OAB CONCEDE TÍTUTO DE ADVOGADO A LUIZ GAMA

A homenagem ao abolicionista que morreu em 1882 tendo libertado, nos tribunais, mais de 500 negros mesmo sem ter cursado formalmente o curso de direito é mais do que merecida. Em sua biografia, o professor Luiz Carlos Santos revela a trajetória de uma das personalidades mais importantes do século XIX no Brasil imperial e escravista, destacando sua atuação pioneira como abolicionista e intelectual.

Um dos mais importantes abolicionistas da história, que exerceu a profissão de advogado mesmo sem nunca ter sido reconhecido como um, recebeu nesta terça-feira, dia 3 de novembro, uma homenagem póstuma. Em cerimônia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Luiz Gama ganhou da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), 133 anos após a sua morte, o título de advogado. Uma homenagem mais do que merecida no mês em que comemoramos a importância da Consciência Negra.

Luiz Gonzaga Pinto da Gama tornou-se o arauto da libertação dos negros e da luta contra a opressão. Jornalista, poeta, membro da maçonaria e fundador do Partido Republicano Paulista, Gama morreu em 1882 tendo libertado, nos tribunais, mais de 500 negros.

No livro Luiz Gama, biografia da coleção Retratos do Brasil Negro, da Selo Negro Edições, o professor Luiz Carlos Santos revela a trajetória de uma das personalidades mais importantes do século XIX no Brasil imperial e escravista, 40043destacando sua atuação pioneira como abolicionista e intelectual. “Trata-se de uma biografia singular que articula luta com inteligência”, revela o autor. Para ele, Gama foi o pai da negritude brasileira e manteve firme o princípio que norteou toda a sua vida.

A biografia traça o perfil de um jovem negro, autodidata, profundo conhecedor das letras e das leis, radical na luta pela liberdade e pelos ideais republicanos em um império escravocrata. Incansável agitador das causas negras, Gama foi perseguido e ameaçado de morte. Para o autor, seu espírito de superação fortaleceu a atuação abolicionista. “Sua vida é uma forte referência para a nossa história e permite uma releitura da história do Brasil”, complementa. E deverá ser, diz ele, uma das grandes contribuições à luta pela equidade.

Dividido em três capítulos e um anexo, o livro aborda a vida do abolicionista desde a infância, passando pela escravidão e luta pela liberdade, que adotou como projeto de vida, com atuação intensa nos tribunais, na imprensa, na literatura e na política. A biografia mostra o menino negro que nasceu livre, em Salvador, na Bahia, foi vendido como escravo aos 10 anos pelo próprio pai e, na juventude, aprendeu a ler e tomou ciência de sua condição de homem livre. “A vida de Gama sugere, sem dúvida, um filme de enredo original e capaz de romper os paradigmas do cinema nacional da favela trágica”, afirma o autor.

Para redesenhar o perfil de Luiz Gama, o professor percorreu caminhos sutis e cheios de atalhos. Negro alfabetizado aos 17 anos e livre aos 18, por conquista própria, Gama transformou-se em um símbolo da luta abolicionista e republicana. Resultado de extensa pesquisa, incluindo a carta autobiográfica escrita para o amigo Lucio de Mendonça, que tem sido objeto de estudos e interpretações diversas, a obra mostra que Gama também fez da literatura espaço de militância.

Gama foi um dos maiores articuladores políticos que o Império conheceu. A biografia aborda seus grandes feitos na luta pelo fim da escravatura, destacando sua atuação, em São Paulo, como advogado, na libertação dos negros; suas denúncias, na imprensa, dos acordos para a manutenção do trabalho escravo; e seus poemas ácidos, que satirizavam e, ao mesmo tempo, expunham as mazelas do poder imperial e dos senhores de escravos.

Enxergando além de seu tempo, Gama não separou o social do racial e combateu tanto a escravidão quanto a monarquia. A obra mostra que ele vislumbrou na República o nascimento da igualdade e da liberdade numa perspectiva cidadã. “Pensando assim, participou dos setores mais progressistas de sua época”, complementa o autor.

Além da condecoração póstuma, o evento Luiz Gama: Ideias e Legado do Líder Abolicionista prevê dois dias de palestras e debates no Mackenzie. Após o título simbólico de advogado, o Instituto Luiz Gama pretende solicitar que a seccional paulista da OAB confeccione uma carteirinha de afiliado em nome de Gama – e que esta fique exposta no Museu Afro Brasil.

O autor da biografia, Luiz Carlos Santosé mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP). Autor de O negro em versos Antologia da poesia negra brasileira, é militante do movimento negro, fez parte da direção da Sociedade de Intercâmbio Brasil África (Sinba) e foi coordenador do Núcleo de Consciência Negra na USP. Atualmente, é consultor de História do Museu Afro Brasil e docente em cursos de formação de professores, nos quais ministra palestras sobre as Leis nº 10.639 e 11.645, que estabeleceram as disciplinas História da África e da Cultura Afro-Brasileira e Indígena no currículo das escolas brasileiras.

