‘NA ESCOLA BRITÂNICA SUMMERHILL, QUEM DECIDE SÃO OS ESTUDANTES’

Reportagem publicada pelo jornal O Globo, em 17/09/2019.

Na Escola Summerhill, quem toma as decisões são os estudantes. Baseada em um modelo democrático pautado pela autogestão, a instituição britânica dá liberdade a seus alunos para que eles escolham regras de convivência, o modo como vão estudar e, até mesmo, se farão provas ou não.

Mas se engana quem pensa que a Summerhill é um experimento novo fadado a uma vida curta. Com quase cem anos, a instituição se notabilizou como a primeira escola democrática do mundo, colecionando casos de sucesso e estudantes nos bancos universitários.

Diretor da escola, Henry Readhead ministro uma das principais palestras do Educação 360 Encontro Internacional, na Cidade das Artes, sobre os valores que norteiam a Summerhill. O evento é uma realização dos jornais O GLOBO e “Extra”, com patrocínio de Itaú Social, Fundação Telefônica/Vivo, Colégio Ph e Universidade Estácio, e apoio institucional de TV Globo, Unicef, Unesco, Fundação Roberto Marinho e Canal Futura.

— Na escola, a liberdade é absoluta. A pessoa é livre para vestir, fazer e dizer o que quiser. Mas o ponto mais importante é que liberdade não é licença. Ela deve ser acompanhada pela sabedoria — frisa Readhead, neto do fundador da Summerhill.

A escola tem cerca de 450 leis, todas criadas pelos alunos em reuniões que ocorrem três vezes por semana.

— Os estudantes, na verdade, gostam de regras. As nossas leis tornam as coisas mais simples.

Além disso, a liberdade dos alunos é orientada pelo binômio “licença e não licença”. Não há licença, por exemplo, para fazer bullying ou desrespeitar regras criadas pelo corpo discente.

Infrações aos ditames da escola são discutidas nos encontros semanais, onde são estabelecidas punições de caráter lúdico. Não há hierarquia na aplicação dessas leis. Todos podem ser punidos, inclusive professores e diretores. Esse tratamento horizontalizado é outro alicerce na filosofia da Summerhill.

— Em uma reunião, o meu voto vale o mesmo que o de uma criança de seis anos — explica o britânico, destacando ainda que desigualdades ligadas a gênero, etnia ou idade foram eliminadas, já que a voz de todos têm o mesmo peso.

O diretor esclareceu também que o ensino na escola é pautado por métodos pedagógicos profissionalizados, praticados por professores experientes. Mas a parte central do aprendizado é que ele não é algo compulsório.

— Muitas pessoas acham que, se as crianças não forem forçadas, elas não vão aprender. Isso é mito.

Readhead considera que o aprendizado envolve o ato de se apaixonar por um determinado assunto.

— A infância é uma época muito importante. Ela pode ser repleta de amor, paixão e diversão. Podemos fazer um sistema educacional que nutra, em vez de fazer justamente o contrário — diz o educador.

Para ler na íntegra (restrito a assinantes do jornal): https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/educacao-360/na-escola-britanica-summerhill-quem-decide-sao-os-estudantes-23955775

***

Quer saber mais sobre Summerhill? Conheça o livro publicado pela Summus:

SUMMERHILL
Uma infância com liberdade
Autor: Matthew Appleton
SUMMUS EDITORIAL

Fundada na Inglaterra em 1921 por Alexander Neill, Summerhill ficou conhecida como a escola mais livre do mundo. Nela, as crianças são encorajadas a tomar decisões e a desenvolver-se a seu ritmo. As aulas não são obrigatórias e os alunos podem escolher as matérias que desejam estudar. Baseado em diversos conceitos de seu amigo Wilhelm Reich, Neill acreditava que os aspectos emocionais dos seres humanos eram mais importantes que quaisquer outros, paradigma que predomina na instituição até hoje.

Ao longo dos anos, Summerhill consolidou-se como uma escola democrática, onde crianças, adolescentes e adultos convivem em nível de igualdade e aprendem que o conceito de liberdade implica responsabilidade e empatia.

Criticada por muitos, adorada por outros, mas sempre envolta em mitos, Summerhill é retratada neste livro por alguém que lá viveu por quase uma década. Trabalhando como pai – espécie de cuidador – de dezenas de alunos, Matthew Appleton aprendeu valiosas lições, que compartilha aqui com os leitores. Da dificuldade de manter a privacidade às assembleias democráticas, do desabrochar das crianças às mudanças constantes de regras e à autorregulação, Appleton constrói um rico relato, mostrando inclusive as tentativas do Ministério da Educação inglês de fechar a escola. E, claramente, toma posição: Summerhill é para ele, de fato, o melhor lugar para promover uma infância com liberdade.


