‘SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA ATINGE MAIS MULHERES’

Caracterizada por uma exaustão que não cessa com repouso, a condição costuma aparecer após uma gripe ou infecção

Matéria de Maurício Brum e Sílvia Lisboa, com colaboração de Juan Ortiz, publicada na revista Claudia em 30/08/2019

Nos últimos anos, Joyce* vinha sentindo uma dificuldade enorme para realizar tarefas diárias. Arquiteta com mais de três décadas de carreira, precisou fechar o escritório. Por muito tempo, se esforçou para ir às obras e atender os clientes, mas chegava ao final do expediente acabada. “Era como se tivesse sido atropelada por um caminhão”, recorda a porto-alegrense de 65 anos.

Preocupada, foi atrás de ajuda médica nas mais diversas especialidades, tomou antidepressivos e fez reposição hormonal. Nada ajudou. “Minha cabeça sempre funcionou muito bem. Sabia que era algo físico”, relata.

Há três anos, um clínico geral começou a suspeitar de que se tratava de uma condição atípica. O diagnóstico, porém, viria apenas após ter descartado todas as outras hipóteses. O último teste, para verificar um possível distúrbio do sono, consistia em ficar dias inteiros sem fazer nada e, depois, passar uma noite na clínica sob observação. Mesmo assim, ela acordava cansada.

O veredito chegou, finalmente, no início deste ano. Joyce sofre de síndrome da fadiga crônica (SFC), também chamada de encefalomielite miálgica, doença rara, de causas desconhecidas, caracterizada pela exaustão extrema – que não passa com repouso nem depois de noites bem-dormidas –, dores nos músculos e na garganta, gânglios inchados, além de lapsos de memória. Embora tratável, ainda não tem cura. “Suga a energia”, resume Joyce. É comum os pacientes reportarem que sentem o corpo entrar em curto-circuito.

Embora esteja presente no Código Internacional de Doenças (CID) há 50 anos, a encefalomielite miálgica só ganhou a alcunha de SFC – e definições mais claras – a partir de 1988. Um trabalho de revisão publicado em The Lancet, uma das principais revistas médicas do mundo, utilizou dados americanos e concluiu que entre 0,2% e 0,4% da população adulta é afetada pela síndrome – sendo o número de mulheres quatro vezes maior que o de homens.

Como várias doenças podem causar cansaço extremo, o diagnóstico é um desafio. Geralmente, a síndrome aparece após uma gripe ou infecção banal. “A pessoa deve suspeitar se estiver sentindo falta de energia intensa e constante há pelo menos seis meses”, alerta o reumatologista Roberto Heymann, professor da Universidade Federal de São Paulo. Outro sinal é não entender de onde vem o cansaço. “A falta de causa aparente é importante, pois, se houver outros motivos, o diagnóstico de SFC deve ser desconsiderado”, avisa ele.

A fadiga crônica também costuma ser confundida com a fibromialgia, que, embora tenha sintomas e tratamento semelhantes, é caracterizada por dor física mais intensa. “Na SFC, o principal é a fadiga”, esclarece a clínica geral e reumatologista Liz Ribeiro Wallim, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Com o passar dos meses, a doença pode progredir e se tornar incapacitante, afetando não só a qualidade de vida e o rendimento no trabalho mas até mesmo o relacionamento com a família. “É uma condição que gera preconceito, pois tem indícios parecidos com o comportamento de preguiçosos”, lamenta Joyce.

Os parentes dela nunca tinham passado por algo semelhante e, embora seu abatimento fosse nítido, no começo eles não acreditavam que o cansaço fosse verdadeiro. “As pessoas tendem a dizer que é vontade de chamar a atenção. Mas o sofrimento é real, não tem nada de frescura ou invenção”, alerta Liz.

O fato de as causas ainda não terem sido totalmente esclarecidas colabora para a confusão. Não se sabe, por exemplo, porque acomete mais mulheres. “Acredita-se que existam fatores hormonais, culturais e sociais associados”, diz Roberto. Alguns estudos também têm sugerido influência genética, mas fatores ambientais podem ser igualmente importantes. “Hoje se sabe que afeta mais indivíduos que sofreram traumas, abusos e negligência na infância”, afirma o psiquiatra Mario Francisco Juruena, professor do King’s College de Londres, um dos centros de excelência no estudo da SFC.

Vítima da SFC, a psicóloga britânica Kristina Downing-Orr transformou a busca pela cura em um mantra. “Eu me recuso”, ela repetia quando não tinha energia para ficar em pé por nove segundos antes de cair prostrada. Durante os dois anos em que sofreu com a condição, após duas viroses, Kristina juntou as poucas forças que lhe restavam para ler pesquisas, peregrinar por médicos e testar tratamentos. Sua batalha resultou no livro Vencendo a Fadiga Crônica (Summus, 2011). Nele, a psicóloga conta como conseguiu se levantar com uma combinação de terapia cognitivo-comportamental, exercícios, dieta e medicação.

O tratamento exige dedicação total nos primeiros meses. Segundo o psiquiatra Mario, demanda a integração dos quatro sistemas: psicológico, neurológico, imune e endócrino. Isto é, ajuda o paciente com uma abordagem que associa mente (nossos pensamentos e emoções), interações neuroquímicas do cérebro, hormônios e células de defesa. “A compreensão dos quadros de fadiga e depressão relacionada a eles e suas influências hormonais e no eixo que regula as reações ao estresse é fundamental para entender e tratar a SFC”, explica.

Estudos recentes revelam que as pessoas mais afetadas pela doença têm taxas reduzidas de cortisol no sangue. Em excesso, esse hormônio ligado ao estresse causa estragos na imunidade, mas níveis muito baixos deixam o indivíduo prostrado e letárgico. Publicado na revista britânica Nature em 2012, um caso mostra que a reposição hormonal e a administração de psicotrópicos podem ser benéficas por regular os níveis de cortisol e tratar a depressão atípica associada à síndrome – ela provoca sono, compulsão a doces e sensação de peso nos membros.

Uma pesquisa desenvolvida na Escola de Medicina de San Diego, nos Estados Unidos, constatou que vários metabólitos também apresentam níveis menores na SFC, como se o indivíduo estivesse hibernando. Essa desordem causa uma reação em cadeia que gera problemas na oxigenação do sangue, nas taxas de açúcar, lipídios e aminoácidos.

Hoje em dia, opta-se por um tratamento multidisciplinar contra a doença, e a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é indicada como uma coadjuvante importante. Para Kristina, que encarou uma versão severa da doença, a TCC ajudou a controlar os pensamentos de desespero. “A angústia é compreensível, mas as pessoas costumam exaltar os ‘não consigo’ e minimizam os sentimentos do ‘consigo’ ”, escreveu.

Essa catastrofização piora o quadro e mina as chances de melhora. Na TCC, a pessoa aprende a notar esse tipo de pensamento e a tirá-lo do piloto automático. Ou seja, em vez de falar: “Eu nunca vou me recuperar”, optar por: “Estou trabalhando para me recuperar”. Pode não ser fácil, mas é decisivo para motivá-la a enfrentar os sintomas mais debilitantes.

