“TELENOVELA ‘A MORTA SEM ESPELHO’, ESCRITA POR NELSON RODRIGUES, ESTÁ PERDIDA”

Autor foi descoberto pelo cinema, com adaptações de ‘Boca de Ouro’ e ‘Bonitinha, mas Ordinária’, mas também foi parar na televisão

Matéria de Nelson de Sá, publicada na Folha de S.Paulo,
em 06/09/2019.

Nelson Rodrigues, no momento em que foi descoberto pelo cinema, com as adaptações de “Boca de Ouro” e “Bonitinha, mas Ordinária”, sucessos de bilheteria às vésperas do golpe de 1964, também foi parar na televisão.

Walter Clark, então na TV Rio, emissora que dividia programação com a paulista Record, da mesma família, encomendou o que seria a primeira telenovela produzida na cidade, em 1963 —dois anos antes de surgir a Globo.

Era para ser a “novela das oito”, mas o juizado de menores ordenou 22h30. Segundo Clark, na autobiografia “O Campeão de Audiência” (Summus), “como não existia essa faixa de novelas e não havia o hábito do público, tivemos de cancelá-la” após dois meses.

“Terminou, afinal, ‘A Morta Sem Espelho’, um dramalhão fúnebre, um enredo deletério, de neuróticos e assassinos”, publicou o Correio da Manhã em 9 de novembro, acrescentando, porém, elogios “à linguagem ousada, solta e inesperada” do autor.

Uma cena ficou célebre, aquela em que o personagem do ator Ítalo Rossi desperta sua mulher com uma arma, dizendo: “Acorda para morrer”. Mas o texto da “primeira novela brasileira de todos os tempos”, como descreve Ruy Castro na biografia “O Anjo Pornográfico” (Companhia das Letras, 1992), se perdeu, assim como as gravações.

Procurados, a atriz Fernanda Montenegro e o pesquisador e editor Caco Coelho disseram não ter pistas nem desta nem de outras duas novelas que Nelson Rodrigues escreveu no ano seguinte, “Sonho de Amor” e “O Desconhecido”.

Coelho chegou a ir aos arquivos da censura, mas “tinham destruído”, e a várias pessoas do elenco, sem sucesso. Restam fotos, resumos e depoimentos, inclusive sobre a divergência entre Clark e o autor, quanto ao gênero.

O objetivo do primeiro era uma atração “naquele espírito de combate à Excelsior”, emissora então em ascensão, “com uma programação mais sofisticada”. Já o dramaturgo queria o folhetim.

“Novela é um gênero de concessão”, dizia, mas que “pode ser bonito, pode ser a obra mais hierática”, sagrada.

“Eu queria fazer folhetim no duro, bem cabeludo. Nunca me deixaram. O pessoal queria intelectualizar o negócio. Se você quiser elevar o folhetim, fica ridículo, atroz.” Na síntese de Nelson Rodrigues, que nunca mais escreveria telenovela, “o bom folhetim é isso: coisas tremendas, adúlteras fugindo em carruagens”.

Para ler na íntegra, acesse: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/09/telenovela-escrita-por-nelson-rodrigues-esta-perdida.shtml

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Conheça o livro de Walter Clark, mencionado na matéria:

O CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA
Uma autobiografia
Autores:  Walter ClarkGabriel Priolli
SUMMUS EDITORIAL

Walter Clark foi um dos mais importantes profissionais da televisão brasileira. Nesta autobiografia, escrita com o jornalista Gabriel Priolli, ele conta sua trajetória pessoal – marcada por grandes paixões, inúmeras mulheres e muito luxo – e profissional – sobretudo na TV Rio e, mais tarde, na Globo. Trata‑se de leitura indispensável para entender a implantação e a consolidação da TV no Brasil – até hoje o veículo de comunicação mais poderoso do país.

‘A ÚNICA COISA QUE A DRAMATURGIA NÃO PODE FAZER É ENTEDIAR’

O escritor e dramaturgo Doc Comparato fala com Tânia Morales, do programa CBN Noite Total, sobre a criação de roteiros nos dias atuais e o lançamento da nova versão, atualizadíssima, de seu livro Da criação ao roteiro – Teoria e Prática. Ouça abaixo.

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Para saber mais sobre o livro, acesse:
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DOC COMPARATO: UMA AULA SOBRE PERSONAGENS – ÚLTIMA PARTE (6)

Uma aula sobre personagens, dividida em 6 partes, com o mestre Doc Comparato.
Parte 6 – Antagonista e Protagonista.

