‘SAIBA COMO IDENTIFICAR A DISLEXIA E CONHEÇA A HISTÓRIA DE QUEM VIVE COM ELA’

O transtorno afeta leitura, escrita e soletração, mas é possível conviver com isso: “Sei que tenho um problema e tenho que lidar com ele. Para falar a verdade, na maioria das vezes nem me lembro de que sou disléxico”

No processo de aprendizagem, ela começa a dar sinais, porém é difícil chegar ao diagnóstico, já que muitas vezes é confundida com preguiça. A dislexia se caracteriza como uma dificuldade de leitura, escrita e soletração e tem origem neurobiológica. Conheça a história de quem convive com o transtorno e descubra maneiras simples de detectá-la.

A fonoaudióloga Ana Lúcia Duran conta que, ao longo do tempo, a forma de classificar a dislexia foi sofrendo alterações. Atualmente vários autores dividem o transtorno em grau leve e severo, e categorizam o tipo de acordo com a dificuldade mais evidente, que pode ser:

– Auditiva: dificuldade de percepção sonora e associação fonema/ grafema;
– Visual: dificuldade de percepção espacial (inversão de letras);
– Mista: ocorrem sintomas auditivos e visuais.

Identificando o problema

É no período de alfabetização e nos primeiros anos do ensino fundamental que os sinais mais notáveis costumam aparecer. Queixas ligadas ao histórico escolar, por exemplo, pode ser um alerta. “Trocas de sons na fala não esperados para idade, dificuldades em tarefas metafonológicas, como na identificação de rimas, e incompetência nas habilidades de noção espacial e temporal são sinais que merecem atenção”, alerta Ana Lúcia.

A especialista ressalta que esse transtorno ocorre em indivíduos com inteligência normal ou acima da média. “Não há comprometimento cognitivo, mas a dificuldade leva à desmotivação em relação ao aprendizado. O diagnóstico deve ser realizado sempre por uma equipe multidisciplinar composta por médico neurologista, fonoaudiólogo e psicólogo”, explica.

Lidando com o transtorno

A comerciante Adriana Oraggio conta que sempre achou que alguma coisa não estava certa com o filho, Bruno Oraggio, mas o laudo de dislexia só veio quando o garoto tinha 11 anos, depois de passar por duas avaliações multidisciplinares. “A fase de alfabetização foi muito complicada. As coisas não fluíam igual estava acontecendo com as crianças da mesma idade. Ele tinha muita dificuldade, entendia perfeitamente tudo, mas na hora de passar para o papel era quase impossível”, lembra.

Adriana diz que Bruno fazia acompanhamento com fonoaudióloga e psicóloga desde os 5 anos e, depois que foi diagnosticado, passou a fazer acompanhamento com uma psicopedagoga, um neurologista e precisou permanecer na fonoaudióloga.

Falta de foco ou motivação?

Segundo Ana Lúcia, é comum ouvir reclamações de que os indivíduos disléxicos são desatentos. A fonoaudióloga fala que é preciso verificar se realmente é uma dificuldade manter o foco ou se é uma falta de motivação.

“Para que a criança desenvolva seus talentos é necessário um olhar cuidadoso e sensível do educador, buscando seus centros de interesse e desenvolvendo, a partir daí, estratégias facilitadoras para a leitura e escrita”, acrescenta a especialista.

Tratamento

Quando não há outras comorbidades (duplo diagnóstico) não é necessário o uso de medicamentos, mas é fundamental passar por uma terapia com fonoaudiólogo especialista em linguagem. A intervenção de um psicólogo só é preciso quando o disléxico sofre prejuízos emocionais.

“Com o tratamento, as melhoras foram muitas. Principalmente na autoestima, porque ele começou a acompanhar os outros amigos da classe e isso fez com que tudo melhorasse. Hoje o Bruno tem uma vida escolar normal. E as cobranças também são iguais as de qualquer garoto da mesma idade”, diz Adriana.

Aos 15 anos, Bruno fala que já se acostumou com o transtorno que possui. “Sempre achei que o meu problema era mais falta de atenção mesmo e que eu era o culpado. Hoje sei que tenho um problema e tenho que lidar com ele. Para falar a verdade, na maioria das vezes nem me lembro de que sou disléxico”, conta o jovem.

