SUMMUS LANÇA “CINEMA BRASILEIRO A PARTIR DA RETOMADA”

A obra de Marcelo Ikeda traça um panorama das políticas públicas para o setor audiovisual, com ênfase nas cinematográficas, nas últimas duas décadas. Nesse período, com mudanças marcantes, o cinema enfrentou altos e baixos. Analisando os períodos de reconstrução, consolidação e reavaliação do modelo estatal, o autor oferece um estudo rico e atual sobre um importante ramo da economia criativa.

11023Há 20 anos, o filme Carlota Joaquina levava ao cinema 1,4 milhão de espectadores. Com apenas 40 cópias e orçamento de R$ 600 mil, o longa-metragem ficou em cartaz no país durante 11 meses e fez história: tornou-se o marco da chamada “retomada”. De 1995 para cá, o cinema nacional passou por grandes mudanças, oscilando entre a crise profunda e momentos de incontida euforia. No livro Cinema brasileiro a partir da retomada – Aspectos econômicos e políticos, lançamento da Summus, o cineasta, professor e crítico de cinema Marcelo Ikeda percorre os últimos 25 anos para traçar um panorama das políticas públicas – sobretudo as cinematográficas – para o setor audiovisual no Brasil, mesclando um referencial teórico sobre as transformações do Estado brasileiro no período com uma extensa compilação de dados de captação de recursos e da performance de filmes nacionais no mercado local.

Para compor a obra, Ikeda estabeleceu sua pesquisa em três grandes momentos do cinema nacional nesse período. O primeiro corresponde à reconstrução do apoio estatal ao cinema brasileiro, com a implantação do modelo de fomento indireto baseado nas leis de incentivo fiscal (Lei Rouanet e Lei do Audiovisual) no governo Collor; o segundo, à consolidação do modelo estatal no fim do mandato do governo FHC, com base na atuação de um “tripé institucional” formado pelo Conselho Superior do Cinema, pela Secretaria do Audiovisual e, sobretudo, pela Agência Nacional do Cinema (Ancine); e o terceiro, já no governo Lula, à reavaliação desse modelo e aos novos rumos na política cultural brasileira, com o Estado retomando seu poder ativo de proposição das políticas culturais.

Ao percorrer as duas décadas, o autor buscou relacionar as mudanças nas políticas culturais com as próprias transformações sofridas pelo Estado brasileiro. “Desse modo, é possível analisar as políticas culturais do período como um reflexo do próprio Estado brasileiro, entre o “Estado mínimo” do governo Collor, o “Estado regulador” do governo FHC e o “Estado propositivo” do governo Lula, ainda que não necessariamente interventor, como o Estado desenvolvimentista dos anos 1970”, afirma.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Cinema+brasileiro+a+partir+da+retomada+

“NÓS, MULHERES NEGRAS, SOMOS TRIPLAMENTE DISCRIMINADAS”, DIZ PROFESSORA

Há 23 anos, em 25 de julho de 1992, acontecia pela primeira vez um encontro de mulheres negras latino-americanas e caribenhas nas terras de Santo Domingo, na República Dominicana. Foi quando instituiu-se um dia em memória a todas elas e suas lutas.

Para a professora mineira Luana Tolentino, 25 de julho é um dia para comemorar as conquistas das mulheres negras, assim como também é um momento de reflexão, de luta por mais direitos e de denunciar a situação de opressão e de desvantagem em que vivem as mulheres negras, não só no Brasil, mas em toda a América Latina e no Caribe.

Na última década, é perceptível o aumento significativo de políticas públicas em benefício de jovens, mulheres e homens negros, como a criação da Secretaria da Igualdade Racial e o sistema de cotas. “Ainda temos um caminho longo e tortuoso para percorrer, mas os avanços e as mudanças ocorridas nos últimos anos me deixam bastante esperançosa de que podemos, sim, construir um país melhor para todos nós”, aponta ela.

Mesmo com a humildade e o otimismo de quem aguarda dias mais justos, Luana pensa que a sociedade brasileira ainda precisa passar por um processo de reeducação: “Uma educação antirracista e antissexista, ou como nas palavras da médica e feminista Fátima Oliveira ‘o nosso país precisa passar por uma faxina moral’”.

É necessário assumir que o Brasil é um país extremamente racista, o que ocasiona a exclusão e a marginalização de mais da metade da população. É inaceitável que ainda hoje as negras tenham menor escolaridade, recebam menores salários e apresentem índices maiores de mortalidade materna, quando comparadas a mulheres brancas.

Luana conta que é por meio das ações que ela e outras ativistas buscam educar e denunciar a situação de desigualdade em que se encontram, não somente as mulheres, mas toda a população negra.

