‘O VÍNCULO DO AFETO’

A edição de março da Revista Educação trata do tema afetividade na escola. A afetividade voltou a ser considerada um elemento importante para o sucesso do trabalho do professor e para a construção da escola no século 21. A educadora Valéria Amorim Arantes, organizadora do livro Afetividade na escola – Alternativas teóricas e práticas (Summus Editorial), é uma das entrevistadas na reportagem. 10840Segundo ela, a atenção para a relação com os alunos é uma chave preciosa, capaz de promover melhorias e transformações positivas e concretas. Leia a matéria na integra: http://goo.gl/j9i0dU.

O livro traz para o cenário da educação o tema da afetividade, raramente abordado e frequentemente ocultado no cotidiano escolar. É uma coletânea de textos assinados por estudiosos de diferentes campos do conhecimento – educação, psicologia, linguística, neurologia e matemática – com reflexões e indagações sobre a dimensão afetiva.

Com 240 páginas, a obra discute, inicialmente, a afetividade com base nas teorias de autores como Vygotsky, Wallon e Piaget, na psicanálise e na abordagem cultural. Um segundo bloco explora as complexas relações entre afetividade, cognição e cultura no campo da moralidade humana. Finalmente, dois textos teóricos aprofundam-se em campos inusitados para a temática em questão: a neurologia e a epistemologia.

O livro questiona os dualismos estabelecidos no mundo científico e escolar, que separa cognição e afetividade, razão e emoção e assume  que essas dimensões são indissociáveis no funcionamento  psíquico humano. O desafio lançado por Afetividade na Escola – Alternativas Teóricas e Práticas é incorporar essa premissa na organização e na estruturação do trabalho educativo cotidiano.

Leitura indicada para professores de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, cursos de Pedagogia, Psicologia, Licenciatura e Formação de Professores, além de cursos oferecidos na pós-graduação na área de Educação e Psicologia.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/846/Afetividade+na+escola

GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA DISPARA NO PAÍS E DIVERSIFICA LEQUE DE CURSOS

Em uma década, a quantidade de alunos de graduação a distância cresceu 23 vezes. A oferta de vagas diversificou —saltando de 8 para um leque de 84 cursos. Os formandos, antes pouco além de 4.000, alcançam 161 mil.

Os indicadores mostram como a graduação a distância ganhou espaço no país e conseguiu se expandir para setores até então inexplorados.

Em 2003, esses cursos beiravam 50 mil matrículas —1,3% do total da graduação. Em 2013, 1,15 milhão— 15,7%.

“É uma tendência mundial e irreversível. As empresas também estão investindo em treinamento a distância, em cursos corporativos. Elas estão acreditando nisso”, diz Ivete Palange, consultora da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).

A maioria absoluta das matrículas —97,2%— estava concentrada antes na área de educação, como pedagogia. Agora, essa fatia caiu para 38,9% devido ao crescimento de outros cursos —que incluem ciências contábeis, enfermagem e engenharia.

Para Palange, as tecnologias de informação e comunicação superam entraves como a falta de interatividade entre alunos e professores.

Se antes a plataforma online de educação a distância se limitava a textos e gráficos, hoje é recorrente acesso a videoaulas e softwares que simulam experimentos.

Matriculado no primeiro semestre de engenharia civil a distância do Iesb, centro universitário privado de Brasília, Mauricio Meuren, 43, reconhece que a modalidade exige foco do estudante.

“Tenho esse perfil de aprender sozinho e sou muito focado. Separo meus horários, dou uma estudada e continuo minhas atividades”, afirma o empresário.

A cada 15 dias, ele tem aulas presenciais na instituição. “Eu me sentiria desestimulado em fazer um curso todo presencial, vendo um professor falando dez vezes a mesma coisa sendo que você já aprendeu e quer caminhar.”

DEBATE

A expansão do ensino a distância, entretanto, é motivo de debate entre entidades de classe. O Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), por exemplo, criou um grupo para discutir “medidas de regulação”.

“O conselho reconhece que os cursos estão crescendo e, portanto, se prepara para quando houver demanda de registros de graduados em cursos a distância”, diz Daniel Salati, coordenador da comissão de educação da entidade.

Na avaliação de Paulo Speller, secretário de Educação Superior do MEC (Ministério da Educação), eventuais resistências são motivadas por “desconhecimento.”

“As pessoas começam a ver que isso existe em outros países e com qualidade e não tem porque isso não acontecer aqui também”, afirma.

Para a consultora da Abed Ivete Palange, a tendência é que haja desenvolvimento de cursos “híbridos”, em que não haja mais distinção entre as modalidades.