Postura dos pais e escola

Para Ana Lúcia, é fundamental que as pessoas que estão ao redor de quem possui o transtorno tenham compreensão das dificuldades que ela enfrenta. “Preguiça não é diagnóstico e rótulos deste gênero são muito prejudiciais”, afirma.

Ela completa dizendo que a escola também deve estar preparada para atender às necessidades do indivíduo com dislexia. “Deve haver adaptação de atividades e avaliações, de acordo com as necessidades individuais de cada aluno, em respeito a legislação vigente (Lei 13.146 capitulo IV art. 27 a 30), tomando sempre todos os cuidados para não expor o aluno”, completa a especialista.

Matéria de Beatriz Bradley e William Amorim, publicada originalmente no iG Delas, em 19/09/2016. Para acessar na íntegra: http://delas.ig.com.br/filhos/2016-09-19/dislexia.html

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Para saber mais sobre dislexia conheça a obra:


60081
A DISLEXIA EM QUESTÃO
Autora: 
Giselle Massi
PLEXUS EDITORIAL

A obra problematiza o reconhecimento da dislexia como distúrbio ou dificuldade de aprendizagem da escrita. Discutindo a inconsistência etiológica e sintomatológica desse suposto distúrbio, bem como a fragilidade das formas de diagnosticá-lo, a autora analisa casos de sujeitos rotulados como portadores de dislexia e mostra que eles – ao contrário dos rótulos que carregam – estão em pleno processo de construção da escrita.

‘DISLEXIA: PAIS DEVEM FICAR ATENTOS AOS SINAIS E CONTROLAR A ANSIEDADE’

Profissional explica que de 4 a 6% da população pode ter o distúrbio e que o diagnóstico precoce ajuda no tratamento

Você já ouviu falar em dislexia? O distúrbio genético afeta apenas de 4 a 6% da população, mas é de extrema importância que os pais fiquem atentos desde a infância dos filhos, já que descobrir o problema cedo é essencial para seu tratamento.

Em entrevista ao iG Delas, a psicopedagoga Sheila Leal explica que a dislexia é um distúrbio específico da leitura e escrita, que também pode ser agravado nas questões matemáticas.

“O maior desafio é fazer com que a letra seja reconhecida e seja transformada em som. A criança vê a letra mas não reconhece o som que ela produz”. Isso quer dizer que a pessoa tem dificuldades na rota fonoaudióloga.

Para entendermos um pouco melhor, ela explica que o momento em que um dislexico vai ler é como nós lemos algo em um língua que não dominamos. “A criança lê bem devagar”, explica Sheila.

Segundo a profissional existem três tipos diferentes do distúrbio genético:

Visual: as crianças trocam as letras de lugar na hora da leitura.
Auditiva: elas não conseguem processar o som.
Mista: as duas coisas acontecem.

Além disso, o grau também pode variar entre leve, moderada e severa. Nesta última, são crianças que, com 13 anos, ainda não conseguiram ser alfabetizadas. Segundo a psicopedagoga, o problema nunca vem sozinho. “A pessoa que tem dislexia, tem outros problemas, a não ser que consiga detectar a doença muito cedo”.

Disgrafia

Muito comum nas crianças que têm esse distúrbio, a disgrafia é um problema específico de coordenação motora no momento da escrita.

Discalculia

Também pode estar presente na pessoa dislexica. “É uma dificuldade em reconhecer números, tempo, espaço, cores, meses, ano e dia da semana”, diz a psicopedagoga.

Disortografia

A criança que tem disortografia, segundo Sheila, escreve uma mesma palavra de maneiras diferentes.

A dislexia não tem cura, mas existe tratamentos. É nessa hora que os pais da criança têm que estar atentos, já que o diagnóstico deve ser feito o quanto antes. “Só vai ser detectado antes, com um pai e uma mãe extremamente presentes na vida da criança”.

Veja alguns sinais que podem detectá-la:

Uma criança que não consegue detectar cores depois dos 5 anos
Atraso de linguagem
Criança com 7 anos que ainda fala errado

“Existem muitos pré-requisitos, mas a criança já começa a dar os sinais a partir dos 4 anos”, explica ela, que o diagnóstico preciso acontece por volta dos 7 ou 8 anos da pessoa.

Relação dos pais

A profissional ressalta a importância dos pais da criança nessa fase e fala sobre a ansiedade. “Eles querem ver o filho alfabetizado com 6 anos e dificilmente isso vai acontecer. A gente precisa gerenciar a ansiedade”, conta.

