que isso acontece porque esse tipo de filme, assim como a série “13 Reasons Why”, que trata sobre suicídio, promove muita angústia pela forma com que são contados. “Pode fragilizar quem tem alguma aproximação com o tema, dependendo do indivíduo, da fase do tratamento ou a gravidade do transtorno”, afirma a especialista.

A psicóloga alerta que a fragilidade pode ser momentânea também. Um determinado mês ou uma determinada semana em que a pessoa está mais frágil e um filme, série ou até reportagem não cai bem. E os “gatilhos” podem não dar nenhum sinal antes de serem iniciados, como ocorre no filme da Netflix.

Sendo assim, aconselha Rita, se você acha que não está em uma fase boa para assistir a um produto com esse tema, não assista. “Se acha que pode fazer mal, respeite. É importante escutar a voz de dentro. Ninguém precisa provar nada para ninguém, e estamos falando de transtornos sérios, que matam aos poucos. Se você não se sente pronta, não precisa nem ficar se justificando. Apenas ouça a voz interior. Ela precisa ser reconhecida.”

É preciso respeitar os limites do próprio corpo e mente. A psicóloga explica que o objetivo da arte é realmente gerar sentimentos nas pessoas, nesse caso, a angústia. Então até pessoas que não têm problema algum podem ficar mais pensativas após assistir ao filme.

Já se a pessoa assistiu uma produção que não lhe fez bem, é importante ter com quem conversar. “Pense nisso como um bom mecanismo: conversar com um grupo de apoio, com um psicólogo, amigo, família. Fale o que incomodou, com o que se identificou, além de respeitar seus limites – se começou a assistir e percebeu que não vai ser legal, pode parar de assistir.”

Se você é mãe ou responsável de algum jovem, é interessante assistir junto, conversar, se interessar sobre o assunto para que seja possível ajudar os mais novos. Para Rita, o maior problema ainda é o tabu e o silêncio em torno do tema, e os adultos têm obrigação educativa de se informar sobre o assunto. “É bom conversar, dar um interpretação e significado para tudo o que foi visto e sentido. Nunca deixar os jovens sozinhos, já que eles precisam de nossas mãos como guias.”

Tabus

A produção da Netflix conta detalhes da vida de pessoas com transtornos alimentares. Se por um lado mostrar isso pode atingir pessoas com fragilidades, não falar disso pode criar um tabu ainda maior sobre o problema. O ponto, segundo Rita, é a sociedade aprender a conviver com toda a tecnologia que temos hoje.

“Estamos falando da primeira geração que já nasceu digital. A forma de falar dos problemas mudou, e a forma como lidamos com eles também deve mudar. Mas ainda são precisos estudos para avaliar os malefícios e benefícios dessas produções, não dá para falar se são totalmente boas ou ruins.”

Mesmo assim, a psicóloga encara com bons olhos a produção. Ainda mais pelo fato dela não ter romantizado os transtornos alimentares. “Pelo que eu vi do filme e das críticas, parece que há um conheço de que não há romantização do problema, e essa é a grande crítica dos órgãos sobre essas produções, que não se glamurize o problema, para servir mesmo para discussão.”

O problema de não se discutir essas questões é que elas se tornam tabus até mesmo para as pessoas mais próximas, familiares e amigos. Há muitas críticas que são mal fundamentadas, algumas pessoas não entendem que se trata de um problema de saúde e, pior, ainda acham que a pessoa está apenas querendo chamar atenção. O resultado? O indivíduo acaba se isolando quando não é compreendido, e isso só piora a situação.

Transtornos alimentares

Os mais conhecidos são a Bulimia e a Anorexia, mas não sãos os únicos transtornos alimentares. Normalmente, a pessoa passa a ter hábitos alimentares diferentes, como comer demais à noite ou ingerir coisas não nutritivas, como terra e plástico, só que o mais importante sobre esses transtornos é entender que se tratam de transtornos mentais associados à alimentação.

A psicóloga ainda explica que muitas pessoas acreditam que a pessoa que tem anorexia, por exemplo, não está fazendo algo saudável para a vida dela. Mas o problema é que para a pessoa que sofre com o transtorno ficar sem comer ou fazer muitos exercícios é algo bom.

“O conceito de saudável depende muito da boca de quem está falando. Muito anoréxicos, como a jovem do filme, olham para o espelho e se veem gordos. É preciso ter muito cuidado por conta da alteração de percepção, porque o saudável muda de sentido. É como se colocássemos óculos com lentes rosa, e aí passamos a enxergar e a julgar o mundo com essa coloração.”

As mulheres jovens são as principais pacientes dos transtornos alimentares, mas não são as únicos. Já percebe-se um aumento de casos entre homens e até mesmo em crianças. No caso das mulheres, a maior parte dos casos ocorre da adolescência até a faixa dos 30 anos, uma fase em que a mulher precisa afirmar seu lugar no mundo. A relação comida e família também tem grande importância, então os hábitos familiares e as cobranças que são feitas aos pequenos podem aumentar o risco desses problemas nos mais novos.