‘ESCOLA INOVADORA’ NÃO TEM PROVA OU CARTEIRA

Escolas sem prova, salas de aula sem carteira, turmas com alunos de idades diferentes e professores que, em vez de ensinar apenas os temas relacionados à sua disciplina, estimulam o debate e a curiosidade dos estudantes. Essas foram algumas das iniciativas adotadas nos últimos anos por escolas públicas e privadas de São Paulo, que foram reconhecidas como “inovadoras” pelo Ministério da Educação.

No fim de 2015, o MEC mapeou escolas com propostas pedagógicas e iniciativas que fogem do modelo convencional. Em todo o Brasil, foram identificadas 178 instituições com projetos considerados criativos e inovadores, sendo que mais de um quarto delas (48 unidades) estão no Estado de São Paulo.

O objetivo, segundo o ministério, é superar o isolamento dessas experiências, fomentar uma mudança de cultura em torno do modelo da escola e inspirar professores, pais e alunos para as novas iniciativas. Já que, apesar de inúmeros diagnósticos de que o modelo antigo (com aulas expositivas, alunos enfileirados e provas) não atende à demanda dos jovens, pouco se alterou nas escolas.

Uma das “escolas inovadoras” é o colégio municipal Guia Lopes, no Limão, na zona norte da capital, que atende 315 crianças de 4 e 5 anos. A escola tem a proposta de usar os diferentes espaços da unidade para estimular o aprendizado, focado em dois grandes projetos: contra o racismo e discriminação de gênero e sobre sustentabilidade e consumo.

“Na brinquedoteca temos bonecas negras e todos, meninos e meninas, brincam com elas. Na horta, montada pelos próprios alunos, fazemos a discussão sobre a diversidade biológica. Tínhamos muitos espaços ociosos na escola e decidimos usá-los porque cada ambiente propicia um aprendizado diferente”, disse a diretora Cibele Racy. Ela conta que um dos futuros objetivos é montar turmas com alunos de diferente idades, em vez de separá-los por série.

Gestão democrática

Na Escola Politeia, na Água Branca, zona oeste de São Paulo, o nome que remete às cidades-Estado da Grécia Antiga faz todo o sentido com o projeto pedagógico proposto. A metodologia do colégio prevê que assuntos que competem ao cotidiano dos alunos sejam submetidos a assembleias, assim como na “polis” grega. Professores, funcionários e alunos discutem, entre outras questões, que passeio querem fazer ao longo do ano.

“Trabalhamos pela formação de estudantes com autonomia”, resume a educadora Carol Sumiê. No primeiro encontro deste ano, por exemplo, um estudante sugeriu uma visita ao Planetário do Ibirapuera, na zona sul. Em outra, discutiu-se a prioridade de uso dos computadores da sala de informática.

Há ainda comissões sobre diversos temas, como a de manutenção. “Queremos a formação de um sujeito político e atuante na comunidade em que vive”, diz a educadora.

As turmas são divididas por ciclos e não por séries. Assim, em vez de salas do 1º ao 9º ano, há mistura de alunos de faixas etárias próximas. Não há provas: a preferência é por uma avaliação contínua, feita por trabalhos e pesquisas semestrais.

Nem as disciplinas tradicionais escapam. Para que os alunos aprendam Português e Redação, por exemplo, os temas são inseridos em um contexto de um trabalho temático. A estudante Luísa Carneiro, de 11 anos, decidiu aprender mais sobre a polícia. “Quero entender como eles trabalham.” A aluna diz que o formato ajuda a se desenvolver melhor.

No colégio Wish, no Jardim Anália Franco, na zona leste, os alunos também não são separados em séries, mas em turmas multietárias. Os da educação infantil têm turmas mistas. Apenas o 1.º ano do ensino fundamental é separado. Os alunos de 2º e 3º e os de 4º e 5º ano ficam em turmas mistas. “Começamos a misturar as faixas etárias em projetos pontuais. Neste ano fizemos turmas multietárias por causa da interação entre os alunos e a ideia de que os saberes não são lineares”, diz Andressa Lutiano, diretora do Wish.

As turmas têm no máximo 26 alunos e dois professores em sala. Os alunos são estimulados a pesquisar sobre assuntos que os interesse e, assim, se aprofundar nas disciplinas. “Tivemos aluno do 3º ano que quis pesquisar sobre a 2ª Guerra Mundial”, diz.

