Se você acha que a temática LGBT é recente no cinema se engana, e muito. Uma das primeiras películas da história da sétima arte, um curta já sonorizado cerca de 30 anos antes do som fazer parte da indústria cinematográfica, trazia dois homens dançando ao som de um violino: The Dickson Experimental Sound Film, de 1895.

Nas décadas seguintes algumas citações sobre o tema apareceram aqui e ali no cinema . Mas em 1924, um filme chamado Mikael traz claramente personagens gays na história da relação de um pintor de sucesso com seu discípulo, tumultuada pela chegada de uma mulher que passa a seduzir o garoto.

De lá para cá a visibilidade de gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, travestis, transexuais, não binários e todas as nuances desta gigantesca cartela de cores se multiplicou por um milhão.

Como todos gostam de listas,  eu e meu master colaborador Alisson Prando inclusos, listamos aqui – sem pretensão histórica ou crítica, mas, sim, como um recorte afetivo  – nossas obras prediletas.
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Morte em Veneza (1971)

Para descansar e recuperar energias após stress artístico e pessoal, o compositor de meia idade Gustave viaja a Veneza.

Nestas férias conhece o jovem Tadzio, e sua família. Arrebatado, acaba obcecado pela beleza física do garoto, apaixonando-se platonicamente por ele, fato que transforma sua conduta e seu caráter.

Direção primorosa de Luchino Visconti.
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Problemas Femininos (1973)

Filmado por John Waters no início da década de 70, ‘Problemas Femininos’ é mais uma parceria de ouro da dupla Waters & Divine. Nesse longa, Divine, ícone cult e travesti, é uma adolescente que foge da casa para uma vida de prazeres libertinos, tudo porque ela não ganhou seu sapato de “chá-chá-chá”, no Natal. Na fuga, ela é molestada por um vil motorista (que também é interpretado por Divine – essa é a ideia de “amor a si mesmo” de Waters?). No entanto, ela não deixa que a maternidade interfira nos seus planos de estrelato e se transforma em uma bizarra apresentadora de um espetáculo apocalíptico. É o quarto filme de John Waters, que segue sua estética autoral, grotesca, altamente subversiva e vulgar.
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A Gaiola das Loucas – La Cage aux Folles (1978)

A despeito de tratar de forma caricata e estereotipada os gays, fato comum naqueles tempos, esse é um dos filmes que mais me fez rir no cinema. Talvez pela minha própria condição na época.

É a história de um casal de gays, donos de uma boate de shows igualmente gay, que está sempre na mira dos conservadores.

O filho de um deles,  fruto de um relacionamento hétero, vai se casar justamente com a filha de um deputado do partido conservador.

A coisa complica de vez quando os pais da noiva resolvem conhecer os pais do noivo.
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Vitor ou Vitória (1982)

Uma grande cantora lírica que não consegue trabalho nem desenvolver sua carreira artística conhece um cantor gay, também desempregado.

Juntos eles  inventam um subterfúgio para chegar lá atingindo fama e sucesso: ela se  passar por um homem cantando com uma transformista.

Tudo vai bem até que ela  Julie Andrews, estonteante, dirigida por Blake Edwards) se apaixona por um gângster.
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Minha Adorável Lavanderia (1985)

O jovem paquistanês Omar administra a lavanderia do tio em Londres e faz amizade com Johnny (Daniel Day-Lewis), que vai trabalhar no local.

Sem levar em consideração as diferenças raciais acabam se apaixonando, tocando o negócio e a vida juntos.

Stephen Frears faz um bom retrato dos anos de chumbo da era Tatcher.
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Garotos de Programa (1991)

Um escancarado retrato da cena gay nos Estados Unidos sob direção de Gus Van Sant, mais precisamente na cidade de Portland, do início da  década de 90, onde dois garotos estão envolvidos com drogas e prostituição.

Os meninos em questão são Scott, na ação para causar vergonha à família, e Mike, narcoléptico e apaixonado por Scott.

Nada mais nada menos que Keanu Reeves e River Phoenix no auge da juventude e beleza.
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Minha vida em Cor de Rosa (1997)

O garoto Ludovic, de 7 anos de idade, é um menina presa num corpo de menino.

Ele decide romper com os padrões que lhe foram impostos e aparece numa festinha no condomínio classe alta, para o qual a família acabou de mudar-se, usando um vestido.

Diferente de hoje o tema era bastante incomum no cinema de 1997 abordado com muita delicadeza pelo diretor Alain Berliner.
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Madame Satã (2002)

A melhor atuação nos cinemas do excelente ator Lázaro Ramos se deu nesse longa de Karim Äinouz, em 2002.

No filme, ele interpreta Madame Satã, icônica perfomer e travesti negra que viveu nos anos 30 no Rio de Janeiro.

O filme é uma obra importante, especialmente por contar de maneira fiel um dos primeiros ícones da comunidade T no Brasil, que sofreu bastante discriminação pelo Estado e pela Polícia.
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Monster: Desejo Assassino (2003)

Dirigido por Patty Jenkins, esse filme rendeu um Oscar de Melhor Atriz a Charlize Theron. Irreconhecível, ela interpreta Aileen Wuornos, uma andarilha e prostituta que se apaixona pela jovem Selby Wall, uma adolescente que é mandada pelos pais para morar com seus tios, na intenção de “curar sua lesbianidade”. A paixão entre as duas é mais forte que as pressões da família. E juntas decidem tomar conta de seus destinos.

Na impossibilidade de achar um emprego sério, Aileen continua a se prostituir para poder sustentar a namorada. Quando um de seus clientes se torna mais violento e coloca sua vida em risco, ela é obrigada a cometer um crime para se defender. E esse será o primeiro de uma série que a levará à destruição. Baseado em fatos reais.
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The Bublle (2006)

Um complexo e tórrido romance interracial e interreligioso amarra a belíssima história de amor entre um Judeu (Noan) e um Árabe (Ashraf), neste conto triste de Eytan Fox, num mundo de guerras e intolerância.

Passado numa Tel-Aviv moderna,  que parece capaz ao menos por algum tempo, de preservar o casal de todos os conflitos no qual estão inseridos.  Para arrematar, a trilha mais que linda foi composta por Ivri Lider e traz uma das minhas músicas prediletas.

Prepare uma caixa de lenços queem-size!


Texto parcial extraído da coluna de Vicente Negrão, publicada originalmente no iGay, em 06/09/2017. Para ler o artigo na íntegra, acesse: http://igay.ig.com.br/colunas/vicente-negrao/2017-09-06/cinema-lgbt-lista-filmes.html

 

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Tem interesse por cinema LGBT? Conheça:

CINE ARCO-ÍRIS
100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras
Autor: Stevan Lekitsch
EDIÇÕES GLS

Entediado com os filmes em que o mocinho fica com a mocinha? Em que o bandido é mau e o mocinho é bom? Eles estão longe da sua realidade? Seus dias de filmes chatos acabaram! Neste pequeno guia, os mocinhos choram e ficam com os mocinhos; as mocinhas amam e batem nas mocinhas; bandidos e bonzinhos acabam juntos. A obra também traz histórias de bastidor, curiosidades técnicas e muito mais.

 

 

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