“É muito importante a avaliação médica e o diagnóstico correto. Muitas vezes, as pessoas adiam a ida ao médico, e o problema se agrava”, alerta Rita. No caso dos transtornos alimentares, o tratamento é feito por um equipe multidisciplinar, formada por médico, nutricionista e psicólogo. Caso suspeite que algum conhecido esteja passando por um problema ou se você mesma não está bem, procure um desses profissionais.

Matéria de Gabriela Brito, publicada no iG Delas em 02/08/2017. Para acessá-la na íntegra: http://delas.ig.com.br/saudedamulher/2017-08-02/transtornos-alimentares.html

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça as obras do Grupo Summus que falam sobre o tema:

ANOREXIA E BULIMIA
Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Julia Buckroyd
EDITORA ÁGORA

Nos últimos 25 anos, a anorexia e a bulimia transformaram-se em endemias entre os jovens do mundo ocidental. O livro traz informações atualizadas sobre o assunto, que ainda é pouco conhecido e que atinge uma enorme camada de jovens entre 15 e 25 anos de idade. A autora esclarece como a sociedade e a cultura colaboram com a criação dessas doenças, descreve os sintomas, as conseqüências e também como ajudar no âmbito familiar e profissional.

A EXPERIÊNCIA ANORÉXICA
Autora: Marilyn Lawrence
SUMMUS EDITORIAL

De forma simples e direta, a autora trata o complexo tema de anorexia que, nos tempos atuais, tem afligido um grande número de mulheres e jovens. O estudo busca entender por que a doença aflige basicamente o sexo feminino, e também analisa por que alguns tipos de tratamentos hospitalares são tão desastrosos. A autora oferece explicações e, principalmente, novas perspectivas. A quase inexistente bibliografia sobre a questão em nosso país torna esta obra consulta obrigatória.

MULHERES FAMINTAS
Uma psicologia da anorexia nervosa
Autora: Angelyn Spignesi
SUMMUS EDITORIAL

Uma obra essencial que explora a anorexia através do imaginário, linguagem e metáforas espontaneamente produzidas pelos que sofrem deste mal. A autora conduz à dimensão simbólica da anorexia e à compreensão dos seus significados e conceitos mais profundos. O respeito da autora pela natureza da psique feminina fica evidente em cada página. Um convite para que as mulheres comecem a escrever sobre si mesmas, a partir de sua psique. Uma grande contribuição para o conhecimento do que é ser mulher.

O VÍCIO DA PERFEIÇÃO
Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimento psiquíco
Autora: Marion Woodman
SUMMUS EDITORIAL

Este livro explora os temas Anorexia Nervosa, Bulimia e Obesidade. Com a apresentação de vários casos clínicos, a conceituada autora verifica a relação dessas síndromes com o momento sociocultural, a mitologia, a literatura e principalmente a psicologia profunda de C. G. Jung.

‘SIGA 8 PASSOS PARA PERDOAR DE VERDADE UMA TRAIÇÃO E SEGUIR EM FRENTE’

Ser alvo de uma infidelidade provoca vários sentimentos: mágoa, raiva, ciúme, vontade de se vingar… Por amor, muita gente decide relevar uma traição, mas desculpa o par somente da boca para fora. No íntimo, o ressentimento continua crescendo, impedindo a pessoa de seguir em frente e reconstruir a relação. Conversar muito sobre o que houve e fugir de culpas inúteis são alguns dos conselhos para conseguir perdoar de verdade. Veja outros, se você quiser, de verdade, relevar e tocar a vida do casal adiante:

Não faça de conta que nada aconteceu

Varrer a sujeira para debaixo do tapete só ajuda a acumular mais pó. Se quer mesmo perdoar e seguir em frente, não se reprima. Ser traído é muito dolorido, mas ignorar qualquer tipo de emoção significa não curar verdadeiramente a ferida. Sentir raiva, culpa, mágoa, decepção, fracasso, vergonha e sensação de perda faz parte do processo luto. Dói, mas é uma dor necessária.

Esgote o assunto com o par

Entender o que levou a pessoa a trair é fundamental, inclusive para motivar e selar o perdão. Portanto, converse muito com a pessoa e elimine todas as dúvidas e fantasmas de sua cabeça. Falar sobre o assunto é doloroso, claro, mas transformá-lo em tabu é pior ainda. Ao tentarem entender o que levou à infidelidade é possível compreender o que falta (ou não) na relação e, assim, reinventá-la.

Evite buscar mais detalhes

Os dois conversaram a fundo sobre o assunto e você decidiu superar o chifre e continuar o romance? Ótimo, então nada de ficar repetindo na mente cada trecho da conversa ou, pior, ir atrás de detalhes e informações sobre a vida da pessoa com quem o par traiu você, por exemplo. Fuçar redes sociais e alimentar a imaginação com fantasias só vão reviver e prolongar o sofrimento. E mais: você corre o risco de se tornar uma pessoa obsessiva e até adoecer, além de comprometer o futuro da relação.