Sua história se assemelha a de muitas outras mulheres negras do Brasil. Entre os 13 e 18 anos, ela trabalhou como babá, faxineira e doméstica, quando experimentou diversas formas de humilhações. “Essas profissões continuam sendo ocupadas majoritariamente pelas afrodescendentes, mas fico extremamente feliz que esse quadro esteja mudando”, compara.

Há sete anos ela é professora de História do ensino fundamental e médio e, apesar de todas as dificuldades que envolvem a profissão, dar aula, ensinar e aprender são as atividades que ela mais gosta na vida. Luana também é historiadora, bolsista do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) pela UFMG, pesquisa sobre a imprensa feminina e feminista, e também cronista.

“Nós, mulheres negras, somos triplamente discriminadas, em função do gênero, da raça e também de classe, já que a grande maioria das afro-brasileiras pertence às classes mais pobres. Mesmo que ascendamos socialmente, não ficamos imunes ao preconceito e às humilhações.”

Há cerca de dois anos, ao chegar numa escola particular para dar uma palestra, o porteiro perguntou se ela estava procurando vaga para o cargo de serviços gerais. A atitude reflete na concepção de boa parte da sociedade, que acredita que os negros devem estar sempre em ocupações de menor prestígio social e econômico. “Espera-se que não tenhamos voz, que estejamos prontas para servir os outros, numa eterna perpetuação do regime escravagista”, critica.

Matéria de Amanda Garcia , publicada originalmente no iG, em 25/07/2015. Para Lê-la na íntegra, acesse: http://delas.ig.com.br/comportamento/2015-07-25/nos-mulheres-negras-somos-triplamente-discriminadas-diz-professora.html

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Se você tem interesse pelo tema, conheça alguns livros da Selo Negro Edições:


40046RACISMO, SEXISMO E DESIGUALDADE NO BRASIL
Consciência em Debate
Autora: Sueli Carneiro

Entre 2001 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero.

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40070MULHERES NEGRAS NO BRASIL ESCRAVISTA E DO PÓS-EMANCIPAÇÃO
Organizadores:
Juliana Barreto Farias, Giovana Xavier, Flávio Gomes

Como foi a participação das mulheres cativas na sociedade escravista e nas primeiras décadas da pós-emancipação? Como protestaram mirando a escravidão e contrariando a ideia de que aceitaram com passividade a opressão imposta? Os ensaios desta coletânea, que abrange os séculos 18 a 20, constituem um quadro amplo e fascinante das experiências das mulheres africanas, crioulas, cativas e forras.

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40007
OUTROS TIPOS DE SONHOS

Organizações de mulheres negras e políticas de transformação
Autora: Julia Sudbury

Este livro busca repensar e transformar os conceitos do feminismo. Entrevistando uma série de ativistas, a autora traça um quadro histórico das organizações de mulheres negras. As entrevistadas descrevem e teorizam o próprio trabalho, recuperando a imagem da sua ação coletiva para o pensamento atual.

REVISTA RAÇA BRASIL DESTACA O LIVRO “AFROCIDADANIZAÇÃO”

A edição de abril da revista Raça Brasil destacou o livro Afrocidadanização – Ações afirmativas e trajetórias de vida no Rio de Janeiro, da Selo Negro Edições. Na obra, o professor Reinaldo da Silva Guimarães apresenta a trajetória profissional dos bolsistas de ação social formados pela PUC-Rio a partir de sua própria história. Veja a nota: http://goo.gl/OsHgQ

Afrocidadanização é o processo pelo qual os indivíduos negros, historicamente subalternizados na sociedade brasileira, conquistam efetivamente a cidadania plena. No livro, Guimarães aborda essa ascensão por meio do ingresso na universidade. O autor dá visibilidade ao peso do racismo no mercado de trabalho, uma vez superada a histórica barreira da formação acadêmica pelos negros brasileiros.

Para pesquisar a trajetória profissional dos bolsistas, Guimarães adotou sua própria história como referência intelectual e emocional para compreender as percepções narradas pelos entrevistados. Eles apontam para um contexto pautado na perseverança e no desejo de superação, mostrando uma realidade pouco conhecida e difícil de ser traduzida, mas repleta de simbolismos.

A trajetória do autor reflete e dá essência e concretude ao conceito de afrocidadanização. Nascido em comunidade pobre, ele conseguiu superar diversos momentos difíceis e ingressar na universidade. Como um dos protagonistas dessa história de sucesso, aproveita sua narrativa para explicitar o processo de construção de identidade racial. “O livro marca um momento positivo na vida brasileira”, diz Elisa Larkin Nascimento, do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), que assina o prefácio da obra.

