‘DEPRESSÃO NÃO É O MESMO QUE TRISTEZA, ENTENDA A DIFERENÇA’

A pessoa deprimida não consegue, sozinha, se livrar dos sentimentos de tristeza e desânimo. Ela geralmente precisa de medicamentos específicos, receitados por um psiquiatra.

A vida parece não ter mais cor, tudo parece ter se tornado entediante e chato. Sair da cama de manhã é um sacrifício. No trabalho, a dificuldade de concentrar-se é enorme e, mesmo nos momentos de lazer, parece que nada agrada. Se você está assim ou conhece alguém que apresenta esses sintomas, fique alerta: pode ser depressão.

A doença já atinge 350 milhões de pessoas no mundo todo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. E, ao contrário do que muita gente pensa, não está relacionada apenas à tristeza que pode decorrer de uma situação de perda. Uma crise de depressão pode ser desencadeada por um fato triste ou estressante, mas também pode ocorrer sem nenhum motivo aparente, por causa de um desequilíbrio das substâncias químicas que atuam no cérebro.

Na pessoa deprimida, a tristeza e a melancolia, muitas vezes associadas com desânimo, pessimismo e baixa autoestima, predominam e se prolongam por períodos superiores a duas semanas. “O deprimido também tem alterações em seu padrão de sono e alimentação: pode perder o apetite ou passar a comer compulsivamente, assim como dormir muitas horas por dia ou sofrer de insônia”, explica Elizabeth Sene-Costa, psiquiatra pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e autora do livro “Universo da Depressão(Editora Ágora).

Não tem cura, mas tem tratamento

A doença pode ter diferentes níveis de gravidade e, nos casos mais complicados, pode até levar o paciente a se isolar completamente da vida profissional e social. “A depressão grave é aquela em que a pessoa não sai da cama, não toma banho, não quer comer”, diz a psiquiatra. E de nada adianta dizer ao deprimido para “reagir”. Seria o mesmo que dizer a uma pessoa com diabetes que ela deve se curar sem ajuda médica. O deprimido, tanto quanto os outros doentes, precisa de tratamento.

O médico especializado em depressão é o psiquiatra, que poderá prescrever o medicamento adequado, na dose certa para cada caso. Assim como o diabetes, a depressão não tem cura. Algumas pessoas têm que tomar medicação a vida inteira. Outras precisarão usá-la apenas nos momentos de crise. “O ideal é que o tratamento com medicamentos seja associado à terapia”, diz a médica.

Artigo publicado no site do Programa Via Saúde. Para lê-lo na íntegra, acesse:
http://www.programaviasaude.com.br/dicas/saude/depressaeo-naeo-e-o-mesmo-que-tristeza-entenda-a-diferenca

Conheça o livro:

20007UNIVERSO DA DEPRESSÃO
Histórias e tratamentos pela psiquiatria e pelo psicodrama
EDITORA ÁGORA
Autora: Elisabeth Maria Sene-Costa

Este livro é o resultado de uma ousada proposta para obtenção do título de mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP. A autora, psicóloga, estudou com profundidade os aspectos fisiológicos e clínicos da depressão e em seguida desenvolveu um tratamento apoiado no psicodrama. Tese inovadora e muito bem embasada, útil para profissionais das áreas médica e psi.