Não caia no jogo da culpa

Pare de se martirizar procurando entender como e onde você errou. Evite, também, acusar as outras pessoas de mau-caratismo, maldade e frieza, entre outras coisas. Em vez de buscar culpados para a infidelidade, encare a experiência como uma oportunidade de olhar a relação de modo diferente e de fazer ajustes.

Pare de jogar na cara

Se resolveu perdoar e seguir em frente, vire a página. Não traga a história à tona a todo momento, seja na forma de indiretas ou de ameaças. Não use o que aconteceu para manter o outro sob controle ou de lembrá-lo o quanto você sofreu.

Dê um voto de confiança

Voltar a confiar é fundamental. A vontade de fiscalizar cada passo do outro é grande, mas é uma armadilha. Se você usar o controle para sufocar uma pessoa, será muito difícil seguir em frente. Cuidado para não transformar sua relação em uma prisão e criar novos problemas.

Não torne o episódio um reality show

Se há a mínima chance de perdão, evite sair contando o que houve por aí, ainda mais para gente que não tem relação alguma com o ocorrido. Embora você esteja buscando acolhimento, acredite, essas pessoas não ajudarão em nada. Ou, pior ainda, ajudarão de forma torta, usando as próprias experiências como parâmetro para dar pitacos inúteis. E lembre-se: publicar desabafos nas redes sociais é uma exposição desnecessária. Bico calado e discrição são as palavras-chave se você quer mesmo dar uma nova chance ao amor.

Valorize o que é bom

Em um primeiro momento, pode parecer uma tarefa árdua. Mas assim que conseguir organizar as ideias e pensar com clareza, faça uma lista mental dos momentos agradáveis e desagradáveis, das situações de gratidão, cuidado e entrega versus as de frustração, mágoa e decepção. Se a parte boa for mais relevante do que a ruim, você terá condições de sentir motivação para perdoar.

Fontes consultadas | Luciano Passianotto, psicoterapeuta e terapeuta de casais; Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC–SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Raquel Fernandes Marques, psicóloga da Clínica, de São Paulo (SP), e Thais Rabanea, psicóloga

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 03/08/2017. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/08/03/siga-8-passos-para-perdoar-de-verdade-uma-traicao-e-seguir-em-frente.htm

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Conheça a obra da Ágora que tem a psicóloga Marina Vasconcellos entre os coautores:

PSICODRAMA COM CASAIS
Organizadora: Gisela M. Pires Castanho
AutoresDalmiro M. Bustos, Gisela M. Pires CastanhoJúlia MottaMaria Amalia Faller VitaleMaria Cecília Veluk Dias BaptistaMaria Cristina Romualdo GalatiMaria Rita SeixasMarina da Costa Manso VasconcellosMarta EcheniqueMônica R. Mauro, Vivien Bonafer Ponzoni
EDITORA ÁGORA

Este livro foi escrito para todos aqueles que se interessam por terapia de casal e por psicodrama. São 11 capítulos escritos por psicodramatistas com experiências diversas, dotados de vários exemplos nos quais os profissionais mostram como exercem sua prática clínica.

‘SEXO NA TERCEIRA IDADE! OS BENEFÍCIOS E OS ALERTAS PARA ESSA FASE DA VIDA’

Ter uma vida sexual ativa é a realidade de muitos idosos. Desequilíbrio hormonal, brinquedos sexuais e aplicativos de encontro envolvem o assunto

Ainda há quem pense que o sexo é algo raro quando se entra na terceira idade, mas a prática sexual  nessa fase da vida traz muitos benefícios para a saúde física e mental. O assunto pode parecer um tabu para algumas pessoas, porém não tem idade para o amor e os idosos estão cada vez mais ativos e usando até a tecnologia para encontrar parceiros.

“Tivemos grandes mudanças, para melhor, com o passar dos anos. O tabu diminuiu e os idosos estão se permitindo viver experiências novas”, afirma a sexóloga Priscila Junqueira. “Na terceira idade , normalmente, as pessoas já sabem o que gostam no sexo e estão mais confiantes”, completa.

Ser sexualmente ativo na terceira idade também é extremamente saudável. O andrologista e cirurgião geral e vascular Carlos Araujo Pinto explica que naturalmente os idosos não têm a mesma condição física dos jovens e algumas complicações com a saúde, que geralmente aparecem com a idade, podem até modificar as relações, mas o sexo não deixa de ser algo prazeroso.

“Por este motivo é sempre necessário consultar um especialista para verificar se está tudo bem clinicamente. Até mesmo porque muito idosos, principalmente homens, acabam se automedicando o que é extremamente perigoso e errado”, alerta o especialista.

Visitas ao médico ajudam no sexo

O acompanhamento clínico deve ser feito, mas a dúvida de muito idosos é saber com que frequência é necessário ir ao médico. Para Carlos, o ideal é visitar um profissional de confiança de uma a duas vezes por ano para fazer o famoso check-up geral. “É importante avaliar toda parte circulatória, hormonal, verificar se o idoso está na andropausa ou menopausa, além de uma avaliação de uma gama de fatores com exames de sangue”, fala.