Sheila ainda conta que uma simples brincadeira pode fazer com que os pais percebam que tem algo errado e devem saber que se tem um filho com esse tipo de problema, tem um filho com uma “mente brilhante”, que essas crianças têm um QI acima da média e habilidades diferenciadas.

Matéria publicada originalmente no portal iG Delas em 14/06/2016. Para acessá-la na íntegra:
http://delas.ig.com.br/filhos/2016-06-14/dislexia-pais-devem-ficar-atentos-sinais-controlar-ansiedade.html

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Saiba mais sobre o assunto com o livro:

60081A DISLEXIA EM QUESTÃO
Autora: Giselle Massi
PLEXUS EDITORA

A obra problematiza o reconhecimento da dislexia como distúrbio ou dificuldade de aprendizagem da escrita. Discutindo a inconsistência etiológica e sintomatológica desse suposto distúrbio, bem como a fragilidade das formas de diagnosticá-lo, a autora analisa casos de sujeitos rotulados como portadores de dislexia e mostra que eles – ao contrário dos rótulos que carregam – estão em pleno processo de construção da escrita.

 

GAGUEIRA NÃO É PSICOLÓGICO E NÃO DEVE SER TRATADA COMO TABU

A gagueira é um distúrbio de linguagem que vem sendo desvendado pela genética e pelas neurociências. Na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (CID 10), gagueira é uma ruptura no ritmo da fala, na qual o indivíduo sabe precisamente o que deseja dizer, mas é incapaz de fazê-lo devido a movimentos involuntários – não prontamente controláveis. É uma ruptura na expressão oral de um indivíduo, caracterizada por desvios no fluxo, na suavidade, no ritmo, na velocidade e/ou no esforço com as quais as várias unidades da linguagem são ditas. Há interrupções significativas numa sequência estabelecida de sílabas e palavras emitidas em um determinado tempo, isto é, as interrupções são variáveis e não ocorrem em todos os momentos.

Os movimentos involuntários da gagueira ocorrem, na maioria dos casos, em crianças por volta dos três anos, mas pode se manifestar até os 12 anos. Crianças que têm parentes que gaguejam, possuem 70% de chances de também terem gagueira, principalmente crianças que tiveram complicações durante o parto. Também há relatos de casos de gagueiras que resultam de infecções não tratadas adequadamente, e outros que tem exposição a agentes tóxicos.

Vários estudos científicos demonstram que a gagueira ocorre na mesma proporção em qualquer nível sócio-econômico-intelectual. Portanto, ela se manifesta independentemente da escolaridade, da cultura, do grupo populacional, da situação social ou religiosa. Mas, tudo indica que meninos têm uma propensão maior a ter distúrbios de linguagem por causa do funcionamento cerebral.

Os sinais de que seu filho é gago

De acordo com a fonoaudióloga clínica, especializada em gagueira, do Instituto Brasileiro de Fluência, professora, autora de livros e artigos sobre gagueira, Anelise Junqueira Bohnen, mãe de Guilherme, muitos sinais podem ser percebidos pelos pais, como as rupturas do fluxo da fala, repetições de som (e-e-eu), repetições de sílabas (ca-ca-casa) ou repetições de palavras monossilábicas (eu-eu-eu), além de interrupções da sequência de sons (chamadas de bloqueios) ou prolongamentos  de sons (ssssapo).

Segundo a fonoaudióloga, em alguns casos os sinais vêm acompanhados de tensão muscular ou alguma alteração no volume da voz. As próprias crianças podem perceber as alterações e reclamar por não conseguirem falar direito. “Como gagueira do desenvolvimento ocorre predominantemente numa fase de aquisição de linguagem, outros distúrbios de fala, linguagem e motricidade oral também podem ocorrer nesta idade”, explica Anelise.

 

O que fazer? Ao perceber os sinais – ou algum dos sinais indicados pela especialista – é essencial que os pais busquem ajuda de um fonoaudiólogo, de preferência aquele que seja especialista em gagueira. O problema pode desaparecer em mais de 98% dos casos, se tratados precocemente.

Como trabalhar o problema em casa?

