‘HOTEL DO SONO EM SP QUER ENSINAR COMO DORMIR MELHOR’

Coisas que eu aprendi depois de passar uma noite no Hotel do Sono, em São Paulo: quarto e banheiro com iluminação indireta de fato ajudam a ligar o botão da sonolência, não é só o chá de camomila que ajuda a dormir melhor (alface, cereja e aveia também estão na lista) e é muito, muito difícil desapegar do celular pelo menos duas horas antes de dormir, como foi recomendado.

Confesso que, na falta de TV no quarto, às vezes uso o aplicativo da Netflix como sonífero. Eu sei que muitos médicos torceriam o nariz –tanto para as luzes fortes a essa hora como para a proximidade do aparelho na cama–, mas para mim funciona. Infelizmente, não sou do tipo que deita na cama e apaga.

Mas, depois de ter recebido várias recomendações para ter um sono melhor, me senti na obrigação de colocá-las em prática. Fiz uma refeição leve, bebi suco de maracujá, tomei um banho quente à meia luz e fui pra cama já com sono.

Fiquei quietinha por uns 50 minutos, mas barulhos inusuais (caminhões passando, o ruído do frigobar) não ajudaram. Ansiosa, não resisti e peguei o celular (no modo noturno, com pouca luz). Sanada a abstinência, o sono veio.

COMO FUNCIONA

Instalado em um casarão na Vila Mariana onde normalmente funciona o We Hostel, o Hotel do Sono é temporário e talvez se torne itinerante, dependendo de seu sucesso.

Ele funciona até o dia 24 de julho e, até lá, oferece atividades gratuitas ao público: palestras com médicos do sono, tour guiado com dicas de como dormir melhor e exemplos de um bom quarto e aulas de meditação e respiração. Só é preciso agendar um horário no site do projeto. A hospedagem, porém, não é aberta ao público.

A iniciativa é da Medley, que não revela quanto gastou no empreendimento, que incluiu uma reforma no hostel e novo mobiliário.

A empresa, junto com a Sanofi, lidera o mercado de tratamentos terapêuticos para a insônia, segundo Carlos Aguiar, diretor da Medley. “Mas não estamos fazendo propaganda de remédio, não há nenhuma menção a isso no hotel. Estamos levantando a bandeira do problema e dizendo ‘você precisa cuidar do seu sono e, se não conseguir melhorá-lo mudando o comportamento, procure seu médico'”, afirma ele.

“Não dormir bem não é normal. Ter problema no sono é um problema de saúde e pode ter consequências a curto e longo prazo, mas muita gente não reconhece isso”, diz Rosa Hasan, neurologista especialista em sono e médica assistente no laboratório do sono do IPq (Instituto de Psiquiatria do HC da USP).

Segundo ela, dormir mal pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, de obesidade e de alterações cognitivas, perda de libido e piora a aparência da pele.

O quadro é pior em cidades grandes. Segundo estudo publicado na revista científica “Sleep Medicine”, até 40% das pessoas que moram na cidade de São Paulo sofrem de insônia em algum grau. O transtorno é a dificuldade de manter o sono (e não só de pegar nele) e causa cansaço, irritação, dificuldade de concentração e dor de cabeça.

Além das dicas já conhecidas para ter uma boa e reparadora noite de sono, Hasan faz uma recomendação pertinente e atual: quando estiver prestes a dormir, evite entrar em contato com conteúdo que cause preocupação, aborrecimento e brigas (leia-se: talvez seja a melhor hora para silenciar aquele grupo no WhatsApp).

Matéria de Mariana Versolato, editora-adjunta de “Cotidiano, publicado na Folha S. paulo, em 18/07/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/07/1902032-hotel-do-sono-em-sp-quer-ensinar-como-dormir-melhor.shtml

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Quando os problemas de sono de repetem com freqüência, é preciso admitir que se está diante de um caso de doença do sono e que é necessário tratá-la. Este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar do Hospital Albert Einstein, mostra os procedimentos corretos em termos de exames de diagnóstico, os diferentes tratamentos e seus efeitos. Obra útil para um grande número de pessoas que dorme mal mas desconhece as causas do problema.

‘VOCÊ CUIDA DO CORPO? CONFIRA SEIS DICAS PARA MELHORAR O SEU SONO’

Barulho, vida noturna, TV e celular. São diversos fatores que atrapalham uma boa noite de sono. E muitas vezes o problema é de difícil solução.

“Acredita-se que em 1900 as pessoas dormiam em torno de 9 horas por noite. Hoje em São Paulo dorme-se 6 horas”, diz Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do Incor (Instituto do Coração). “O grande vilão é a luz elétrica”, afirma.

