‘8 MANEIRAS DE TORNAR A CRIANÇA UM CONSUMIDOR CONSCIENTE’

Em 12 de outubro, uma das datas mais esperadas do ano pelas crianças, por conta da perspectiva de ganharem muitos presentes, torna-se necessário falar sobre o consumismo infantil. O UOL Gravidez e Filhos conversou com especialistas que deram dicas de atitudes para lidar com o desejo desenfreado por adquirir algo novo.

1 – Faça o que você diz

Não adianta educar o filho para que ele entenda que não deve consumir por impulso e correr para o shopping quando estiver triste, em busca de compensação. “É com o exemplo de pais e familiares que a criança vai entender o que é certo e o que é errado”, diz Isabella Henriques, diretora do Instituto Alana –organização civil que tem como objetivo a proteção da infância– e coordenadora do projeto “Criança e Consumo”. Quanto mais coerente for a atitude dos adultos com relação ao que falam, melhor as crianças compreenderão a forma como o dinheiro deve ser administrado.

2 – Faça tratos antes de sair de casa

Antes do passeio com a criança, esclareça a finalidade da saída; isso reduzirá a chance de ela pedir algo que não estava combinado. Por exemplo, antes de ir ao shopping, você pode alertá-la de que só irá comprar o presente do avô e nada mais. O mesmo pode acontecer antes de uma ida ao mercado. “O pai pode combinar com o filho que ele escolherá dois produtos que desejar. E se na hora pegar três, terá de deixar um”, diz Isabella.

3 – Presenteie apenas em datas comemorativas

Demonstrar amor e carinho ou compensar ausências por meio de presentes é uma forma de estimular o consumismo na criança. Por isso, o ideal é que presentear o filho seja uma atitude exclusiva de datas especiais, como aniversário, Dia da Criança e Natal. “Assim, o item solicitado passará a ter um significado especial”, diz a educadora financeira Silvia Alambert, fundadora do The Money Camp, programa de educação financeira para crianças e adolescentes. Se durante o período de espera, o filho solicitar outros itens, cabe aos pais ensinarem a importância de fazer escolhas.

4 – Aprenda a dizer não

Se mesmo com os combinados, a criança fizer birra diante de um bem de consumo, pai e mãe devem ser firmes e explicar ao filho que, além de terem conversado sobre o comportamento antes de sair de casa, não é possível realizar aquela compra no momento. “Os pais devem explicar que o fato de não comprarem o que se deseja na mesma hora não significa que as crianças nunca terão o que desejam, mas que é preciso se programar para tê-lo”, diz Silvia Alambert.

5 – Supervisione o acesso a TV e internet

Crianças muito pequenas não entendem a influência da publicidade no consumo. Por isso, os pais devem estar sempre por perto para monitorar a reação do filho diante daquele conteúdo. Dessa forma, assistir à TV e navegar na internet ao lado da criança é essencial. “A publicidade vende a ideia de que ao ter um produto você será alguém com aquelas qualidades anunciadas, mas os adultos têm de ajudar as crianças a compreenderem que ter não é o mesmo que ser”, afirma Ines Carvalho, cocriadora do Instituto EcoD, ONG que visa a conscientizar a sociedade para o desenvolvimento sustentável.

6 – Evite relacionar lazer com consumo

Se todas as vezes que a família tiver um tempo livre, os passeios envolverem roteiros de compras, a criança associará diversão com aquirir coisas. Nessas situações, o melhor é propor outras atividades como andar de bicicleta, ir ao parque, brincar na frente de casa ou mesmo fazer um bolo juntos. “Mais importante do que qualquer brinquedo é a presença dos pais durante a diversão”, diz a diretora do Instituto Alana.

7 – Invista em trocas de brinquedos

Já há sites e eventos organizados por pais que estimulam a troca de brinquedos entre crianças. É uma forma de ter algo novo para se divertir, sem ter de consumir. Durante a troca, a criança se dará conta naturalmente de que brincar é mais legal do que comprar. “A troca possibilita uma nova visão do valor das coisas e também coloca em prática o desapego”, diz Silvia Alambert.