“Gagueira não deve ser tratada como tabu”, diz a fonoaudióloga, e é por isso que deve ser encarada e conversada com a criança. Lembre-se que seu filho percebe que, em certos momentos, sua boca não ‘obedece’ aos comandos. Mas, quase nunca a criança vai entender seus sentimentos e, por isso, os adultos precisam lhe explicar. Esconder é muito pior. A gagueira é involuntária e, por isso, não adianta os pais mandarem a criança falar devagar, repetir, respirar etc. “É essencial que os pais deixem que ela termine o que está dizendo não interrompendo e evitando mostrar expressões preocupadas, falando de forma fácil e direta, descobrindo formas de não fazer muitas perguntas, dando uma rotina e uma organização para a criança”, orienta Anelise.

Não é psicológico!

Segundo Anelise, o maior mito em torno da gagueira é de achar que tem origem psicológica. “Esse mito vem impedindo que muitas crianças superem a gagueira. Tem contribuído para aumentar a culpa de pais e cuidadores, tem dificultado muito tanto a vida presente quanto a vida futura das crianças”, afirma.

Gagueira pode ser eliminada na infância, mas dificilmente o será na idade adulta. Portanto, não se deve esperar para buscar ajuda. As consequências da falta de tratamento são várias, mas uma das maiores é a discriminação e a vergonha. Gagueira é um dos casos típicos em que “esperar para passar” só agrava a situação.

 

Matéria de Ana Lis Soares, publicada originalmente na revista Pais & Filhos, em 17.09.2013. para ler na íntegra, acesse: http://revistapaisefilhos.uol.com.br/nossa-crianca/gagueira-nao-e-psicologico-e-nao-deve-ser-tratada-como-tabu-diz-fonoaudiologa-especialista-

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro “Gagueira: origem e tratamento”, da fonoaudióloga Silvia Friedman, especialista no assunto:


Através da análise dos depoimentos escritos e falados de sete pessoas, a autora traçou um paralelo entre o processo de desenvolvimento da consciência e a manifestação da gagueira. E, a partir de uma cuidadosa interpretação do que estudou, aponta uma abordagem terapêutica eficiente.

PLEXUS EDITORIAL

CANTORES E FONOAUDIÓLOGOS ENSINAM COMO CUIDAR E MELHORAR A VOZ

A voz límpida ecoa durante o concerto. No entanto, para que a plateia contemple um espetáculo musical de qualidade, é preciso que o cantor tenha muito preparo vocal. Marly Montoni, por exemplo, é uma cantora lírica que cuida, e muito, da sua garganta e cordas vocais. Mas todo esse carinho com a voz pode – e deve – ser incorporado por pessoas comuns, já que ela pode se manter saudável até a terceira idade, apenas tomando alguns cuidados simples.

“Cuido muito da minha alimentação, bebo bastante água, procuro fazer exercícios físicos regularmente, além de dormir bem para descansar o corpo”, conta a soprano.

Pode não parecer, mas a alimentação é uma parte importante dos cuidados com a voz. A fonoaudióloga e também musicista Elizabeth Amin explica que o refluxo gastroesofágico é uma causa comum de rouquidão da população, e é normalmente reflexo de uma dieta ruim.

“A acidez do estômago volta pelo esôfago, que não tem as paredes preparadas para essa substância. Isso afeta a parte posterior das pregas vocais”, explica. “E acontece da noite para o dia. A pessoa dorme com a voz ótima e acorda rouca”, conta Elizabeth.

A causa desse problema está, muitas vezes, nos inocentes alimentos do dia a dia. Um chocolate, um cafezinho, um leite e ou até mesmo uma dose de álcool podem piorar a sensação de ardor. Além disso, para algumas pessoas, o leite pode ocasionar um aumento da secreção, que interfere na cristalinidade na voz. “É o vulgo pigarro, quando parece que tem algo na garganta”, explica Elizabeth.

E aí mora outro problema: o pigarro é maléfico, porque causa um choque nas pregas vocais, assim como acontece com a tosse. “Não há problema em pigarrear, desde que seja esporadicamente. Se isso se tornar um hábito, a pessoa terá problemas na voz”, explica a fonoaudióloga.

A água, tão companheira de cantores e de outros que fazem uso da voz, deve ser consumida em doses ao longo do dia. “Não adianta tomar dois litros de água de uma só vez, é preciso hidratar o corpo constantemente, e, por consequência, a laringe também ficará hidratada”, explica Elizabeth, que também trabalha como orientadora vocal do CoralUSP.

Impostar ou apoiar a voz é um truque usado tanto pelos cantores como pelos atores. Apoiar a voz significa ter uma boa respiração, deixar que o ar seja impulsionado pelo diafragma para que a garganta apenas se torne um cano de passagem, sem que as pregas vocais sejam forçadas.