Os exercícios, desde que moderados e graduais, também são aliados. É claro que, para alguém que não consegue sequer se levantar da cama, qualquer atividade física parece fora de cogitação. Mas isso é apenas uma visão prévia. À medida que a medicação surte efeito, iniciam-se a TCC e um plano de atividades físicas que deve ir se intensificando aos poucos. Os treinos ajudam a regular os hormônios desalinhados. Além disso, dão ao paciente a sensação de ter domado a doença, o que é essencial para um bom prognóstico. O sono é outro aspecto que merece atenção. Apesar do cansaço extremo, as pessoas afetadas pela SFC não conseguem relaxar. “Por isso, deve-se evitar exercícios e estimulantes antes de dormir”, recomenda Roberto Heymann.

Estima-se que cerca de 50% dos pacientes conseguem voltar ao trabalho; se não for em tempo integral, pelo menos parcialmente. Depois de ter de abandonar a arquitetura, Joyce virou designer de joias e bijuterias – ocupação que lhe permitiu ajustar a carga às necessidades do corpo.

Hoje, trabalha algumas horas por semana quando tem disposição e aceita só as demandas que se adequam às suas limitações. Por orientação médica, faz exercícios físicos moderados, procura não dormir demais e evita atividades de longa duração. Tem dado certo. “Sofri muitos anos com a incerteza”, desabafa. “Agora pelo menos sei o que tenho.”

*Nome trocado para preservar a identidade da entrevistada.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://claudia.abril.com.br/saude/sindrome-da-fadiga-cronica-atinge-mais-mulheres/

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Conheça o livro de Kristina Downing-Orr, mencionado na matéria:

VENCENDO A FADIGA CRÔNICA
Seu guia passo a passo para o restabelecimento completo
Autora: Kristina Downing-Orr
SUMMUS EDITORIAL

A síndrome da fadiga crônica acomete milhares de pessoas no mundo todo, mas poucas delas sabem que sofrem da doença. Esta obra explica o que é fadiga crônica, oferece uma abordagem clínica completa, discute aspectos psicológicos ligados ao distúrbio e propõe mudanças nutricionais e de estilo de vida que podem melhorar sobremaneira o dia dos pacientes.

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“TELENOVELA ‘A MORTA SEM ESPELHO’, ESCRITA POR NELSON RODRIGUES, ESTÁ PERDIDA”

Autor foi descoberto pelo cinema, com adaptações de ‘Boca de Ouro’ e ‘Bonitinha, mas Ordinária’, mas também foi parar na televisão

Matéria de Nelson de Sá, publicada na Folha de S.Paulo,
em 06/09/2019.

Nelson Rodrigues, no momento em que foi descoberto pelo cinema, com as adaptações de “Boca de Ouro” e “Bonitinha, mas Ordinária”, sucessos de bilheteria às vésperas do golpe de 1964, também foi parar na televisão.

Walter Clark, então na TV Rio, emissora que dividia programação com a paulista Record, da mesma família, encomendou o que seria a primeira telenovela produzida na cidade, em 1963 —dois anos antes de surgir a Globo.

Era para ser a “novela das oito”, mas o juizado de menores ordenou 22h30. Segundo Clark, na autobiografia “O Campeão de Audiência” (Summus), “como não existia essa faixa de novelas e não havia o hábito do público, tivemos de cancelá-la” após dois meses.

“Terminou, afinal, ‘A Morta Sem Espelho’, um dramalhão fúnebre, um enredo deletério, de neuróticos e assassinos”, publicou o Correio da Manhã em 9 de novembro, acrescentando, porém, elogios “à linguagem ousada, solta e inesperada” do autor.

Uma cena ficou célebre, aquela em que o personagem do ator Ítalo Rossi desperta sua mulher com uma arma, dizendo: “Acorda para morrer”. Mas o texto da “primeira novela brasileira de todos os tempos”, como descreve Ruy Castro na biografia “O Anjo Pornográfico” (Companhia das Letras, 1992), se perdeu, assim como as gravações.

Procurados, a atriz Fernanda Montenegro e o pesquisador e editor Caco Coelho disseram não ter pistas nem desta nem de outras duas novelas que Nelson Rodrigues escreveu no ano seguinte, “Sonho de Amor” e “O Desconhecido”.

Coelho chegou a ir aos arquivos da censura, mas “tinham destruído”, e a várias pessoas do elenco, sem sucesso. Restam fotos, resumos e depoimentos, inclusive sobre a divergência entre Clark e o autor, quanto ao gênero.

O objetivo do primeiro era uma atração “naquele espírito de combate à Excelsior”, emissora então em ascensão, “com uma programação mais sofisticada”. Já o dramaturgo queria o folhetim.

“Novela é um gênero de concessão”, dizia, mas que “pode ser bonito, pode ser a obra mais hierática”, sagrada.

“Eu queria fazer folhetim no duro, bem cabeludo. Nunca me deixaram. O pessoal queria intelectualizar o negócio. Se você quiser elevar o folhetim, fica ridículo, atroz.” Na síntese de Nelson Rodrigues, que nunca mais escreveria telenovela, “o bom folhetim é isso: coisas tremendas, adúlteras fugindo em carruagens”.

Para ler na íntegra, acesse: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/09/telenovela-escrita-por-nelson-rodrigues-esta-perdida.shtml

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Conheça o livro de Walter Clark, mencionado na matéria:

O CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA
Uma autobiografia
Autores:  Walter ClarkGabriel Priolli
SUMMUS EDITORIAL

Walter Clark foi um dos mais importantes profissionais da televisão brasileira. Nesta autobiografia, escrita com o jornalista Gabriel Priolli, ele conta sua trajetória pessoal – marcada por grandes paixões, inúmeras mulheres e muito luxo – e profissional – sobretudo na TV Rio e, mais tarde, na Globo. Trata‑se de leitura indispensável para entender a implantação e a consolidação da TV no Brasil – até hoje o veículo de comunicação mais poderoso do país.

‘AOS 45 ANOS, EDUCAÇÃO DE ADULTOS EM COLÉGIO DE SP RESISTE A ENCOLHIMENTO DO SETOR’

Professor viajou com alunos migrantes do Santa Cruz para conhecê-los melhor; ‘perdi a vergonha de falar’, diz aluna

Reportagem de Angela Pinho, publicada originalmente
no jornal Folha de S.Paulo, em 26/09/2019.

Á medida que o dia escurece, as salas e corredores do tradicional Colégio Santa Cruz, em São Paulo, ganham novos rostos, sons e cores.

Crianças e adolescentes de uniforme amarelo dão lugar a jovens e adultos, muitos com a roupa do trabalho. Em vez de carro, a maioria chega de transporte público. Alguns, inclusive, são motoristas e empregados domésticos das famílias dos estudantes que frequentam o local durante o dia.

Criada há 45 anos, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz resiste ao encolhimento da modalidade. Tradicionalmente marginalizada pelas políticas educacionais, ela foi ainda mais deixada de lado nos últimos anos.

No dia 2 de janeiro, a Secadi, secretaria responsável por essa e outras áreas no Ministério da Educação, foi extinta pelo governo Jair Bolsonaro. O único programa de alfabetização de adultos, que já tinha índices baixos de eficiência e havia sido encolhido, não recebeu nenhum repasse.

