‘CONVENÇÃO DE IOGA REÚNE CENTENAS DE PESSOAS EM SÃO PAULO’

É a primeira vez que uma representante da família Iyengar vem ao Brasil

Matéria de Iara Biderman, publicada originalmente no jornal
A Folha de S. Paulo, em 19/05/2019

Mais de 300 tapetinhos de ioga forram o salão do Tênis Clube Paulista. Localizado no bairro da Aclimação, entre o Paraíso e a Liberdade, o clube sedia as atividades da 3ª Convenção Brasileira de Iyengar Yoga.

Ao lado dos tapetes, blocos, mantas, cintos e cordas ajudam pessoas de diferentes idades e condicionamento físico a sustentarem os “ásanas” (posturas). São os “props”, objetos de apoio típicos da Iyengar.

Mesmo alunos menos experientes mantêm o equilíbrio, até em posturas complicadas, como as que ficam com as pernas para o ar e a cabeça para baixo, sustentando todo o peso do corpo.

Seguindo as instruções da professora, que indica as sequências de exercícios e corrige os alinhamentos corporais, nem parece ser algo tão difícil. Em alguns momentos, a sincronia dos corpos lembra uma coreografia bem ensaiada, embora seja a primeira vez que o grupo todo pratica junto. E com aquela professora.

Abhijata Iyengar, a mestra, é a alma da terceira convenção de Iyengar realizada no Brasil. A associação brasileira foi criada há 13 anos, mas é a primeira vez que um membro da família Iyengar vem ao país.

Neta de B.K.S. Iyengar (1918-2014), fundador dessa linha dentro da hata-ioga, ela é a sucessora responsável por manter o legado do avô, que sistematizou o aprendizado da prática milenar e, mesmo respeitando a tradição, transgrediu ao ministrar aulas mistas e democratizar o conhecimento das técnicas.

Tudo isso é encarado de forma simples e natural pela indiana de 36 anos, formada em bioinformática e mãe de dois filhos, de seis e dois anos. Este modo de ser é transmitido na aula.

“Quando você vê que tudo é simples, os nós na cabeça se desfazem naturalmente. Foi isso que B.S.K. me ensinou, é onde se apoia a prática do Iyengar”, diz ela.

O método não se baseia em explicações e divagações teóricas, o ensino parte do corporal, físico. “Não é para criar fantasias, dizer feche os olhos e medite. A pessoa pode estar de olhos fechados sonhando com o que vai comer no jantar. Isso não é meditação.”

O aprendizado começa com posturas em que a mente está ativamente envolvida com o corpo, concentrada na posição do quadril, no alinhamento dos pés ou de cabeça e ombros, por exemplo. A partir dos aspectos mais simples, a evolução no caminho da ioga ocorre de maneira tangível e compreensível, segundo Abhijata.

Descomplicar ou mesmo desmistificar a prática é um dos méritos de B.S.K. Iyengar, que mostrou ser possível conciliar o caminho (também espiritual) com as demandas da vida mundana.

Lição aprendida por Abhijata, que, como boa parte das mulheres fazem hoje, equilibra uma agenda de aulas, palestras, convenções, reuniões, trabalho e cuidados com a casa ou com os filhos.

“Como eu faço isso? Acho que é a vida. Tento estar inteira em cada coisa. Veja, tento, mas agora, por exemplo, estou pensando no que meus filhos estão fazendo”, diz.

Abhijata conversou com a repórter após passar mais de oito horas entre aulas e reuniões no primeiro dia da convenção em São Paulo. Ela está há quase dois meses em tour pela América Latina.

A ioga ajuda, é claro. “É o que me dá energia, foco. Sem a prática eu viveria totalmente dividida entre as inúmeras coisas que preciso e quero fazer”, diz.

Concentração, relaxamento ou alívio de dores são alguns dos benefícios da ioga, mas o que ela realmente oferece, segundo Abhijata, é integração e união entre a mente e o coração.