Resultado de quatro anos de pesquisas desenvolvidas pelo autor no Programa de Pós-graduação em Serviço Social da PUC-Rio, o livro traz a atual realidade profissional de 14 entrevistados, formados em diversas áreas, e o impacto da sua formação universitária sobre sua vida material e sobre suas relações com a família e com a comunidade de onde são provenientes.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//AFROCIDADANIZA%C3%87%C3%83O

CONTRA A DISCRIMINAÇÃO RACIAL

Em 21 de março de 1960, no bairro de Shaperville, na cidade de Joanesburgo, na África do Sul, uma multidão de negros, em sua maioria homens e mulheres jovens, protestava de forma pacifica contra a lei do passe, que os obrigava, em pleno regime de segregação racial, a portar cartões de identificação, especificando os locais onde eles podiam circular. Numa ação que ficou conhecida como o  Massacre de Shaperville, forças militares a serviço desse regime de triste lembrança, o Apartheid, atiraram de forma indiscriminada contra os manifestantes, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Para marcar essa tragédia a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 21, como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

A legislação brasileira instituiu os primeiros conceitos de racismo em 1951 com a Lei Afonso Arinos que classificava a prática como contravenção penal. Somente na Constituição Federal de 1988, o racismo passou a ser considerado crime inafiançável, sujeitando o criminoso à pena de reclusão. De lá para cá, o Brasil somou importantes avanços, principalmente com ações afirmativas, mas há ainda um longo caminho a ser trilhado para corrigir e eliminar as desigualdades históricas.

Um trabalho realizado pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) de 2010 sobre a inserção do negro no mercado de trabalho mostra que a população negra predomina na população brasileira, é mais jovem, tem mais filhos, é mais pobre e está mais exposta à mortalidade por causas externas, especialmente homicídios. Nos últimos anos, com as políticas compensatórias, houve ascensão social. De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD), são negros 80% dos mais de 40 milhões de brasileiros que subiram à classe C. Nas universidades, eles são 921 mil entre 3,5 milhões de estudantes. Uma porcentagem pequena se comparada ao total de universitários, mas já grande o suficiente para fazer diferença no mercado de trabalho.

O livro Afrocidadanização, recém lançado pela Selo Negro Edições, retrata um pouco desse universo. O autor, professor Reinaldo da Silva Guimarães, partiu da própria história para compreender a trajetória profissional de bolsistas de ação social formados pela PUC-Rio. Pautados na perseverança e no desejo de superação, eles revelam uma realidade difícil de ser traduzida, mas repleta de simbolismos: a realidade das relações raciais no Brasil.

Afrocidadanização é o processo pelo qual os indivíduos negros, historicamente subalternizados na sociedade brasileira, conquistam efetivamente a cidadania plena. No livro, produzido em coedição com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Guimarães aborda essa ascensão por meio do ingresso na universidade. Ele apresenta a trajetória de vida dos universitários provenientes dos pré-vestibulares comunitários e populares em rede, que foram beneficiados com as ações afirmativas da PUC-Rio depois de sua graduação. O autor dá visibilidade ao peso do racismo no mercado de trabalho, uma vez superada a histórica barreira da formação acadêmica pelos negros brasileiros.

Para pesquisar a trajetória profissional dos bolsistas, Guimarães adotou sua própria história como referência intelectual e emocional para compreender as percepções narradas pelos entrevistados. Eles apontam para um contexto pautado na perseverança e no desejo de superação, mostrando uma realidade pouco conhecida e difícil de ser traduzida, mas repleta de simbolismos.

A trajetória do autor reflete e dá essência e concretude ao conceito de afrocidadanização. Nascido em comunidade pobre, ele conseguiu superar diversos momentos difíceis e ingressar na universidade. Como um dos protagonistas dessa história de sucesso, aproveita sua narrativa para explicitar o processo de construção de identidade racial. “O livro marca um momento positivo na vida brasileira”, diz Elisa Larkin Nascimento, do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), que assina o prefácio da obra.

Para saber mais sobre o livro Afrocidadanização, acesse: http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1331/AFROCIDADANIZA%C3%87%C3%83O

E para saber mais sobre o tema, leia:

Políticas públicas e ações afirmativas
Dagoberto José Fonseca 

 

Racismo, sexismo e desigualdade racial
Sueli Carneiro 

Relações raciais e desigualdade no Brasil
Gevanilda Santos

 

Experiências da emancipação
Petrônio DominguesFlávio Gomes

 

 

Ações afirmativas em educação
Cidinha da Silva (org.) 

Racismo e anti-racismo na educação
Eliane Cavalleiro