O clínico geral e geriatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, Paulo Camiz, completa dizendo que a necessidade de consultar um médico pode sofrer uma variável, dependendo das doenças e do estado de saúde que o paciente apresenta.

“Na consulta devem ser abordados temas como a libido, a qualidade das ereções, a lubrificação vaginal e possíveis queixas de dor local. O principal exame complementar é o da dosagem de testosterona para o homem, sem esquecer a avaliação médica em consulta, a chamada anamnese”, diz o geriatra.

Métodos contraceptivos

Com o passar dos anos, as mulheres chegam à fase da menopausa e passam a não ter mais a ovulação. Mas passar dos 50 não é garantia para evitar uma gravidez indesejada. Carlos conta que conhece vários casos em que as mulheres passaram dessa idade e conseguiram engravidar. “Comumente, elas devem procurar o ginecologista para verificar o melhor método contraceptivo, porém o mais importante é o preservativo que além de prevenir a gravidez indesejada, evita as DST”, aconselha.

Já para os homens o mais indicado é a vasectomia e também o preservativo. “É muito comum que os homens acima de 50 anos não utilizem preservativos, o que é um erro. No consultório, me deparo sempre com homens mais maduros que adquirem doenças por ter preconceito com a camisinha ou por terem relacionamentos parcialmente ‘duradouros’ e, por isso, acreditam que não existe mais a necessidade do uso do preservativo”, aponta o andrologista.

Para se ter uma ideia, o número de casos de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) simplesmente dobrou entre as pessoas acima dos 50 anos na última década. É um dado preocupante ao levar em consideração que cerca de 80% dos adultos entre 50 e 90 anos são sexualmente ativos.

Dados do Ministério da Saúde indicam que de 4% a 5% das pessoas que possuem mais de 65 anos são portadores do vírus HIV, essa porcentagem representa um aumento de cerca de 103% entre os homens e mulheres da terceira idade no últimos anos. Por esses e outros motivos, é sempre importante se prevenir durante o sexo.

Desequilíbrio hormonal

Vale ressaltar que conforme a idade avança, o corpo vai passando por mudanças, então é preciso alguns cuidados. “Investigar como estão os hormônios é importante, pois o desequilíbrio hormonal pode trazer queda na libido, disfunção erétil e outras disfunções sexuais”, explica a sexóloga Priscila Junqueira.

Assim que a mulher vai entrando na menopausa, o casal paralelamente entra em uma frigidez e as relações sexuais passam de duas a três vezes por semana para uma vez a cada quinze dias e, em alguns casos, acontece somente uma vez por mês.

Isso é péssimo para o relacionamento! Por este motivo, é preciso avaliar toda parte hormonal de ambos e nunca aderir à automedicação. “É preciso verificar se há pré-existência de problemas circulatórios associados. É essencial ambos buscarem tratamentos médicos para uma vida sexual plena”, ressalta Carlos.

Em alguns casos, o uso da medicação é necessário, mas é preciso ficar atenta a alguns detalhes:

  • Automedicação é errado, então nada de utilizar o remédio que uma amiga, irmã, prima indicou;
  • Também não faça o contrário, é extremamente contraindicado o repasse de medicamentos;
  • Cada caso é um caso, então antes de tomar qualquer atitude ou conclusão precipitada é preciso ser avaliada por um especialista.

Existem também métodos naturais que podem ajudar. Segundo Paulo, a prática de atividade física e a proximidade do casal são alguns deles. “Ambos podem ter relações satisfatórias e prazerosas de maneira natural desde que saibam se estimular e tenham paciência um com o outro. A atividade física, além de deixar o casal fisicamente mais atrativo, também ajuda na libido”, explica.

Comunicação entre o casal

O sexo pode se tornar um assunto delicado com o passar dos anos, mas o diálogo entre o casal é fundamental. “Para muitos idosos, a sexualidade é um assunto bastante sensível e pouco explorado entre os casais. Isso faz com que muitos se privem de explorar uma condição que pode ser muito prazerosa e fonte de felicidade e união também nesta fase da vida”, fala Paulo.

A falta de comunicação pode atrapalhar a vida sexual, já que o tratamento não será completo se um dos dois tiver dificuldades de dividir os problemas que estão passando. “Recentemente atendi um paciente que não disse para a companheira que está com problemas na parte hormonal, circulatória e falhas no desempenho sexual”, expõe Carlos.

O tratamento precisa envolver o casal. O andrologista explica que é importantíssima a presença de ambos, pois muitas vezes na consulta, o homem conta parte dos sintomas e a companheira contribui com o restante das informações e assim o profissional consegue identificar qual é o real quadro clínico.

No Brasil, mais de 80% dos homens fazem uso de medicamentos para estimular a ereção sem uma prescrição médica e não dividem isso com a esposa. “O machismo ainda é muito presente, e isso faz com que eles se calem e acreditem que dividir o problema os farão ‘menos homens’. Alguns têm DST e acabam passando para a companheiras por falta de diálogo e uma conversa franca”, acrescenta Carlos.