A EJA também não tem política federal de formação de professores, e há alguns anos suas matrículas têm caído. De 2010 a 2018, a queda foi de 17%, chegando a um total de 3,5 milhões.

O público em potencial é muito maior. O país tem 11 milhões de pessoas de 15 anos ou mais que não sabem ler um bilhete simples.

A dificuldade de jovens e adultos que trabalham o dia todo estudarem é um dos motivos; outro é o baixo investimento no setor.

Atrair esse público à escola e garantir sua permanência demanda políticas que vão além da sala de aula, afirma Fernando Frochtengarten, diretor de cursos noturnos do Santa Cruz.

Por isso, além de subsidiar integralmente a mensalidade dos 450 alunos da EJA, o colégio também banca o transporte deles, além de um lanche na escola, e tem parcerias com advogados e psicanalistas para os estudantes que precisam. Não à toa, as matrículas ali têm aumentado, na contramão do que ocorre no país.

O auxílio para o transporte é importante porque, ao longo dos ano, a escola teve uma importante mudança no perfil dos alunos do antigo supletivo.

Se antes a maioria vivia em bairros próximos à escola, que fica em Alto de Pinheiros (zona oeste), atualmente a maior parte vem de bairros mais distantes ou de cidades da Grande São Paulo, o que fez o colégio antecipar o fim das aulas em 20 minutos.

Fernando atribui a mudança à expansão imobiliária, que esvaziou as áreas mais pobres perto do colégio, e à redução do número de empregados domésticos que dorme na casa dos patrões.

Uma característica do alunado, porém, se mantém. Eles são, na maioria, migrantes.

Gente como Onésima Bispo dos Santos, 43. Nascida na zona rural de Itaberaba, interior da Bahia, ela chegou a São Paulo para trabalhar como empregada doméstica sem saber ler nem escrever.

Pegar ônibus era uma dificuldade, assim como anotar recados. Até que o filho de sua patroa, que também estudou no Santa Cruz, falou da EJA, e ela começou a frequentar as aulas.

Incluir os estudos na rotina não foi fácil. Onésima chega da escola pouco antes da meia-noite e às 5h já tem que estar de pé para levar seus netos na escola.

Mas vale a pena. Mais do que aprender a ler e escrever, ela diz que recuperou sua voz. Explica: “Há uns anos, eu estaria embaixo da mesa de tanta vergonha de falar. Mordia os lábios, em qualquer lugar queria entrar muda e sair calada”. O motivo era o medo de cometer erros.

A desenvoltura atual não se deve apenas ao aprendizado da norma culta da língua. “A gente aprende aqui que ter sotaque e falar de um jeito ou de outro não é ofensa”, afirma.

De fato, a oralidade também é bastante trabalhada no projeto pedagógico, em atividades como rodas de conversa.

Para conhecer melhor a realidade de seus alunos migrantes, Fernando viajou com alguns deles para a região do sul da Bahia de onde muitos vieram. Também foi para o norte de Minas conversar com familiares de outros estudantes.

Mas embora ainda seja predominante, a participação dos alunos de fora da capital paulista vem caindo no EJA do Santa Cruz, que começa a receber os filhos dos migrantes.

Não foi a única mudança. Desde que foi criado o curso noturno do colégio, três anos depois da primeira regulamentação dos cursos supletivos, muita coisa se transformou na EJA em todo o país.

Em primeiro lugar, a modalidade ganhou esse nome. Em segundo, deixou de ser uma mera transposição do ensino regular de crianças para considerar o contexto de alunos de uma faixa etária mais avançada, que chegam à escola com outra bagagem e demandam, portanto, abordagem diferente.

Em terceiro lugar, a EJA passou a receber cada vez mais um público mais jovem. Atualmente, quase dois terços dos alunos da modalidade têm até 30 anos.

No Santa Cruz, o perfil predominante ainda é de estudantes mais velhos, mas, no ensino médio, 23% têm até 25 anos.

Um deles é Lucas Neumann, 23, que parou de estudar há dez anos e agora está prestes a concluir o ensino médio.

Atender a um público heterogêneo, de faixas etárias e origens diferentes, é um desafio. Uma das saídas encontradas é oferecer um leque opções de áreas em que o aluno pode se aprofundar.

Algo de que a escola não abre mão, diz Fernando, é o ensino presencial, no momento em que a modalidade a distância ganha espaço —a maior parte da carga horária da EJA pode ser oferecida remotamente.

“Os alunos, muitas vezes, são pessoas solitárias, carentes de conversa e escuta, participam de relações muito hierárquicas”, afirmam. “Nesse sentido, a escola é um espaço não só de formação acadêmica, mas também de vida social.”

Para ler na íntegra (assinantes da Folha de S.Paulo ou UOL), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/09/aos-45-anos-educacao-de-adultos-em-colegio-de-sp-resiste-a-encolhimento-do-setor.shtml

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Fernando Frochtengarten é autor do livro Caminhando sobre fronteiras, publicado pela Summus. Conheça a obra:

CAMINHANDO SOBRE FRONTEIRAS
O papel da educação na vida de adultos migrantes
Autor: Fernando Frochtengarten
SUMMUS EDITORIAL

Esta belíssima obra examina a experiência de retomada da vida escolar por adultos trabalhadores migrantes. Partindo de sua experiência como Educador de Jovens e Adultos em São Paulo, o autor reflete sobre os papéis da escola na participação de migrantes pouco letrados na sociedade urbana. Ao mesmo tempo, analisa os impactos gerados pela condição de educador em seu olhar sobre o mundo familiar.

VEM AÍ O 22º CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICODRAMA

A Editora Ágora é mais uma vez a patrocinadora oficial do Congresso Brasileiro de Psicodrama. Maior editora de livros de psicodrama da América Latina, a Ágora comercializará os seus títulos e de outras editoras, com exclusividade, nesta que será a 22ª edição do evento. O Congresso acontece de 29 de abril a 2 de maio de 2020, em Gramado – RS.  Abaixo e no site www.cbpfebrap.com.br, você encontra todas as informações para inscrições. Participe!

‘COMO TRATAR O TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE’

Psicoterapia deve ser usada junto ao tratamento com remédios

Matéria publicada originalmente no jornal Folha de S. Paulo,
em 20/09/2019.

Com tantas fontes de informação e distração, especialmente no celular, com diversos aplicativos e mensagens pipocando no WhatsApp, como manter a atenção e o foco?

Essa dificuldade, porém, não pode ser equiparada ao TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), caracterizado por desatenção (sintoma mais comum em meninas) e hiperatividade/impulsividade (mais comum em meninos).

Mesmo com esses sintomas definidos, o diagnóstico do TDAH não é simples e é feito clinicamente. Não há exames que possam auxiliar na identificação do problema, diz Rodrigo Martins Leite, do Instituto de Psiquiatria da USP.

Ele afirma que alguns pontos são evidentes desde o começa da vida, como fracassos escolares, problemas disciplinares, atraso escolar e, com o passar do tempo, dificuldade para entrar na universidade e dificuldades no trabalho.