Ela lembra que, de acordo com as regras atuais, 20% do conteúdo de um curso presencial já pode ser realizado a distância.

Texto de Flávia Foreque, de Brasília, publicado originalmente na Folha de S. Paulo, em 05/12/2014. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2014/12/1557892-graduacao-a-distancia-dispara-no-pais-e-diversifica-leque-de-cursos.shtml

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 Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro Educação a distância: pontos e contrapontos:

10715EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: José Manuel Moran e José Armando Valente
Coleção Pontos e Contrapontos

Qual o papel das novas tecnologias de informação e comunicação no cotidiano das escolas e dos cursos de formação profissional? A educação a distância e as novas modalidades de ensino e aprendizagem ampliam o acesso à educação de qualidade ou prejudicam o processo educativo? O diálogo estabelecido entre os autores deste livro nos ajuda a compreender essas questões e as complexas relações entre tecnologia e educação neste início de século.

AUTORES DAS COLEÇÕES PONTOS E CONTRAPONTOS E NOVAS ARQUITETURAS PEDAGÓGICAS AUTOGRAFAM NA LIVRARIA MARTINS FONTES, EM SÃO PAULO

A Livraria Martins Fontes (Av. Paulista-SP) e a Summus Editorial promovem no dia 30 de outubro, quinta-feira, o lançamento dos livros Ensino de matemática: pontos e contrapontos e Temas transversais, pedagogia de projetos e mudanças na educação. Das 19h às 20h, haverá uma apresentação das obras no auditório da livraria. Na sequência, acontece no térreo a sessão de autógrafos com a presença dos autores e organizadores, com encerramento às 21h30. A livraria fica na Av. Paulista, 509, São Paulo, próximo à estação Brigadeiro do metrô.

10953Ampliar e aprofundar a análise sobre a teoria e a prática do ensino da matemática, bem como suas dificuldades. Esse é o objetivo do livro Ensino de matemática: pontos e contrapontos. Além de apresentar diferentes e relevantes aspectos do ensino da matemática, o 11º volume da coleção Pontos e Contrapontos aborda tanto questões históricas quanto epistemológicas, sociais e políticas desse campo específico do conhecimento que tem impacto em todos os demais. Os professores Nílson José Machado e Ubiratan D’Ambrosio, mediados pela organizadora da coleção, Valeria Amorim Arantes, estabelecem um debate acadêmico em que analisam com profundidade questões cruciais e polêmicas relacionadas ao ensino da matemática.

10958Já o livro Temas transversais, pedagogia de projetos e mudanças na educação, segundo volume da coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas, traz um profundo debate do professor Ulisses F. Araújo sobre os chamados temas transversais, articulados com a pedagogia de projetos e os princípios de interdisciplinaridade. Segundo ele, juntos, esses três elementos, podem apontar caminhos inovadores para a educação formal e uma ressignificação da prática docente. Nas últimas décadas, a sociedade vem passando por mudanças que impactam a sala de aula, o currículo das escolas e os próprios objetivos da educação. Para continuar ocupando o papel de destaque que a sociedade lhe destinou, a escola precisa inovar os conteúdos sem abrir mão dos saberes adquiridos ao longo dos séculos. O desafio é criar um modelo inclusivo e democrático.

 

Convite Ensino de matemática e Temas transversais

 

SUMMUS LANÇA “ENSINO DE MATEMÁTICA”, DA COLEÇÃO PONTOS E CONTRAPONTOS

Ampliar e aprofundar a análise sobre a teoria e a prática do ensino da matemática, bem como suas dificuldades. Esse é o objetivo do livro Ensino de matemática: pontos e contrapontos , lançamento da Summus Editorial. Além de apresentar diferentes e relevantes aspectos do 10953ensino da matemática, o 11º volume da coleção Pontos e Contrapontos aborda tanto questões históricas quanto epistemológicas, sociais e políticas desse campo específico do conhecimento que tem impacto em todos os demais. Os professores Nílson José Machado e Ubiratan D’Ambrosio estabelecem um debate acadêmico em que analisam com profundidade questões cruciais e polêmicas relacionadas ao ensino da matemática.

Organizada pela professora Valéria Amorim Arantes, a obra discute questões como os conteúdos mínimos da matemática, suas possíveis relações com as visões aristotélica e platônica, o conceito de inter e transdisciplinaridade, métodos e técnicas e a formação de professores no contexto brasileiro, entre outras.