 

Texto parcial de matéria de William Amorim, publicado originalmente no iG Dela, em 29/12/2016 e atualizado em 26/07/2017. Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://delas.ig.com.br/amoresexo/2016-12-29/sexo-terceira-idade.html

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

SEXO E AMOR NA TERCEIRA IDADE
Autores: Robert N. Butler e Myrna I. Lewis
SUMMUS EDITORIAL

Butler e Lewis derrubam tabus e provam que o sexo e a sexualidade são experiências prazerosas, gratificantes e altamente saudáveis, após os 60 anos. É a época em que o ser humano possui maior experiência e disponibilidade de tempo para poder, apesar das dificuldades naturais, usufruir de uma vida sexual positiva.

VELHICE
Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
EDITORA ÁGORA

Estima-se que, em 2050, a população de pessoas com mais de 60 anos comporá 30% da população brasileira, ou seja, cerca de 66,5 milhões de pessoas. Assim, todos nós estamos ou muito em breve estaremos envolvidos com velhos. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade?

A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

‘CONHECE A ASTROLOGIA VOCACIONAL? TEM GENTE USANDO PARA MUDAR DE CARREIRA’

A jornalista Lívia*, 32, iniciou a transição para uma nova carreira após receber os resultados da sua consulta astrológica voltada à área profissional. A médio prazo, planeja abandonar a área de produção de conteúdo para turismo e tornar-se escritora. “Já comecei a escrever e tenho me sentido bem satisfeita”, conta.

Segundo a astróloga Lilian Marins, a maior parte das pessoas tem habilidades múltiplas e nem sempre consegue utilizar todas as suas potencialidades em uma única profissão. E a astrologia vocacional – uma técnica de análise focada na carreira – pode ajudar a encontrar aptidões que, até então, não estavam sendo utilizadas no trabalho, indicando um novo caminho a seguir.

Como faz?

Toda a avaliação é feita a partir do Mapa Natal, que é a fotografia dos astros no céu no momento e local de nascimento da pessoa. Para tirar conclusões, os astrólogos avaliam a posição de cada astro e também os aspectos que formam entre si. “Os planetas, asteroides, Sol e Lua mostram uma relação e, por meio dessa linguagem simbólica que é a astrologia, explicam, definem e informam o funcionamento físico, emocional e intelectual da pessoa”,  explica a astróloga Elizabeth Nakata.

Algumas áreas específicas do Mapa merecem mais atenção, como acontece com as Casas 2, 6 e 10, que respondem pela realização material e profissional.

Quem procura?

Segundo os astrólogos, um dos focos da astrologia vocacional é dar suporte para decisões relacionadas a mudanças de função, de emprego ou mesmo de área profissional. Porém, a técnica também pode auxiliar os jovens em época de vestibular. “O Mapa permite que o estudante possa escolher de forma mais consciente entre um extenso leque de opções, para contemplar o uso adequado de suas habilidades, em sintonia com a sua verdadeira vontade”, explica o astrólogo Patrick Mesquita.

A estudante Juliana Mattos, 21, estava em dúvida sobre qual curso escolher, até fazer o Mapa Natal com esse objetivo. “Eu me surpreendi com as coisas que o astrólogo falou sobre mim! E uma das primeiras observações que ele fez foi que eu poderia me dar bem trabalhando com tecnologia”, conta. Era o impulso que faltava para ela mudar de cidade e iniciar um curso de informática. “Atualmente, estou bem feliz com a minha decisão”, diz.

Qual é o resultado?

Após a análise do Mapa, o astrólogo deve apontar algumas possibilidades ao cliente, mas jamais apresentará um resultado determinante sobre o futuro profissional. “O astrólogo que eu consultei me mostrou informações que o Mapa trazia sobre minhas características pessoais, potencialidades e até dificuldades relacionadas ao lado profissional. Eu tomei minha decisão entre os vários caminhos que ele me apontou”, diz Lívia.

Também é possível descobrir que se está na área certa, porém, em um local de trabalho inadequado. “Na astrologia vocacional, identificamos aspectos como necessidade de segurança, habilidade para lidar com assuntos financeiros, ambientes de trabalho mais propícios, entre outros”, afirma a astróloga Titi Vidal.

*Nome trocado a pedido da entrevistada.

Reportagem de Gabriela Guimarães e Rita Trevisan publicada originalmentne no UOL, em 26/07/2017. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/horoscopo/noticias/redacao/2017/07/26/conhece-a-astrologia-vocacional-tem-gente-usando-para-mudar-de-carreira.htm

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Se interessou pelo assunto? Conheça:

VOCAÇÃO, ASTROS E PROFISSÕES
Manual de astrologia vocacional (acompanha CD)
Autores: Márcia Mattos e Ciça Bueno
EDITORA ÁGORA

A astrologia, neste livro de duas das mais conceituadas profissionais da área, se mostra uma ferramenta poderosa para auxiliar na identificação da verdadeira vocação. Um CD para que cada um faça a própria análise astrológica, completa esta obra dirigida a jovens e adultos em busca do melhor caminho profissional.