São esses impactos que ajudam a diferenciar uma desatenção comum de um transtorno, que atinge de 3% a 5% das crianças. Sua causa não está totalmente clara, mas sabe-se que há fatores genéticos e ambientais envolvidos.

Segundo Leite, dinâmicas familiares em que a família tem dificuldade de colocar certos limites às crianças somadas à predisposição genética favorecem o quadro.

É importante ressaltar que deve-se estar atento à adesão ao tratamento, ou seja, seguir as orientações e manter tanto a terapia medicamentosa quanto a psicoterapia.

Ele consiste em medicação —como ritalina— aliada à psicoterapia, que é fundamental, segundo Leite. Em alguns casos também pode ser indicada terapia familiar. “Se você não cuida do sistema inteiro, não está fazendo um bom trabalho. Se você não pensa em estratégias além da medicação, está oferecendo um tratamento de qualidade questionável.”

Segundo o psiquiatra, é comum haver baixa adesão ao tratamento e, por isso, dificuldades por toda a vida.

Para ler na íntegra, acesse https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/09/como-tratar-o-transtorno-do-deficit-de-atencao-e-hiperatividade.shtml

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

TDAH E MEDICALIZAÇÃO
Implicações neurolinguísticas e educacionais do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
Autoras: Rita SignorAna Paula Santana
PLEXUS EDITORA

Esta obra representa uma significativa contribuição a um debate que tem mobilizado pais, educadores, estudantes e profissionais de saúde: o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e a medicalização da educação. Medicalizar significa transformar aspectos de ordem social, pedagógica, cultural e afetiva em doença (transtorno, distúrbio). Partindo dessa realidade inquietante, Rita Signor e Ana Paula Santana mostram os problemas de deixar de lado o contexto social e a história de cada criança ao avaliá-la, apontando o papel da formação dos profissionais (de educação e saúde) na produção do chamado TDAH. Seguindo esse entendimento, as autoras questionam a qualidade do ensino no Brasil, o excesso de diagnósticos voltados ao campo educacional, os testes padronizados da área da saúde, o crescente consumo de medicamentos e as políticas públicas, entre outros fatores que legitimam o fenômeno da medicalização. Amparadas na perspectiva sócio-histórica, refletem sobre essas e outras questões neste livro corajoso e pioneiro, que conta também com dois estudos de caso que comprovam que a afetividade do educador e o trabalho interdisciplinar na escola podem mudar o futuro de muitos adolescentes e crianças.

HIPERATIVIDADE
Como ajudar seu filho
Autora:  Maggie Jones
PLEXUS EDITORA

Livro precioso para pais de crianças que sofrem desse aflitivo distúrbio. A autora fornece informação essencial sobre tratamentos convencionais, tratamentos alternativos, alimentação e dietas adequadas, cuidados específicos para as diversas idades. Mostra os passos práticos que os pais podem dar para compreender, apoiar e cuidar da criança, possibilitando à família inteira progredir de forma positiva.

‘PASSO A PASSO PARA SUPERAR A TIMIDEZ’

Artigo publicado no portal A Mente É Maravilhosa,
em 28/08/2019.

A timidez é, em muitas ocasiões, aquela barreira que nos separa dos nossos objetivos e nos impede de apreciar os momentos da vida. Um obstáculo que temos que aprender a enfrentar para podermos nos mostrar da forma como somos.

Superar a timidez é um desafio para muitas pessoas. Não se trata de uma doença ou um distúrbio, mas de uma condição emocional na qual a vergonha prevalece a nível emocional e a dissimulação a nível comportamental.

O tímido não rejeita os outros nem evita o contato em sentido estrito. Muitas vezes até mesmo gosta da companhia dos outros. Também não teme os outros em termos globais. O que ele teme é ser exposto aos outros, ser objeto de atenção dos outros.

Para superar a timidez, é importante que tenhamos certeza do que é esta característica. Especificamente, não devemos confundi-la com a introversão. O introvertido pode ser tímido ou não, já que as duas características nem sempre coincidem.

Vamos ver tudo isso em mais detalhes a seguir.

O que é a timidez?

Existem, basicamente, três abordagens para entender a timidez. A primeira é a organicista. De acordo com ela, esse traço provavelmente tem uma origem genética. Tem a ver com certas anormalidades nas glândulas de secreção, particularmente nas glândulas pituitária e adrenal.

A abordagem comportamental, por sua vez, indica que a timidez é um comportamento aprendido. Geralmente tem sua origem na infância; às vezes pelos modelos parentais, às vezes porque a criança não é suficientemente reconhecida e valorizada pelos adultos ao seu redor.

Além disso, também pode surgir diante de alguma forma de abuso.

A psicanálise, por outro lado, aponta que a timidez é uma manifestação de um conflito do indivíduo consigo mesmo ou com uma parte de si mesmo. Isso está associado à repressão inconsciente de um ou vários instintos.

O tímido, quando exposto, sente que incorreu em uma ação incorreta ou imprópria. Sente que foi descoberto e não pode se defender. Também pode sentir que foi marcado pelo julgamento e a desaprovação dos outros.

Os primeiros passos para superar a timidez

Pelo menos 50% das pessoas se definem como tímidas em um ou mais aspectos. Então, este é um problema bastante comum.

Superar a timidez só se torna um objetivo importante se você achar que essa característica o limita significativamente. Especialmente se você acha que ela lhe causa sofrimento.

Nesses casos, vale a pena se dedicar para superar a timidez. Não é tão difícil. Os primeiros passos a dar são os seguintes:

Identifique seu tipo de timidez. Basicamente, existe uma timidez global e uma outra ocasional. A primeira está constantemente presente. A segunda aparece apenas diante de certas pessoas ou circunstâncias. Por isso, a primeira coisa a fazer é identificar a que tipo você corresponde.

Identifique os gatilhos. Tente se lembrar dos momentos em que você se sentiu mais envergonhado. O que essas situações têm em comum? Quais são os fatores que mais influenciaram para que você se sentisse tão envergonhado? Quais presenças tiveram um efeito especial em você?

Um passo a passo prático

Se você sente que as limitações provocadas pela timidez são relevantes na sua vida, a psicoterapia pode ajudá-lo. Atualmente, existem conhecimentos e meios para superar essas limitações.

Por outro lado, se a timidez não o condiciona tanto, você pode tentar seguir em frente usando alguma das estratégias que apresentaremos a seguir. Siga estas etapas:

Aceite que você é tímido. Você não está cometendo um crime, você simplesmente tem um traço de personalidade que, inclusive, muitos acham atraente. Sim, você é tímido e ponto.

Defina 10 situações de “risco”. Faça uma lista das dez situações sociais mais temidas. Não importa o quão improváveis ou absurdas elas possam parecer. Tente ser muito realista e específico. Por exemplo: “Contar uma piada e ninguém rir”.

Organize os dados. Classifique sua lista da situação mais simples à mais complexa. Por simples entendemos aquela que não lhe causa tanto medo. Por complexa, a que mais o incomoda, paralisa ou incapacita.

Domine o inventário. Depois de definir essas situações estressantes, comece a trabalhar uma por uma. Tente se expor a circunstâncias que o levem a enfrentar cada medo.