Seguindo a proposta da coleção, o livro está estruturado em três partes. Na primeira, cada autor discorre livremente sobre o tema, expondo seu ponto de vista. Em seguida, ambos trocam perguntas e respondem-nas. Na terceira parte, a professora Valéria lança novos questionamentos, gerando um debate profícuo e instigante. “Com o objetivo de trazê-los ainda mais para o chão da escola e para as práticas docentes, proponho que discorram sobre os conteúdos mínimos da matemática a ser ensinados nas instituições escolares, a formação dos professores no contexto brasileiro e o conceito de aprendizagem baseada em problemas no ensino dessa disciplina”, afirma a organizadora.

O professor Machado avalia, sob diferentes perspectivas, as dificuldades com o ensino de matemática. Ele presenta uma análise epistemológica, lançando mão de diferentes imagens, e alerta para a fragmentação do conhecimento escolar, somada à falta de significados do que se estuda e à falta de interesse dos alunos pelos conteúdos escolares. Na sequência, faz uma reflexão específica, apontando ações que podem ser eficazes na formação do cidadão. E finaliza com uma aproximação entre a matemática e os contos de fadas e a possibilidade de se transitar entre a realidade e a ficção nas aulas dessa disciplina.

Já o professor D’Ambrosio discorre sobre diferentes aspectos da educação e das instituições escolares, em particular sobre o ensino da matemática. Ele faz uma reflexão multifacetada, apresentando estudos comparativos de cognição, aspectos filosóficos, epistemológicos, históricos, sociológicos, políticos e religiosos, além de questões ambientais. Ao concluir, defende que a educação deve estar baseada em uma ética de respeito, solidariedade e cooperação para o convívio respeitoso, harmonioso e produtivo de varias culturas.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1388/Ensino+de+matem%C3%A1tica:+pontos+e+contrapontos

 

NO BRASIL, EDUCAÇÃO DOMICILIAR ESTÁ À MARGEM DA LEI

Oitocentas famílias fazem educação em casa no Brasil, segundo a Associação Nacional de Educação Domiciliar. Há dois anos, eram 400 registros. “Não sabemos se houve crescimento ou se mais gente veio a público”, diz Alexandre Magno Moreira, diretor jurídico da associação.

A lei brasileira não trata da educação domiciliar, o que dá margem a interpretações. A Constituição diz que educação é dever do Estado e da família; para a Lei de Diretrizes e Bases e o Estatuto da Criança, os pais devem matricular os filhos na escola.

“O mesmo artigo da Carta é usado para defender o ensino em casa e para dizer que é inconstitucional”, diz Luciane Barbosa, doutoranda em educação na USP.

No entendimento do Superior Tribunal de Justiça, educação domiciliar é inconstitucional. Seis famílias já foram processadas pela prática, e, uma delas, condenada a pagar multa. Mas já há parecer favorável a uma família.

“Temos base legal para defender a prática”, diz Moreira, que é professor de direito.

Hoje em trâmite na Câmara dos Deputados, o projeto de lei 3.179/2012, do deputado federal Lincoln Portela (PR), faz a Lei de Diretrizes e

Bases admitir a educação domiciliar com acompanhamento do Estado. “Há ‘homeschool’ em 60 países. É um direito dos pais”, diz Portela.

Para Maria Celi Vasconcelos, pós-doutora em educação, é muito cedo. “A universalidade da educação é recente. A desescolarização ainda é vista sob suspeita”, diz ela, que é professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. “As últimas políticas públicas vão no sentido de aumentar a permanência de crianças na escola”, lembra.

O sociólogo André de Holanda pesquisou 62 famílias brasileiras que educam em casa. A maioria (90%) diz que sua motivação é dar uma educação melhor que a escola; 75% acham que a socialização na escola é prejudicial e 60% têm motivos religiosos.

Algumas dessas razões levaram Samuel Silva, 42, executivo, a decidir não matricular seus cinco filhos no colégio. “Eles podem render mais se forem tutorados por nós.”

A família segue um currículo americano com os dois filhos mais velhos, de nove e sete anos. O material vem dos EUA e é complementado com textos em português.

“Meus filhos me perguntam se vão para a escola um dia. Um dia podemos achar que eles estão prontos”, diz o pai. E se esse dia não chegar e os filhos precisarem de certificados para entrar na faculdade? “Podem fazer supletivo. Há alternativas.”

Silva não teme problemas legais e rebate as críticas da falta de socialização. “É escola em casa, não é monastério. Meus filhos têm amigos, fazem futebol, coral na igreja.”

Para Barbosa, a socialização na escola também é questionável. “A escola seleciona o tipo de socialização. Há colégios de ricos, de pobres. Há contato com o ‘diferente’, mas um diferente igual”, diz.