LIMA BARRETO, 90 ANOS DEPOIS

Há 90 anos, no dia 1º de novembro de 1922, morria Afonso Henriques de Lima Barreto. Nascido em 1881, o jovem escritor carioca entrou para a galeria dos escritores “malditos” ao usar uma linguagem coloquial e criticar abertamente a sociedade hipócrita e racista de sua época. Autor de obras-primas memoráveis, como Triste fim de Policarpo Quaresma e Recordações do escrivão Isaías Caminha, ele foi duramente rechaçado pelos críticos.

No livro Lima Barreto, sétimo volume da Coleção Retratos do Brasil Negro, da Selo Negro Edições, o pesquisador Cuti, pseudônimo de Luiz Silva, analisa a produção do escritor e mostra a atualidade dos problemas que ele apontou no início do século XX. “Ainda hoje, seus livros travam uma luta contra as forças de exclusão social, muito poderosas no Brasil. Elas interferem na cultura, em especial nas artes, que têm o poder de alimentar nosso imaginário”, afirma o autor.

Considerado um dos representantes máximos do pré-modernismo brasileiro, Barreto criou personagens inesquecíveis, como o quixotesco major Quaresma e a ingênua Clara dos Anjos. Seus escritos sempre denunciaram o papel marginal a que negros e negro-mestiços eram relegados em sua época. Crítico do racismo, da burocracia, da corrupção, sofreu, ao longo de sua vida, diversos preconceitos, aos quais respondeu com uma obra vigorosa. A lucidez com que retrata os primeiros anos do século XX tornou-se fonte de amplas reflexões para educadores, pesquisadores, militantes do movimento negro e todos aqueles envolvidos na construção de um Brasil mais solidário.

Dividido em três partes, o livro destaca vários aspectos da obra barreteana, abordando também as manifestações que ela provocou e ainda é capaz de provocar. Analisando a consciência crítica do escritor, Cuti mostra que ele experimentou um ângulo de visão social muito diferenciado em sua época. Na sua avaliação, a obra de Barreto ajuda a fazer analogias entre o passado e o presente e pode causar um verdadeiro incômodo intelectual e emotivo.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1262/Lima+Barreto

LANÇAMENTO DO LIVRO “CENTRO DE CULTURA E ARTE NEGRA – CECAN” NA LIVRARIA MARTINS FONTES

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O ESTADO DE S. PAULO DESTACA O LIVRO “CENTRO DE CULTURA E ARTE NEGRA – CECAN”

O caderno Sabático, publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo no sábado, dia 14 de julho, deu destaque para o livro Centro de Cultura e Arte Negra – Cecan. O volume 9 da Coleção Retratos do Brasil Negro apresenta pela primeira vez a biografia de uma entidade. A história do Cecan, que atuou na capital de São Paulo na década de 1970, foi marcada por um ideal: reforçar a importância da consciência étnica. Veja a nota publicada: http://goo.gl/Bvz88

Analisando as duas principais fases (1971-1974 e 1976-1981), a autora mostra a origem da entidade, a proposta de ação, a maneira pela qual o teatro foi utilizado como instrumento de conscientização e de denúncia, a criação do Jornegro – veículo importantíssimo para o movimento negro – e as atividades educacionais e culturais empreendidas por seus membros. Ela aponta, ainda, alguns motivos para o encerramento do Cecan, entre eles o fato de a entidade ter ficado restrita exclusivamente à comunidade negra. “Se de um lado ela foi de extrema importância, por possibilitar a libertação do negro do seu sentimento de inferioridade, conscientizando-o e permitindo-lhe romper com a ideologia racial dominante, de outro ela só conseguiu atrair o segmento de negros informados, da classe média, em detrimento dos negros mais pobres”, afirma.

A análise da autora está centrada em sua proposta de ação, baseada no tema negritude e identidade – ideia fundamental da organização ao longo de sua história. O livro parte da hipótese de que o Cecan esteve vinculado, originalmente, ao Teatro Experimental do Negro (TEN), tendo sofrido transformações, no decorrer de sua existência, tanto em seus instrumentos de atuação quanto em sua proposta de ação. Com base em pesquisas feitas em documentos da própria organização e de depoimentos dos fundadores e de alguns participantes, Joana reflete sobre os limites e as possibilidades da proposta do Cecan, supondo que organizações como essa fazem avançar o movimento negro.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/detalhes_livro.php?produto_id=1306

Para conhecer toda a Coleção Retratos do Brasil Negro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/colecao.php?colecao_id=38&colecao=%27Retratos%20do%20Brasil%20negro%27