Marly é casada com um cantor lírico e partilha cuidados vocais no dia a dia. “Não grito, procuro falar usando a respiração diafragmática, falar apoiado”, explica.

Exercícios para uma boa voz
Além do cuidado com o corpo e alimentação, começar o dia com um contagiante bocejo é muito saudável. “Essa atitude simples mexe com as estruturas do trato vocal e também alonga, permitindo que ele saia do modo de relaxamento”, recomenda o fonoaudiólogo e professor de técnica vocal Juvenal de Moura.

Marly também faz exercícios diários, como a vibração de língua. “É bom para tirar o pigarro”.

Mais conhecido pela onomatopeia “trrrrr”, o exercício é apenas contraindicado para pessoas que tenham hematomas ou hemorragia na prega vocal, constatados por um otorrinolaringologista. “Para que as pessoas saudáveis não tenham nenhum problema, indicamos fazer o exercício de um modo relaxado, sem forçar”, explica.

Elizabeth ressalta que é o acompanhamento de um fonoaudiólogo é importante. “Não precisa ser um acompanhamento longo, apenas o tempo necessário para a pessoa aprender a fazer exercícios vocais corretamente”, explica.

Odeio minha voz, e agora?
Muito aguda, grave ou estridente. É comum ouvir reclamações acerca do próprio tom de voz. No entanto, o problema tem solução: a coordenadora do departamento de voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Maria Lucia Dragone explica que normalmente é possível fazer essa modificação.

“É sempre possível melhorar aspectos da voz que não estejam adequados à personalidade, sexo, estilo de vida ou necessidades profissionais”, explica. “Se a pessoa identifica algo que ela não gosta, há grandes chances do problema ser modificado ou minimizado”.

As reclamações são muitas, como é o caso das vozes estridentes ou agudas. “Algumas vezes essas vozes estão relacionadas à tensão fonatória, e podem ser facilmente transformadas. Por muitas vezes ela está relacionada à imagem de infantilização”, explica Maria Lúcia.

O tempo de fonoterapia varia de pessoa para pessoa. “Esperamos uma melhora já a partir da quinta sessão, e continuamos o tratamento até que o resultado seja satisfatório”, explica.

Voz de moça na terceira idade
Ao telefone, muitas sexagenárias podem se passar por garotinhas. E o segredo, que também vale para os homens, é simples: fazer exercícios vocais diários. “O canto é um excelente exercício para manter a voz jovial”, explica Elizabeth.

“Com os anos, a voz feminina vai ficando mais grave e a masculina mais aguda. Nas mulheres, isso acontece por conta dos hormônios, já nos homens, é por conta da perda muscular – as pregas vocais são músculos, então, se os homens perdem massa, a voz fica mais fina”, explica Moura.

Segundo ele, exercícios são essenciais. Bocejos, vibrações de língua, de lábio, e outros que equilibram a ressonância costumam surtir efeitos excelentes nas vozes dos idosos – mantendo-as como na juventude.

Inimigos da voz
Grito: o ar pode passar pelas pregas vocais em uma velocidade de até 80km/h, e isso machuca muito. A região tende a se recuperar rápido, mas, se essa atitude for frequente, a pessoa terá problemas, como hemorragias e edemas. Elizabeth explica, no entanto, que alguns têm “gogó de ouro”. Os homens, em geral, têm cordas vocais mais resistentes.

Pigarro: essa prática faz com que as pregas vocais se raspem uma na outra, provocando pequenas lesões.

Refluxo gastroesofágico: causa comum da rouquidão, é necessário que o problema seja tratado com um médico especializado. Mudanças na alimentação também ajudam a contornar o problema.

Sussurro : o problema não está no sussurro, mas sim no esforço que se faz para que as palavras sejam compreendidas. “Muitas pessoas cochicham e, ao mesmo tempo, querem ter volume na voz. Isso faz mal”, explica.

Riso excessivo: é possível rir até perder a voz. “Toda vez que rimos, batemos uma prega vocal contra a outra, como bater palmas. Se a pessoa é profissional da voz e já fez o aquecimento para usá-la, é melhor que não ria demais, senão ela não terá a mesma qualidade vocal”.

