‘MEDITAÇÃO VEIO PARA FICAR PORQUE FUNCIONA MESMO’

Do Blog do Luiz Sperry, publicado no VivaBem UOL em 21/10/2019.

Podemos dizer que a meditação está na moda novamente. O que é algo estranho de se colocar, pois as práticas meditativas, originárias da Índia, já têm uma história de mais de seis mil anos. Da Índia foi para China, Japão e, em algum momento, espalhou-se pelo ocidente.

Sempre existiram momentos de aproximação e afastamento entre as culturas orientais e ocidentais. Lembrando de cabeça, sem nenhum rigor histórico, lembro que Alexandre, quando expandiu o seu império às portas do subcontinente indiano, assimilou vários elementos da cultura oriental à cultura grega. Depois, na Idade Média, os cruzados quebraram o imobilismo feudal em suas tentativas de conquistar a Terra Santa. As viagens de Marco Polo à China, assim como as rotas marítimas para o Oriente, botaram a Europa novamente em contato com esses elementos culturais.

A última que me vem à cabeça é o movimento hippie nas décadas de 1960 e 1970. O que era algo de fato underground, ligado a círculos muito restritos, ganhou proporções de fenômenos de massa. Ioga, tai chi e diversas outras práticas se tornaram quase comuns em grande parte do mundo ocidental. Eventualmente com algum conflito, como se pode ver na série Wild Wild Country, mas em geral houve uma boa assimilação. É evidente que grande parte das pessoas permanece cética a esse respeito, mas algumas resolveram pesquisar o que poderia justificar o efeito dessas práticas, ou não.

Aquilo que chamamos de meditação é uma série de práticas que tem como finalidade estabelecer uma situação de concentração profunda e autoconsciência, geralmente associada a exercícios posturais e respiratórios. Com essa história tão longa é evidente que existam diversas vertentes, em geral ligadas a preceitos religiosos, mas na prática há pouca variação entre elas. Como me disse um professor certa vez: “Meditar é sentar e ficar quieto”. E por mais que pareça meio besta, só quando a gente tenta que percebe que é relativamente complicado. Porque o corpo senta, mas a cabeça não para. Aí que entra a tal da técnica, para fazer com que a cabeça vá aquietando também.

O que a ciência ocidental fez foi padronizar tudo com o nome de mindfulness, de modo que os estudos sejam mais facilmente comparáveis, além de dar um apelo comercial maior para aqueles que possam ter alguma aversão a orientalismos. E os resultados são, de fato, surpreendentes.

As conclusões mostram eficácia em diversos quadros de doenças mentais (ansiedade, depressão) ou tabagismo. Mesmo em questões difíceis de se abordar, como a prevenção do suicídio, houve evidência positiva na eficácia de mindfullness.

Estudos de imagem mostram que mesmo um processo breve de oito semanas de mindfulness pode causar alterações estruturais em regiões cerebrais de maior importância, como o córtex pré-frontal, a ínsula e o hipocampo; percebe-se um aumento no volume dessas regiões. Em outras palavras, o cérebro fica “marombado”.

É um pouco assustador para nós médicos imaginar que um exercício de poucos minutos diários possa modificar não só o funcionamento como a própria forma do cérebro, um órgão que, em princípio, só vai atrofiando e piorando sua função ao longo dos anos. Não é por acaso que o mercado de meditação nos EUA movimente uma fortuna, havendo, inclusive, uma série de aplicativos para ajudar na prática de meditação e relaxamento.

Isso sem falar nos benefícios físicos, como controle de doenças cardiovasculares, dores crônicas e doenças inflamatórias. Parece que a moda dessa vez vai demorar para passar.

Para ler na íntegra, acesse https://luizsperry.blogosfera.uol.com.br/2019/10/21/meditacao-veio-para-ficar-porque-funciona-mesmo/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro do médico especialista em meditação Roberto Cardoso:

MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

‘DICAS PARA MEDITAR’

O médico Roberto Cardoso, autor do livro Medicina e meditação, da MG Editores, traz em seu novo vídeo dicas para quem quer começar a meditar. Assista.

 

Visite o site do autor: https://www.robertocardoso.net

Conheça o livro:

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‘MEDITAÇÃO PARA ANSIOSOS: VEJA OS BENEFÍCIOS E COMO FAZER’

Matéria de Amanda Preto, publicada originalmente no portal VivaBem,
do UOL, em 08/09/2018.

 

Cada vez mais se fala em meditação e mindfulness (também conhecida como atenção plena). E dados os casos crescentes de ansiedade e estresse, não é de se estranhar: estudos já apontam como essas técnicas podem ajudar quem sofre com esse problema.

Estamos falando especificamente de uma revisão de estudos da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que 47 pesquisas relacionamento meditação e saúde mental e perceberam que eles podem ajudar em casos de ansiedade, depressão e até dor. Apesar de ser uma redução moderada, ela abrange múltiplas dimensões negativas do problema.