Para os especialistas, o problema aumentou com os celulares. De acordo com Lorenzi, “é necessário fazer uma higiene do sono”. Assim como nos preocupamos com nossa alimentação, nosso condicionamento físico e nosso corpo, é preciso verificar se as noites estão sendo bem dormidas e eliminar o que está atrapalhando. Confira abaixo algumas formas de deixar o sono mais limpinho e inteiro.

Apague a luz, desligue a TV, deixe o celular na cômoda

O que nos faz adormecer é a melatonina, um hormônio que é secretado à noite e no escuro. Assim, para cair no sono, é fundamental evitar à exposição à luz. A higiene do sono pode começar aí. Procure deixar o ambiente escuro e desligue a TV. Caso a luminosidade da rua insista em entrar, uma dica é dormir com uma máscara nos olhos. Procure não levar o celular para a cama. Caso isso seja inevitável, uma dica é reduzir a intensidade de luz do dispositivo.

Você pode até estar acostumado, mas barulho atrapalha o sono

“Se você está num ambiente ruidoso e o barulho parar, você vai adormecer”, diz Moreno. Contudo, ruídos menores, com os quais você pensa estar acostumado, podem estar prejudicando seu sono. “A pessoa tem a sensação de que está dormindo, mas desperta em intervalos curtos, que ela não percebe. E o cérebro fica estimulado”, diz o neurologista Luciano Ribeiro. Eliminar o barulho ajuda na faxina do sono. Quando não dá para pedir para o mundo fazer mais silêncio, você pode tentar usar um protetor auricular.

Suas preocupações não devem ir para cama junto com você

Se você for se deitar com todas as suas preocupações, o debate com elas vai continuar noite adentro. Uma dica é “fazer um diário de preocupações antes de ir para cama, para não ficar remoendo elas”, diz Lorenzi. É importante adotar rituais antes de dormir que sinalizem à mente que o momento do sono chegou. A regularidade desses hábitos garantem um sono mais tranquilo, livre dos problemas a serem resolvidos durante o dia.

Bebida alcoólica e esporte não dão sono tranquilo

Você pode até dormir rapidamente depois de tomar um drinque, mas não será um sono tranquiloo. “O álcool é um depressor do sistema nervoso, gera sonolência, mas é agente perturbador do sono”, explica Moreno. Tente tomar bebidas alcoólicas, ao menos, três horas antes de dormir. O esporte, associado por muitos à indução do sono, também pode atrapalhar. “Libera adrenalina. Não é adequado [praticar esportes] se logo depois você precisar dormir”, diz Ribeiro. Mas caso você não tenha dificuldades em cair no sono depois da atividade esportiva noturna, não precisa tirá-la da agenda.

Cuidado com o uso de remédios

Medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos atrapalham e modificam nosso sono. “O uso desses remédios tem de ser criterioso e com orientação médica para que não seja mais um fator interferindo na qualidade do sono”, diz Ribeiro. Segundo ele, é importante atentar para os problemas respiratórios, como ronco e apneia, que interferem na qualidade do seu sono e podem atrapalhar também quem dorme com você.

Cuide da temperatura do ambiente, do travesseiro e do colchão

Há detalhes que atrapalham o sono que são bem fáceis de perceber. Basta pensar naquele travesseiro grande demais, no colchão duro que você alguma vez teve que enfrentar, no quarto quente ou que não tinha cobertor. Imprevistos assim podem acontecer eventualmente, mas cuide para que esses elementos não estejam presentes no seu quarto. “O ideal é tornar ambiente adequado em todos aspectos”, diz Ribeiro.

Matéria de Fernando Cymbaluk, publicada originalmente no UOL Ciência e saúde, em 27/01/2017. Para acessá-la: https://noticias.uol.com.br/saude/listas/voce-cuida-do-corpo-da-alimentacao-que-tal-cuidar-tambem-do-sono.htm

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‘CINCO CONSEQUÊNCIAS DA FALTA DE SONO’

Especialistas confirmam: dormimos cada vez menos.

“Os problemas de sono constituem uma epidemia global que ameaça a saúde e a qualidade de vida de mais de 45% da população mundial”, diz a Associação Mundial de Medicina do Sono (WASM, na sigla em inglês).

“Dormir bem é um dos três pilares fundamentais para ter uma boa saúde, ao lado de uma dieta equilibrada e exercício regular”, completa a associação em nota informativa.

Para Shirley Cramer, diretora executiva da Sociedade Real de Saúde Pública da Espanha, muitos dizem dormir de quatro a cinco horas por dia, mas isso não é algo de que se gabar.