Ative seu detector. Quando você começar a se sentir envergonhado, pare por um minuto. Tome nota de seus pensamentos e emoções. Não faça nada antes de entender o que está acontecendo com você.

Anime-se. Mantenha uma postura corporal que o encoraje a continuar e valorize cada progresso que fizer. Evite comparações e destaque as características que melhor o definem de forma positiva. Pense em tudo que você contribui para os outros.

A timidez, por si só, não é um problema. O problema surge quando ela provoca emoções desagradáveis em nós, ​​ou nos afasta dos objetivos que desejamos alcançar.

Para ler na íntegra, acesse: https://amenteemaravilhosa.com.br/superar-a-timidez/

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Quer saber mais sobre timidez? Conheça:

MORRENDO DE VERGONHA
Um guia para tímidos e ansiosos
Autores: Teresa Flynn, Cheryl N. Carmin, C. Alec Pollard, Barbara G. Markway
SUMMUS EDITORIAL

Pessoas que sofrem de fobia ou ansiedade em situações sociais não conseguem comer diante de outras pessoas, não utilizam banheiro público, fracassam em tentar expressar opiniões, apavoram-se diante de testes ou exames etc. Neste livro um grupo de psicólogos estuda o problema e apresenta um programa para vencê-lo. Analisando situações específicas, oferecem meios de auto-avaliação e recursos para dominar as fobias sociais.

TIMIDEZ
Esclarecendo suas dúvidas
Autores: Lynne Crawford, Linda Taylor
EDITORA ÁGORA

A timidez excessiva interfere na vida profissional, social e emocional das pessoas. Este livro mostra como identificar o problema e como quebrar os padrões de comportamento autodestrutivos da timidez. Apresenta conselhos e técnicas simples e poderosas para enfrentar as mais diversas situações.

‘OPÇÃO PELO TIPO DE ALFABETIZAÇÃO VAI ALÉM DA TEORIA’

Educadores e governo divergem sobre qual método deve ser utilizado no país

Reportagem de Ana Luiza Tieghi, publicada originalmente na
Folha de S. Paulo, em 07/09/2019.

Educadores brasileiros travam uma batalha há décadas para definir qual é o melhor método de alfabetização e se é preciso adotar um sistema único no país.

A discussão ganhou novo gás neste ano com o governo Bolsonaro. O ministro da educação, Abraham Weintraub, e seu secretário de alfabetização, Carlos Francisco de Paula Nadalim, creditaram os maus resultados brasileiros em indicadores às ideias de Paulo Freire (1921-1997), educador que desenvolveu um método de alfabetização para adultos baseado na vivência do aluno.

Segundo a mais recente Avaliação Nacional da Alfabetização, 54,7% dos estudantes no terceiro ano do ensino fundamental têm desempenho insuficiente em leitura —não conseguem identificar a finalidade de um texto e localizar uma informação explícita.

Em entrevista à Folha, em novembro de 2018, o escritor Olavo de Carvalho, conselheiro do atual governo e professor de Nadalim, afirmou que o “método sócio-construtivista só forma analfabetos”. Segundo ele, era necessário voltar ao sistema fônico, o “beabá, como era nos anos 1960, 1970”.

A metodologia mais comum nas escolas públicas do país é uma mistura de construtivismo com sistemas tradicionais, entre eles o uso de silabários, segundo Claudemir Belintane, professor da Faculdade de Educação da USP.

Em 15 de agosto, o MEC lançou sua nova Política Nacional de Alfabetização. Embora o ministério afirme que “não obriga a escolha prioritária de nenhum método”, educadores ouvidos pela reportagem apontam que há no documento uma preferência pelo modelo fônico.

A didática é aplicada por Nadalim em sua escola privada em Londrina (PR) e faz parte da mesma família do sistema adotado por cartilhas como a “Caminho Suave”, com as quais boa parte dos adultos de hoje foram alfabetizados.

Essas metodologias não são mais usadas em larga escala no Brasil por serem consideradas ultrapassadas pelos educadores. São didáticas que se baseiam na memorização das letras e sílabas. A criança aprende primeiro o que é a letra “b” e a letra “e”, depois que pode juntá-las na sílaba “be” e então formar a palavra “bebê”.

Para Belintane, esse sistema não é indicado porque trata os alunos de forma homogênea, sem respeitar o conhecimento que cada um já carrega.

Para Telma Weisz, coordenadora da pós-graduação em alfabetização do Instituto Vera Cruz, não é com uma nova forma de alfabetizar que o país vai melhorar seus indicadores. “Quem faz a escola é o professor. Os governos que querem que a escola vá bem investem nele.”

O método fônico é bem diferente da teoria construtivista, que se popularizou no país depois dos anos 1980.

Essa linha de pensamento consiste em assumir que a criança cria hipóteses sobre como se escreve antes de começar a alfabetização formal. As escolas usam essas suposições para ensinar. Por exemplo, é comum que a criança associe cada sílaba de uma palavra a uma letra. O professor atua a partir dessa ideia da criança.

A escola Anglo 21, no Alto da Boa Vista (zona sul de São Paulo), é uma das que apostam na teoria construtivista. “Não ensinamos letras e sílabas”, afirma Cíntia Simão, coordenadora de educação infantil do colégio.

Ela explica que há fases em que a criança pode escrever “caza” em vez de “casa”, e não há problema nisso, porque é algo provisório. Exercícios de ortografia são utilizados apenas quando ela já sabe ler e escrever com independência.

“Esperamos formar leitores e escritores melhores, que não conheçam só ortografia, mas que saibam redigir bons textos”, afirma Simão.

A mesma linha é adotada pela Escola Viva, na Vila Olímpia (zona sul da capital).

Daniela Munerato, coordenadora de educação infantil, acredita que esse tipo de trabalho forma alunos para lidar com diferentes tipos de texto, mas exige mais preparo do professor. “É mais fácil ter uma cartilha e mandar todo mundo abrir na mesma lição.”

No colégio Santa Maria, no Jardim Taquaral (zona sul), os professores usam uma mistura de métodos.

Para Sueli Gomes, orientadora pedagógica da escola, a teoria construtivista não funciona com todos.

“Nem toda criança vai aprender sozinha. Se você pede para ela escrever do jeito que ela pensa que é, muitas ficam desamparadas”, afirma.

A escola usa inclusive o sistema fônico, dependendo da necessidade da criança. “É um dos passos da alfabetização, mas o processo vai além disso.”

Com ensino bilíngue, a escola Brasil-Canadá, em Perdizes (zona oeste de São Paulo), aplica um método semelhante ao fônico para alfabetizar em inglês, mas prefere a linha sócio-interacionista para ensinar em português, explica Bruna Elias, diretora pedagógica da instituição.

Essa linha parte de textos para ensinar os sons e as formas das letras e sílabas, mas isso é feito em rodas de conversa e trabalhos em grupo.

Independentemente da metodologia adotada pela escola, os pais podem ajudar na alfabetização apresentando a leitura e a escrita para os filhos.

