‘MACHISMO É DOENÇA, DIZ ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSICOLOGIA’

O assunto foi um dos temas de ontem do Em Pauta, da GloboNews. Assista em http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-em-pauta/videos/t/todos-os-videos/v/machismo-e-doenca-diz-associacao-americana-de-psicologia/7299352/

Conheça o livro da psicanalista Malvina Muszkat, mencionado no programa:


O HOMEM SUBJUGADO

O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo
Autora: Malvina E. Muszkat
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, a autora Malvina Muszkat, propõe que se repense o fenômeno da violência sob a perspectiva da subjetividade masculina na dinâmica dos relacionamentos, de forma a buscar maneiras mais eficientes de se promover o dialogo e evitar o confronto. Transitando por áreas como antropologia, sociologia, mitologia e psicanálise, Malvina mostra como a imagem da masculinidade foi construída ao longo dos séculos e de que forma os homens foram proibidos de demonstrar seus medos e fraquezas.

‘BRIGA, TIROS E MEDO: 50% DOS BRASILEIROS DIZEM ESTUDAR EM ÁREAS VIOLENTAS’

Após uma semana do início das aulas, o vigilante desempregado Sérgio Rodrigues do Nascimento, 43, já havia pedido a mudança do filho de 10 anos da Escola Estadual Maria Augusta de Moraes Neves, na zona sul de São Paulo, para outra unidade. “No terceiro dia, dois alunos foram expulsos da sala, já vi um monte de gente pulando o muro da escola, e ontem meu filho disse que levou um chute de outro garoto na hora do intervalo”, conta o pai.

“A gente fica de coração partido de deixá-lo aqui”, afirma Nascimento, que nos últimos dias percorreu outras escolas da região em busca de vagas em turmas de sextos anos do ensino fundamental. “Não quero que meu filho vire bandido.”

Na mesma região, outro pai tentava tirar o filho da Escola Estadual João Ernesto Faggin pelo mesmo motivo. “Eu estudei aqui quando tinha 10 anos e a escola já não era boa. Hoje tenho 41 anos e nenhum dos meus colegas de classe estão vivos”, afirma o morador do bairro, que preferiu não dar o nome porque tem medo de represálias dos traficantes da região.

Seu filho de 12 anos já havia faltado aos três primeiros dias de aula, porque o pai se recusou a aceitar a matrícula na Ernesto Faggin. “Parece que até a direção tem medo. Cheguei para pedir a transferência e a sala está cheia de grades”, diz.

A sensação de insegurança não é exclusiva dos pais desses alunos nem da capital paulista. Os dados da Pense (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) compilados e publicados no 10º Anuário de Segurança Pública, de novembro de 2016, mostram que 50,8% dos alunos do nono ano do ensino fundamental estão em escolas localizadas em áreas de risco de violência. A pesquisa, realizada por amostragem, levou em consideração 2.630.835 entrevistas com estudantes de todo o país matriculados no nono ano do ensino fundamental das redes pública e privada.

Traficantes rondam as escolas 

Nos dois colégios citados, por exemplo, a reportagem presenciou adolescentes usando drogas, traficantes rondando as escolas e pinos de cocaína espalhados pelo chão a poucos metros da entrada das unidades de ensino. Sem sucesso, a funcionária de uma delas tentou barrar a entrada de jovens que não estavam matriculados no colégio. Havia também lixo e entulho nas calçadas.

“Dividimos o crime escolar em três tipos: o que está previsto no Código Penal, pode ferir e matar –esse é muito complicado de combater e não está em todas as escolas. Há também a microviolência, que é a violência do cotidiano e está nas relações sociais dentro da escola. O terceiro é a violência simbólica, quando você faz mal e o outro não consegue responder, como a homofobia. Essa é uma violência quase transparente”, diz Miriam Abramovay, da Flacso Brasil (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), que pesquisa o tema há mais de 15 anos.

No ano passado, o técnico em enfermagem Leonardo Vieira dos Santos, 31, atendeu a uma ligação desagradável da escola em que os filhos de 15 e 11 anos estudavam na zona sul de São Paulo. “Eles disseram que tinha acontecido uma briga. Cheguei à escola e meu filho mais novo tinha sido agredido por um colega. Não foi briga.”