3 elementos necessários para dormir bem

Duração: Suficiente para ficarmos descansados e alertas durante o dia (entre 7 e 9 horas por dia)
Continuidade: Dormir sem interrupções para que o sono seja efetivo
Profundidade: O sono deveria ser suficientemente profundo para que seja restaurativo

Cramer diz que a falta de sono possui impactos altamente nocivos na saúde física e mental. “Sabemos, por várias pesquisas, que quem tem privação de sono possui risco muito mais alto de ter doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e depressão.”

Estas são algumas formas pelas quais dormir pouco pode afetar sua saúde:

1. Dieta ruim

“A falta de sono faz com que nos alimentemos pior”, diz Cramer.

De acordo com um estudo do órgão espanhol, mais de um terço das pessoas come mal quando dorme pouco.

O motivo, segundo a especialista, é que nessa situação costumamos comer alimentos pouco saudáveis, e por isso a falta de sono está vinculada ao aumento de peso.

A comunidade científica também associa a falta de sono à obesidade e ao diabetes.

Segundo estudo realizado em 2015 por pesquisadores no Catar, dormir pouco aumenta o apetite e a resistência à insulina.

Dormir bem, afirma a Sociedade Real de Saúde Pública da Espanha, é “essencial para a regulação do metabolismo, sobretudo em crianças, e há evidências da relação entre horas de sono e incidência de obesidade infantil”.

Em resumo, a orientação é “se dormir bem comerá melhor”.

2. Saúde mental afetada

Dormir pouco tem relação com uma variedade de transtornos físicos, mentais e de comportamento.

“A saúde mental é uma questão particular e, de certo modo, é um círculo vicioso: se tem problemas mentais, dorme pouco, e vice-versa. E se sente cada vez pior.”

Para Cramer, buscar ajuda psicológica é “vital” nesses casos. O conselho dela para casos de insônia é buscar tratamentos com medicamentos específicos ou terapia comportamental, que demonstra, diz, ser “altamente eficaz”.

Segundo a organização espanhola Instituto de Medicina do Sono, a falta de sono está associada a problemas psicológicos, depressão e ansiedade.

3. Risco de acidentes

A possibilidade de sofrer acidentes cresce com a ausência de sono.

“Um em cada cinco acidentes tem a ver com a falta de sono”, afirma Cramer.

Segundo o órgão de segurança de estradas dos EUA (NHTSA, na sigla em inglês), 40 mil pessoas se ferem por ano no país por problemas relacionados à falta de sono, e 1.550 pessoas morrem nesses tipos de acidentes.

Estudo da Harvard Medical School já apontou que 250 mil condutores dormem ao volante por dia nos EUA.

Mas o perigo não está somente nas ruas, diz Cramer, que cita o risco de acidentes domésticos. “Dormir pouco põe em risco nossa saúde em muitos aspectos.”

4. Menor rendimento físico

Dormir bem é importante para ter energia durante o dia.

Trata-se, de fato, de um aspecto fundamental para o funcionamento de nosso cotidiano, apontam especialistas.

Atletas profissionais podem dormir pouco e ainda assim apresentar bom rendimento, mas é fundamental descansar por tempo suficiente após a prática de exercícios.

O problema da falta de sono é o impacto no rendimento físico, pois o corpo precisa de um mínimo de horas de descanso.

“O processo de regeneração de tecidos cerebrais e físicos ocorre à noite. Se não há descanso não há recuperação correta, e isso afeta o rendimento físico e intelectual”, diz Madrid Mateu, coordenador de educação física.

Além disso, praticar exercícios físicos estimula um sono melhor, daí a combinação perfeita entre as atividades.

5. Limitação cognitiva

“Sabemos que a falta de sono ou má qualidade do sono tem grande impacto negativo na saúde, em curto e longo prazo”, afirmam especialistas da WASM.

Os efeitos impactam a capacidade de atenção, a recuperação da memória e a aprendizagem.

“Deveríamos entender o sono do mesmo modo que entendemos outras coisas que beneficiam nossa saúde, como boa dieta e atividade física”, lembra Cramer.

Para a pesquisadora, o ato de dormir bem muitas vezes é subestimado, mas é algo que deveria preocupar a todos. “É uma questão de saúde pública.”