Conheça o novo Da criação ao roteiro – Teoria e Prática, à venda nas melhores livrarias físicas e virtuais do Brasil: https://www.gruposummus.com.br/summus/livro/9788532311139

Para assistir às partes anteriores (1 – O Roteiro e suas Etapas, 2 – Como criar um personagem3 – A Alma4 – O Batismo e 5 – A Composição), acesse:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLWBZMIEw-unatnlK2tRTUqdrsqPzd8vCg

DOC COMPARATO: UMA AULA SOBRE PERSONAGENS – PARTE 5

Uma aula sobre personagens, dividida em 6 partes, com o mestre Doc Comparato.
Parte 5 – A Composição.

Assista e não perca a última parte: na quinta-feira, 06/12, postaremos a Parte 6 – Antagonista e Protagonista.

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Para assistir às partes 1 – O Roteiro e suas Etapas, 2 – Como criar um personagem3 – A Alma 4 – O Batismo, acesse:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLWBZMIEw-unatnlK2tRTUqdrsqPzd8vCg

DOC COMPARATO: UMA AULA SOBRE PERSONAGENS – PARTE 4

Uma aula sobre personagens, dividida em 6 partes, com o mestre Doc Comparato.
Parte 4 – O Batismo.

Assista e fique atento: na segunda-feira, 03/12, postaremos a Parte 5 – A Composição.

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Para assistir à Parte 1 – O Roteiro e suas Etapas, Parte 2 – Como criar um personagem e Parte 3 – A Alma, acesse:
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DOC COMPARATO: UMA AULA SOBRE PERSONAGENS – PARTE 3

Uma aula sobre personagens, dividida em 6 partes, com o mestre Doc Comparato.
Parte 3 – A Alma.

Assista e fique atento: na quinta-feira, 29/11, postaremos a Parte 4 – O Batismo!

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Para assistir à Parte 1 – O Roteiro e suas Etapas e Parte 2 – Como criar um personagem, acesse:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLWBZMIEw-unatnlK2tRTUqdrsqPzd8vCg

DOC COMPARATO: UMA AULA SOBRE PERSONAGENS – PARTE 2

Uma aula sobre personagens, dividida em 6 partes, com Doc Comparato.
Parte 2 – Como criar um personagem.

Assista e fique atento: na segunda-feira postaremos a Parte 3 – A Alma.

Conheça o novo Da criação ao roteiro – Teoria e Prática, à venda nas melhores livrarias físicas e virtuais do Brasil:
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Para assistir à Parte 1 – O Roteiro e suas Etapas, acesse:
https://youtu.be/6pq_4vZrqUo

DOC COMPARATO: UMA AULA SOBRE PERSONAGENS – PARTE 1

Uma aula sobre personagens, dividida em 6 partes, com o mestre Doc Comparato.
Parte 1 – O Roteiro e suas Etapas.

Assista e fique atento: na quinta-feira, dia 22, postaremos a Parte 2 – Como criar um personagem!

 

Conheça o novo Da criação ao roteiro – Teoria e prática, à venda na melhores livrarias físicas e virtuais do Brasil: https://www.gruposummus.com.br/summus/livro/9788532311139

 

NOITE DE AUTÓGRAFOS DA EDIÇÃO RENOVADA DO CLÁSSICO “DA CRIAÇÃO AO ROTEIRO”

Summus Editorial e a Livraria Argumento – Leblon promovem no dia 22 de novembro, quinta-feira, a partir das 19 horas, o lançamento do atualíssimo Da criação ao roteiro – Teoria e prática, de Doc Comparato. O autor receberá amigos e convidados para a noite de autógrafos na livraria, que fica na Rua Ferreira Dias, 41, Leblon, Rio de Janeiro.

Depois de quarenta anos de uma vida dedicada ao ato de escrever para o cinema, o teatro e a televisão no Brasil e na Europa, Doc Comparato concebe uma nova visão do trabalho do roteiristaNasce um novo livro, com inédita definição sobre o roteiro e sua aplicação, atribuição e divisão – seja ele para cinema, televisão ou mídias digitais. A obra tem a missão de trazer o que existe de mais moderno na criação para streaming, realidade virtual, webséries, game e inteligência artificial, e aborda ainda contratos, adaptações, festivais, contatos profissionais, universitários e muito mais.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
https://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1503/9788532311139

O CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA – UMA AUTOBIOGRAFIA

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Walter Clark foi um dos mais importantes profissionais da televisão brasileira.
Em sua autobiografia, escrita com o jornalista Gabriel Priolli seis anos antes
de sua morte, ele conta sua trajetória pessoal – marcada por grandes paixões, inúmeras mulheres e muito luxo – e profissional – sobretudo na TV Rio e, mais tarde, na Globo. Trata-se de leitura indispensável para entender
a implantação e a consolidação da TV no Brasil – até hoje 
o veículo
de comunicação mais poderoso do país.