O técnico em enfermagem registrou um boletim de ocorrência e, em seguida, procurou a diretoria regional de ensino para transferi-lo para outra unidade. “A gente se sente muito mal, não quer que isso aconteça com um filho”, diz.

“O que mais me dá medo são assaltos nos pontos de ônibus”

Na Bahia, os dados da pesquisa mostram que 47,6% estudantes do ensino fundamental consideram violenta a área onde está situada a escola. Na rede privada, o percentual é de 52,7%, enquanto na educação pública a avaliação é de 46,8%.

Luana Carvalho, 11, mora no bairro São Rafael, em Salvador, uma localidade com as mesmas características da região onde estuda, o Cabula: perfil de classe média, com boa infraestrutura, comércio pujante e próximo de comunidades pobres.

Responsável pela menina, Andréa não tem tempo de levá-la para a aula, mas não arrisca deixar Luana ir de ônibus por medo de assaltos. Apesar de a escola manter um considerável nível de segurança (câmeras, porteiros, grades), a mãe considera que o Cabula é uma área violenta.

“É um bairro muito visado, porque concentra em um pequeno raio escolas particulares, universidade, supermercados, bancos”, descreve. “O que mais me dá medo são assaltos nos pontos de ônibus. Por isso contratei transporte escolar, para protegê-la desse tipo de violência”, acrescenta.

A contadora lembra que, há cerca de dois anos, foi buscar a filha na escola, mas encontrou a instituição fechada devido a um tiroteio. O motivo foi uma tentativa de assalto a um carro-forte que abastecia os terminais de um supermercado na avenida Silveira Martins, a poucos metros da escola.

“A violência é um reflexo da sociedade em todo o país. Se o bairro o onde a escola está inserida é violento, a instituição fica exposta, vulnerável, quer seja privada ou pública”, diz Rui Oliveira, coordenador do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia. “A escola não é uma ilha, pois está propensa a diversas influências externas, fatores estruturais da sociedade, tais como desigualdade social, desemprego, tráfico de drogas e ausência de políticas públicas para combater essas questões.”

“Criança é muito vulnerável” 

Diretor do soteropolitano Colégio São Lázaro, o professor Antônio Luiz afirma que não é permitido aos alunos sair da escola no horário do intervalo, nem mesmo os estudantes secundaristas. A exceção, frisa o docente, ocorre somente nos dias de aula integral, com autorização das famílias, no horário do almoço.

“Nossa preocupação não é só em relação à violência externa que possa ocorrer, mas também quanto à influência das drogas”, diz o professor. “Além disso, orientamos aos alunos evitar sair com objetos chamativos na rua, usar tênis mais simples e sair em grupos no final da tarde.”

A 500 metros do São Lázaro está o Colégio Municipal da Engomadeira, que leva o mesmo nome do bairro popular onde os ônibus voltaram a circular somente depois de dois dias por conta da morte de dois homens em confronto com a PM, no último dia 4.

Texto parcial de reportagem de Marcelle Souza, Franco Adailton e Ronald Lincoln Jr., publicada originalmente no UOL em 16/02/2017. Para ler a matéria completa, acesse: https://educacao.uol.com.br/noticias/2017/02/16/briga-tiros-e-medo-50-dos-brasileiros-dizem-estudar-em-areas-violentas.htm

 

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:

10952A SOCIEDADE DA INSEGURANÇA E A VIOLÊNCIA NA ESCOLA
Autora: Flávia Schilling
SUMMUS EDITORIAL

Entre os discursos da violência como uma epidemia e o silêncio por ela provocado, há discursos inauditos e imprevistos que apontam para uma compreensão ampliada das questões que nos preocupam. Este livro discute a violência que está na escola, apresentando as várias dimensões que cercam o problema e apontando algumas ações possíveis que estão ao alcance de todos nós.

BATER NÃO É EDUCAR; SAIBA COMO CRIAR OS FILHOS COM APEGO

Toda e qualquer reportagem sobre a “Lei da Palmada”, que foi aprovada na quarta-feira (4/6) no Senado e agora vai para a sanção da presidente Dilma, vem acompanha de comentários na linha “eu apanhei dos meus pais e hoje sou um homem honesto e educado”, “estão criando marginais. Toda criança precisa de palmadas” ou ainda “ninguém vai me ensinar como educar meus filhos”.