Os casos de bullying diminuíram com a nova organização da escola, segundo Andressa. “Quanto mais diversificada a turma, menor é a incidência de provocações e preconceitos.” Andressa admite que as mudanças assustaram alguns pais no início, mas que a escola sempre adotou transparência e a participação dos responsáveis para as novas propostas.

Informações do jornal O Estado de S. Paulo, reproduzidas pelo UOL Educação em 22/02/2016. Acesse a matéria em http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2016/02/22/escola-inovadora-nao-tem-prova-ou-carteira.htm

***

Para aprofundar-se nos temas, conheça os livros da coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas:
…..

11006AUTOGESTÃO NA SALA DE AULA
As assembleias escolares
Autor: Ulisses F. Araújo
SUMMUS EDITORIAL

Depois de conceituar a educação baseada na resolução de conflitos, esta obra oferece um guia prático para implantar as assembleias escolares, incluindo os passos a serem seguidos na promoção das assembleias de classe, de escola, de docentes e dos fóruns escolares. Por fim, dá voz aos sujeitos que já vivenciaram as assembleias, mostrando as mudanças vividas nas relações escolares e sua contribuição para a ética e a cidadania.

…………………..

10958TEMAS TRANSVERSAIS, PEDAGOGIA DE PROJETOS E MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO
Autor: Ulisses F. Araújo
SUMMUS EDITORIAL

Nas décadas recentes a sociedade vem passando por mudanças que impactam a sala de aula, o currículo das escolas e os próprios objetivos da educação. Este livro discute como os chamados temas transversais, articulados com a pedagogia de projetos e com os princípios de interdisciplinaridade, podem apontar caminhos inovadores para a educação formal e para uma ressignificação da prática docente.

 

MARIA TERESA MANTOAN E ULISSES ARAÚJO AUTOGRAFRAM LIVROS DA COLEÇÃO NOVAS ARQUITETURAS PEDAGÓGICAS, EM SÃO PAULO

A Summus Editorial e a Livraria da Vila (Vila Madalena-SP) promovem no dia 31 de março, terça-feira, o lançamento de dois livros da Coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas: Inclusão escolar – O que é? Por quê? Como fazer? e Autogestão na sala de aula – As assembleias escolares . Das 19h às 20h, os autores Maria Teresa Eglér Mantoan (Inclusão escolar) e Ulisses F. Araújo (Autogestão na sala de aula) fazem uma apresentação sobre as obras no auditório da livraria. A partir de 20h, haverá a sessão de autógrafos. A livraria fica na Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena, São Paulo.

Em Inclusão escolar, Maria Teresa explica, de maneira clara e didática, o que é educação inclusiva, discute os passos necessários para implantá-la e ressalta suas vantagens – tanto para as pessoas com qualquer tipo de deficiência como para os alunos que não as têm.

Uma das maiores especialistas em inclusão escolar no país, a pedagoga propõe um deslocamento da visão educacional que se sente ameaçada pela inclusão para uma perspectiva que se abre para outras formas de ensinar e avaliar a aprendizagem. Conhecendo o potencial teórico da educação inclusiva e sua implicação no campo da mobilização social, ela mostra a importância da análise do contexto escolar, para entender as dificuldades de atender a estudantes com deficiência e outros e apontar o propósito da inclusão como objetivo primordial dos sistemas de ensino.

Já o livro Autogestão na sala de aula oferece um guia prático para implantar as assembleias escolares, incluindo os passos a ser seguidos na promoção das assembleias de classe, de escola, de docentes e dos fóruns escolares. Também dá voz aos sujeitos que já vivenciaram esse formato de autogestão, mostrando as mudanças vividas nas relações escolares e sua contribuição para a ética e a cidadania. 

“Aprender a dialogar, a construir coletivamente as regras de convívio e a fortalecer o protagonismo das pessoas e dos grupos sociais é um papel que a escola pode, e deve, exercer na luta pela transformação da sociedade”, afirma Araújo. Em sua avaliação, construir novos alicerces culturais, que tenham como sustentáculos a igualdade, a equidade, a solidariedade e o dialogo, permitirá que, no futuro, a maioria da população perceba que a justiça social somente será alcançada com a democracia.

Para saber mais sobre os livros d coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/colecao/Novas%20Arquiteturas%20Pedag%C3%B3gicas

 Inclusao escolar_Autogestao na sala de aula