‘ALBERTO DINES E OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA RECEBERÃO PRÊMIO ABRAJI DE CONTRIBUIÇÃO AO JORNALISMO DE 2016’

O Prêmio Abraji de Contribuição ao Jornalismo, que destaca pessoas e instituições cujo trabalho presta auxílio relevante ao jornalismo brasileiro, será entregue a Alberto Dines pelos 20 anos à frente do Observatório da Imprensa. A sessão solene está marcada para às 16 horas do dia 23 de junho de 2016, durante o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Dines tem mais de 60 anos de carreira no jornalismo e é o editor-chefe do site Observatório da Imprensa, que completa 20 anos em abril de 2016. O programa de TV homônimo, apresentado por Dines, completará 18 anos em maio.

Dines começou a trabalhar como jornalista em 1952, como crítico de cinema na revista A Cena Muda. Passou a escrever reportagens políticas para a revista Visão e depois escreveu para a revista Manchete. Em 1959, foi convidado a trabalhar no Última Hora por Samuel Wainer, no segundo caderno do jornal; depois disso, em 1960, trabalhou no Diário da Noite, de Assis Chateaubriand. Em 1963 criou e ocupou a cadeira de jornalismo comparado na Faculdade de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Em 1965, na mesma universidade, criou a cadeira de teoria da imprensa, onde lecionou até 1966.

Aos 30 anos de idade, em 1962, começou no Jornal do Brasil com o cargo de editor-chefe, onde permaneceu por 12 anos. Em 1970 recebeu o Prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Em 1973, Dines articulou uma estratégia para burlar a censura imposta pelo regime militar, que vetara manchetes sobre o golpe de 11 de setembro no Chile e a morte de Salvador Allende. O jornalista conseguiu que o jornal fosse impresso com a notícia, mas sem manchetes. Dines terminou demitido e preso. Fernando Molica, diretor da Abraji, acredita que esse trabalho de Dines “é um exemplo de criatividade e coragem”.

Depois da demissão tornou-se professor visitante da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, em Nova York, no ano de 1974. Em 1975, a convite de Cláudio Abramo, diretor de redação da Folha de S.Paulo, tornou-se diretor da sucursal carioca do jornal, onde ficou por  5 anos. Dirigiu o Grupo Abril em Portugal entre 1988 e 1995, onde lançou a revista Exame. Dines escreveu e organizou mais de 15 livros, entre eles “O Papel do Jornal e a Profissão de Jornalista”, “A Imprensa em Questão” e “Morte no Paraíso: A Tragédia de Stefan Zweig”.

Segundo Fernando Molica “ao premiar Alberto Dines, a Abraji reconhece a grande contribuição que, por mais de cinco décadas, ele presta à imprensa brasileira. (…) Aos 84 anos, Dines continua ativo e, graças ao seu trabalho, permite que renovemos nossa leitura diária dos jornais.”

O Observatório da Imprensa foi uma das criações do LABJOR, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, da Unicamp, que também foi criado com o apoio de Dines. Tanto o site, que começou quando a internet comercial engatinhava, quanto o programa de TV discutem e questionam a cobertura de temas relevantes, o que contribui para o aprimoramento do jornalismo praticado no Brasil.

“Há 20 anos Dines conduz um fórum permanente de debate sobre a mídia brasileira, iniciativa rara e bem vinda em qualquer democracia.”, explica o presidente da Abraji, Thiago Herdy.  “Você pode concordar com o que diz um articulista, discordar de outros. O que não dá pra negar é a importância da reflexão e do debate constante para o amadurecimento do jornalismo no país”.

Hoje, Dines também está envolvido em outras iniciativas que prestam auxílio à imprensa brasileira, como o Pequena Grande Imprensa, um projeto pioneiro que visa o fortalecimento do jornalismo regional no país, através de apoio técnico gratuito a pequenos jornais locais nas áreas de gestão, publicidade, redação e tecnologia da informação. A iniciativa, nas palavras de seu idealizador Alberto Dines, vai “contribuir para a desconcentração da mídia brasileira através do fortalecimento dos pequenos e médios jornais.”

O Pequena Grande Imprensa é implementado pelo Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, uma organização sem fins lucrativos que realiza atividades de formação, treinamento, reciclagem e consultoria nos campos profissional e empresarial, que nasceu a partir do Observatório da Imprensa e que hoje é seu mantenedor.

O Prêmio Abraji de Contribuição ao Jornalismo foi entregue pela primeira vez em 2014 ao economista Gil Castelo Branco, pelo trabalho à frente da Associação Contas Abertas. Em 2015, o então diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo foi o homenageado.

Publicado no site da Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Para ler na íntegra, acesse: http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=3425

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Conheça o livro de Alberto Dines, publicado pela Summus Editorial:

10653O PAPEL DO JORNAL E A PROFISSÃO DE JORNALISTA
Edição revista, atualizada e ampliada
Autor: Alberto Dines

Alberto Dines é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros e discute há décadas o papel da imprensa nos rumos políticos do país. Esta nona edição de O papel do jornal comemora os 35 anos de publicação do livro. Embora o contexto original fosse bem diferente do atual, os assuntos base da primeira edição permanecem: ética, exercício da profissão de jornalista, interesse público. Dines retoma um assunto que ele ressaltou em 1985: a necessidade do diploma de jornalismo para que se exerça a atividade.

CBN ENTREVISTA RENATO MODERNELL, AUTOR DO LIVRO “A NOTÍCIA COMO FÁBULA”, NESTE SÁBADO

O Show da Notícia, da rádio CBN, entrevista neste sábado, dia 13 de outubro, às 17h30, o escritor, jornalista e professor Renato Modernell, que acaba de lançar A notícia como fábula (Summus Editorial). No livro, o autor nos lembra de algo que às vezes esquecemos: a notícia que consumimos no dia a dia não passa de uma das possíveis versões de um acontecimento. Segundo Modernell, a fronteira entre o real e o imaginário tem limites mais tênues e permeáveis do que comumente se supõe. Você pode ouvir a entrevista na freqüência AM 780 e FM 90,5 em São Paulo, na rede afiliada espalhada pelo Brasil ou ainda pelo site www.cbn.com.br.

“Sabemos que, em princípio, a missão do jornalista é narrar o que aconteceu, enquanto a do ficcionista é flanar no que poderia ter acontecido. Porém, desde quando essas categorias se separam como a água e o óleo? Não podemos negar que a arte da escrita (e isso vale para ambos os casos) tem poderes de envolvimento muito eficazes”, afirma.

O livro é resultado de um estudo de mestrado concluído em 2004, na USP, e aprofundado posteriormente pelo autor. Um trabalho que dialoga com a fantasia e não se limita ao repertório conceitual das áreas mais familiares do autor, como o jornalismo e a literatura. Suas reflexões passeiam, sem muita cerimônia, pelos domínios da filosofia, da mitologia e da arte. O texto por vezes assume a leveza da crônica, sem que isso prejudique seu rigor acadêmico.

Com base em uma larga experiência simultânea com o jornalismo e a narrativa ficcional, Modernell acredita que um texto de qualidade, assim como o voo de um pássaro, desafia os limites territoriais entre a realidade e a imaginação. Ao criar o conceito dos fatores de fabulação, ele aponta uma série de recursos de escrita capazes de “ficcionalizar” o texto jornalístico. Esses artifícios sutis escapam à percepção não só de quem lê, mas até de quem escreve.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1317/NOT%C3%8DCIA+COMO+F%C3%81BULA,+A