‘COMO DOR DE CABEÇA INTENSA LEVOU MINEIRA A ENFRENTAR DEPRESSÃO’

Foram oito anos convivendo com crises de enxaqueca quase diárias até que um vazio começou a tomar conta da vida da fotógrafa Aline Resende, 29.

As coisas que a faziam feliz, como a leitura, foram perdendo o sentido. E, por mais que tentasse lutar contra, a única vontade que tinha era ficar na cama dormindo ou vagando em seus próprios pensamentos. O que lhe restou foi o medo de encontrar com as pessoas, a vergonha de falar sobre os seus sentimentos e a culpa.

“Tinha apenas 25 anos e sabia que aquele vazio não era normal”, afirmou ela, que, mesmo que tivesse um histórico de depressão na família, se sentia “inatingível”. “Achava que a doença era algo controlável. Engano meu”.

Diagnosticada com depressão, foram seis meses de tratamento psiquiátrico até afugentar o sentimento de vazio e também suas crises rotineiras de enxaqueca.

A associação entre dor crônica e depressão é recorrente. Um estudo do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) mostra a relação bidirecional entre ansiedade ou depressão e algumas doenças físicas crônicas.

“Durante todos os anos de enxaqueca era difícil sentir prazer nas coisas. Como sentir prazer diante de uma dor constante?”, questiona a mineira, que se diz hoje feliz e saudável.

Dor crônica, ansiedade e depressão

O levantamento feito na USP mensurou essa relação em pessoas adultas residentes na Região Metropolitana de São Paulo e mostra dados preocupantes.

A dor crônica foi a mais comum entre os indivíduos com transtorno de humor, como depressão e bipolaridade, ocorrendo em 50% dos casos de transtornos de humor, seguidos por doenças respiratórias (33%), doença cardiovascular (10%), artrite (9%) e diabetes (7%).

O estudo mostra que indivíduos com transtornos de humor ou de ansiedade tiveram incidência duas vezes maior de doenças crônicas. “Muitas vezes fica até difícil saber o que vem primeiro.

” Os distúrbios de ansiedade também são largamente associados com dor crônica (45%) e doenças respiratórias (30%), assim como com artrite e doenças cardiovasculares (11% cada). A hipertensão foi associada a ambos em 23% dos casos.

Como aponta Laura, que coordenou o estudo, os dados mostram a necessidade de maior atenção ao tema. “Com esses números precisamos atentar para a necessidade de passar a informação para o médico que está na linha de frente, no atendimento primário.”

De acordo com a especialista, ainda não se sabe por que a relação entre dor crônica e ansiedade ou depressão é tão intensa, já que os mecanismos da dor crônica são pouco conhecidos.

“O que se sabe é que a inflamação é a base tanto para dores crônicas, que inclui alguns tipos de cefaleia, como para os transtornos de humor e ansiedade. Portanto, todos afetam o sistema imunológico do sistema neurológico.”

Tratamento

No caso de Aline, o tratamento foi marcado por seções semanais com o psiquiatra e o ajuste de doses de antidepressivos, que ela toma até hoje, mas apenas por causa da enxaqueca. “Já fiquei um tempo sem os remédios e não tive recaídas da depressão, mas as dores na cabeça voltaram com toda força. Portanto, a recomendação médica foi continuar com o medicamento.”

A psiquiatra explica que os antidepressivos tratam a depressão e, em alguns casos, também a cefaleia. “Isso porque esses remédios contam com um componente chamado de amitriptilina, que combate diretamente as inflamações neurais –base das duas doenças”, aponta.

De volta a uma vida normal e feliz

“Passei a ter uma vida social normal, que muitas vezes era tolhida pelas minhas dores de cabeça. Sem contar que, atualmente, trabalho com muito mais gás e até tenho ânimo para frequentar a academia”, conta Aline, que lembra o estigma que envolve a depressão.

“A gente não tem vergonha de falar que sofre de uma doença no fígado, mas se sente completamente envergonhado de contar que sofre de uma doença mental. A gente não escolhe ter um problema nos rins, e o mesmo vale para a depressão.”

Matéria de Larissa Leiros Baron, publicada originalmente no UOL, 27/07/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2017/07/27/como-a-dor-de-cabeca-levou-mineira-a-seis-meses-depressao.htm

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Se você quer saber mais sobre dores crônicas, conheça os livros da Summus que falam sobre o assunto:

DORES CRÔNICAS
Um guia para tratar e prevenir
Autores: Kimeron N. Hardin e Ellen Mohr Catalano

Cada um de nós sofre de alguma dor crônica, ou conhece alguém que sofre. Ela pode variar de um simples incômodo até um verdadeiro inferno. Destinado a todos que queiram enfrentar o problema, este guia ajuda a identificar tipos de dor, fatores que contribuem para seu agravamento, e formas de melhorar a qualidade de vida combatendo as conseqüências da dor crônica.