Bom, realmente ninguém deve se intrometer no tipo de educação que damos para os nossos filhos, mas desde quando bater é educar? Muitos pais acham que se não batem, não têm o respeito dos filhos e vão criar pequenos ‘monstrinhos mimados’.

A neurocientista e mãe de duas crianças, Andréia C.K. Mortensen, explica que nossa sociedade é da cultura do “bater para educar”, mas diz que é possível sim não levantar a mão para uma criança, não colocá-la de castigo e ainda assim ter crianças educadas, carinhosas que vão descobrindo no dia-a-dia o que podem ou não fazer. Para ela, o mais importante é os pais se conectarem com a criança e tratar os filhos com respeito.

“É importante sempre saber o contexto e o motivo daquele comportamento. Em vez de punir, o melhor é trabalhar com eles e investir na colaboração mútua entre pai e mãe. Acreditar que a criança bem cuidada e amada se comporta da melhor maneira que pode”, comenta Andreia, que escreveu com a neurocientista Ligia Moreiras Sena o livro recém-lançado “Educar sem violência : criando filhos sem palmadas”.

Muitas vezes as crianças fazem birras e os olhares tortos de terceiros acabam constrangendo nós, pais. Mas, esses ‘chiquiles’ são normalmente culpa dos próprios pais que não entendem que aquela criança está com alguma necessidade física não atendida, como cansaço, sono, tédio, fome, angústia e outros fatores psicológicos, como estar em um ambiente super estimulante, como um shopping lotado, ou até mesmo o estresse dos pais diante de uma situação.

“Não podemos esperar reações emocionais perfeitamente equilibradas de uma criança o tempo todo. Ela simplesmente não tem capacidade para isso”, comenta

Não há fórmulas para sanar as birras pois não a controlamos, mas lidamos com elas, ou seja, para cada birra há uma atitude diferente a ser tomada pelos pais, dependendo da sua causa. Ou seja, não significa que se a criança vai querer um determinado brinquedo da loja, que você vá comprar. Explicar que não é o aniversário dela e que aquele brinquedo ela poderá ganhar em uma data específica, por exemplo, pode ser a solução.

“Por exemplo, se a criança bate em você, rapidamente e com a sensibilidade e experiência entenda o motivo de seu filho estar tentando chamar a sua atenção”, explica. Segundo Andréia, se ele está com sono, por exemplo, diga que vai ajudá-lo a dormir e explique que não pode bater. “Fale que nessa família ninguém bate ou grita. Pergunte se ele consegue fazer um carinho aqui e mostre o lugar que ele machucou. Mas, seja firme”. Segundo ela, dessa forma você reconheceu o sentimento dela e direcionou a criança para uma ação positiva e gentil.

CARTILHA

Uma das organizadoras da página no Facebook “Crescer sem Violência” com mais de 10 mil integrantes, Andreia conseguiu a autorização da ONG americana End Hitting (pare de bater, em tradução livre) para traduzir uma cartilha que ensina de forma didática como é possível criar as crianças sem bater. A ideia é que as pessoas imprimam essa cartilha e divulguem. “Pode ser na escola, no parque, entre amigos e familiares, por exemplo.

Nosso objetivo é trazer conscientização para a população de quem não é preciso usar de palmadas na educação, que podem trazer vários malefícios a criança a longo prazo, e ajudar a informar alternativas de criação gentil”, comenta. Na última página do panfleto há sites e livros para pesquisas sobre o assunto (confira a cartilha abaixo).

Ela explica que a “Lei da Palmada”, que foi rebatizada de “Lei Menino Bernardo” em homenagem a Bernardo Boldrini,  não pretende interferir na maneira de educação. “As palmadas não educam, só impõem medo, e a longo prazo podem trazer malefícios na saúde mental e física da criança, adolescente e adulto. Então, o objetivo é trazer conscientização de que agredir não educa, e mostrar outras formas mais seguras de fazê-lo”, comenta.