A explicação é simples: o ansioso é aquele que está sempre no futuro tentando solucionar problemas que ainda não existem e que possivelmente nem existirão. “A meditação é uma forma de se colocar no aqui e agora, pois ajuda a tirar a mente das ocupações do futuro que são geradoras de ansiedade”, elucida Marcos Rojo, PhD em Ciência do Ioga e mestre pelo Departamento de Neurologia da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Duvida? Faça o teste

Dá para fazer o teste agora mesmo. Se você está se sentindo ansioso e sem foco, tente este exercício rápido para lhe trazer ao aqui e agora: enquanto lê este texto, preste atenção à sua respiração, ao modo como o ar entra e sai pelas suas narinas. Só o fato de respirar com consciência já lhe trará mais clareza e tranquilidade, benefícios que você também pode obter por meio da meditação.

Os níveis de desatenção no mundo atual são muito grandes, e os dados científicos nos indicam que em aproximadamente 47% do tempo não estamos atentos ao que estamos fazendo no momento, considera Marcelo Demarzo, médico, especialista em Medicina Preventiva e fundador e coordenador do Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde. “O estado de mindfulness seria então como um antídoto a viver desatento, no piloto automático, e reagindo sem consciência às situações”, explica o especialista.

O objetivo da meditação, portanto, é obter maior reconhecimento dos nossos estados internos, sensações corporais, emoções e impulsos. “A partir daí, podemos lidar melhor com o estresse do dia a dia, além de amenizar a ansiedade, depressão, dor crônica, e doenças crônicas em geral”, fala Demarzo.

Dicas para meditar mais facilmente

Meditar pode ser um pouco desagradável inicialmente a quem é ansioso. Limpar a mente dos pensamentos e focar no presente pode ser difícil para quem está condicionado a intercalar entre o passado e o futuro. Por isso, separamos algumas dicas dos especialistas:

  1. Não precisa demorar muito
    Meditação não tem relação com quantidade do tempo, mas sim com a qualidade. O mais simples e recomendado é começar observando a respiração, ainda que seja por apenas 5 minutos duas vezes ao dia, e ir aumentando gradativamente até 20 minutos, se for confortável
  1. Pratique sempre
    Escolha um horário do dia fixo para meditar. O mais recomendado é pela manhã, quando o corpo ainda está descansado e a mente mais tranquila e apta para relaxar. Mas qualquer momento em que você possa parar um pouco já ajuda.
  1. Escolha o lugar certo
    Medite em um lugar tranquilo e sem perturbações. Se ajudar, você pode até criar um “espacinho da tranquilidade”, com almofadas, incensos e elementos que lhe ajudem a entrar no clima.
  1. Cuide das expectativas
    Normalmente, a meditação é vista como uma experiência divina, em que você tem visões e revelações. Mas, na verdade, ela deve ser encarada como um momento de conexão com você, seu corpo e seus pensamentos. Apenas deixe que as sensações se aflorem e que a prática mostre o que você precisa.
  1. Não se preocupe com as divagações
    Para quem é ansioso, é normal que a mente se distraia. Do nada você pode se flagrar pensando em algum problema ou algo que precisa fazer depois, mesmo se estiver no seu local de tranquilidade para meditar. Na verdade, essa divagação da mente pode acontecer até com quem é mais tranquilo, pois a maioria das pessoas despende energia atenção e atenção em várias atividades ao mesmo tempo –o que favorece o mecanismo da ansiedade e da agitação. E tudo bem se isso acontecer!
  1. Não desista!
    Lembre-se de que a prática conduz ao aprimoramento. Nas primeiras vezes, pode ser difícil se concentrar e até respirar. O importante é estabelecer um curto período em sua rotina para que seu cérebro compreenda os efeitos da prática e peça por mais momentos assim.

Meditação simples em apenas três passos

Marcelo Demarzo ensina uma técnica de apenas três minutos de meditação mindfulness. “Faça antes ou depois de momentos estressantes, como uma reunião no trabalho ou alguma conversa difícil, pois ajuda a lhe tornar mais consciente e menos reativo em situações do tipo”, recomenda.

  1. Fique em uma posição confortável e deixe o corpo se acomodar. Aos poucos, leve a atenção para o seu corpo. Perceba as sensações físicas (contato com o chão ou cadeira; temperatura da pele, possíveis desconfortos ou pontos de tensão), como também o surgimento de pensamentos ou emoções presentes em sua experiência naquele momento;
  2. Comece a levar a atenção mais focada para as sensações e respiração –movimentos do tórax e do abdome na inspiração e expiração do ar; ou, ainda a sensação do ar entrando e saindo pelas narinas. É importante seguir o fluxo natural, sem tentar alterá-lo, apenas observando. Faça isso por um tempo;
  3. Antes de encerrar a sessão, atente-se de novo para tudo o que está sentindo. Sintonize sua atenção com os sons, a temperatura e outros elementos do ambiente. Encerre a prática devagar, abrindo os olhos com calma.

Para acessar na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/09/08/meditacao-e-ansiedade-veja-os-beneficios-e-como-fazer.htm

 

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Tem interesse sobre o assunto? Conheça o livro:


MEDICINA E MEDITAÇÃO

Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.