ÁGORA LANÇA “CONVERSANDO SOBRE O LUTO”

A perda de um ente querido pode ser uma experiência devastadora. Num tempo em que o fato de sentir tristeza é visto com maus olhos, fica cada vez mais difícil lidar com a morte e falar sobre ela. O fato de não expressar a dor, porém, pode trazer graves consequências aos enlutados. O livro Conversando sobre o luto, lançamento da Editora Ágora, traz alguns depoimentos e inúmeras dicas para lidar com a perda. Ao longo da obra, as psicólogas Edirrah Gorett Bucar Soares e Maria Aparecida de Assis Gaudereto Mautoni, especialistas em luto, abordam a teoria do apego, explicam como falar sobre a morte com as crianças, oferecem orientações para superar a perda de forma saudável e propõem reflexões a médicos, psicólogos e cuidadores.

“Consideramos fundamental dividir experiências – principalmente porque somos profissionais que convivem com a morte do outro e, em consequência, com a perda”, afirmam as autoras. Em linguagem simples e direta, o livro é dirigido a todos aqueles que perderam um ente querido e a profissionais de saúde que lidam com a morte no cotidiano. “O luto é um processo solitário e individual. Nosso objetivo é ajudar a iluminar o caminho da elaboração do luto das pessoas que estão na escuridão e dar pistas sobre o caminho aos enlutados, a suas famílias e aos profissionais da saúde”, complementam.

Dividida em seis capítulos, a obra aborda questões como apego e perda, a maneira de ajudar os enlutados, o luto da criança, além de morte e luto no contexto hospitalar. Segundo as autoras, em pleno século 21, são poucos os pais que conseguem dizer a seus filhos que a morte é inevitável e irreversível. Os educadores também demonstram dificuldades de explanar em sala de aula o tema morte, sendo o assunto considerado tabu até nos hospitais. Segundo as autoras, é preciso conversar sobre morte de forma esclarecedora. “Para ajudar as crianças após a perda, é preciso oferecer carinho, compreensão, amor, respeito, acolhimento e escuta”, afirmam.

Ao falar sobre apego e perda, as psicólogas explicam que desorientação, choque e medo de enlouquecer são reações frequentes nos enlutados. Segundo elas, o melhor apoio costuma vir de outras pessoas que também sentiram a dor da perda. Elas mostram ainda o que é o luto, como se dá o seu processo e as reações mais comuns, e afirmam que não chorar faz muito mal. “Não esconda dos outros suas lágrimas, pois elas não são sinal de fraqueza”, dizem as autoras.

Elas revelam ainda que pesquisadores da Universidade de Minnesota que estudam o choro nos adultos descobriram dois importantes neurotransmissores nas lágrimas, indicando que chorar pode ser um escape químico para reduzir o estresse emocional. A pesquisa demonstrou que, em geral, as pessoas sentem-se melhor depois de chorar. O estudo comprovou também que as mulheres choram cinco vezes mais que os homens.

Segundo as psicólogas, mesmo sabendo que a morte é um fenômeno natural e a única certeza da vida, aceitá-la ainda é um processo difícil. “Lutamos contra a morte, procuramos nos proteger dela ou impedir que aconteça. No entanto, assim como temos a expectativa da vida, devemos ter da morte, pois assim estaremos preparados para aceitá-la”, dizem as autoras. Elas abordam também os vários tipos de morte, como em casos de doença, aquelas que ocorrem inesperadamente, por suicídio e por violência, entre outros.

Na avaliação das autoras, no segmento de menor poder aquisitivo, as pessoas liberam com mais facilidade a dor da perda. Choram, gritam, falam em voz alta, xingam se for preciso, e essas reações as fazem se sentir mais aliviadas. Já nas classes mais privilegiadas, as pessoas são mais reservadas, muitas vezes fazendo uso de medicamentos para controlar a dor emocional. Não lhes é permitido expressar os sentimentos, o que dificulta o processo do luto. “Diante da perda, devemos compartilhar a nossa dor com amigos e familiares, pois assim podemos minimizá-la”, complementam.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1344/Conversando+sobre+o+luto