Fatores econômicos e dúvidas sobre o futuro têm levado casais a decidirem não aumentar a família

Matéria originalmente publicada no portal Terra em 01/10/2021.

Escolher ter filhos ou não é uma decisão que cabe a cada casal. Nem sempre é uma decisão fácil, pois envolve fatores econômicos, sociais e emocionais. Porém, há um movimento percebido entre as pessoas de 25 a 35 anos (que formam o grupo dos chamados Millenials): o de retardar ao máximo a gravidez ou de simplesmente não querer mesmo ampliar a família. Além dos fatores já citados, as incertezas em relação ao futuro, em um mundo que atravessa crises econômicas constantes e cuja natureza vem sendo destruída a cada dia, motivam a escolha.

Vale lembrar que mulheres e homens da Geração Y, a dos Millennials, também são tidos como um grupo que amadurece mais devagar – muitos, aliás, demoram a sair da casa dos pais e chegam a morar com eles muito depois de terem completado 30 anos. “Para essa turma, o trabalho é visto como algo pesado e cujo salário é voltado apenas para suprir necessidades pessoais. Ou seja, não estão dispostos a assumir responsabilidades maiores, como administrar uma casa e criar filhos”, diz Hilda Simões Lopes, socióloga.

No passado, ter filho era uma continuação do casamento, e aqueles que dispensavam o papel de pai ou mãe eram questionados ou vistos com olhos de interrogação. Mas será que o momento atual dispensa essa cobrança indireta? Cada caso é um caso, mas a opção vem sendo encarada cada vez mais com naturalidade. Segundo a psicóloga Gisela Castanho, a opção de gerar uma vida causa medo e insegurança. “Os filhos são uma responsabilidade para o resto da vida e cada vez mais as pessoas estão olhando para necessidades e investimentos pessoais”, comenta.

Trabalho X ter filhos

Outro fator que é discutido antes de pensar na maternidade ou na paternidade é o excesso de trabalho com o qual a maioria das pessoas precisa lidar hoje. “O tempo inteiro as pessoas são acionadas e sentem a necessidade de cumprir as tarefas”. Então, as mulheres vão adiando o alarme do relógio biológico o máximo possível” explica Liliana Seger, psicóloga clínica.

Não é à toa que vez ou outra ouvimos falar que o tempo está mais curto, não é mesmo? Hilda Simões esclarece que “as redes sociais trouxeram mudanças aceleradas, como a maneira de se relacionarem, viverem o seu espaço/tempo, e tudo isso torna o ser humano mais individualista”.

Ela diz ainda que a sociedade atual tem um nível de exigência de valores diferentes e prioriza o sucesso e a aparência/status. “A situação econômica se tornou uma necessidade primária na vida das pessoas e isso é uma coisa atual e muito forte, fato que tem a ver com o vazio existencial cada vez mais presente nos jovens contemporâneos”, afirma a socióloga.

Em tempos marcados pelo conforto da casa dos pais, a insegurança em pensar se haverá condições de dar aos filhos as mesmas oportunidades obtidas também colabora para a decisão de não gerar outras vidas. “

A incerteza sobre o futuro causa medo, pois não dá para prever como o mundo estará daqui a 10 anos. inclusive, fatores ambientais que englobam a falta de comida e água e o aquecimento global já estão sendo discutidos em diversos grupos e também impactam em quem faz parte da geração Y, pois eles serão os protagonistas daqui a 50 anos”, finaliza Gisela Castanho.

Fontes: Gisela Castanho, psicóloga e terapeuta de adolescentes; Hilda Simões Lopes, socióloga e bacharel em Direito, e Liliana Seger, psicóloga clínica pela USP (Universidade de São Paulo).


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Para ler na íntegra, acesse: https://bit.ly/3q2jrfe.

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Gisela Castanho
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Este livro foi escrito para todos aqueles que se interessam por terapia de casal e por psicodrama. São 11 capítulos escritos por psicodramatistas com experiências diversas, dotados de vários exemplos nos quais os profissionais mostram como exercem sua prática clínica.

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Terapia de família com adolescentes

Carlos Amadeu Botelho Byington
Claudia Bruscagin
Dalmiro M. Bustos
e mais 16 autores
R$95,50

A clínica com adolescentes vem recebendo cada vez mais atenção de pesquisadores e profissionais da psicologia. Porém, ainda são raras as publicações que tratam da terapia de família com jovens, modalidade cuja procura cresce tanto em consultórios particulares quanto em instituições.Visando suprir essa lacuna, Gisela Castanho e Maria Luiza Dias reuniram profissionais experientes para discutir o papel do terapeuta diante das famílias com adolescentes. Oriundos de diversas abordagens, os autores desta obra compartilham seu conhecimento de forma generosa, compondo um painel rico e instigante sobre temas como conjugalidade, parentalidade, abuso físico e moral, autoridade, adoção e tecnologia. Obra fundamental para terapeutas de qualquer filiação e também para estudantes de Psicologia.

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