Na hora de escolher o colégio, Gomes diz que é bom os pais saberem que existem diferentes formas de alfabetizar, mas que “é mais importante descobrir se os professores estão interessados em ensinar o aluno da maneira que ele pode aprender”.

Como atualmente se usam metodologias diferentes daquelas que os pais vivenciaram quando crianças, pode causar estranhamento ver o filho escrevendo com letras trocadas. Ainda assim, não é indicado tentar ensinar a criança por conta própria.

“A primeira coisa que os pais devem fazer é legitimar a escola que eles escolheram”, diz Cíntia Simão, coordenadora de educação infantil do colégio Anglo 21. “Se nós damos espaços para as hipóteses da criança sobre a escrita, os pais têm que suportar isso.”

É melhor prestar atenção se a criança se mostra descontente por estar com o desenvolvimento atrasado em relação aos colegas, o que, segundo Gomes, poderia indicar uma falha na alfabetização.

Para ler na íntegra, acesse (assinantes Folha de S.Paulo e UOL): https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/09/opcao-pelo-tipo-de-alfabetizacao-vai-alem-da-teoria.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça alguns livros da Summus que falam sobre o tema:

ALFABETIZAçãO E LETRAMENTO: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Silvia M. Gasparian ColelloSérgio Antônio da Silva Leite

Neste livro, dois especialistas da Unicamp e da USP ampliam a compreensão do ensino da língua escrita. É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.

A ESCOLA QUE (NãO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello


A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

A ESCOLA E A PRODUÇÃO TEXTUAL
Práticas interativas e tecnológicas
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

Como as crianças entendem o papel da escola? Como o vínculo que estabelecem com ela afeta a aprendizagem? Por que os alunos têm tanta dificuldade de se alfabetizar? Como compreender o ensino da escrita no mundo tecnológico? Em um momento de tantas inovações, de que forma lidar com os desafios do ensino e renovar as práticas pedagógicas?
Na busca de um projeto educativo compatível com as demandas de nosso tempo e o perfil de nossos alunos, Silvia Colello discute aqui como as condições de trabalho na escola podem interferir na produção textual, favorecendo a aprendizagem da língua. Para tanto, lança mão da escrita como resolução de problemas em práticas tecnológicas e interativas. Conhecer as muitas variáveis desse processo é, indiscutivelmente, um importante aval para a construção de uma escola renovada. Afinal, é possível transformar a leitura e a escrita em uma aventura intelectual?

‘A DEPRESSÃO É POP’

Parte da reportagem especial Depressão em Xeque,
de Gabriela Ingrid, publicada originalmente no UOL VivaBem
em 13/09/2019.

Realmente, a discussão em torno da depressão é maior e mais complexa hoje. Várias celebridades expuseram que já lutaram uma batalha contra a doença, do youtuber Whindersson Nunes à cantora Adele, passando pelo ator Jim Carrey. “Antes a psicofobia, que é o preconceito contra as pessoas que têm transtornos e deficiências mentais, era maior”, diz Ana Paula Carvalho, psiquiatra e coordenadora da Liga da Depressão do HC da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Segundo a especialista, o fato de ter muita gente famosa revelando que luta contra a depressão tem impacto maior do que qualquer médico falar na TV ou em um livro sobre a doença.

Segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o estigma é um dos principais obstáculos ao tratamento adequado dos transtornos psiquiátricos. Muitas pessoas evitam procurar o psiquiatra, ou até mesmo custam a reconhecer os primeiros sinais de doenças como depressão e ansiedade, por causa do preconceito que ainda está relacionado à psiquiatria. Muitas vezes transtornos do tipo são associados à loucura ou até mesmo a coisas banais, que não necessitariam de um tratamento.

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Ibope em agosto desse ano, 53% das pessoas entre 18 e 24 anos acredita que a maioria dos antidepressivos não funciona ou não sabe opinar sobre isso. 57% dos brasileiros de todas as faixas etárias acha que o psicólogo é o profissional mais adequado para o quadro. Além disso, 44% das pessoas não falaria sobre a depressão no trabalho.

“Diminuiu-se o estigma, então a pessoa começa a buscar mais tratamento, conversa mais sobre o assunto, então a doença aparece mais. Estamos quebrando o preconceito em relação à saúde mental”
Fernando Fernandes

Segundo o livro “A Tristeza Perdida” (Editora Summus) escrito por Allan Horwits, professor de sociologia na Rutgers University, e Jerome Wakefield, professor de trabalho social na Universidade de Nova York, a taxa de transtornos depressivos na população não sofreu um aumento generalizado. O que mudou foi o crescente número de pessoas que buscam tratamento para essa condição, o aumento das prescrições de medicamentos antidepressivos, o número de artigos sobre o tema na mídia e literatura científica e a crescente presença da depressão como um fenômeno na cultura popular.

Para ler na íntegra, acesse: https://bit.ly/2lO8zTa

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Conheça o livro mencionado na matéria:

A TRISTEZA PERDIDA
Como a psiquiatria transformou a depressão em moda
Autores: Jerome C. WakefieldAllan V. Horwitz
SUMMUS EDITORIAL


Nos últimos anos, a depressão se transformou no distúrbio mais tratado por psiquiatras. Ao mesmo tempo, o consumo de antidepressivos aumentou significativamente. Neste livro, Horvitz e Wakefield criticam tal postura, mostrando que a tristeza, comum a todo ser humano, vem sendo tratada como doença – e expondo as implicações dessa prática para a saúde.




https://www.uol.com.br/vivabem/reportagens-especiais/depressao-realmente-e-o-mal-de-seculo-especialistas-buscam-responder-essa-questao/index.htm?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=uol#depressao-em-xeque

‘SUICÍDIO: PESSOAS PRÓXIMAS FALAM SOBRE DOR E DIFÍCIL RETORNO À ROTINA’

Chamadas de “sobreviventes suicidas”, as pessoas que estão sofrendo após o suicídio de alguém próximo enfrentam preconceito, incompreensão e o desafio de retomar a rotina

Texto parcial de reportagem de Fernando Mellis,
publicada originalmente no portal R7, em 10/09/2019.

Vergonha, culpa, dúvidas, raiva… esses são alguns dos sentimentos experimentados por aqueles que perdem algum ente querido por suicídio. O luto dessas pessoas envolve tabus, estigmas, preconceitos e muita desinformação, ingredientes que podem afetar a saúde mental dos que ficam.

Em suicidologia, o termo “sobrevivente suicida” se refere a uma pessoa que está sofrendo após o suicídio de alguém próximo e não a alguém que sobreviveu a uma tentativa de suicídio.

O ato solitário e de profundo desespero tem um efeito potencialmente devastador em quem fica. Um estudo coordenado pela pesquisadora Julie Cerel, da Universidade do Kentucky (EUA), mostrou que aproximadamente 135 pessoas são impactadas com um único suicídio. Além disso, estima-se que 25 pessoas próximas da vítima podem tentar se matar ou ter ideias suicidas.

Isso significa que diante dos 12.495 suicídios registrados no Brasil em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 1,6 milhão de pessoas podem ter sido afetadas de alguma forma e, deste grupo, 300 mil podem vir a atentar contra a própria vida. O psicólogo norte-americano John R. Jordan, autor de diversos livros sobre o assunto e que trabalha há mais de 25 anos com sobreviventes suicidas, explica como isso se dá.

