‘ALEMANHA INDENIZARÁ HOMOSSEXUAIS CONDENADOS APÓS A GUERRA’

A Alemanha vai indenizar 50.000 homens condenados por homossexualidade com base em um texto nazista que permaneceu em vigor muito tempo depois da guerra, anunciou nesta quarta-feira o ministro da Justiça, Heiko Maas.

“Nunca poderemos remover as abjeções cometidas em nome do Estado de direito, mas queremos reabilitar as vítimas”, prometeu em um comunicado o ministro social-democrata.

Ele anunciou uma lei especial que anula as condenações e prevê indenizações, a fim de poupar uma abordagem individual.

A principal associação alemã de gays e lésbicas, LSVD, instou o governo a agir antes das próximas eleições parlamentares de 2017 para “restaurar a dignidade das vítimas”.

A iniciativa “chega tarde, muito tarde”, lamentou o jornal Berliner Zeitung, notando que algumas das partes interessadas já “morreram há muito tempo”.

A gravidade do antigo artigo 175 do Código Penal alemão, adotado em 1871 e que condenava “os atos sexuais contra a natureza (…), seja entre pessoas do sexo masculino ou entre homens e animais”, foi reforçada por um texto nazista de 1935 que previa até dez anos de trabalhos forçados.

No entanto, a homossexualidade feminina nunca foi criminalizada, embora os nazistas tivessem considerado a questão várias vezes.

Mais de 42.000 homens foram condenados sob o Terceiro Reich, enviados para a prisão e alguns até para campos de concentração. Todos foram reabilitados por uma primeira lei de 2002, que também anulou as condenações de desertores da Wehrmacht.

Mas o artigo 175 foi mantido no pós-guerra, sendo o único vestígio legal da perseguição nazista, e levando a 50.000 novas condenações na jovem democracia da Alemanha Ocidental.

Estes processos ocorreram essencialmente até 1969, quando o artigo 175 retornou a sua versão anterior de 1935, mas o texto foi revogado em 1994.

Na Alemanha Oriental, o artigo 175 foi restaurado imediatamente após a guerra na sua versão original e foi abolido em 1968.

Texto da AFP-Agence France-Presse, publicado no UOL Notícias em 11/05/2016. Para acessá-lo: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2016/05/11/alemanha-reabilitara-homossexuais-condenados-apos-a-guerra.htm

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Para saber mais os chamados “triângulos-rosa”, conheça a história de Rudolf Brazda:

70013TRIÂNGULO ROSA
Um homossexual no campo de concentração nazista
Autores: Rudolf Brazda, Jean-Luc Schwab
MESCLA EDITORIAL

Identificados como “triângulos-rosa”, milhares de homossexuais foram enviados para campos de concentração pelo regime de Hitler. Rudolf Brazda, que recebeu a matrícula 7952, ficou preso em Buchenwald por dois anos. Conhecido como o último sobrevivente gay do campo, faleceu aos 98 anos, pouco depois de receber a medalha da Legião de Honra francesa, honraria suprema daquele país. No livro, ele faz um relato ímpar, sustentado por um rigoroso trabalho de pesquisa histórica e marcado pela dor e pela esperança de quem sobreviveu aos horrores do nazismo.

 

LE MONDE DIPLOMATIQUE DESTACA O LIVRO TRIÂNGULO ROSA

A edição de agosto da Le Monde Diplomatique Brasil traz uma resenha sobre o livro Triângulo rosa – Um homossexual no campo de concentração nazista (Mescla Editorial), de Rudolf Brazda e Jean-Luc Schwab. Sustentado por um rigoroso trabalho de pesquisa, o livro traz um depoimento marcado pela dor e pela esperança de quem sobreviveu aos horrores do nazismo. Acesse o link para ler a resenha: http://goo.gl/Zp0hC

Identificados como “triângulos-rosa”, milhares de gays foram caçados pelo regime de Hitler. Com a matrícula 7952, Rudolf foi condenado duas vezes por ser homossexual e depois deportado para Buchenwald, onde ficou preso no campo de concentração durante 32 meses, até sua libertação, ocorrida em 11 de abril de 1945.

Quando foi libertado, Rudolf decidiu fixar residência na França. Foi só em 2008, aos 95 anos, que ele decidiu sair do anonimato. Após a inauguração de um monumento às vítimas homossexuais do nazismo em Berlim, na Alemanha, ele pôs fim a longos anos de silêncio. Surgia, então, aos olhos do mundo, o último sobrevivente homossexual conhecido dos campos de concentração nazista.

No dia 28 de abril de 2011, Rudolf recebeu a medalha da Ordem Nacional da Legião de Honra, mais alta condecoração da França. A distinção foi entregue por Marie-José de Chombart Lauwe, sobrevivente de Ravensbrück e presidente da Fundação para a memória da deportação.

Rudolf faleceu em 3 de agosto de 2011, aos 98 anos, cinco meses depois do lançamento do livro no Brasil. Morando num abrigo para idosos em Mulhouse, na França, morreu enquanto dormia “calma e pacificamente”, segundo Schwab.

Para saber mais sobre o livro, acesse: http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1256/Tri%C3%A2ngulo+rosa