CONHEÇA “CAPOEIRA”, O LIVRO RECÉM-LANÇADO PELA SELO NEGRO EDIÇÔES

 

As pesquisadoras Letícia Vidor de Sousa ReisElisabeth Vidor  resgatam o contexto histórico da capoeira no Brasil. Reconhecida hoje como um dos símbolos da cultura brasileira, a capoeira nem sempre teve esse status. Os adeptos foram perseguidos durante muitos anos, 40093especialmente na passagem do Império para a República. Associada à vadiagem e à violência, a capoeira só deixou de ser considerada crime há pouco mais de 80 anos. Atendendo ao que preconiza a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino das culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas nas escolas, as pesquisadoras Elisabeth Vidor e Letícia Vidor de Sousa Reis decidiram se aprofundar no estudo do tema. No livro Capoeira – Uma herança cultural afro-brasileira, lançamento da Selo Negro Edições, as autoras retratam as origens sociais e culturais do movimento e mostram como a capoeira contribuiu para que os negros conquistassem e ampliassem seu espaço político e social no Brasil.  Com ilustrações e fotografias, a obra revela como o movimento corporal contribuiu para ampliar o espaço político e social do negro.

 

“A capoeira é ambígua, ao mesmo tempo jogo, dança e luta. Seus movimentos corporais privilegiam os pés e os quadris e, ao inverterem a hierarquia corporal dominante, colocam o mundo literal e metaforicamente de pernas para o ar”, explicam as autoras. Segundo elas, para entender o significado social e simbólico dessa inversão utiliza-se a linguagem do corpo como fonte principal de informação para enunciar as regras da gramática gestual da capoeira.

 

A partir de uma abordagem inovadora, é possível entender a capoeira também como uma forma de resistência do negro, desde o tempo da escravidão até os dias atuais. Entre as várias culturas de resistência negra desenvolvidas no país, a capoeira é uma das mais significativas, constituída com base em culturas provenientes da África. Dividido em três capítulos, o livro traz, com detalhes, a história da capoeira carioca no século 19. As autoras fazem uma interpretação antropológica dos movimentos corporais da capoeira para a compreensão da especificidade da relação entre negros e brancos no Brasil.

 

Além do conhecimento científico, as pesquisadoras também tiveram experiências práticas com o mundo da capoeira. Nessa condição, elas  analisam essa cultura com uma visão objetiva e subjetiva, revivendo traços importantes da história do Brasil, destacando a presença dos negros e suas formas de vida com uma percepção e compreensão próprias. Ao longo da obra, descrevem os fatos históricos de maneira sutil, possibilitando ao leitor uma reflexão mais atenta.

 

Surgida provavelmente nos quilombos brasileiros, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, a capoeira era utilizada como meio de defesa pelos escravos em suas fugas, já que eles não portavam armas. Durante cerca de meio século, a capoeira permaneceu na ilegalidade, deixando de ser considerada crime perante a lei apenas na década de 1930. O argumento principal para a descriminalização dessa prática foi a sua transformação em esporte. “O sentido dessa manifestação afro-brasileira se altera de acordo com as mudanças do lugar social do negro no país: de empecilho ao progresso à expressão de originalidade social”, complementam as autoras.

 

As leis federais 10.639/2003 e 11.645/2008 tornam obrigatório o ensino das culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas nas escolas, possibilitando o reconhecimento e a valorização de sua presença no Brasil por meio da educação.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1355/Capoeira

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