Curiosidades
Nossa voz é mais grave quando acordamos. Isso acontece, segundo Moura, por conta de um edema fisiológico. “Podemos comparar com nossos olhos, que amanhecem inchados. Com as pregas vocais é a mesma coisa: não demos trabalho algum para ela durante a noite, então ela relaxou. O inchaço vai diminuindo com o passar das horas ou com o aquecimento vocal”.

Durante a Tensão Pré-Menstrual (TPM) as mulheres ficam com a voz mais grave. Tudo por culpa do hormônio feminino estrogênio, que provoca inchaço no corpo todo – e as pregas vocais não saem ilesas. Quando o estrogênio cai, a voz volta ao normal. “Quem canta profissionalmente e é soprano, por exemplo, pode ter dificuldade na hora de cantar os agudos”, explica o fonoaudiólogo.

Maçã faz bem para a voz. Ela é adstringente e afina a saliva. “A maçã limpa o trato vocal, por onde passa o som. Com a saliva fina, a voz fica mais precisa”, explica Moura.
Matéria de Elioenai Paes publicada originalmente no iG São Paulo, em 13/09/2013. Para ler na íntegra, acesse: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-09-13/cantores-e-fonoaudiologos-ensinam-como-cuidar-e-melhorar-a-voz.html

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça os livros do Grupo Summus que falam sobre o tema:

VOZ – PARTITURA DA AÇÃO
Lucia Helena Gayotto
Plexus Editora
O ator em cena revela uma relação profunda entre seus recursos vocais e a situação vivida pelo personagem. Assim, a voz pode e deve interferir, modificar a situação e realizar-se como ação vocal. Para estudar essa ação vocal a autora criou uma partitura vocal para registrar os recursos vocais aplicados ao personagem, e, a partir daí, desenvolveu ferramentas para a elaboração da voz, em diferentes situações cênicas. O livro, fundamental na área teatral, amplia tais possibilidades, também para outros profissionais que utilizam a voz em seu dia-a-dia: conferencista, locutores etc.
ESTÉTICA DA VOZ
Uma voz para o ator
Eudosia Acuña Quinteiro
Plexus Editora
Escrito de forma simples e objetiva, este livro promove um encontro entre o teatro e a fonoaudiologia, analisando a criação teatral do ponto de vista da voz e da fala. Abordando desde o processo respiratório até o aquecimento vocal, a obra é útil para profissionais da voz que atuam nas mais variadas áreas.
TRABALHANDO A VOZ
Vários enfoques em fonoaudiologia
Léslie Piccolotto Ferreira
Summus Editorial
Este livro nos traz diversas abordagens no trabalho com a voz. Ensina a tirarmos o maior proveito da expressão pela voz, sem cansaços ou afonias, além de mostrar trabalhos relativos ao uso da voz no teatro, para professores e todos os que precisam da voz como instrumento de trabalho. Possui também capítulos de prevenção e tratamento dos diversos distúrbios da voz.
PODER DA VOZ E DA FALA NO TELEMARKETING, O
Treinamento vocal para teleoperadores
Eudosia Acuña Quinteiro
Plexus Editora
Atualmente, é fundamental que os operadores de telemarketing sejam capacitados, especialmente no que diz respeito ao treinamento fonoaudiológico. Este livro mostra que, se bem orientados, os teleoperadores serão mais produtivos e não terão problemas de saúde associados ao uso excessivo/incorreto da voz, além de sofrerem menos com o estresse diário. Obra dedicada a fonoaudiólogos, profissionais de RH, ergonomistas e médicos do trabalho.

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CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS NA ESCRITA DO ALUNO SURDO
Marília da Piedade Marinho Silva
Discute a questão da linguagem na educação do surdo, com base nas proposições de Vygotsky e Bakhtin, tomando como foco para a análise de redações de surdos os aspectos coesivos e o sentido do texto por meio dos enunciados e da continuidade temática. Percebe-se a interferência da LIBRAS, isto é, a condição bilíngüe – oral e de sinais – intervindo na instância interativa dos textos escritos.

De R$32,20                        Por R$16,10
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DISLEXIA EM QUESTÃO, A
Giselle Massi
 A obra problematiza o reconhecimento da dislexia como distúrbio ou dificuldade de aprendizagem da escrita. Discutindo a inconsistência etiológica e sintomatológica desse suposto distúrbio, bem como a fragilidade das formas de diagnosticá-lo, a autora analisa casos de sujeitos rotulados como portadores de dislexia e mostra que eles – ao contrário dos rótulos que carregam – estão em pleno processo de construção da escrita.