“As pessoas que conhecem alguém que morreu por suicídio têm 1,6 mais chance de ter ideias suicidas; 2,9 vezes mais chances de ter planos suicidas; e 3,7 vezes mais chances de tentar suicídio, em relação a outras pessoas que não conheciam.”

A morte por suicídio é normalmente violenta e repentina. Pode ser ainda que parentes e amigos tenham de lidar com investigações policiais e com a imprensa até que se tenha certeza do que aconteceu, o que adiciona ainda mais trauma a estas pessoas.

“Uma cena que até hoje me aterroriza”

“Tivemos um fim de semana normal com as nossas filhas e na segunda-feira encontrei meu marido morto, enforcado em casa”, conta Eliana* (nome trocado). “É uma cena que nunca vai sair da minha cabeça e até hoje me aterroriza.”

Foi o primeiro contato com o suicídio que a família teve, mas não seria o último. Dois anos depois, a filha mais velha do casal também tirou a própria vida, aos 18 anos. Mentalmente abalada após a morte do pai, a jovem entrou em um quadro depressivo que, apesar de ajuda especializada e medicamentos, agravou-se.

“É normal você se perguntar: ‘será que o suicídio do pai teve alguma influência na decisão dela?’ Eu nunca vou saber, tento não buscar muitas respostas porque sei que nunca vou encontrá-las. Meu objetivo hoje é me preservar e cuidar da minha outra filha, porque sei que precisamos uma da outra e é nela que busco forças para seguir.”

Tsunami existencial

“O suicídio para quem fica é um tsunami existencial. Mas o que você faz depois de um tsunami? Se reconstrói”, explica a psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, autora de livros sobre o tema, incluindo Suicídio e luto: histórias de filhos sobreviventes; e Sobreviventes enlutados por suicídio – cuidados e intervenções, este último lançado neste mês.

Eliana relata a angústia de quando é perguntada sobre como perdeu o marido e a filha. “Falar de suicídio é para muita gente algo completamente inusitado. Tem quem me olha de cara feia, o que me deixa mal, porque eu não tenho culpa e não posso ter vergonha pelo que aconteceu.”

Uma das grandes dificuldades do sobrevivente é encontrar pessoas que não façam julgamentos.

“O que se matou não era corajoso, fraco, covarde… era uma pessoa que estava em intenso sofrimento. Quem sou eu para julgar quem estava em sofrimento? Quem está longe julga, quem está perto compreende”, diz Karina.

“Jamais vou fazer o que ele fez”

A jornalista Paula Fontenelle, autora do livro Suicídio: o futuro interrompido – guia para sobreviventes, e a irmã desenvolveram depressão após o pai se suicidar com um tiro, aos 58 anos, em 2005. Na publicação, ela relata a dificuldade de não ter sido um período de luto “normal”.

“As particularidades têm início logo cedo. Quando uma pessoa morre por motivos de doença, acidente, o que for, por mais desconfortável que seja, todos demonstram solidariedade imediata, querem saber dos detalhes, falam abertamente sobre a situação, oferecem conforto. No suicídio, não. O incômodo se expressa no silêncio, na ausência do que dizer, no inconformismo, na incredulidade. É como se as palavras fossem inúteis, como se nada pudesse amenizar a dor e essa reação vai alimentando, com o tempo, a nossa própria resistência em expor o que sentimos.”

Em entrevista, Paula conta que buscou respostas em livros após o suicídio do pai, mas como não achou no Brasil nada que pudesse ter as explicações que ela tentava achar, resolveu escrever o próprio livro, que agora está sendo relançado em inglês, nos Estados Unidos.

“Apesar de o livro ter me ajudado no longo prazo, enquanto eu escrevia, acabava revivendo muitas coisas e isso teve um impacto negativo. Comecei a sentir uma tristeza que vinha do nada, dores físicas, dificuldade de concentração.” Paula e a irmã foram diagnosticadas com depressão.

“A minha irmã teve depressão antes de mim. Ela passou por uma coisa que não passei, porque eu estava de férias nos Estados Unidos quando ele morreu. Ela viu meu pai um dia antes de ele se matar, percebeu que ele não estava bem. Então ela se sentiu muito culpada.”

Mesmo assim, a jornalista diz que as duas nunca pensaram em tirar a própria vida. “Lembro que ela me falou: ‘Eu jamais vou fazer o que ele fez, não vou fazer minha filha passar pelo que eu estou passando.”

Atualmente, Paula mantém um site no qual compartilha informações e orientações sobre o assunto.

Suicídios em alta no país

O número de pessoas mortas por suicídio no Brasil cresce ano após ano desde 2002. Apenas em 2017, a alta foi de 9,3%, na comparação com o ano anterior, segundo dados do Ministério da Saúde. A taxa é de 6 óbitos por 100 mil habitantes.

Mortes autoprovocadas intencionalmente são a terceira maior causa de óbito por causas externas (que não sejam doenças, por exemplo), com 12,4 mil casos no Brasil em 2017, atrás apenas de acidentes (68,5 mil) e agressões (63,7 mil).

A maior parte dos óbitos decorrentes de suicídio ocorre nas faixas etárias de 20 a 39 anos (5.009 casos, com aumento de 8,65% em 2017) e de 40 a 59 anos (4.195, alta de 7,67%). Entre os idosos, foram 2.210 suicídios (alta de 10,72%).

No entanto, o que chama atenção é o crescimento acima das demais idades nos suicídios no grupo com idades entre 10 e 19 anos: 1.047 casos — alta de 16,72%.

A Associação Brasileira de Psiquiatria estima que 17% dos brasileiros (35,5 milhões) já pensaram em suicídio. No entanto, entre pensar e planejar há uma diferença. Nem todos os que pensam em tirar a própria vida vão de fato levar a ideia adiante, observa a psicóloga Karina Fukumitsu. “O comportamento suicida envolve o pensamento, a ideação, o planejamento e o ato em si.”

O suicídio é um ato definitivo para um problema temporário.(Karina Fukumitsu)

Segundo ela, ao contrário do que muitos pensam, “o suicídio não é contagioso”. “O grande vilão que a gente tem que atacar é o sofrimento. É o sofrimento que provoca as pessoas a pensarem em se matar”, acrescenta.

Para ler a matéria completa, acesse:  https://estudio.r7.com/suicidio-a-dor-dos-que-ficam-10092019

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Para saber mais sobre o assunto, conheça os livros da psicóloga Karina Okajima Fukumitsu pela Summus Editorial, incluindo o recém-lançado focado em posvenção do suicídio:

SOBREVIVENTES ENLUTADOS POR SUICÍDIO
Cuidados e intervenções
Autora: Karina Okajima Fukumitsu

Segundo a Organização das Nações Unidas, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no planeta. São quase 800 mil casos de morte autoinfligida por ano. Esses dados alarmantes têm chamado a atenção de profissionais de saúde, educadores e responsáveis pela elaboração de políticas públicas. Porém, além de prevenir esse tipo de ocorrência, é preciso cuidar daqueles que enfrentam o suicídio de um ente querido: os sobreviventes.
Maior especialista brasileira no tema, Karina Okajima Fukumitsu reúne neste livro anos de pesquisa e de trabalho de campo com mães, pais, irmãos e amigos de pessoas que se suicidaram, desvendando o processo de choque, dor, agonia e tristeza pelo qual passam. Denominando posvenção o cuidado específico com esse público, a autora aborda os impactos do suicídio, detalha as dificuldades emocionais enfrentadas pelos sobreviventes, aponta caminhos para ressignificar a dor, apresenta propostas de prevenção e propõe políticas públicas para transformar a impotência individual em potência coletiva.