CONTROLE A DOR ANTES QUE ELA ASSUMA O CONTROLE
Autora: Margaret A. Caudill

O problema da dor mobiliza cada vez mais médicos, psicólogos e pesquisadores. Qual é o significado da dor? Que papel ela desempenha? É possível e desejável controlá-la? Estas são algumas perguntas que a autora, uma das pioneiras do estudo da dor, responde neste livro. Ela apresenta um programa de redução e controle de dores crônicas, com resultados comprovados, e fácil de ser seguido, apresentado de forma direta e detalhada. Um precioso instrumento para todos os que sofrem cronicamente de dores. Em formato 21 X 28 cm.

VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena (mindfulness) e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.

‘HOTEL DO SONO EM SP QUER ENSINAR COMO DORMIR MELHOR’

Coisas que eu aprendi depois de passar uma noite no Hotel do Sono, em São Paulo: quarto e banheiro com iluminação indireta de fato ajudam a ligar o botão da sonolência, não é só o chá de camomila que ajuda a dormir melhor (alface, cereja e aveia também estão na lista) e é muito, muito difícil desapegar do celular pelo menos duas horas antes de dormir, como foi recomendado.

Confesso que, na falta de TV no quarto, às vezes uso o aplicativo da Netflix como sonífero. Eu sei que muitos médicos torceriam o nariz –tanto para as luzes fortes a essa hora como para a proximidade do aparelho na cama–, mas para mim funciona. Infelizmente, não sou do tipo que deita na cama e apaga.

Mas, depois de ter recebido várias recomendações para ter um sono melhor, me senti na obrigação de colocá-las em prática. Fiz uma refeição leve, bebi suco de maracujá, tomei um banho quente à meia luz e fui pra cama já com sono.

Fiquei quietinha por uns 50 minutos, mas barulhos inusuais (caminhões passando, o ruído do frigobar) não ajudaram. Ansiosa, não resisti e peguei o celular (no modo noturno, com pouca luz). Sanada a abstinência, o sono veio.

COMO FUNCIONA

Instalado em um casarão na Vila Mariana onde normalmente funciona o We Hostel, o Hotel do Sono é temporário e talvez se torne itinerante, dependendo de seu sucesso.

Ele funciona até o dia 24 de julho e, até lá, oferece atividades gratuitas ao público: palestras com médicos do sono, tour guiado com dicas de como dormir melhor e exemplos de um bom quarto e aulas de meditação e respiração. Só é preciso agendar um horário no site do projeto. A hospedagem, porém, não é aberta ao público.

A iniciativa é da Medley, que não revela quanto gastou no empreendimento, que incluiu uma reforma no hostel e novo mobiliário.

A empresa, junto com a Sanofi, lidera o mercado de tratamentos terapêuticos para a insônia, segundo Carlos Aguiar, diretor da Medley. “Mas não estamos fazendo propaganda de remédio, não há nenhuma menção a isso no hotel. Estamos levantando a bandeira do problema e dizendo ‘você precisa cuidar do seu sono e, se não conseguir melhorá-lo mudando o comportamento, procure seu médico'”, afirma ele.

“Não dormir bem não é normal. Ter problema no sono é um problema de saúde e pode ter consequências a curto e longo prazo, mas muita gente não reconhece isso”, diz Rosa Hasan, neurologista especialista em sono e médica assistente no laboratório do sono do IPq (Instituto de Psiquiatria do HC da USP).

Segundo ela, dormir mal pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, de obesidade e de alterações cognitivas, perda de libido e piora a aparência da pele.

O quadro é pior em cidades grandes. Segundo estudo publicado na revista científica “Sleep Medicine”, até 40% das pessoas que moram na cidade de São Paulo sofrem de insônia em algum grau. O transtorno é a dificuldade de manter o sono (e não só de pegar nele) e causa cansaço, irritação, dificuldade de concentração e dor de cabeça.

Além das dicas já conhecidas para ter uma boa e reparadora noite de sono, Hasan faz uma recomendação pertinente e atual: quando estiver prestes a dormir, evite entrar em contato com conteúdo que cause preocupação, aborrecimento e brigas (leia-se: talvez seja a melhor hora para silenciar aquele grupo no WhatsApp).

Matéria de Mariana Versolato, editora-adjunta de “Cotidiano, publicado na Folha S. paulo, em 18/07/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/07/1902032-hotel-do-sono-em-sp-quer-ensinar-como-dormir-melhor.shtml

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Quer saber mais sobre problemas do sono e tratamentos? Conheça o livro:

DURMA BEM, VIVA MELHOR
Autores: Stella TavaresPedro Paulo Porto JuniorPedro Luiz Mangabeira AlbernazMárcia CarmignaniAndrea Pen Mangabeira Albernaz
MG EDITORES

Quando os problemas de sono de repetem com freqüência, é preciso admitir que se está diante de um caso de doença do sono e que é necessário tratá-la. Este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar do Hospital Albert Einstein, mostra os procedimentos corretos em termos de exames de diagnóstico, os diferentes tratamentos e seus efeitos. Obra útil para um grande número de pessoas que dorme mal mas desconhece as causas do problema.