8 – Façam vocês mesmos

Em vez de comprar, pais e filhos podem produzir um brinquedo juntos a partir de materiais que têm em casa. Fantoches e até uma cabaninha podem ser criados sem grandes dificuldades. Ao fim da missão, é bem provável que a criança conclua que o processo de produção é mais legal do que o próprio objeto. “A criação de um brinquedo ajuda não apenas a desenvolver a consciência financeira, mas também ambiental”, diz a educadora financeira.

Matéria publicada originalmente no UOL, em 12/10/2015. Para lê-la na íntegra, acesse:
http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/listas/8-maneiras-de-tornar-a-crianca-um-consumidor-consciente.htm

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Para saber mais sobre o assunto, conheça o livro:
10802A CRIANÇA E O MARKETING
Informações fundamentais para proteger as crianças dos apelos do marketing infantil
Autoras: Luciene Ricciotti Vasconcelos, Ana Maria Dias da Silva
SUMMUS EDITORIAL

O marketing infantil é, hoje, uma das maiores ferramentas para vender produtos, influenciar famílias e conquistar a fidelidade de clientes. Mas que tipo de mensagem vem sendo direcionada às crianças e como pode prejudicar a autoestima e desvirtuar os valores dos pequenos? Escrita por uma especialista em comunicação e por uma psicóloga, esta obra é fundamental para pais e professores.

 

“A CRIANÇA E O MARKETING” É CITADO NA PROVA DO ENEM

A prova do Enem de 2014, realizada neste domingo (9 de novembro), citou a obra A criança e o marketing, da Summus Editorial, no enunciado para elaboração da redação. O tema da redação neste ano foi “Publicidade infantil em questão no Brasil”. A prova traz um trecho adaptado do livro: “Precisamos preparar as crianças, desde pequena, para receber as informações do mundo exterior, para compreender o que está por trás da divulgação de produtos. Só assim ela se tornará o consumidor do futuro, aquele capaz de saber o que, como e porque comprar, ciente de suas reais necessidades e consciente de suas responsabilidades consigo mesma e com o mundo.”

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PAra saber mais sobre este livro clique aquiNos dias de hoje, em que muitos pais não conseguem dedicar tempo suficiente aos filhos e sentem imensa culpa por isso, a qualidade do que as crianças assistem, leem e ouvem nem sempre é questionada. Numa época em que ter é mais valorizado do que ser, os apelos do marketing infantil podem contribuir para desvirtuar o caráter dos pequenos, encurtando a infância e facilitando a formação de adultos consumistas e infelizes.

Porém, é possível reverter esse quadro com informação e senso crítico. No livro A criança e o marketing, a psicóloga Ana Maria Dias da Silva e a especialista em comunicação Luciene Ricciotti Vasconcelos analisam como se dá a formação do caráter, desvendam o funcionamento das principais ferramentas de marketing e da comunicação e mostram como a publicidade atinge as crianças. 

Partindo do pressuposto de que pais e professores podem, desde a mais tenra infância, ajudar as crianças a se tornarem consumidores conscientes, as autoras reuniram informações fundamentais para auxiliar os adultos a proteger as crianças dos apelos do marketing infantil. Segundo elas, com mais consciência de seu poder como consumidor, de sua influência na criação de produtos e na divulgação dos mesmos, será possível criar adultos capazes de escolher o que comprar, com base naquilo que realmente querem e necessitam.

“Cremos que será maravilhoso viver em um mundo onde todos poderão escolher o que comprar usando critérios econômicos, sociais e ambientais, felizes com suas escolhas, usufruindo os benefícios do consumo de produtos”, afirmam.

Segundo as autoras, atualmente, pessoas de todos os níveis sociais e de todas as idades estão escolhendo o consumo como atitude de vida e não como meio de satisfazer suas reais necessidades. Refletir sobre essa questão e suas consequências é responsabilidade de todos: empresas, governos, famílias, educadores, publicitários e executivos. “Entendemos que a consciência vigilante da população diante do marketing infantil é um trabalho coletivo”, completam.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1303/Crian%C3%A7a+e+o+marketing,+A

DESAFIO: PUBLICIDADE DIRIGIDA ÀS CRIANÇAS DEVE SER PROIBIDA? ASSISTA AO DEBATE

Resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que considera abusiva a publicidade infantil reacende discussão sobre os limites da propaganda.

O Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) aprovou, em abril deste ano, uma resolução em que classifica como “abusiva” a publicidade direcionada ao público infantil. A atitude gerou um embate entre ONGs e o mercado publicitário.

De um lado estão organizações e pais preocupados com o bombardeio de propagandas que estimulariam o consumo exagerado. De outro, profissionais e empresas interessados na continuidade desses anúncios.

Mas afinal, a solução é mesmo proibir qualquer tipo de publicidade dirigida às crianças ou o debate deveria ser em torno de como ensinar os pequenos a consumir de forma consciente?

A advogada Ekaterine Karageorgiadis, representante do Instituto Alana, organização da sociedade civil que defende os direitos da criança e do adolescente, e o assessor da presidência da Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) Stalimir Vieira debatem o tema. Assista ao vídeo abaixo e dê sua opinião nos comentários: a publicidade voltada para o público infantil deve ser proibida no Brasil?

Publicado originalmente no iG, em 04/06/2014. Para ver a reportagem na íntegra, acesse: http://delas.ig.com.br/filhos/2014-06-04/desafio-publicidade-dirigida-as-criancas-deve-ser-proibida-assista-ao-debate.html

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro “A criança e o marketing”, da Summus:

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Informações fundamentais para proteger as crianças dos apelos do marketing infantil
Autoras: Luciene Ricciotti Vasconcelos e Ana Maria Dias da Silva
O marketing infantil é, hoje, uma das maiores ferramentas para vender produtos, influenciar famílias e conquistar a fidelidade de clientes. Mas que tipo de mensagem vem sendo direcionada às crianças e como pode prejudicar a autoestima e desvirtuar os valores dos pequenos? Escrita por uma especialista em comunicação e por uma psicóloga, esta obra é fundamental para pais e professores.

 

 

‘PUBLICIDADE INFANTIL DEVE SER PROIBIDA?’

A aprovação neste mês de uma resolução que considera abusiva a publicidade infantil, emitida pelo Conanda (Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente), deu início a um verdadeiro cabo de guerra envolvendo ONGs de defesa dos direitos das crianças e setores interessados na continuidade das propagandas dirigidas a esse público.

A resolução do órgão, ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, abrange anúncios com linguagem, trilhas sonoras e distribuição de brindes de apelo ao público infantil em anúncios em mídias como TV, sites, rádio, revista e jornal, assim como propagandas em embalagens e merchandising.

Elogiada por pais, ativistas e entidades preocupadas com o crescimento dos índices de obesidade infantil, como o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), ela estabelece como abusiva toda propaganda dirigida à criança que tem “a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço” e que utilize aspectos como desenhos animados, bonecos, linguagem infantil, trilhas sonoras com temas infantis, oferta de prêmios, brindes ou artigos colecionáveis, que tenham apelo às crianças.

Ficam de fora, segundo a resolução, campanhas de utilidade pública referentes “a informações sobre boa alimentação, segurança, educação, saúde, entre outros itens relativos ao melhor desenvolvimento da criança no meio social”.

Ainda há dúvidas, porém, sobre como será a aplicação prática da resolução. E associações de anunciantes, emissoras, revistas e de empresas de licenciamento e fabricantes de produtos infantis criticam a medida e dizem não reconhecer a legitimidade constitucional do Conanda para legislar sobre publicidade e para impor a resolução tanto às famílias quanto ao mercado publicitário.

O debate sobre a validade da resolução também envolve a questão de como serão aplicadas punições, o que torna a questão ainda mais complicada e intensifica a disputa jurídica sobre ela.

Compre e consuma

Em nota conjunta, as associações de anunciantes, radiodifusores, emissoras de rádio e televisão e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) disseram reconhecer “o Poder Legislativo, exercido pelo Congresso, como o único foro com legitimidade constitucional para legislar sobre publicidade comercial”.

O grupo defende ainda que a autorregulamentação policiada pelo chamado Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) já seria uma forma de controlar e evitar abusos.

O próprio Conar diz que o código da entidade “proíbe o apelo imperativo de consumo infantil e propõe que os anúncios devam refletir cuidados especiais em relação à segurança”.

O Conar é contra a resolução do Conanda e diz que “a mão pesada do Estado é uma afronta à liberdade de expressão e vilipendia o direito de cada família brasileira de criar seus filhos da maneira que achar correta”.

A Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) também emitiu nota dizendo que a medida “tira da criança o direito do acesso à informação”.

Já a Abral (Associação Brasileira de Licenciamento), que representa empresas que realizam o licenciamento de produtos que usam imagens de personagens infantis, afirmou que o setor precisa “unir forças e atuar conjuntamente para defender nossos interesses”.

Por outro lado, pais envolvidos no combate ao consumismo infantil comemoraram a medida, destacando o que acreditam ser a influência negativa da publicidade.

“É absolutamente positivo e um passo largo em direção à regulamentação”, diz à BBC Brasil Anne Rammi, criadora do portal de conteúdo materno Mamatraca e mãe de duas crianças, de dois e quatro anos.

Ela se diz incomodada com a publicidade voltada ao público infantil, mesmo para crianças que, como seus filhos, não veem TV aberta ou a cabo. “Mesmo sem TV, eles estão expostos o tempo todo a produtos licenciados, inclusive em embalagens de alimentos. Como explicar para uma criança de quatro anos que a salsicha que tem (um personagem infantil) na embalagem não é um produto legal? Tudo é voltado ao compre, consuma, e não é justo que nossa vida seja falar não a isso o dia inteiro.”

Anne participará, neste final de semana, de um fórum da Rede Brasileira de Infância e Consumo, que debaterá a resolução.

“Em outros países, já começam a articular alternativas, de forma que anúncios sejam voltados apenas para o público (adulto), que tem discernimento.”

O publicitário Renato Kaufmann, pai de uma menina de cinco anos, acha que a questão cria dilemas para emissoras dedicadas ao público infantil –muito dependentes de receitas publicitárias–, mas avalia que o objetivo da resolução do Conanda é “acertado”.

“Como publicitário, entendo a necessidade de mercado e me preocupa até que ponto o Estado brasileiro vai agir como babá. Isso abre precedentes (na interferência sobre) liberdades individuais”, diz.

“Mas como pai, não acho necessários (os anúncios voltados ao público infantil). A criança não tem de ser apresentada a opções de consumo dessa forma, feitas com o objetivo de causar desejo e ansiedade pelas coisas que ela não pode ter.”

Embate moral e jurídico

Para Pedro Affonso Hartung, advogado da ONG Instituto Alana, voltada à defesa dos direitos das crianças, e conselheiro do Conanda, a divulgação da resolução “foi um passo histórico no sentido de pôr fim aos abusos gerados na hora em que você direciona publicidade para o público infantil, utilizando-se da vulnerabilidade da criança.”

O advogado defende que anúncios para crianças são injustos, pois inflamam um sentimento consumista e tiram proveito de alguém que ainda está em desenvolvimento, e que, portanto, não tem senso crítico formado para conseguir perceber o caráter persuasivo da publicidade.

“O Conanda fiscaliza com os olhos do Estatuto da Criança e do Adolescente”, afirma Hartung. “E a resolução agora define, mais especificamente, o que já estava previsto no Código de Defesa do Consumidor de uma maneira mais geral.”

Segundo o advogado, a resolução em si não apresenta as sanções, mas já está implícito que as punições serão justamente as previstas no Código.

No entanto, para a advogada Fernanda Kac, do escritório Fialdini Einsfeld, o fato de não ser explícita pode dificultar a aplicação da resolução: “O problema da resolução é que ela não traz uma penalidade vinculada.”

Para Fernanda, em vez de uma ferramenta para tentar lhe ajudar determinar uma punição, a resolução pode ser encarada por um juiz como um novo problema, o de não poder aplicar uma pena sem indicação expressa, o que pode dificultar outros trâmites.

Para muitos analistas, a disputa jurídica sobre o tema deve fazer com que o desfecho do embate ocorra somente após o julgamento dos primeiros casos relacionados à publicidade direcionada para crianças.

Texto de Paula Adamo Idoeta e Mariana Della Barba da BBC Brasil, publicado em  25/04. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/bbc/2014/04/25/publicidade-infantil-deve-ser-proibida.htm

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Se você se interessa pelo assunto, conheça o livro A criança e o marketing – Informações fundamentais para proteger as crianças dos apelos do marketing infantil, das autoras Ana Maria Dias da Silva e Luciene Ricciotti Vasconcelos:

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