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autor(es): Leo PessiniAna Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresKarina Okajima FukumitsuTeresa Vera GouveaMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja Heishin Nely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da Luz

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: SAIBA COMO IDENTIFICAR SE SEU MARIDO FAZ ISSO’

Reportagem de Laura Reif, publicada na revista AzMina, publicada em 04/09/2019.

Esse tipo de agressão pode ser difícil de identificar, pois muitas vezes é mascarada como ciúmes e caracterizada por controle, ofensas e humilhações

Quando falamos em violência contra a mulher, a primeira coisa que vem à mente é um tapa, soco ou um empurrão. Mas não é apenas a agressão física que define um relacionamento violento. Uma forma mais subjetiva de violência é a psicológica. Se você se sente constantemente sem autoestima, é humilhada, diminuída, sofre ameaças verbais e tem medo de dar sua opinião, você pode estar sendo vítima de violência psicológica.

Esse tipo de agressão pode ser difícil de identificar, pois muitas vezes é mascarado como ciúmes e é caracterizado por controle, ofensas e humilhações. Boa parte das vezes, a vítima tem dificuldade em romper a relação, pois o abuso psicológico ocorre de maneira gradual, mas constante, minando a autoestima e anulando a pessoa.

A violência psicológica é bem comum. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha, a violência por meio de ofensas, xingamentos ou humilhação foi a mais comum no Brasil em 2018, atingindo 22% das mulheres. 

Esse tipo de violência normalmente precede a agressão física. Ao minar a autoestima da mulher, muitas vezes o (ou a) companheiro(a) faz com que a mulher acredite que aquela relação é a única possível e não tenha forças para sair, tornando-se mais suscetível a tolerar agressões. 

O que é

A Lei Maria da Penha classifica violência psicológica como qualquer conduta que cause dano emocional e à autoestima da mulher, que prejudiquem o seu pleno desenvolvimento, que vise degradar ou controlar suas ações comportamentos, crenças e decisões. O Instituto Maria da Penha lista algumas dessas condutas: 

  • ameaças
  • constrangimento
  • humilhação
  • manipulação
  • isolamento (proibir de estudar e viajar ou de falar com amigos e parentes)
  • vigilância constante
  • perseguição contumaz
  • insultos
  • chantagem
  • exploração
  • limitação do direito de ir e vir
  • ridicularização
  • tirar a liberdade de crença
  • distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting)

Alguns exemplos comuns desse tipo de abuso são o mansplaining ou gaslighting: comportamentos abusivos por meio dos quais é possível diminuir a mulher e minar sua auto confiança. 

“Quando você, mulher, tiver certeza do que está falando e mesmo assim o homem tenta mostrar para você – ou explicar de maneira banal – o que já é óbvio, ou dizer que você está errada, você está sofrendo esse tipo de abuso, de violência”, afirma a psicóloga especializada em traumas Daiane Daumichen. 

Ela diz que a mulher pode não se importar com essa atitude no momento, mas que ao longo do tempo se torna uma ferramenta para enfraquecê-la, tornando-a vulnerável e dependente. “Um homem que realmente quer orientar e dar suporte, não a faz sentir-se ‘burra’”, completa.

O abuso psicológico pode ocorrer nas mais diversas esferas da vida, até no trabalho. Um chefe que diminui uma funcionária por ser mulher e a trata como incapaz – mesmo que ela seja qualificada – e desmerece seu conhecimento, está fazendo abuso psicológico.

Como identificar

A terapeuta de relacionamentos Sabrina Costa chama a atenção os sinais que podem indicar que uma mulher está sendo vítima de violência psicológica:

  • – Se sentir incapaz de ter sucesso na vida;
  • Dúvidas sobre sua capacidade intelectual;
  • Se sentir inferior ao companheiro;
  • Se sentir oprimida;
  • Perda do ânimo diante da vida;
  • Sentir culpa pelas discussões e pelos problemas na relação;
  • Esconder de amigos e parentes ou justificar certos tipos de comportamentos do parceiro.
  • Leia mais: Você não está louca! Entenda como funciona o gaslighting
  • Um exemplo muito relatado por mulheres é de casos em que o companheiro faz críticas constantes à sua aparência e capacidade intelectual, concluindo que ninguém mais pode querer ficar com ela. 

Recuperando a autoestima

Às vezes a mulher só consegue perceber que sofreu esse tipo de abuso quando consegue sair da relação tóxica. “O que, infelizmente, é triste, pois o tempo em que foi submetida a essa situação pode deixar sequelas”, explica Daiane.

Para a terapeuta Sabrina, é importante a mulher tirar um tempo para si para se recuperar, fazendo algo que traga a sensação de que ela é útil e capaz. “Porém dependendo de como foi afetada psicologicamente, é necessário buscar ajuda de terapeutas e psicólogos”, diz.

É um caminho longo para se chegar ao resgate da autoestima, da identidade perdida, pois a consequência do abuso psicológico gera impactos difíceis de serem solucionados sozinhos. Daiane explica que em certos casos a vítima sofre as consequências do abuso psicológico mesmo longe do agressor, tempos após o rompimento da relação.

“É importante o acompanhamento de profissionais especializados para que a vítima possa identificar os danos causados, buscar sua cura e uma nova forma de se relacionar com os outros e consigo mesma”, completa Daiane.

Para ler na íntegra, acesse: https://azmina.com.br/reportagens/violencia-psicologica-saiba-como-identificar/

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA NAS RELAÇÕES CONJUGAIS
Pesquisa e intervenção clínica
Autora: Adelma Pimentel
SUMMUS EDITORIAL

A violência psicológica que permeia a convivência dos casais é o tema deste livro. Essa modalidade de agressão aparece nas relações conjugais com intensa incidência e sem que seja reconhecida pelos cônjuges, sobretudo pela mulher. Visando estudar e combater o fenômeno, Adelma Pimentel caracteriza a violência psicológica e propõe a nutrição psicológica, por meio da Gestalt-terapia, para o enfrentamento da violência que atinge o casal.

FERIDAS INVISÍVEIS
Abuso não-físico contra mulheres
Autora: Mary Susan Miller
SUMMUS EDITORIAL

Milhões de mulheres em todo o mundo sofrem uma violência não-física por parte de maridos e companheiros, nem sempre fácil de identificar e neutralizar: Intimidações, manipulação emocional e sexual, humilhações, chantagens financeiras, etc. Este livro expõe a existência do problema, oferece meios de identificá-lo e sugere alternativas para que a mulher possa fugir do pesadelo.