‘FUTILIDADE TERAPÊUTICA’

Existe a ideia geral de que se um tratamento existe e está disponível ele é útil e deve ser empregado sempre que possível. No entanto, isso nem sempre é verdadeiro.

Da mesma forma, nenhum tratamento é intrinsecamente fútil. Se fosse assim, um tratamento fútil deveria ser abandonado de imediato, como já aconteceu com tratamentos que se tornaram obsoletos frente a novos conceitos ou novos métodos terapêuticos, por exemplo, tratamento da sífilis com sais arsenicais, cirurgia para úlcera gástrica, etc.

Qualquer tratamento disponível pode ser útil ou fútil na dependência de como, quando e, principalmente, para quem ele é empregado.

Tratamentos que produzam a cura, com restabelecimento pleno do estado de saúde ao patamar que existia antes da intercorrência da doença é potencialmente útil.

Quando a cura não é possível, os tratamentos tem a intenção de melhorar o estado de saúde, proporcionar melhor qualidade de vida. São tratamentos paliativos. Nessas circunstâncias chamamos esses tratamentos de paliativos.

Nos tratamentos de intenção paliativa é fundamental que se estabeleça qual o resultado esperado com o tratamento, quais seus eventos adversos associados e qual o exato benefício na qualidade ou tempo de vida.

É muito comum que se estabeleçam desfechos intermediários, paralelos, não diretamente relacionados com a qualidade de vida. Transfusões de sangue para corrigir o nível de hemoglobina e não para melhorar sintomas decorrentes da anemia; drogas vasoativas para elevar a pressão de pacientes em fase final de vida, etc. Em geral esses procedimentos adiam a morte, prolongam o processo de morrer, sem trazer benefícios reais à qualidade de vida.

Outras vezes, adotam-se medidas com intenção paliativa, mas que poderiam ser substituídas por procedimentos de efeitos mais rápidos, mais simples, ou de menor custo.

O objetivo principal dos cuidados paliativos é discernir entre o que pode ser útil e o que é potencialmente fútil, ao que chamamos de “distanásia” por prolongarem um sofrimento desnecessário.

Como disse o Papa João Paulo II, É lícito, em sã consciência, abdicar de métodos extraordinários que prolongariam a vida de forma desproporcional, sem qualidade de vida. Tudo pode ser disponível, mas nem tudo convém.

Artigo do oncologista Ricardo Caponero, publicado no portal do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Para acessá-lo na íntegra: http://centrodeoncologia.org.br/noticias-cancer/futilidade-terapeutica/

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Dr. Ricardo Caponero é oncologista Clínico e Coordenador do CATSMI – Centro Avançado de Terapia de Suporte e Medicina Integrativa. Conheça suas obras publicadas pela MG Editores:

A COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NO TRATAMENTO ONCOLÓGICO
Um guia para profissionais de saúde, portadores de câncer e seus familiares
Autor: Ricardo Caponero

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos das últimas décadas, o câncer ainda é considerado tabu para a maioria das pessoas. Assim, quando o indivíduo descobre-se portador da doença, por vezes depara com uma espécie de “conspiração do silêncio”, o que pode prejudicar o tratamento e provocar consequências psicológicas profundas. Por outro lado, a equipe médica nem sempre está preparada para transmitir ao paciente informações claras, precisas e verdadeiras. Partindo de uma experiência de mais de 30 anos com pacientes oncológicos, Ricardo Caponero explica aqui como estabelecer e manter uma comunicação respeitosa e franca com o portador de câncer. Além de ensinar técnicas que ajudam na transmissão de informações – quase sempre difíceis –, ele aborda a comunicação como forma de tratamento, os entraves a ela, as possíveis soluções e os aspectos legais ligados ao exercício da medicina. Porém, acima de tudo, quebra a aridez do tema relatando histórias verídicas de confiança, entrega e encontro.
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CÂNCER E PREVENÇÃO
Organizadores: Ricardo CaponeroArtur Malzyner
Autores: Vanessa MastroDaniele Evaristo Vieira AlvesElge Werneck Araújo JúniorElza Maria de Oliveira Dertonio Donato Emerson Neves dos SantosFernanda de Campos Prudente SilvaMaria da Glória Gonçalves GimenesMaurício Antranig Nicolian MuradianRicardo CaponeroSimone Aparecida Oguchi FalcariTassiana Barros PetrilliValéria BrazolotoArtur Malzyner

Voltado para leigos, este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar, explica o que é câncer e como preveni-lo; aborda a prevenção primária por meio de cirurgias, medicamentos, alimentação adequada e hábitos saudáveis; esclarece sobre a importância do diagnóstico precoce; e fala sobre os principais tipos de tratamento existentes. Fundamental para pacientes, familiares, psicólogos, enfermeiros etc.