Em entrevista à Folha nesta quinta-feira, a psicóloga Rosely Sayão diz ser contra as palmadas pois ela não educa, mas humilha as crianças. “O tapa pode até funcionar temporariamente, mas o período entre um e outro será cada vez menor. E a força, maior”, comenta. Para ela existem muitos recursos na hora de educar, como uma conversa, “uma bronca firme e até mesmo a expressão facial”.

Segundo Andréia, em outros países com leis parecidas onde o castigo físico é abolido, as taxas de violência infantil diminuíram drasticamente, apesar de certa rejeição inicial da população. “Aos poucos, a aceitação popular aumentou e os índices de violência contra criança reduziram. Essa tendência pode ser realidade no Brasil também, ou seja, é de benefício para todos como sociedade”, comenta.

Se ficamos tão indignados ao ver um cão apanhando ou um idoso, por que não temos a mesma reação ao ver uma criança sendo agredida?

SAIBA MAIS SOBRE A ‘LEI DA PALMADA’

O texto do projeto de lei determina que as crianças sejam educadas sem o uso de castigo físico ou “tratamento cruel ou degradante, como forma de correção, disciplina ou educação”.

Além das punições já previstas pelo Código Penal, o projeto determina que os responsáveis pela criança ou adolescente que adotem condutas violentas sejam encaminhados para programas de proteção à família, tratamentos psicológicos ou psiquiátricos, e a cursos de orientação. Também há previsão de receberem advertência legal.

Caberá ao Conselho Tutelar analisar os casos e definir as medidas de punição, assim como encaminhar as crianças a tratamentos especializados.

O projeto também estabelece multa de três a 20 salários mínimos para os profissionais de saúde, assistência social, educação ou qualquer pessoa que ocupe função pública e não comunique as autoridades sobre casos de violência contra crianças que tenha conhecimento.

Texto de Giovanna Balogh, publicado no blog Maternar em 05/06/2014. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/06/05/bater-nao-e-educar-saiba-como-criar-os-filhos-com-apego/

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Para se aprofundar no assunto, conheça o livro “Como educar sem usar a violência”, da psicóloga Dora Lorch:
10272COMO EDUCAR SEM USAR A VIOLÊNCIA
Autora: Dora Lorch

Toda criança precisa compreender o mundo em que vive, e pais e educadores devem fornecer exemplos diários de boa conduta e agir de maneira coerente com o que dizem. Mas muitos optam pela violência e pela humilhação para “ensinar”. Agindo assim, criam seres humanos sem capacidade crítica e também violentos. Usando a psicologia para falar de birras, medos, mentiras, vergonha, inconsciente e brincadeiras, a autora constrói um singelo manual de boas maneiras – para os pais. Prefácio de Ruth Rocha.

AUTORA DE “COMO EDUCAR SEM USAR A VIOLÊNCIA” PARTICIPA DO MULHERES, DA TV GAZETA

A psicóloga Dora Lorch, autora do livro Como educar sem usar a violência (Summus Editorial), participa do programa Mulheres, da TV Gazeta, nesta terça-feira, dia 29 de janeiro, a partir de 14h. Ela fala sobre como lidar com os ataques de birra das crianças.

Em seu livro, Dora afirma que é possível educar sem perder a paciência. Ela parte do princípio de que para lidar com crianças é preciso compreendê-las, saber o que se pode esperar delas, o que faz parte do seu desenvolvimento. A ideia é que, de posse desses conhecimentos, o adulto consiga escolher a forma mais adequada de agir e seja bem-sucedido na tarefa cotidiana de educar sem recorrer a qualquer tipo de violência, física ou verbal.

Eu gostaria que o livro fosse como uma conversa entre amigas. Uma conversa sobre limites. Todos sabem que os limites são necessários, mas como colocá-los de fato, na prática?”, questiona Dora. No livro, ela traça algumas regras, mostra caminhos e utiliza um sem-número de exemplos, sempre muito pertinentes. O objetivo, diz ela, não é apresentar fórmulas prontas, mas mostrar princípios norteadores que permitam aos educadores em geral formar indivíduos confiantes e plenos de respeito pelo outro e pela vida.