De R$63,70                        Por R$31,85

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ESTÉTICA DA VOZ
Uma voz para o ator
Eudosia Acuña Quinteiro
Escrito de forma simples e objetiva, este livro promove um encontro entre o teatro e a fonoaudiologia, analisando a criação teatral do ponto de vista da voz e da fala. Abordando desde o processo respiratório até o aquecimento vocal, a obra é útil para profissionais da voz que atuam nas mais variadas áreas.

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LETRAMENTO
Referências em saúde e educação
Ana Paula Berberian, Cristiane C. Mori-de Angelis, Giselle Massi (orgs)
A obra reúne estudos desenvolvidos por pesquisadores nos campos de educação e saúde em diferentes instituições do país. O tema do letramento, que tem sido objeto de discussão tanto nos Parâmetros Nacionais Curriculares como em contextos clínicos, é abordado de maneira atual, constituindo um referencial teórico-prático para fonoaudiólogos, psicólogos, educadores, lingüistas, neurologistas e pediatras.

De R$84,10                        Por R$42,05
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MUSICALIDADE DO SURDO, A
Representação e estigma
Nadir Haguiara-Cervellin
Há muitos anos a autora vem desenvolvendo pesquisas sobre a possibilidade do surdo ser, também, um ser musical. Na sua dissertação de mestrado mostrou que o surdo poderia ser privilegiado com a música ao invés de privado dela por “não ouvir”. Este livro é uma adaptação de sua tese de doutorado, trabalhando de forma mais ampla seu tema predileto: vai para os conceitos de representação e estigma usando a atividade musical para defini-los.

De R$53,80                        Por R$26,90
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SURDEZ E LINGUAGEM
Aspectos e implicações neurolingüísticas
Ana Paula Santana
A obra, um dos mais completos estudos já feitos acerca da surdez, trata de maneira crítica dos mais diversos aspectos ligados ao tema, tendo como base teórica a neurolingüística. Partindo das relações entre cérebro, linguagem e cultura, a autora explicita o desenvolvimento da comunicação do surdo. Aborda, ainda, as visões sobre o “normal” e o patológico, preconceitos, bilingüismo, língua de sinais etc.

De R$68,10                        Por R$34,05
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Amanhã, 4/9, quarta-feira, é dia dos livros de PSICOLOGIA em promoção!
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AUTORAS DO LIVRO FONOAUDIOLOGIA EM CONTEXTOS GRUPAIS AUTOGRAFAM EM CURITIBA

A Plexus Editora e as Livrarias Curitiba promovem no dia 29 de novembro, quinta-feira, das 18h30 às 21h30, a noite de autógrafos do livro Fonoaudiologia em contextos grupais. A obra, organizada pelas fonoaudiólogas Ana Paula Berberian e Ana Paula Santana, contribui para a sistematização consistente e fundamentada de abordagens grupais fonoaudiológicas em diferentes contextos. A livraria fica no Shopping Barigui (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600 – Lj.T17,   Barigui, Curitiba).

A obra reúne estudos e experiências de vários autores, abrangendo diversas facetas da profissão – do atendimento a crianças com dificuldades de linguagem à intervenção com idosos.

Dividido em onze capítulos, o livro revela que o trabalho com grupos tem se mostrado um importante dispositivo para a concretização dos propósitos da fonoaudiologia nos seus diversos espaços de atuação. “Pretendemos oferecer elementos que permitam compreender aspectos atrelados ao uso limitado do atendimento e também contribuam para a sistematização de abordagens grupais fonoaudiológicas que incidam sobre diferentes aspectos, grupos sociais e contextos institucionais”, afirmam as organizadoras.

Ao longo da obra, os autores abordam várias propostas de intervenção grupal, assentadas em distintos pressupostos teóricos. São reflexões e intervenções que focalizam terapeuticamente desde o atraso na aquisição e no desenvolvimento da linguagem oral, as dificuldades linguísticas impostas pela surdez, as dificuldades de leitura e escrita de adolescentes, as alterações de motricidade orofacial, as alterações vocais e as disfagias decorrentes de patologias neurológicas até a linguagem de idosos e a intervenção com familiares e trabalhadores.