11035“Vou construir uma estrutura que vai resistir aos tempos, a mim e ao senhor.” Quando soltou essa frase profética em dezembro de 1965, na saída do primeiro encontro com Roberto Marinho, que selou sua contratação como diretor-executivo da TV Globo, Walter Clark sabia exatamente o que estava dizendo. Jovem, ambicioso e apaixonado pelo mundo do entretenimento, ele pensava grande. Não apenas salvou a TV de Marinho da falência como a levou à liderança de audiência, transformando-a na principal emissora do país, posto que ocupa até hoje. A trajetória de Clark, no entanto, não se resume aos anos que esteve no comando da Globo. Muito antes, ainda na antiga TV Rio, ele se mostrava um desbravador, revolucionando a maneira de fazer e ver televisão. Uma dedicação profissional intensa – que lhe consumiu boa parte da vida –, mas decisiva para tornar o Brasil uma das maiores potências mundiais no setor de televisão.

Em 1991, seis anos antes de morrer, já distante da televisão, Clark contou com o apoio do jornalista Gabriel Priolli para relembrar e descrever, de forma minuciosa e com todos os detalhes, os fatos que marcaram essa rica trajetória. Em O campeão de audiência – Uma autobiografia , reeditada agora pela Summus Editorial, ele se expõe, sem nenhuma autocensura, e desnuda os meandros da comunicação na TV, recheados de inovações, pioneirismos e conquistas, mas também carregados de percalços, desventuras e muitas tensões.

O menino louco por cinema e fanático pelo rádio começou a trabalhar na televisão aos 20 anos como assistente da direção comercial da TV Rio, em 1956. Naquela época, o amadorismo reinava em todas as esferas, principalmente na publicidade. Convicto de que a matéria-prima da televisão era o tempo, Clark tratou de criar critérios técnicos para comercializá-lo. O conceito de “segundagem”, que vigora até hoje, permitiu calcular o custo industrial do segundo de televisão. A partir daí, a TV cresceu e passou a ter recursos para investir em produção e programação.

Para tornar a TV um negócio ainda mais sério e organizado, Clark introduziu também o conceito de “grade” de programação, pensada verticalmente, nas diversas faixas horárias, e horizontalmente, nos diversos dias da semana. “Foi Clark quem ‘amarrou’ a programação com telenovelas diárias, que chamam público e induzem-no à fidelidade. Foi ele quem ‘ensanduichou’ as novelas com telejornais. Foi ele também que comprou e produziu o dramalhão cubano O direito de nascer, até hoje o maior sucesso da telenovela em todos os tempos. Tudo isso foi feito – diga-se – antes da Globo”, lembra Priolli.

Uma das grandes habilidades de Clark era reunir em torno de si os melhores e mais qualificados profissionais. Quando assumiu a TV Globo, chamou os amigos Zé Otávio Castro Neves para direção comercial e José Ulisses Alvarez Arce para a diretoria de marketing. O time ficou completo quando Clark conseguiu trazer José Bonifácio de Oliveira Sobrinho para a direção de produção e programação. Uma equipe afinada, que já havia atuado na TV Rio e fez história na Globo.

O exército de Clark venceu enormes desafios, das mudanças provocadas pelo videoteipe, ainda na TV Rio, até a chegada avassaladora da TV em cores, na TV Globo. Em três anos, a emissora de Roberto Marinho saiu do vermelho para se tornar a primeira televisão funcionando em rede nacional. “Equipando emissoras país afora, espalhando transmissores de micro-ondas e utilizando pioneiramente os recém-inaugurados sistemas de telecomunicações da Embratel, Clark estruturou a Globo nos moldes das ‘networks’ americanas, centralizando a produção no Rio de Janeiro, reduzindo custos e faturando e escala nacional”, destaca Priolli.

Os jogos de interesse, os anos de ditadura e as divergências, inclusive com o amigo Boni, foram minando as forças de Clark, que, àquela altura, tinha uma fama inquestionável de boêmio e bon vivant da televisão. Sempre cercado de belas mulheres, ganhou mais destaque que o próprio Roberto Marinho, o que acabou por inviabilizar sua permanência na emissora. Em 1977, depois de um episódio envolvendo militares em Brasília, ele foi convidado a se retirar.

Viciado em poder, Clark viveu um período de desilusão ao se desligar da TV, mas depois se dedicou a outros projetos bem-sucedidos no cinema – com destaque para Eu te amo, de Arnaldo Jabor, que Clark financiou e gravou no seu próprio apartamento – e no teatro, com o musical A chorus line, um investimento altíssimo que arruinou suas finanças.

Os anos finais de sua vida, no entanto, foram de depressão. No posfácio, incluído na nova edição, Priolli descreve o que se passou do final do livro, em 1991, até a morte de Clark por insuficiência cardíaca, em 24 de março de 1997.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//9788532310354