Matéria da BBC Brasil, publicada no UOL Ciência e Saúde em 05/04/2016. Para lê-la na íntegra, acesse: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2016/04/05/cinco-consequencias-da-falta-de-sono.htm

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‘PESQUISA DEMONSTRA COMO A FALTA DE SONO AFETA A TOMADA DE DECISÕES NA CRISE’

Estudo é pioneiro em mostrar impacto do cansaço em situações de risco nas quais as circunstâncias mudam constantemente e é preciso decidir o melhor caminho a seguir

A diferença entre a vida e a morte na sala de cirurgia, no campo de batalha ou durante um tiroteio policial muitas vezes se resume à capacidade de adaptação ao inesperado. A privação do sono – um dos grandes males da vida moderna – pode prejudicar isso, aponta um estudo da Washington State University publicado este mês na revista científica Sleep.

Pela primeira vez, os pesquisadores conseguiram reproduzir, em laboratório, uma simulação de como a falta de sono afeta aspectos críticos da tomada de decisão em situações-limítrofes do mundo real. Os resultados fornecem pistas de como ficar sem dormir por longos períodos pode levar médicos, socorristas, soldados e outros profissionais que lidam com crises a tomarem decisões catastróficas.

A história recente está cheia de exemplos das consequências, por vezes devastadoras, de pessoas “funcionando” sem dormir o suficiente. Investigações sobre o colapso na usina nuclear de Chernobyl e a explosão do ônibus espacial Challenger, por exemplo, mostraram que operadores privados de sono tiveram papéis cruciais nesses acidentes.

Criar uma situação controlada, em laboratório, que simula suficientemente bem as circunstâncias que levaram a lapsos graves de julgamento do mundo real sempre foi um desafio para os cientistas. Estudos já publicados anteriormente conseguiram mostrar como o sono compromete a atenção, mas os efeitos disso em testes de cognição e na tomada de decisões ainda são raros nesse campo de estudo.

Normalmente, a tomada de decisão é um processo dinâmico que exige de cada indivíduo se inteirar do que está ocorrendo em volta dela, como resultado de suas ações e de mudanças nas circunstâncias. Um cirurgião, por exemplo, pode notar uma mudança nos sinais vitais de um paciente no meio de um procedimento. Ele usa essa informação, também chamada de feedback, para decidir qual o melhor caminho a seguir.

“Um aspecto inovador deste estudo foi o uso de uma tarefa simples de laboratório que capta o aspecto essencial da tomada de decisões no mundo real, de se adaptar a novas informações em uma situação de mudança”, disse John Hinson, professor de psicologia e um dos autores da pesquisa.

“Estudos anteriores sobre perda de sono e tomada de decisões não levaram em conta a importância da adaptação de cada indivíduo à evolução das circunstâncias na hora de determinar se a perda de sono pode ou não levar a falhas em tomadas de decisão.”

Para o experimento, foram usados 26 voluntários saudáveis, dos quais, 13 foram selecionados aleatoriamente para passar 62 horas sem dormir, enquanto a outra metade do grupo pôde descansar. Durante seis dias e noites, os participantes viviam em um laboratório que lembrava um hotel, onde realizaram uma tarefa de aprendizagem reversa concebida para testar a capacidade deles de usar feedback para orientar decisões futuras.

Na tarefa, os indivíduos foram apresentados a uma série de números que, desconhecidos para eles, foram pré-definidos como “vá” (resposta) e “não vá” (não-resposta). Eles tinham menos de um segundo para decidir se respondiam ou não a cada número mostrado. Toda vez que eles identificaram corretamente um número com um valor de “vá”, recebiam uma recompensa monetária fictícia. Erros resultavam em perda.

Depois de algum tempo, tanto o grupo privado de sono quanto os que puderam descansar começaram a entender a tarefa e a selecionar os números certos. Em seguida veio a parte difícil. Os pesquisadores inverteram as contingências, de modo que os participantes tiveram que recusar uma resposta aos números que significavam “vá” e responder aos números que indicavam “não vá”.

Isso mostra, defendem os pesquisadores, que não importa o quanto uma pessoa quer fazer a escolha certa, a perda de sono faz algo com o cérebro que simplesmente impede o uso do feedback de forma eficaz. Para eles, a pesquisa fornece uma nova ferramenta para investigar como a privação do sono produz erros de decisão em situações da vida real onde a informação muda ao longo do tempo.

“Nossos resultados nos dizem que colocar as pessoas privadas de sono em ambientes de potencialmente perigosos é um negócio inerentemente arriscado e levanta uma série de implicações médicas, jurídicas e financeiras”, disse Hans Van Dongen, diretor do Centro de Pesquisas do Sono e da Washington State University, outro autor do estudo.

Texto publicado originalmente no iG, em 12/05/2015. Para lê-lo na integra, acesse:
http://saude.ig.com.br/minhasaude/2015-05-12/pesquisa-demonstra-como-a-falta-de-sono-afeta-a-tomada-de-decisoes-na-crise.html

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