Na avaliação das organizadoras, a divulgação, o debate e o aprofundamento das práticas fonoaudiológicas grupais que vêm sendo desenvolvidas são uma precondição para suprir uma lacuna de formação e de atuação dos profissionais da área, em especial os que trabalham em instituições de saúde e educação. “A constituição de grupos em torno de interesses, propostas e objetivos comuns potencializa a realização de projetos que, se individualmente são difíceis ou impossíveis de ser efetivados, tornam-se uma realidade em grupo”, complementam as organizadoras.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1319/Fonoaudiologia+em+contextos+grupais

 

CRIANÇA COM MUITA DIFICULDADE DE APRENDER A LER PODE TER DISLEXIA; CONHEÇA O TRANSTORNO.

Se o estudante tem dificuldade em aprender a ler e está muito atrasado em relação à turma, apesar de ter um bom professor, ele pode ter um problema de aprendizagem chamado dislexia. Não é uma doença — ou seja, não existe um remédio que elimine os sintomas — ou sinal de burrice — a dislexia acontece em pessoas com diversos níveis de inteligência.

Um em cada dez indivíduos apresenta sinais de dislexia, como ler muito devagar ou ler mal, não saber reconhecer as letras ou, ainda, trocar as letras nas palavras.

A dislexia é um transtorno no cérebro, em que o processamento das letras e dos sons acontece de maneira diferente. Por isso, o disléxico tem dificuldade para aprender a ler e escrever pelos métodos tradicionais. E, como o conhecimento na escola depende muito da leitura, os disléxicos têm uma dificuldade imensa em acompanhar a classe nas matérias.

Segundo a Associação Internacional de Dislexia, um em cada dez indivíduos apresenta sinais de dislexia, como ler muito devagar ou ler mal, não saber reconhecer as letras ou, ainda, trocar as letras nas palavras.

Sinais na infância

Quanto mais cedo esse transtorno for identificado, melhor para a criança. “O diagnóstico precoce, preferencialmente durante a infância, é fundamental para minimizar o impacto na vida acadêmica e na profissional”, diz a educadora Mônica Weinstein, que é presidente do Instituto ABCD, uma ONG que ajuda pais e educadores a enfrentarem o problema.

Há muitos casos de disléxicos que abandonam a escola por receber o estigma de burros ou preguiçosos. “Muitas das crianças possuem inteligência acima da média, apenas não recebem orientação e estímulos adequados” explica Thalita Peres, psicopedagoga especializada em neurociências, linguagens e educação, em Uberlândia, Minas Gerais.

Muitos pais passam de consultório em consultório sem que os profissionais encontrem qualquer problema físico com a criança ou o adolescente. Para chegar ao veredicto de dislexia, o estudante precisa ter um atendimento de uma equipe que trabalhe em conjunto. Esse time pode ser formado por um médico neurologista, um fonoaudiólogo e um psicopedagogo.

Pedido de socorro

Por desconhecimento do transtorno, o aluno pode ser taxado como preguiçoso ou burro – e, com isso, a criança ou o adolescente desiste de continuar se esforçando. A partir daí, ou ele passa a enfrentar as autoridades e dá razão à sua fama de indisciplinado ou fica com a autoestima tão baixa que acredita nos rótulos que recebeu.

Como a criança não consegue entender direito por que ela não aprende como os colegas nem sabe dizer o que está acontecendo, ela pode “pedir socorro” de outras formas. Pode começar a fazer palhaçadas que procuram desviar a atenção do problema, pode começar a apresentar sentimento de inferioridade, de tristeza e até de revolta.

Um último aviso

É importante lembrar que nem toda criança que tem dificuldade para aprender a ler e escrever é disléxica. A avaliação multidisciplinar pode identificar outras causas que estejam atrapalhando o aprendizado da criança, como problemas de audição, de visão ou de relacionamento com a família ou com os colegas.

Texto de Tatiane Cotrim, publicado originalmente no UOL no dia 11/10/2012. Para ler na íntegra, acesse: http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/10/11/crianca-com-muita-dificuldade-de-aprender-a-ler-pode-ter-dislexia-conheca-o-transtorno.htm

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Se você se interessa pelo assunto, conheça A dislexia em questão (Plexus). Da fonoaudióloga, mestre e doutora em Lingüística, Giselle Massi, a obra problematiza o reconhecimento da dislexia como distúrbio ou dificuldade de aprendizagem da escrita e analisa casos de sujeitos rotulados como portadores de dislexia e mostra que eles – ao contrário dos rótulos que carregam – estão em pleno processo de construção da escrita.