REFERÊNCIA INFANTIL

A pesquisadora enxerga na mobilização desses pais a necessidade de repensar a instituição de ensino. “Tudo mudou na sociedade, menos a escola. Eles têm razão nas críticas”, afirma. “Mas, apesar dos problemas, a escola é uma referência para a infância no Brasil e esses questionamentos poderiam ser usados para mudar a instituição. Se esses pais superengajados estivessem dentro da escola, ela seria diferente.”

Vasconcelos pesquisou famílias brasileiras e portuguesas para seu pós-doutorado e diz não ser possível classificar a educação domiciliar. “Há famílias com bons resultados, mas não significa que o ‘homeschool’ é um sistema de qualidade.” Isso porque não há um só método, há milhares. Cada família tem um.

 

Texto de Juliana Vines, publicado originalmente na Folha de S. Paulo em 28/05/2013. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/05/1285627-no-brasil-educacao-domiciliar-esta-a-margem-da-lei.shtml

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Para saber mais sobre o assunto, conheça o livro Educação formal e não-formal: Pontos e Contrapontos, dos autores Jaume Trilla e Elie Ghanem, e organizado por Valéria Amorim Arantes.
Na obra, os autores discorrem sobre os diferentes aspectos que contemplam essas duas perspectivas das práticas educativas, analisando seu aspecto histórico, social e político. Os pontos e contrapontos tecidos no diálogo estabelecido por Ghanem e Trilla sinalizam a importância da cooperação e da complementariedade entre a educação formal e a não formal, na busca de uma educação mais justa e mais democrática.

 

CRESCE NÚMERO DE ALUNOS DE EAD NO PAÍS; CURSOS LIVRES SÃO MAIORIA.

Aumentou o número de alunos que aderiram ao sistema de ensino a distância (EAD) no Brasil, o grupo soma mais de 3,5 milhões de estudantes. Os dados são do Censo EAD.BR 2011, divulgado no 18° Congresso Internacional de Educação a Distância, que vai até o dia 26 em São Luís (Maranhão).

A maioria dos cursos ministrados a distância (56%) são livres, não precisam de autorização do MEC (Ministério da Educação) para funcionarem. São cursos de  atualização ou aperfeiçoamento pessoal ou de aprimoramento profissional. Neles estavam matriculados, em 2011, 2,7 milhões de estudantes (77,2%).

Nos livres, as áreas de conhecimento mais procuradas são Administração e Gestão, Educação e Ciências da Computação.

Entre os 3.971 cursos autorizados pelo MEC, a maior parte dos matriculados estão no ensino superior (75%). A pós-graduação responde por 17,5% dos estudantes – inclusos aí mestrados, MBA e outros lato-sensu.

O restante dos matriculados, 7,5%, estão divididos entre cursos de ensino fundamental, médio e técnico.

Perfil

O censo indica que as mulheres são a maioria dos estudantes a distância. A única modalidade com público majoritariamente masculino é a de cursos corporativos – oferecidos por empregadores a seus funcionários.

Os alunos de EAD se concentram na região Sudeste: 2,1 milhão de matrículas. O Sul aparece em segundo lugar, com 625.184 estudantes. No Centro-Oeste são 595.098 estudantes e no Nordeste, 256.084. O Norte fica em último, com 14.184 matriculados.

A evasão de alunos, um dos principais obstáculos para o desenvolvimento das ações em EAD, teve uma média de 20%. O maior índice é proveniente de cursos livres, com 23,6%.

Pesquisa

O Censo EAD.BR, realizado pela Abed (Associação Brasileira de Ensino a Distância), reúne informações de 181 instituições que oferecem cursos de aprimoramento pessoal e profissional EAD – o que representa 13% das 1.424 instituições de ensino a distância listadas pela Abed. Os dados captados são de 2011.

Texto de Cláudia Emi Izumi, publicado originalmente no UOL, no dia 29/9/2012. Confira aqui: http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/26/cresce-numero-de-alunos-de-ead-no-pais-cursos-livres-sao-maioria.htm

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Para saber mais sobre o assunto, conheça:

Educação a distância: pontos e contrapontos” (Summus), dos autores José Manuel Moran e José Armando Valente, e organizado por Valéria Amorim Arantes.
Qual o papel das novas tecnologias de informação e comunicação no cotidiano das escolas e dos cursos de formação profissional? A educação a distância e as novas modalidades de ensino e aprendizagem ampliam o acesso à educação de qualidade ou prejudicam o processo educativo? O diálogo estabelecido entre os autores deste livro nos ajuda a compreender essas questões e as complexas relações entre tecnologia e educação neste início de século.