Segundo a psicóloga, a pressão sofrida pelas crianças atualmente é enorme. “Pais e educadores exigem dos pequenos o rendimento máximo, na esperança de prepará-los para uma vida mais feliz e vitoriosa. O excesso de expectativas, contudo, acaba se traduzindo por um elevado nível de ansiedade, o que gera uma série de mal-entendidos — facilmente transformados em impaciência, conflito e violência”, diz Dora.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Como+educar+sem+usar+a+violência

CULTURA DA VIOLÊNCIA: ESCOLA É O QUARTO LUGAR ONDE HÁ MAIS ATOS VIOLENTOS CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Uma cultura da violência que permeia os ambientes públicos e privados das relações sociais pode explicar por que atos de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão contra crianças e adolescentes continuam frequentes, mesmo após a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990. Em todas as faixas etárias, as ocorrências são mais preponderantes nas residências das vítimas, mas também ocorrem onde as crianças deveriam estar protegidas: na escola.

Segundo dados do Mapa da Violência 2012: Crianças e Adolescentes do Brasil, elaborado por Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais no Brasil (FLACSO Brasil), a escola é o quarto local onde há mais ocorrências de violência contra crianças e adolescentes entre zero e 19 anos. Na faixa etária dos 10 aos 14 anos o número de ocorrências no ambiente escolar aumenta, representando 7,8% dos atendimentos, enquanto a partir dos dez anos as agressões em casa diminuem. O levantamento foi realizado junto aos atendimentos por violência no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Existe uma espécie de cultura da violência que impera em diversos âmbitos de nossas vidas, como em casa, na escola, nas ruas”, argumenta Jacobo. O sociólogo considera que a escola deve criar mecanismos de mediação de conflito com o objetivo de estimular a tolerância e o convívio com as diferenças. A medida é urgente se for considerado que o maior número de agressões acontece entre os próprios colegas de escola.

Dos 5 aos 9 anos as ocorrências de violência na escola por amigos ou conhecidos representam 49,7% dos casos. Dos 10 aos 14 anos, 60,16%, e dos 15 aos 19, 52%. Na categoria “desconhecidos”, esse número cai para 8,5% dos 5 aos 9 anos, 7,1% dos 10 aos 14 e 16,6% dos 15 aos 19. Em último lugar verifica-se a violência por parte de pessoas da própria instituição com 7,9% na faixa dos 5 aos 9 anos, 5,8% dos 10 aos 14 e 5,5% dos 15 aos 19 anos.

De acordo com a pesquisa, em todas as faixas etárias a violência acontece de forma preponderante na residência das vítimas, totalizando 63,1% dos casos. Em segundo lugar aparecem as vias públicas, em terceiro outros ambientes e, por fim, em quinto, estão os bares.

Para chegar a esses números foram utilizados os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Em 2009, a notificação “violência doméstica, sexual e/ou outras violências” foi implantada no Sinan e deve ser realizada pelo gestor 1de saúde do SUS, por meio de uma ficha de notificação específica, diante de qualquer suspeita de ocorrência de violência. Essas informações, no entanto, são apenas uma parte do que realmente acontece. Paralelamente aos atendimentos declarados como decorrentes da violência, existe um enorme número de vítimas que não revelam o motivo de ir parar nos hospitais e, por isso, nunca chegam aos olhos públicos.

Texto de Deborah Ouchana, publicado originalmente na revista Educação, em 10/2012. Para conferir, acesse:

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/186/cultura-da-violencia-271532-1.asp

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Para saber mais sobre o assunto, conheça:

A violência na escola (Summus), de M. Perdriault, G. Mangel, C. Colombier.
O tema da violência escolar é uma presença cada vez mais constante em todos os veículos de imprensa. Ele encontra um enfoque atualizado e detalhado neste livro, do ponto de vista da pedagogia institucional. São quatro monografias que abordam a violência na escola, com descrições do ambiente opressivo que circunda os adolescentes, a agressividade entre professores e alunos entre si. É o relato de uma experiência visando meios de trabalhar com uma classe especialmente violenta. A violência selvagem e a violência simbólica aqui analisadas tornam esse livro um instrumento esclarecedor e necessário. Um texto forte e realista, de leitura imprescindível.