A oferta não é inalcançável nem exige de ninguém se afastar dos comuns-mortais e renunciar ao mundo. Ao contrário, é estar nele, só que de outra forma.

“O mundo está um caos porque estamos desconectados do que fazemos, das outras pessoas, da sociedade, da natureza. A prática da ioga conecta a pessoa consigo mesma; a partir daí, a harmonia com tudo o que está em volta se torna possível”, afirma Abhijata.

Para ler na íntegra (assinantes Folha de S.Paulo e UOL), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/05/convencao-de-ioga-reune-centenas-de-pessoas-em-sao-paulo.shtml

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Se você tem interesse no tema, conheça:

LUZ NA VIDA
A jornada da ioga para a totalidade, a paz interior e a liberdade suprema
Autor: B. K. S. Iyengar
SUMMUS EDITORIAL

Considerado o maior mestre de hata-ioga do planeta, o autor criou um método que permite a todos – inclusive idosos, portadores de deficiências ou de doenças crônicas – praticar ioga e recuperar ou aprimorar a saúde. Seus ensinamentos não têm nada de dogmáticos: usando de sabedoria, simplicidade e experiência, ele mostra como atingir a paz interior por meio da ação, da reflexão e do autoconhecimento. Obra imprescindível para os que buscam qualidade de vida.

MORRE O MESTRE IYENGAR

Lamentamos informar que faleceu nesta quarta-feira, dia 20 de agosto, o guru Bellur Krishnamachar Sundararaja Iyengar, um dos responsáveis pela popularização da prática da ioga no mundo ocidental. Iyengar tinha 95 anos e morreu de insuficiência renal, em um hospital de Pune, na Índia. Autor de várias obras sobre ioga, a Summus publicou em 2007 o livro Luz na vida – A jornada da ioga para a totalidade, a paz interior e a liberdade suprema.  Na época, Iyengar era o maior professor vivo de ioga no mundo. Usando de sabedoria, simplicidade e experiência, ele mostra no livro como atingir a paz interior por meio da ação, da reflexão e do autoconhecimento.

B. K. S. Iyengar tinha por volta de 14 anos quando começou a praticar ioga. Franzino, debilitado e suscetível a todo tipo de doença, ninguém imaginava que ele sobreviveria. Com a ajuda da ioga, Iyengar não apenas sobreviveu como passou a disseminar os benefícios de sua prática, provando que ela é indicada a qualquer pessoa. No livro, ele condensou sua experiência e traduziu os complexos conceitos da filosofia hindu de maneira simples e envolvente.

Com mais de 70 deles dedicados à técnica, Iyengar foi quem mais difundiu a ioga no Ocidente e no Oriente nos últimos 50 anos. Ele transmitiu seus conhecimentos a milhares de alunos no mundo todo. A profundidade com que as posturas são realizadas em seu método, conhecido como Iyengar ioga, traz ao praticante mais do que consciência corporal: permite o alinhamento de corpo, mente e alma.

“Ao observá-lo manipulando um paraplégico e notar a precisão com que ele colocava aquele aluno nos ássanas (posturas), concluí que ele tem o máximo conhecimento da mecânica dos movimentos corporais e de cada manobra complexa dos ássanas”, afirma Sandro Malburg Bosco, diretor da Escola Yoga Dham, que visitou o mestre na Índia. Segundo ele, as orientações de alinhamento dadas por Iyengar intensificam os benefícios que começam no corpo físico e reverberam internamente nos níveis mais sutis da mente e da existência humana.

Utilizando recursos simples, Iyengar criou maneiras para que qualquer um – crianças, jovens, gestantes, idosos, deficientes, enfermos – possa praticar ioga. É essa “democracia” que caracteriza seus ensinamentos. De acordo com o mestre, a ioga é para todos e seus benefícios devem ser proporcionados ao maior número de pessoas possível.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1015/Luz+na+vida